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Executivos da JBS e da J&F acertam delação premiada

Executivos da JBS e da controladora J&F anunciaram nesta quinta-feira acordo de delação premiada, enquanto o sócio do grupo Joesley Batista (Na foto à direita) admitiu pagamento de propina para obter facilidades para o conglomerado.

O acordo de delação firmado com o Ministério Público Federal (MPF) e homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), envolve sete executivos da processadora de carnes e da J&F, e prevê pagamento de uma multa total de 225 milhões de reais.

O acordo vem na esteira da divulgação do áudio de Joesley de uma conversa dele com Michel Temer, na qual o presidente supostamente dá anuência para o empresário comprar o silêncio do ex-deputado federal, hoje preso, Eduardo Cunha.

O fato teve como desdobramentos a abertura de um inquérito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra Temer, enquanto o dólar teve a maior alta diária em quase duas décadas e a bolsa paulista perdeu 219 bilhões de reais em valor de mercado.

A processadora de carnes, envolvida em investigações por irregularidades no recebimento de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de investimentos de grandes fundos de pensão de estatais, viu suas ações caírem 9,7 por cento na bolsa paulista.

Em nota separada, Joesley admitiu que fez pagamentos indevidos a agentes públicos para obter vantagens.

"Não honramos nossos valores quando tivemos que interagir, em diversos momentos, com o poder público brasileiro. E não nos orgulhamos disso", diz trecho do comunicado.

"Quando deparados com um sistema brasileiro que muitas vezes cria dificuldades para vender facilidades, nos levaram a optar por pagamentos indevidos a agentes públicos", afirma outro trecho do documento. (Reuters 18/05/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Dólar e petróleo: O cenário macroeconômico continua a dar força às cotações do açúcar na bolsa de Nova York após a recente desvalorização do dólar ante o real. Os papéis com vencimento em outubro fecharam ontem a 16,54 centavos de dólar a libra-peso, com alta de 39 pontos. Além da moeda americana mais fraca, o que tende a desestimular as exportações brasileiras, o petróleo em alta após o recuo nos estoques americanos também ajudou a impulsionar as cotações. A matéria-prima mais cara tende a elevar a competitividade e a demanda pelo etanol, estimulando a produção brasileira do biocombustível em detrimento do açúcar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 76,46 a saca de 50 quilos, alta de 0,33%.

Cacau: Maior demanda: A perspectiva de melhora na demanda europeia por cacau levou os contratos futuros da commodity a mais uma alta ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 2.064 a tonelada, avanço de US$ 16. O euro chegou a atingir ontem o maior valor desde novembro do ano passado, impulsionado pela resultado das eleições presidenciais na França e pelo risco político nos EUA. A Europa concentra um terço de todo o processamento mundial de cacau e a moeda local mais forte tende a elevar o poder de compra e, consequentemente, o consumo da amêndoa. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor avançou 0,58%, para R$ 103 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: De olho no clima: As previsões de novas precipitações no Meio­Oeste e no Delta do Mississipi nos EUA deram sustentação às cotações do milho na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 3,7925 o bushel, alta de 3,5 centavos. Há receios de que o tempo úmido volte a atrapalhar o plantio da safra 2017/18, cujos trabalhos atingiram a média histórica na última semana após um longo período de atraso. A janela ideal de plantio do milho encerra­se no próximo dia 20 nos EUA. Segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA), 71% da área esperada havia sido semeada até o dia 14, abaixo dos 73% observados em 2016/17. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 27,67 a saca de 60 quilos, queda de 0,75%.

Trigo: Lavouras em risco: As previsões climáticas para o Meio-Oeste dos EUA também têm gerado apreensão em relação às condições das lavouras do trigo de inverno nos EUA. Na bolsa de Chicago, o cereal com vencimento em setembro fechou a US$ 4,4025 o bushel, avanço de 2 centavos. Já em Kansas, o grão com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,4375 o bushel, alta de 2 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 51% do cereal de inverno plantado no país estava em condições boas ou excelentes até o último domingo, recuo de dois pontos percentuais ante o visto uma semana antes e abaixo dos 62% observados no mesmo período do ano­safra anterior. No mercado interno, o preço médio no Paraná ficou em R$ 611,24 a tonelada, alta de 0,27%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 19/05/2017)