Macroeconomia e mercado

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Ponta do lápis

A Petrobras calcula já ter economizado algo em torno de US$ 38 milhões por ano com o enxugamento do seu efetivo de 2015 para cá.

Nesse período, foram dispensados cerca de 13 mil funcionários.

Procurada, a estatal confirmou o total de cortes, mas não se pronunciou sobre valores. (Jornal Relatório Reservado 24/05/2017)

 

Glencore analisa compra da Bunge, em meganegócio no setor de commodities

A divisão agrícola da Glencore abordou a rival Bunge quanto à possibilidade de uma tomada de controle acionário, na esperança de que essa transação a ajude a subir no ranking das empresas de grãos.

A Bunge, fundada em 1818, é uma das mais antigas companhias de comércio de grãos do planeta.
Com faturamento anual de US$ 42,7 bilhões, ela representa o "B" no ABCD de empresas que dominam o comércio internacional de produtos agrícolas, em companhia da Archer Daniels Midland (ADM), Cargill e Louis Dreyfus.

A Glencore confirmou que sua joint venture agrícola "fez uma abordagem informal quanto a uma possível combinação consensual de negócios com a Bunge Limited", mas acrescentou que "discussões podem ou não se materializar, e não existe certeza de que qualquer transação venha a ocorrer".

O grupo de mineração e commodities agrícolas suíço, cuja principal operação são as commodities industriais, vendeu uma participação de 49% em suas operações agrícolas a dois fundos de pensão canadenses, no ano passado, por mais de US$ 3 bilhões.
O acordo tinha por objetivo em parte reduzir dívidas e ampliar a capacidade da empresa para realizar aquisições. O presidente-executivo da Glencore, Ivan Glasenberg, jamais escondeu seu desejo de expandir os negócios do grupo.

A venda da participação acionária aos fundos canadenses também resultou na criação de uma companhia separada, com balanço próprio e não garantido pela Glencore.

Isso significa que dívidas que venham a ser assumidas para financiar transações não serão incorporadas ao balanço da Glencore.

As ações da Bunge, cotadas na bolsa de Nova York, registraram alta de 16,6%, para US$ 18,72, depois que o "Wall Street Journal" publicou uma reportagem sobre a proposta, o que atribui à empresa um valor de mercado de mais de US$ 11,5 bilhões. A Bunge não quis comentar.

A abordagem surge em um período de excesso de produção agrícola no planeta, que está corroendo os lucros das tradings internacionais de grãos, cujos lucros dependem de que elas explorem pequenas diferenças de preços multiplicadas por milhões de toneladas.

Soren Schroder, presidente-executivo da Bunge, sinalizou neste mês que estava aberto a possíveis combinações.

Diversas fontes informadas sobre o pensamento da Glencore disseram que a empresa estava estudando diversas opções em todo o setor agrícola e que a Bunge era apenas uma delas.
"Todo o mundo está conversando com todo mundo", disse uma dessas fontes.

GIGANTE MUNDIAL

A Bunge é a maior companhia mundial no ramo de esmagamento de grãos, transformando soja e outras commodities em óleos vegetais e farelo.

A empresa controla instalações portuárias para exportação na América do Sul, na América do Norte, na região do Mar Negro e na Austrália, o que lhe confere a opção de transportar o excedente de produção nessas regiões a compradores na China, Oriente Médio e outros locais.

Nos Estados Unidos, ela tem uma rede de silos para grãos concentrados ao longo do rio Mississippi.

A Glencore reconhece que sua sua presença nos Estados Unidos, um dos principais exportadores mundiais de grãos, é limitada.

Os amplos volumes disponíveis de trigo, milho e soja ajudaram as operações de processamento de grãos, mas reduziram os lucros que elas propiciam.

Schroder descreveu a dificuldade da posição de sua empresa como intermediária entre agricultores que relutam em vender por preços baixos e companhias de alimentos que preferem esperar o preço cair antes de comprar grãos.

Em uma conferência setorial na semana passada, Schroder apontou para a possibilidade de consolidação na forma de parcerias, como a que sua empresa formou com um fundo de investimento saudita para adquirir o controle de uma processadora de grãos canadense.

"Se houver algo maior, estaremos abertos a isso, é claro", ele acrescentou.

"É muito evidente que há protagonistas demais tentando fazer a mesma coisa com uma margem de lucro muito baixa."

Falando na conferência de cúpula mundial do "Financial Times" sobre commodities, em março, Chris Mahoney, o antigo remador olímpico que comanda a Glencore Agriculture, disse que a unidade não adquiriria uma empresa norte-americana só para cobrir uma lacuna em sua rede.

Ele afirmou que a Glencore Agriculture estava mais interessada em empresas dotadas de muitos ativos, e com "o tamanho e escala necessários".

Mahoney disse também que a Glencore Agriculture teria vantagem na compra de ativos porque, ao contrário de rivais como a ADM e a Cargill, ela não enfrentaria problemas com as autoridades antitruste. (Financial Times 23/05/2017)

 

Investidores da JBS fogem com dúvidas sobre futuro da empresa

Apreensão com acusações de informações privilegiadas, possíveis batalhas judiciais nos EUA e incertezas sobre um acordo de leniência com procuradores ajudaram a alimentar outra debandada da JBS, fazendo com que a empresa brasileira no centro do mais recente escândalo político do país perdesse R$ 7,45 bi em valor de mercado apenas nesta segunda-feira.

As ações da maior empresa de carnes do mundo despencaram 31%, um tombo histórico. Isso após declínio de 21% na semana passada, quando os investidores venderam as ações da cia. brasileira depois que surgiram os primeiros relatos mostrando o presidente da JBS admitindo o pagamento de propinas e a outros políticos em conversa com o presidente Michel Temer. Os títulos da empresa também caíram após a Moody’s rebaixar a classificação de crédito da empresa.

O colapso das ações e especulação de que JBS pode ser alvo de processos coletivos nos EUA como resultado das revelações parecem ter acabado de vez com os planos para o IPO de sua unidade JBS Foods em Nova York, de acordo com Luis Gustavo Pereira, analista da corretora Guide Investimentos. Também pesaram nas ações a incerteza em torno da controladora J&F Investimentos, que ainda está em negociações com promotores para um acordo de leniência.

“É difícil encontrar um piso para as ações da JBS no momento”, disse Pereira por telefone.

Em depoimentos filmados pela Justiça e divulgados em 19 de maio,Joesley Batista e o irmão Wesley descrevem um amplo esquema de pagamentos ilícitos durante vários anos. Os depoimentos surgem 3 anos depois que o país foi sacudido pela primeira vez pela Lava Jato.

Temer, que negou qualquer irregularidade, está resistindo à pressão para renunciar. Ele reforçou sua defesa em um discurso exibido na TV nacionalmente no fim de semana, dizendo que a JBS fez “milhões e milhões de dólares” em menos de 24 horas com os negócios com câmbio porque estava ciente de que o testemunho dos irmãos levaria o real a se depreciar. Entretanto, as condições dadas a Joesley, presidente do conselho da JBS, como parte do acordo de delação com promotores serão questionadas na Suprema Corte, segundo o jornal O Estado de São Paulo.

Cinco Investigações

A CVM iniciou 5 inquéritos separados sobre negócios relacionados à JBS e ao Banco Original, que também é de propriedade da J&F. A CVM informou aos promotores sobre possível uso de informações privilegiadas na negociação de futuros e ações em dólar.

A JBS não quis comentar as transações com ações. Cia. disse que suas recentes operações de moeda foram destinadas a reduzir o risco e estão em conformidade com a política da empresa.

Os promotores e a empresa não chegaram a um acordo sobre o montante que a J&F deve pagar em multas no acordo de leniência. As negociações foram retomadas nesta segunda-feira, de acordo com uma nota no site da promotoria brasileira, que busca pagamento de R$ 11,2 bi dez anos. Numa primeira proposta, a JBS ofereceu pagar R$ 1 bilhão e, depois, R$ 1,4 bilhão. A empresa disse que também iniciou negociações de leniência com o Departamento de Justiça dos EUA.

A Moody’s rebaixou a JBS e sua subsidiária integral JBS USA nesta segunda-feira, citando “aumento dos riscos relacionados a possíveis processos judiciais futuros, governança da empresa e liquidez, nos quais atualmente há visibilidade limitada”.

Os US$ 750 milhões de títulos da empresa com vencimento em 2024 perderam 6,8% para 92,775 centavos de dólar. As ações fecharam a R$ 5,98 reais, o menor nível desde 2013 e a maior queda de um dia desde que começaram a operar em 2007. Volume de negociação foi sete vezes maior que a média diária de três meses. (Bloomberg 23/05/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Correção em NY: Os contratos futuros de açúcar passaram por correção no pregão de ontem em Nova York. Os papéis com vencimento em outubro encerraram cotados a 16,13 centavos de dólar a libra-peso, redução de 59 pontos, mesmo com as indicações de que as chuvas no Centro-Sul do Brasil devem seguir acima da média nos próximos quinze dias. Como avalia o Banco Pine, em relatório, essas chuvas poderão reduzir a moagem de cana pelas usinas, o que é um fator de sustentação das cotações futuras. Desde fevereiro, os preços futuros do açúcar já caíram quase 30% diante da estimativa de superávit global em 2017/18. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 77,47 a saca de 50 quilos, alta de 0,75%.

Soja: Queda em Chicago: O avanço do plantio de soja da safra 2017/18 nos EUA, apesar das fortes chuvas na semana passada, pressionou ontem os contratos da oleaginosa. Em Chicago, os papéis com vencimento em agosto encerraram o pregão a US$ 9,5025 o bushel, redução de 8 centavos. Analistas apostavam que os trabalhos não tinham ocorrido de forma intensa devido às chuvas no Meio-Oeste e Delta americano. Entretanto, relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) mostrou que o plantio havia avançado 21 pontos percentuais na semana encerrada no último dia 21. O índice ficou em linha com o mesmo período do ano passado. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 69,48 a saca de 60 quilos, com baixa de 0,66%.

Milho: Dólar em alta: A alta do dólar em relação a uma lista de moedas e o avanço do plantio nos EUA fizeram os contratos de milho recuar ontem em Chicago. Os papéis com vencimento em setembro terminaram o dia a US$ 3,77 o bushel, com queda de 5,50 centavos. No fim do pregão da bolsa americana, o dólar index estava em alta de 0,26%. Quando a moeda sobe, os grãos dos EUA ficam mais caros nos mercados do exterior e as cotações tendem a cair. Com relação ao plantio, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que 84% da área estimada para 2017/18 havia sido semeada na semana até o dia 21. Número alinhado com analistas, que estimavam entre 82% e 87%. No mercado interno, o indicador Esalq/BM$FBovespa para o grão ficou em R$ 27,85 a saca, baixa de 0,11%.

Trigo: Avanço do plantio: Os contratos futuros de trigo caíram nas bolsas americanas ontem diante do avanço do plantio do cereal nos EUA. Em Chicago, os lotes com vencimento em setembro fecharam a US$ 4,44 o bushel, queda de 4 centavos. Em Kansas, os papéis com o mesmo vencimento recuaram 4,75 centavos a US$ 4,4825 o bushel. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 90% da área estimada para o trigo de primavera da safra 2017/18 foram semeadas até o dia 21, abaixo dos 94% de igual período do ano passado, mas acima da média histórica dos últimos anos, de 84%. O USDA também informou que 52% das lavouras de inverno estavam em condições boas ou excelentes. No mercado interno, o preço médio no Paraná ficou em R$ 608,02 a tonelada, redução de 0,13%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 24/05/2017)