Macroeconomia e mercado

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Aprovado o negócio entre AGCO e Kepler

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a venda de 34,93% da gaúcha Kepler Weber, fabricante de silos e armazéns de grãos, para a AGCO do Brasil, controlada pela americana AGCO, uma das maiores fabricantes de máquinas agrícolas do mundo. As ações que passarão para a empresa estão nas mãos de Previ e Banco de Investimentos do Banco do Brasil (BB-BI).

A proposta de compra da AGCO prevê que haja uma oferta pública subsequente de ações. A AGCO deve adquirir um montante que represente – em conjunto com as ações adquiridas do fundo de pensão Previ e BBI, não menos do que 65% do capital votante da Kepler Weber. Após o fechamento da operação, a AGCO do Brasil passará a deter o controle da Kepler Weber.

Em fevereiro, a múlti americana anunciou a oferta de US$ 185 milhões para adquirir a companhia brasileira. A Kepler Weber complementa o portfólio da GSI, controlada pela AGCO, que atua no mesmo segmento e foi adquirida em 2011. A própria GSI tentou comprar a Kepler Weber em 2007, mas a transação não prosperou.

O Cade entendeu que "a grande quantidade de players no mercado, as características dos produtos ofertados, o fato de o mercado estar passando por uma fase de redução de oferta e a grande capacidade dos concorrentes de absorver um aumento de demanda afastam o risco de exercício de poder de mercado" por parte da AGCO.

No mês passado, Olivier Colas, vice-presidente da Kepler Weber disse ao Valor que uma das estratégias é direcionar esforços para crescer em outros países da América Latina. O objetivo é ampliar a participação nas exportações totais de seu segmento na região de 35% para 50% em dois anos. O executivo lembrou, na ocasião, que a AGCO, no portfólio de produtos da marca GSI, tem linhas voltadas à América Latina. (Brasil Agro 12/07/2017)

 

Terras cultiváveis continuarão em expansão no Brasil e na Argentina

Brasil e Argentina vão continuar a registrar aumento em suas terras cultiváveis ("crop land") nos próximos dez anos, ao mesmo tempo em que áreas agrícolas utilizadas ("agricultural land use") seguirão a diminuir em termos globais. Essas projeções constam do "Relatório de Perspectivas Agrícolas 2017-2026", elaborado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela FAO, a agência da ONU para Agricultura e Alimentação.

Nos últimos dez anos, os dois países da América do Sul já tiveram a mais forte expansão de terras cultivadas do mundo. Os aumentos foram de 10 milhões de hectares no Brasil e de 8 milhões na Argentina, de acordo com o relatório. Para a próxima década, a projeção é que o ritmo de expansão das terras para cultivos seja semelhante nos dois países, o que garantirá a ambos um papel estratégico ainda maior no abastecimento global de alimentos.

Em outros grandes produtores agrícolas onde as áreas de cultivo aumentaram na última década, a previsão é de queda, em parte por causa do comportamento esperado dos preços das commodities. As maiores reduções deverão acontecer nos Estados Unidos e na União Europeia, também em consequência da urbanização, do reflorestamento e conversão permanente de pastagens em áreas agrícolas.

Entre 1960 e 1993, as terras de uso agrícola aumentaram de 4,5 bilhões de hectares para 4,9 bilhões no mundo. Nos últimos dez anos, no entanto, diminuíram cerca de 62 milhões de hectares. E essa tendência deve persistir, mas em menor ritmo, para algo em torno de 24 milhões de hectares. Mais da metade das terras agrícolas, incluindo terras aráveis e pastagens, está localizada em dez países, com as maiores áreas distribuídas na China, nos EUA e na Austrália.

Cerca de 70% das terras agricultáveis são usadas como pasto, mas a conversão de pastagens degradadas em áreas agricultáveis está crescendo. Os cereais ocupam 42% das terras cultivadas globalmente, enquanto 14% são destinados a oleaginosas, 4% a raízes e tubérculos, 2% ao algodão e outros 2% para as matérias-primas destinadas à produção de açúcar, segundo o relatório. Os outros 36% são alocados para pulses (feijão, lentilha etc), frutas e vegetais.

No cenário traçado pelo novo trabalho da OCDE e da FAO, o Brasil deverá superar os Estados Unidos como o maior produtor de soja do planeta. No país, a produção da oleaginosa, segundo o relatório, deverá crescer 2,6% ao ano até 2026, enquanto nos EUA o avanço deverá ser de 1% ao ano. Na Argentina, por sua vez, o ritmo de crescimento, no caso do grão, está projetado em 2,1% ao ano. A soja é o carro-chefe do agronegócio brasileiro.

Ainda conforme o relatório de FAO e OCDE, a produção mundial de carnes poderá ser 13% maior em 2026 que entre 2014 e 2016, um ritmo de crescimento mais acelerado que na década passada. A participação do Brasil e dos EUA nas exportações totais deverá aumentar para 44% - ou seja, os dois países responderão por quase 70% do crescimento das vendas externas no período.

De acordo com o relatório publicado ontem, o Brasil também se consolidará ainda mais na liderança da produção global de açúcar e deverá representar, ao fim da próxima década, por 48% das exportações mundiais. OCDE e FAO preveem recuperação no segmento, após severos problemas financeiros que abalaram usinas, inclusive no CentroSul brasileiro, nos últimos anos. Os órgãos apontam, como sinal de recuperação, mais investimentos na renovação de canaviais. (Valor Econômico 11/07/2017)

 

"Boom" de carros elétricos não significa o fim do petróleo, diz chefe da AIE

Para Faith Birol, petróleo ainda será necessário para navios, aviões e caminhões.

O uso de carros elétricos deverá crescer nos próximos anos, mas isso não significará o fim da demanda de petróleo, afirmou nesta terça-feira o chefe da Agência Internacional de Energia (AIE). O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, disse que o crescimento dos carros elétricos está começando a partir de uma base muito pequena e que o petróleo ainda será necessário para navios, aviões e caminhões. O foco no potencial de mudança dos carros elétricos aumentou drasticamente nas últimas semanas.

A França disse que vai acabar com as vendas de veículos a gasolina e diesel até 2040, e a Volvo Cars planeja começar a eliminar a produção de carros convencionais somente a gasolina a partir de 2019, passando a produzir apenas modelos elétricos ou híbridos. "Hoje, muitas pessoas falam sobre carros elétricos - com razão, porque as vendas de carros elétricos estão aumentando. No ano passado, tivemos um recorde na venda de carros elétricos", disse Birol, cuja organização intergovernamental busca garantir um fornecimento confiável de energia para os seus Estados-membros.

Mas mesmo com esse recorde de vendas, o número de carros elétricos hoje chega a dois milhões, o que representa apenas 0,2% da frota de carros mundial. O setor "crescerá, mas não nos trará o fim da era do petróleo", disse Birol à margem do Congresso Mundial do Petróleo, em Istambul. "A demanda de petróleo será conduzida por caminhões, pela aviação, por jatos, por navios e, muito importante, pela indústria petroquímica", acrescentou. "É muito difícil substituir o petróleo nesses setores, pelo menos no curto e no médio prazo", afirmou.

Reequilíbrio dos mercados

A indústria do petróleo tem sido afetada nos últimos anos pelo baixo preço do petróleo e também pela pressão para reduzir as emissões, como prevê o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas. Enquanto isso, o interesse pelas energias renováveis aumentou, suscitando questões sobre se a demanda por petróleo desaparecerá antes mesmo de os recursos estarem esgotados.

A AIE prevê uma pequena recuperação neste ano, de cerca de 6%, no investimento de petróleo e gás. Mas Birol lembra que os gastos são desiguais pelo mundo. A crescente fonte não convencional de petróleo e gás de xisto nos Estados Unidos representa a maioria dos investimentos, em contraposição aos mercados tradicionais.

"A grande parte dos investimentos está indo para o xisto dos Estados Unidos, e o xisto está mudando o quadro completo", disse Birol, observando que os investimentos não estavam sendo feitos no Oriente Médio, na África e na Rússia. De acordo com Birol, a demanda de petróleo vai continuar aumentando, embora em ritmo desacelerado. "Mesmo em um mundo que é limitado pelo clima (...) vemos que o petróleo e o gás ainda serão necessários", disse Birol.

O preço do petróleo bruto ainda está flutuando em torno de 45 dólares por barril, muito longe do máximo de 145 dólares observado em 2008. A crise de preços provocou uma rara cooperação entre a Opep e não membros do cartel, com o objetivo de aumentar os preços. "Se a demanda for saudável, esperamos que na segunda metade do ano possamos ver o reequilíbrio dos mercados", disse Birol.

Ele alertou, porém, contra o excesso de otimismo por parte dos produtores de petróleo, ressaltando que é improvável que o preço do barril ultrapasse cem dólares. (AFP 1/07/2017)

 

Nissan estima que carros com emissão zero representem até 20% das vendas na Europa em 2020

A Nissan espera que carros com emissão zero de poluentes representem até 20 por cento de suas vendas na Europa até 2020, disse nesta segunda-feira em comunicado o diretor de da divisão de Veículos Elétricos para Europa da montadora, Gareth Dunsmore.

A Nissan informou ver com bons olhos o compromisso da França de recompensar aqueles que optam veículos mais sustentáveis.

Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente francês, Nicolas Hulot, disse que o país quer cabar com as vendas de veículos puramente a gasolina ou diesel até 2040, tornando-se neutro em carbono 10 anos depois.

"Até 2020, quando as condições de mercado estiverem boas, estou confiante que estaremos vendendo até 20 por cento do nosso volume em veículos de emissão zero, e isso só vai crescer", disse Dunsmore no comunicado. (Reuters 11/07/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Perdas acumuladas: O açúcar ampliou ontem as perdas registradas na segunda-feira, quando o governo indiano anunciou aumento na tarifa de importação do produto no país. Os papéis da commodity com vencimento em março fecharam ontem a 14,19 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York, recuo de 10 pontos. A queda acumulada em duas sessões foi de 64 pontos. Na segunda-feira, a Índia elevou o imposto sobre a importação de açúcar de 40% para 50%. A medida tende a ampliar a oferta mundial da commodity, já que reduz as importações do país, maior consumidor mundial e com uma produção estimada em 25 milhões de toneladas em 2017/18. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 63,48 a saca de 50 quilos, queda de 0,22%.

Cacau: Apesar da demanda: Nem a demanda acima do esperado na Europa consegue conter a desvalorização do cacau, que tem sido pressionado pela previsão de superávit na oferta mundial na atual e na próxima safra. Ontem, os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 1.817 a tonelada Nova York, queda de US$ 21. Embora a Associação Europeia de Cacau tenha apontado alta de 2,1% o processamento local da amêndoa no segundo trimestre de 2017 ante igual período de 2016, o mercado ainda aguarda os dados da América do Norte, a serem divulgados no próximo dia 20, para avaliar os efeitos da queda das cotações na demanda. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio ao produtor ficou em R$ 99,40 a arroba, queda de 0,99%, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: Realização de lucros: A realização de lucros por parte de investidores diante das previsões de um clima mais úmido no Meio-Oeste dos EUA nas próximas semanas pressionou as cotações do milho na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 4,0175 o bushel, recuo de 0,25 centavo. As perdas, contudo, foram limitadas pela piora nas condições de desenvolvimento da safra 2017/18 nos EUA, onde as lavouras estão na fase de polinização. Segundo o Departamento de Agricultura local (USDA), 65% do milho plantado no país estava em condições boas ou excelentes até o último dia 9, abaixo dos 76% registrados em 2016. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de 60 quilos do grão ficou em R$ 27,22, alta de 1,34%.

Trigo: Irreversível: As más condições de desenvolvimento do trigo americano na safra 2017/18 já são consideradas irreversíveis por analistas, o que deu força às cotações da commodity nas bolsas do país ontem. Em Chicago, o trigo com entrega para setembro fechou a US$ 5,53 o bushel, alta de 3 centavos. Em Kansas, o cereal de mesmo vencimento fechou a US$ 5,575 o bushel, avanço de 0,25 centavo. Segundo o Departamento de Agricultura do EUA (USDA), 35% do cereal de primavera americano, com maior nível de proteína, apresentava condições boas ou excelentes até o último dia 9, bem abaixo dos 70% observados no mesmo período do ano-safra anterior. No Paraná, o preço médio do cereal ficou em R$ 663,59 a tonelada, recuo marginal de 0,09%, segundo levantamento do Cepea. (Valor Econômico 12/07/2017)