Macroeconomia e mercado

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Na Folha: Há 12 anos, irmãos da JBS já protagonizavam gravação polêmica

Há 12 anos, Joesley Batista sofreu na carne uma ação semelhante à que protagonizou no Palácio do Jaburu, vinda a público na semana passada.

Desta vez, foi ele quem levou o gravador a uma reunião com o presidente Michel Temer; em 2005, o aparelho estava em outras mãos.

Na ocasião, ao lado do irmão José Batista Junior, então um dos proprietários do frigorífico Friboi, foi alvo de uma gravação clandestina.

Era o início da ampliação do grupo, que, com dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), adquiria unidades frigoríficas em dificuldades financeiras.

Ao comprar, assumia as dívidas das empresas, mas pedia ao banco dinheiro extra como capital de giro para gerir os negócios do frigorífico em dificuldades.

Uma série de reportagens publicadas na Folha em 2005 revelou que, em gravação, os donos da Friboi admitiam formação de cartel no setor de carne e ilegalidades nos contratos com o BNDES.

José Batista Junior dizia, no registro gravado, que o seu frigorífico e outros três determinavam os preços de mercado do boi gordo.

Seu irmão Joesley Mendonça Batista, por sua vez, reconheceu ter contrato de gaveta com o BNDES. A informação apareceu em gravação de conversa feita por executivos do frigorífico Araputanga, à qual a Folha teve acesso. (Folha de São Paulo 23/05/2017)

 

Catar deve enviar missão de negócios ao Brasil, em setembro

O ministro Blairo Magg (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) encerrou, nesta segunda-feira (22), sua agenda no Oriente Médio, depois de reunir-se no Catar, com autoridades de governo, como o ministro da Economia, sheikh Ahmed bin Jassim Al Than. Do ministro do Catar, Maggi ouviu elogios à produtividade agrícola do Brasil e a tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, que permitiram o país se destacar na produção mundial de alimentos.

Blairo Maggi detalhou medidas adotadas depois da Operação Carne Fraca e esclareceu pessoalmente sobre os cuidados sanitários e a regras internacionais seguidas por frigoríficos brasileiros. Mesmo sem problemas com a sanidade dos produtos, o Ministério da Agricultura deixou de emitir certificados de exportação a plantas que estavam sendo auditadas ou investigadas, observou Maggi.

O ministro destacou a safra recorde de grãos que deverá ser colhida neste ano, de 230 milhões de toneladas, prevista pela Conab. “E, isso, sendo que o Brasil é um dos que menos subsidiam a produção”.

O ministro das Municipalidades e Meio Ambiente, Mohamed bin Abdullah Al-Rumahi, disse que deverá ser enviada uma missão de governo ao Brasil, em setembro. “Nossa relação com o Brasil é de alto nível. No Catar existe um carinho muito grande pelo Brasil”, afirmou. O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, que integra a comitiva, destacou que a empresa vinculada ao Mapa tem contribuído para as práticas sustentáveis em uso na agricultura do país.

Acompanhado também pelo secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Odilson Silva, Blairo Maggi, reuniu-se, também, com o sheikh Abdul Aziz Bin Ali Al-Thani, diretor de Planejamenro de Negócios da Qatar Investment Authority, que disse considerar o Brasil um parceiro estratégico e informou o interesse em realizar investimentos diretos no país.

Houve ainda audiência com Mohammed Bin Hamad Bin J. Al-Thani, diretor de Saúde Pública do Public Health Department , que elogiou a velocidade das respostas dadas pelo Mapa a pedidos de informações feitos pelo departamento e comentou ser importante que a comunicação continue aberta.

A missão de governo e empresarial incluiu o Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, que passará a contar com um adido agrícola, em breve, segundo Maggi., e Emirados Árabes Unidos.

Rebanho no deserto

Na Arábia Saudita, foi visitado um dos maiores empreendimentos para produção de leite e derivados lácteos do mundo. A Almarai, em seis diferentes localidades em pleno deserto saudita, mantém um rebanho de 185 mil animais. “São 125 mil vacas, 95 mil em lactação, com média diária de 42 litros por cabeça em quatro ordenhas. Esta megaoperação gera cerca de 4 milhões de litros de leite diários”, contou o presidente da Embrapa.

A visita foi feita a Al Kharj, a 80 quilômetros ao sul da capital, Riad, com 20 mil vacas que produzem 840 mil litros diários. “O segredo para uma produção de leite bem-sucedida em um dos ambientes mais áridos do mundo é tecnologia. Em temperaturas desérticas normais, que podem chegar a 50 graus Celsius, os animais da raça Holstein são mantidos em ambientes com temperaturas entre 23 e 27 graus por meio de sistema automatizado com equipamentos que produzem nuvens de umidade, mantendo conforto térmico em galpões abertos que alojam os rebanhos”, disse Maurício Lopes.

Uma fábrica realiza o processo de pasteurização dos produtos lácteos, engarrafamento e acondicionamento ou sua transformação em produtos comercializados em 55 mil lojas de seis nações do Golfo. “O rendimento da Almarai exige investimento em função da redução das já deprimidas reservas de água do país. Estima-se que quatro quintos dos aquíferos da Arábia Saudita estão esgotados. Com praticamente nenhuma precipitação para reabastecê-los, o governo pretende eliminar completamente a produção de alimentos para os rebanhos (em grande parte já importados), o que pressionará a Arábia Saudita a importar todo o grão e forragens e, talvez a água, necessários para manter esta megaoperação no futuro”, destacou.

Comunicados

No domingo, ainda nos Emirados Arábes, Blairo Maggi, participou de encontro de empresários brasileiros com apoio da Câmara de Comércio Árabe-Brasil. E divulgou três decisões importantes para exportadores brasileiros. “Fui comunicado pelo embaixador José Humberto Brito Cruz, do Marrocos, que foi reaberto o mercado de carne bovina do Brasil. O Egito comunicou a empresas brasileiras que vai comprar 20 mil toneladas de carne bovina por mês, reabrindo o mercado. E a Arábia Saudita vai reabrir o mercado no país para boi em pé”. (Notícias Agrícolas 23/05/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Clima no Brasil: Chuvas nas regiões produtoras de cana no Brasil deram sustentação ao preço do açúcar na bolsa de Nova York ontem. Os contratos com vencimento em outubro fecharam a 16,72 centavos de dólar a libra-peso, alta de 13 pontos. No fim de semana, choveu no Centro-Sul do Brasil, onde estão as lavouras de cana, o que impediu a colheita, diz relatório do Sucden Financial. E a previsão é que a segunda quinzena de maio tenha o dobro de precipitação da média histórica. A decisão da China de elevar a tarifa de importação de açúcar extra-cota de 50% para 95% não afetou o mercado. O país asiático produz cerca de 10 milhões de toneladas de açúcar e importa outras 5 milhões. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 76,89 a saca de 50 quilos, alta de 0,48%.

Café: Efeito dólar: A alta do dólar ante o real pressionou os contratos futuros de café arábica ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em setembro fecharam o pregão a US$ 1,3295 a libra-peso, com retração de 155 pontos. O dólar mais alto estimula as exportações de café por produtores brasileiros, elevando a oferta. Os investidores também estão mais tranquilos em relação à safra global do grão, o que pressiona o mercado. Na sexta-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estimou que o Brasil vai colher 51,2 milhoes de sacas de café na safra 2017/18. O número é superior ao da Conab, que projetou produção de 45,5 milhões no ciclo. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica São Paulo ficou em R$ 454,86 a saca de 60 quilos, com recuo de 0,67%.

Suco de laranja: Estoques em alta: Os contratos de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) caíram na bolsa de Nova York ontem pressionados pela expectativa de crescimento de estoques no Brasil. Os contratos com vencimento em setembro encerraram o pregão cotados a US$ 1,3505 a libra-peso, baixa de 340 pontos. Conforme a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), que reúne Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus, os estoques no fim da safra 2016/17 serão de 70 mil toneladas, menor nível da história recente. Entretanto, para a próxima safra, haverá recomposição da oferta e os estoques poderão chegar a 300 mil toneladas. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos de laranja ficou estável em R$ 16,33, segundo o Cepea.

Soja: Chuvas nos EUA: As chuvas nos EUA no fim de semana deram suporte aos contratos de soja na bolsa de Chicago ontem. Os lotes com vencimento em agosto fecharam com alta de 4 centavos a US$ 9,5825 o bushel. Segundo o Commodity Weather Group, precipitações acima da média no Meio-Oeste e no Delta inundaram alguns campos e atrasaram o plantio da safra 2017/18. A empresa também afirmou que o tempo úmido deve durar mais duas semanas, causando receios sobre a qualidade dos grãos. Apesar dos temores, relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), divulgado após o fim do pregão, mostrou que na semana móvel encerrada no dia 21, o plantio avançou 21 pontos. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&F Bovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 69,94 a saca, baixa de 0,14%. (Valor Econômico 23/05/2017)