Macroeconomia e mercado

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Mercedes-Benz fecha o maior contrato dos últimos nove anos

Venda de 524 caminhões a frotistas da Raízen não reduzirá, porém, a ociosidade de fábricas de forma significativa.

No maior contrato fechado pela montadora de veículos comerciais em nove anos, a Mercedes-Benz anunciou ontem a venda de 524 caminhões a frotistas que prestam serviços de transporte à produtora de etanol e açúcar Raízen.

Valor do negócio com a produtora de açúcar e etanol Raízen não foi divulgado pela montadora.

Do total, 286 unidades do modelo Atego foram vendidas à locadora Borgato e serão usadas nas lavouras da Raízen em atividades de apoio à produção, como o transporte de produtos e materiais até os canaviais. Nesse caso, as entregas começaram em abril e vão até setembro.

Outras 238 unidades são caminhões extra-pesados Axor, modelo capaz de carregar até 123 toneladas. Esses já foram entregues a um grupo de empresas que fazem o transporte de cana-de-açúcar para a Raízen.

O valor do negócio não foi divulgado. Embora os veículos tenham sido adquiridos por prestadores de serviços terceirizados, a negociação do contrato, que inclui ainda plano de manutenção da frota, foi feita pela Raízen.

Segundo Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas da Mercedes-Benz, a encomenda não vai ajudar a reduzir significativamente a ociosidade da fábrica da marca alemã em São Bernardo do Campo, já que o impacto é diluído ao longo dos meses de produção num parque industrial no qual a empresa tem condições de montar 80 mil veículos por ano.

O executivo comemora, porém, que o pedido reforça a posição de liderança da montadora no segmento de extra-pesados usados em operações fora de estrada, como atividades do campo e mineração, em que a Mercedes tem participação de 66,4%, com 888 unidades entregues nos quatro primeiros meses do ano. (O Estado de São Paulo 26/05/2017)

 

Na Folha: JBS traz alegria na soja e preocupação na pecuária

O conteúdo da delação dos executivos da JBS influencia o mercado de commodities há uma semana. Trouxe um pouco de alegria aos produtores de soja, mas provoca sérias preocupações nos do setor de carnes.

Desde o dia da divulgação da delação, os preços internos da soja subiram 2,4%. Já os da arroba de boi recuaram 4,4%.

A soja ganhou preço devido ao aprofundamento da crise política nacional. As incertezas pressionaram o dólar, que tornou o produto brasileiro mais competitivo no mercado externo e impulsionou os preços internos.

Não fosse essa alta da moeda norte-americana, os preços internos da soja estariam em queda livre.

A Bolsa de Chicago, onde basicamente são definidos os valores internacionais do produto, registrou o menor preço para a soja nos últimos 13 meses nesta quinta-feira (25), quando comparados os preços do contrato de julho do mercado futuro.

Já os pecuaristas não têm a mesma sorte. Pelo fato de a JBS ser a principal empresa de carnes do Brasil e do mundo, a delação dos executivos trouxe preocupações ao setor. (Folha de São Paulo 26/05/2017)

 

Petrobras reduz preço de combustíveis diante de forte alta na importação

O Grupo Executivo de Mercado e Preços (GEMP) da Petrobras decidiu nesta quinta-feira reduzir o preço médio da gasolina nas refinarias em 5,4 por cento e em 3,5 por cento os valores do diesel.

"A decisão foi guiada predominantemente por um aumento significativo nas importações no último mês, o que obrigou ajustes de competitividade da Petrobras no mercado interno", disse a Petrobras em nota.

Conforme princípio da política da empresa em vigor, a participação de mercado da companhia é um dos componentes de análise considerado pelo GEMP.

A importação de gasolina por terceiros para o mercado interno aumentou de 240 mil metros cúbicos em fevereiro para 419 mil em abril, com previsão de manutenção em torno deste nível em maio.

No diesel, a importação saiu de 564 mil metros cúbicos em fevereiro para 811 mil em abril, e há previsão de mais de 1 milhão de metros cúbicos em maio, disse a estatal.

"Com isso, as refinarias da Petrobras podem chegar a um fator de utilização abaixo do último dado divulgado pela companhia em seus resultados trimestrais, que foi de 77 por cento".

Neste cenário, os fatores relacionados ao preço dos derivados no mercado internacional e a oscilação da moeda nacional também foram avaliados pelo GEMP, disse a Petrobras, acrescentando que os novos preços continuam com uma margem positiva em relação à paridade internacional, conforme princípio da política da empresa.

Se o ajuste feito nesta quinta-feira for integralmente repassado e não houver alterações nas demais parcelas que compõem o valor ao consumidor final, o diesel pode cair na bomba 2,2 por cento, ou cerca de 0,07 real por litro, em média, e a gasolina, 2,4 por cento, ou 0,09 real por litro, em média. (Reuters 25/05/2017)

 

Ministro diz ter preocupação com posição de domínio da JBS no Brasil

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (Foto), disse nesta quinta-feira que sempre se preocupou com o tamanho que o frigorífico JBS adquiriu no Brasil e criticou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por ajudar a empresa a conquistar uma posição dominante no mercado.

"Sempre fui um crítico da posição do BNDES de ter proporcionado esta grande concentração que houve no Brasil", disse Blairo Maggi durante uma conferência de agronegócio em Cuiabá, cidade localizada no cinturão agrícola brasileiro. Ele chamou a atual crise da JBS, envolvida em um escândalo de corrupção, de "momento delicado".

"Não sei o que vai acontecer com esta companhia", disse Maggi, que também é um produtor bilionário de soja.

Joesley e Wesley Batista, os acionistas controladores da JBS, transformaram a companhia de um abatedouro regional no principal produtor de carnes do Brasil e um grupo multinacional em expansão, ajudados por cerca de 8 bilhões de reais em financiamentos subsidiados do BNDES.

Os irmãos recentemente desencadearam uma tempestade política após admitirem que pagaram propina a centenas de políticos brasileiros para proteger seus interesses em um escândalo que envolveu até o presidente Michel Temer.

Eles agora tentam negociar um acordo de leniência com as autoridade que os permita ficar no controle de sua holding J&F Investimentos.

Maggi ainda acrescentou que o governo tem buscado encorajar outras empresas a entrar para o mercado de processamento de carnes.

As ações da JBS perderam um terço de seu valor ao longo do último mês, embora tenham se recuperado nas últimas sessões, impulsionadas por relatos de que os irmãos estão avaliando a venda de alguns ativos, possivelmente a própria processadora de carnes.

As ações subiam cerca de 7,5 por cento por volta das 15:00 horas, a maior alta da Bovespa.

Em separado, uma importante consultoria da indústria de carnes disse que pecuaristas brasileiros começam a exigir que a JBS pague em espécie porque estão preocupados com as consequências do envolvimento da empresa no escândalo de propina.

"O pessoal está avesso ao risco. Produtores não estão vendendo ao JBS, e quem vende está fazendo o máximo para vender à vista", disse a diretora da Agriffato, Lygia Pimentel.

A JBS, por outro lado, recentemente disse a pecuaristas do Mato Grosso, maior região produtora de gado do país, que preferia fazer negócios a prazo ou em um período de 30 dias após a entrega. O esforço teve pouco progresso com pecuaristas, segundo o grupo da indústria Acrimat.

A empresa comprou muitos rivais em importantes regiões produtoras de carne do Brasil nos últimos anos. Em alguns lugares, ela é a única processadora, deixando pecuaristas sem outras opções de compradores.

A JBS confirmou que estava esticar os pagamentos ao longo de períodos maiores, mas disse que a iniciativa é anterior ao escândalo de corrupção.

Plano Safra

O governo federal definiu praticamente tudo relacionado ao Plano Safra, o programa oficial de financiamento aos agricultores, incluindo valores e juros, que deverão ter uma redução de um ponto percentual, afirmou nesta quinta-feira o ministro de Agricultura, Blairo Maggi, durante evento em Cuiabá.

"Já está tudo praticamente definido, valores, programa, juros. Será anunciado semana que vem, conforme previsto", declarou ele.

Segundo Blairo, os juros do plano serão 1 ponto percentual menores que no ano passado.

"Para alguns programas, o juro pode ser ainda menor. Os valores também não serão muito diferentes dos do ano passado", declarou ele. (Reuters 25/05/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: Pequena alta: Após três sessões consecutivas de baixa, os contratos futuros de café arábica subiram ontem na bolsa Nova York. Os lotes com vencimento em setembro fecharam com alta de 70 pontos a US$ 1,3165 a libra-peso. O café vinha em queda nos pregões anteriores em decorrência principalmente da alta do dólar. A valorização da moeda americana estimula as exportações do café pelo Brasil, o que eleva a oferta. A estimativa do escritório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a safra brasileira de café em 2017/18 também vinha pressionando o mercado. O órgão estima produção de 52,1 milhões de sacas, acima das 45,5 milhões previstas pela Conab. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 456,99 a saca de 60 quilos, com alta de 0,86%.

Soja: Apesar da chuva: Apesar da previsão de chuvas nas regiões produtoras de soja dos EUA, o que pode estressar as lavouras, o mercado futuro da oleaginosa em Chicago fechou em queda ontem. Os contratos de soja com vencimento em agosto terminaram a sessão a US$ 9,4150 o bushel, com redução de 8,75 centavos. Segundo a Commodity Weather Group, chuvas devem atingir Meio-Oeste, Delta e Grandes Planícies americanas na próxima quinzena, elevando o estresse das lavouras e dificultando o plantio da safra 2017/18. Até o momento, a semeadura chegou a 53% da área prevista. Nesse cenário, a expectativa é de volatilidade, segundo analistas. No mercado doméstico, o indicador Esalq BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 69,64 a saca de 60 quilos, recuo de 0,19%.

Milho: Super oferta: Os contratos de milho com vencimento em setembro terminaram a sessão de ontem na bolsa de Chicago com queda de 2 centavos, a US$ 3,77 o bushel. Apesar de o excesso de chuvas no país afetar as lavouras, o mercado está consciente da super oferta do grão e nenhum importador, além dos chineses, está disposto a pagar os preços atuais. Assim, o mercado segue pressionado. A retração do milho ontem, contudo, foi limitada pela decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de manter os cortes de produção por mais nove meses. A decisão tende a estimular o uso de etanol, que nos Estados Unidos é feito a partir do milho. No mercado interno, o indicador da Esalq/BM$FBovespa ficou em R$ 27,11 a saca de 60 quilos, baixa de 1,78%.

Algodão: Vendas menores: A redução nas vendas americanas de algodão pressionou os contratos futuros da pluma ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em outubro terminaram o pregão a 74,49 centavos de dólar a libra-peso, leve redução de 1 ponto ante quarta­feira. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 3,52 mil toneladas de algodão desta safra foram negociados pelos exportadores americanos na semana até 18 de maio. O volume é 87% inferior ao da semana precedente e 88% menor que a média vendida nas quatro semanas anteriores. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor de algodão na Bahia ficou inalterado em R$ 95,01 a arroba ontem, de acordo com a associação de produtores local, a Aiba. (Valor Econômico 26/05/2017)