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Chinesa COFCO reformula operações no Brasil ao constatar irregularidades em sua unidade da Nidera Sementes

A estatal chinesa que comercializa commodities agrícolas COFCO está reformulando suas operações no Brasil, incluindo uma reestruturação em seus negócios com a Nidera Sementes Ltda, após encontrar irregularidades contábeis no ano passado, segundo reporta a agência internacional Reuters.

Já em dezembro do ano passado, foi reportado um rombo de US$ 150 milhões em suas contas da divisão brasileira e, de lá pra cá, muitos outros contratempos vêm sendo sofridos pela COFCO não só no Brasil, mas em suas operações em toda a América Latina, incluindo uma perda de US$ 200 milhões em suas negociações entre biocombustíveis.

A aquisição da Nidera pela COFCO foi concluída este ano. E de acordo com documentos apurados pela Reuters internacional, três dos principais executivos da diretoria da Nidera já renunciaram a seus cargos. Em 2016, as perdas da Nidera Capital BV - a holding da Nidera que também é da COFCO - foram recordes e ficaram em US$ 266,6 milhões, contra US$ 65,9 milhões de 2015.

É importante lembrar, porém, que o recuo na receita gerada pelas maiores traders agrícolas mundiais - como a ADM e a Bunge - também foi reflexo dos preços mais baixos para os grãos. Junto da Cargill e da Louis Dreyfus Corp, as quatro são as maiores e dominam o mercado global de grãos. (Reuters 26/05/2017)

 

Elétricos serão mais baratos que carros a gasolina em 10 anos

Em breve comprar automóveis movidos a bateria será mais barato do que comprar os modelos convencionais a gasolina, proporcionando uma economia imediata para os motoristas, aponta uma nova pesquisa.

Fabricantes de veículos como Renault e Tesla há tempos elogiam os gastos menores com combustível e funcionamento dos carros elétricos, que ajudam a compensar os preços iniciais mais elevados da compra de veículos de zero emissão.

Agora uma pesquisa da Bloomberg New Energy Finance indica que com a queda dos custos da bateria, comprar os veículos elétricos também será mais barato nos EUA e na Europa já em 2025. As baterias atualmente representam cerca de metade do custo dos veículos elétricos e os preços delas diminuirão cerca de 77 por cento entre 2016 e 2030, afirmou a empresa de pesquisas com sede em Londres.

"Em termos de pagamento inicial esses carros começarão a ficar mais baratos e as pessoas começarão a adotá-los mais à medida que os preços se aproximarem da paridade", disse Colin McKerracher, analista da empresa. "Depois disso eles serão ainda mais atraentes."

A Renault, que fabrica o carro elétrico Zoe, prevê que os custos totais de propriedade dos veículos elétricos no começo de 2020 serão iguais aos dos veículos convencionais com motores de combustão interna (conhecidos no setor como ICE), segundo Gilles Normand, vice-presidente sênior para veículos elétricos da empresa francesa.

"Temos duas curvas", disse Normand, em entrevista concedida no início do mês em Londres. "Uma delas é a da redução de custos da tecnologia do veículo elétrico, porque há mais avanços no custo da tecnologia e mais volume, de modo que o custo dos veículos elétricos vai cair. O custo do ICE vai aumentar como resultado das normas mais rigorosas, especialmente no que diz respeito às normas para o material particulado". (Bloomberg 26/05/2017)

 

Após delações, sócio oculto da JBS é mistério

Justiça mantém protegidos por senha documentos que, em tese, contam quem criou a Blessed e por que; a empresa é sócia do grupo desde 2009.

Desde 2009, a JBS tem um sócio misterioso, a empresa Blessed Holdings LLC. Sua sede fica em Delaware, conhecido paraíso fiscal nos Estados Unidos, onde as leis financeiras são mais flexíveis. Com a divulgação das delações dos irmãos Batista, que dizem ter contado tudo à Procuradoria Geral da República, a expectativa é a de que, finalmente, o mistério seria esclarecido. Mas não é o que se vê.

Os documentos divulgados até agora mostram que Joesley e Wesley Batista, acionistas do grupo, apresentaram em suas declarações de imposto de renda que adquiriram, cada qual, 50% das ações da Blessed. Agora, eles são os donos. Mas não há detalhes históricos.

Os documentos referentes à Blessed, anexados na delação, permanecem sob sigilo da Justiça. Não é possível sequer saber se os Batista deram ou não detalhes relevantes sobre quem foi esse sócio oculto.

Em reportagem publicada em junho de 2014, o Estado trouxe a público que a Blessed tinha na época dois acionistas no mínimo esquisitos: seguradoras localizadas em paraísos fiscais. Uma era a US Commonwealth, de Porto Rio; a outra, Lighthouse Capital Insurance Company, nas Ilhas Cayman.

A reportagem, à época, apurou que apesar de terem nomes diferentes e estarem em países distintos, presidente e demais executivos de ambas eram os mesmos. Também identificou que seguradoras do gênero eram uma estrutura comumente utilizada para ocultar patrimônio. Na ponta final, costuma estar um ou mais beneficiários de apólices que não querem ser identificados. O instrumento é legal e utilizado principalmente para a proteção de grandes fortunas.

A JBS, então, tinha como sócios não apenas os Batista, mas também a família Bertin. Se alguém perguntasse “de quem é a Blessed?” para qualquer uma das famílias, nem uma nem outra dizia saber responder. E não é que a Blessed não tenha relevância. Desde lá é um dos principais acionistas da FB Participações, que tem o controle da JBS.

Naquela onda de especulações sobre quem seria o dono da Blessed, um dos nomes mais cogitados sempre foi o de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Nunca, porém, foi encontrada qualquer prova que pudesse sequer indicar quem séria o sócio oculto.

Dúvida

Há quem diga que os irmãos Batista não falaram nada sobre a Blessed em suas delações. Mas perguntados foram. Wesley, que foi conduzido coercitivamente poucos dias antes da divulgação das delações, pela Operação Bullish, chegou a dizer em depoimento que quem sabia sobre a Blessed era seu irmão Joesley.

Na semana passada, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) perguntou sobre a Blessed. Na quarta-feira, a JBS respondeu que não havia nenhuma mudança no controle. E negou que a companhia tivesse comprado a empresa. Na sexta-feira, já de noite, a empresa informou novamente à CVM que de fato fizera alteração societária. A Blessed permanece alimentando dúvidas e questionamentos.

Em nota, a JBS disse que já respondeu todas as dúvidas da CVM e “segue em seu firme propósito de colaborar com a Justiça brasileira”. (O Estado de São Paulo 29/05/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Petróleo pressiona: A queda dos preços do petróleo pressionou as cotações do açúcar na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos da commodity agrícola com vencimento em outubro fecharam a 15,37 centavos de dólar a libra-peso, 59 pontos a menos que na quinta-feira. Apesar de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ter estendido os cortes na produção do combustível até março de 2018, analistas consideraram que os termos do acerto não garantem equilíbrio entre oferta e demanda. O petróleo em baixa desestimula a produção de etanol, concorrente do açúcar no uso da cana no Brasil. Outro fator baixista foi a redução de preço da gasolina pela Petrobras em 5,4%. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 77,52 a saca de 50 quilos, queda de 0,15%.

Café: Alta em Nova: York Após as perdas registradas até meados da última semana, os contratos futuros de café arábica encerraram a sexta-feira em alta na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em setembro subiram 190 pontos a US$ 1,3355 por libra-peso. De acordo com analistas, a decisão dos investidores foi técnica e também estimulada pelo câmbio, na sexta-feira, o dólar teve leve queda em relação ao real. A moeda americana mais fraca desestimula as exportações de café, reduzindo a oferta. Jack Scoville, do Price Futures Group, porém, disse em relatório que o mercado é baixista, diante da expectativa de melhora na produção e do avanço da colheita em países produtores. No mercado interno, o indicador do arábica Cepea/Esalq subiu 0,43%, para R$ 458,95 a saca.

Cacau: Realização em NY: Depois de quatro pregões em baixa, os contratos futuros do cacau passaram por uma realização de lucros e terminaram a sessão de sexta-feira em alta na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em setembro fecharam a US$ 1.923 a tonelada, com alta de US$ 34. Na última semana, os papéis foram pressionados pelo fim da colheita intermediária na Costa do Marfim e pelas notícias de que a produção foi favorável no maior produtor mundial. O mercado trabalha com a expectativa de superávit global nesta e na próxima safra. Para o Rabobank, a sobra agora será de 350 mil toneladas e, em 2017/18, 150 mil toneladas. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio ao produtor ficou estável em R$ 107,00 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores.

Trigo: Ainda as chuvas: A previsão de mais chuvas nas Grandes Planícies americanas e no Canadá impulsionou os preços futuros do trigo na sexta-feira nas bolsas americanas. Os lotes com vencimento em setembro fecharam a US$ 4,5125 o bushel, alta de 7 centavos. Em Kansas, os papéis com o mesmo vencimento subiram 6,25 centavos a US$ 4,5525 o bushel. Segundo o Commodity Weather Group, as lavouras devem receber chuvas, que podem prejudicar campos que já estão encharcados. Além disso, hoje é feriado nos EUA, e os investidores agem de forma mais conservadora. O analista Jack Scoville, do Price Futures Group, afirma que as vendas acima do esperado do cereal dos EUA na última semana contribuíram para a alta. No mercado interno, o preço médio no Paraná ficou em R$ 614,52 a tonelada, alta de 0,69%, segundo o Cepea/ESALQ. (Valor Econômico 29/05/2017)