Macroeconomia e mercado

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Congresso “decide” o futuro da SLC Agrícola

Há tempo de semear e de colher. A SLC Agrícola, dos irmãos Eduardo e Jorge Longemann, encontra-se no segundo momento: está em conversações com fundos internacionais para a venda de parte do seu portfólio de propriedades agrícolas.

São 61 mil hectares pertencentes à SLC Landco, joint venture com o private equity inglês Valiance.

Os planos de desmobilização, no entanto, dependem de uma ajuda do Congresso Nacional, leia-se a aprovação do projeto de lei 4952/2012, que autoriza a compra de terras por estrangeiros. (Jornal Relatório Reservado 23/06/2017)

 

Petrobras considera ‘seriamente’ aumentar a frequência de reajuste da gasolina, diz Parente

Presidente da estatal voltou a dizer que a periodicidade mensal da política de preços pode não ser suficiente para acompanhar variações do câmbio e do preço do petróleo.

A política de preços da Petrobras de rever os preços dos combustíveis nas refinarias uma vez por mês não é suficiente para acompanhar as variações do câmbio e do preço internacional de petróleo. Foi o que afirmou nesta quinta-feira (22) o presidente da estatal, Pedro Parente, em evento com investidores em São Paulo.

“Chegamos recentemente à conclusão de que a periodicidade mensal é obviamente muito melhor do que existia anteriormente, mas ainda não lida com as variações do câmbio e do petróleo internacional. Estamos considerando seriamente a possibilidade de aumentar essa frequência”.

A política de preços foi iniciada em outubro. Esta não foi a primeira vez que Parente afirmou que a Petrobras pode aumentar a periodicidade dos anúncios de alteração do preço dos combustíveis. O último anúncio, no dia 14 de junho, foi feito com menos de 20 dias de intervalo da redução anterior.

Metas da empresa

Em sua palestra no Encontro Internacional de Relações com Investidores, realizado na Fecomercio em São Paulo, Parente reforçou a meta da empresa em reduzir o endividamento e diminuir os custos operacionais para reverter o quadro de dificuldades.

O presidente também comentou as perdas da Petrobras com a corrupção. “Sobre toda a bandalheira que se instalou na empresa, é importante mencionar que, na realidade, a empresa foi uma vítima”, apontou Parente. “Diferente de outras empresas, a Petrobras não teve qualquer benefício com a corrupção que ali se instalou”.

Parente reforçou ainda que a empresa está comprometida com a melhoria de sua governança e, para isso, “um grande número de medidas está sendo adotado”, disse o presidente. Ele exemplificou apontando o pedido de certificação no Programa Destaque em Governança de Estatais na B3 (antiga Bovespa). Parente citou ainda que “hoje, 100% dos conselheiros são independentes”.

Parente comentou que, em meio à crise e ao escândalo de corrupção investigado pela Lava Jato, a Petrobras passou a enfrentar juros mais altos por causa da desconfiança dos investidores, na esteira da perda do grau de investimento da empresa por agências de risco e sucessivos rebaixamentos de rating. Isso multiplicou seu endividamento.

“Naturalmente, nossos investidores começaram a pedir juros mais altos”, disse Parente. “Estamos pagando US$ 7,5 bilhões de juros por ano. É um peso que temos que carregar, uma bola de ferro em relação aos nossos competidores”. (G1 23/06/2017)

 

A hora da Cide

Corremos o risco de reduzir o papel do etanol a um simples aditivo da gasolina.

O preço do petróleo colapsou, apesar do acordo realizado no final do ano passado entre a Opep e a Rússia. Buscando elevar as cotações, houve um esforço para reduzir a oferta. Bem sucedido no início, resultou numa contração da produção de quase 1 milhão de barris no começo do ano.

Em consequência, os preços do petróleo do tipo Brent subiram para mais de US$ 56 por barril, animando o mercado. Entretanto, em março começaram a fraquejar, pois nesse momento se tornou mais claro que as cotações melhores estavam estimulando a elevação da oferta, especialmente nos Estados Unidos. Com a rapidez na prospecção e no desenvolvimento de novos poços na região do “shale oil”, a produção subiu de 8,5 milhões de barris/dia, em setembro passado, para 9,3 milhões, no início deste mês.

Devidamente autorizados pelo cartel, Líbia e Nigéria elevaram a produção em mais de 300 mil barris em maio, em relação a abril. Outros países, como o Brasil, também bombaram mais óleo. A perspectiva de enxugamento do mercado reverteu-se, derrubando as cotações. Entre 12 e 21 deste mês, a queda foi de 7%. Comparado a fevereiro, a redução foi de mais de 20%, de US$ 56 para US$ 44 o barril. Mais uma vez está claro que a Opep não mais controla o mercado de petróleo, e toda tentativa de puxar os preços apenas estimula a elevação da produção em outros lugares do mundo, até porque houve, nos últimos anos, um expressivo avanço tecnológico que reduziu muito os custos de prospecção, desenvolvimento e extração de óleo, inclusive no Brasil.

A queda no preço externo tem sido repassada para o mercado brasileiro de derivados, o que concorre para reduzir, em muito, a alta de preço no País. Na verdade, desde outubro do ano passado, a taxa de inflação vem surpreendendo e caindo mais do que o projetado. Muitos fatores concorrem para isso, desde os juros ainda muito elevados e a fraqueza da demanda do consumidor até os choques positivos, como o decorrente da excepcional safra de verão. Auxiliados pela queda recente nas cotações internacionais de produtos agrícolas, inclusive do açúcar, os preços dos alimentos estão caindo significativamente.

O IPCA-15 de 0,16% em junho é o mais baixo desde 2006. O índice cheio para o mês deverá ser negativo e, com isso, as projeções de inflação para o ano são próximas de 3,5%, algo extraordinariamente positivo.

É exatamente neste momento que me parece chegada a hora de elevar a Cide, cujos impactos positivos no meio ambiente são inequívocos, e não capturados no mercado privado. Entretanto, o setor produtivo vem sendo grandemente machucado nos últimos tempos, depois de um breve período de melhoria. O País corre o risco de perder pelo menos parte do esforço de criar uma plataforma única no mundo, na área de combustíveis líquidos, francamente favoráveis ao meio ambiente desde a produção.

Vemos recentemente uma situação fortemente baixista, que está se autoalimentando: a redução de preços dos combustíveis pressiona o preço do etanol, que induz os produtores a elevar a produção de açúcar, que, por sua vez, leva a uma queda nas cotações internacionais, que se reflete nos preços domésticos, reiniciando o circuito. Como o setor está endividado, a queda na geração de caixa agrava o problema. 

Corremos o risco de reduzir o papel do etanol a um simples aditivo da gasolina, o que, embora seja confortável para as empresas de petróleo, não é, certamente, o melhor para o meio ambiente e para o País.

A queda firme da inflação abre uma inequívoca oportunidade para a correção desse desequilíbrio. Creio que uma Cide de R$ 0,25 por litro de gasolina seja algo bastante razoável para as atuais circunstâncias.

O impacto de um aumento da Cide de R$ 0,15 por litro sobre os preços da gasolina ao consumidor não seria superior a 5%, assumindo o repasse integral e a ausência de mudanças nas demais parcelas que compõem o preço final. 

(Agradeço o auxílio da competente analista Giovana Araújo, da MB Agro, na avaliação dos impactos da Cide no preço da gasolina. Agradeço também a Arnaldo Corrêa, da Archer Consulting). (O Estado de São Paulo 25/06/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Sessão instável: O ajuste de posições dos fundos antes do fim de semana gerou forte instabilidade no pregão de sexta-feira e os contratos futuros do açúcar encerraram o dia com alta marginal. Os papéis com vencimento em outubro fecharam a 13,17 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 11 pontos. A movimentação reflete os sinais de demanda firme na China, maior importador mundial de açúcar. Segundo o serviço alfandegário do país, as importações chinesas avançaram 38% em maio ante o mesmo período de 2016, somando 186,77 mil toneladas. No acumulado do ano, o aumento chega a 32%, com 1,3 milhão de toneladas importadas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 69,83 a saca de 50 quilos, redução de 0,58%.

Cacau: Reação em NY: Após uma série de quedas classificadas como "exageradas" pelo Commerzbank, os contratos futuros do cacau registraram forte alta em Nova York na última sexta-feira, impulsionados pelo ajuste de posições dos fundos. Os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 1.879 a tonelada, alta de US$ 56. Em nota, o Commerzbank observou que, embora a oferta de Gana, segundo maior produtor mundial, tenha superado as expectativas do mercado até o momento, na Costa do Marfim, maior produtor mundial, as chuvas acima da média geram receios sobre a safra intermediária do país. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio ao produtor ficou em R$ 104 a arroba, recuo de 0,38%, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Demanda chinesa: O aumento das importações de algodão pela China este ano, mesmo diante da liquidação dos estoques do país, deu fôlego às cotações da pluma na última sexta-feira na bolsa de Nova York, quando o mercado também foi impulsionado pelo ajuste técnico de posições dos fundos. Os papéis com vencimento em outubro fecharam a 68,97 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 94 pontos. Segundo o serviço aduaneiro da China, as importações do país somaram 85,43 mil toneladas em maio, avanço de 9,25% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2017, o país asiático comprou um total de 546,82 mil toneladas da fibra, alta de 58%. No mercado interno, o preço médio ao produtor na Bahia ficou em R$ 90,29 a arroba segundo a associação de agricultores local, a Aiba.

Milho: Consumo menor: O menor consumo de milho na China este ano ajudou a pressionar os contratos futuros do grão na bolsa de Chicago na sexta-feira passada, catalisando as perdas geradas pela melhora das condições climáticas no Meio-Oeste dos EUA. Os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 3,655 o bushel, recuo de 5,25 centavos. Segundo o serviço aduaneiro da China, o país importou 42,219 mil toneladas em maio, queda de 96% ante o registrado em igual período do ano passado. No acumulado de 2017, as importações chinesas de milho somaram 351,9 mil toneladas, queda de 88% ante o observado em igual intervalo do ano passado. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 26,82 a saca de 60 quilos na sexta-feira, retração de 0,07%. (Valor Econômico 26/06/2017)