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Shell e Cosan negociam permuta de ações da Comgás

A Shell e o grupo Cosan já iniciaram conversações para fechar, em breve, um acordo de permuta das ações que a petroleira anglo-holandesa detém na distribuidora de gás natural Comgás por uma fatia do capital da companhia controlada por Rubens Ometto Silveira Mello, apurou o Valor com fontes que acompanham as tratativas.

O direito da Shell de converter essas ações foi acertado com a Cosan já em 2012, no momento da venda do controle da Comgás ao grupo brasileiro. E deveria ocorrer até o fim do quinto ano, a contar da data do negócio. O acordo prevê essa permuta caso os 17,12% de capital social remanescente não fosse adquirido por outro investidor ou se a Shell decidisse sair do ativo.

As bases da negociação não levarão em conta os valores de mercado da Comgás, ressaltou uma fonte. Haverá um mecanismo de ajuste no preço, o que tornará o valor da transação inferior ao R$ 1 bilhão estimado hoje para os papéis em poder da petroleira.

Segundo apurou o Valor, a Cosan vai receber da Shell, conforme acerto entre as partes, montante que pode superar R$ 200 milhões. Essa conta de ajuste inclui dividendos pagos pela distribuidora de gás, que serão reembolsados à vista pela petroleira.

Na sexta-feira, o valor de mercado da Comgás na B3 era de R$ 5,698 bilhões, com a ação cotada a R$ 47,13. Já o valor de Cosan, no fechamento, chegou R$ 14,48 bilhões, com a ação a R$ 35,50.

Em nota a clientes, a equipe de análise do BTG Pactual afirmou que a Shell tem até setembro para se desfazer de sua fatia na distribuidora de gás, recebendo em troca 30.917.231 ações da Cosan. Ao preço do papel no fechamento de sexta-feira, a participação da Shell na Cosan valeria R$ 1,097 bilhão e seria equivalente a 7,35% do capital do grupo de Ometto.

Já as 21.805.645 ações ON que a Shell tem na Comgás são avaliadas em R$ 1,027 bilhão - R$ 70 milhões inferior ao da fatia que vai receber de papéis da Cosan.

O grupo Cosan controla a Comgás com participação de 62,66%. A aquisição ocorreu em maio de 2012, por R$ 3,4 bilhões.

Shell e Cosan também são sócias na Raízen, cuja criação foi anunciada no início de 2011, gerando a Raízen Combustíveis, de distribuição de combustíveis, e a Raízen Energia, empresa de açúcar, etanol e cogeração. Os dois grupos detêm participações iguais de 50%.

No ano passado, a Comgás teve resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) normalizado (que inclui variações da conta corrente regulatória e, portanto, reflete de forma mais adequada o desempenho da companhia), de R$ 1,5 bilhão, alta de 6,3%. O lucro líquido ficou em R$ 555 milhões, declínio de 10,4%, enquanto a receita líquida teve recuo de 14,2%, a R$ 5,6 bilhões.

Para 2017, a Cosan projeta Ebitda normalizado de R$ 1,55 bilhão a R$ 1,65 bilhão para a Comgás.

Procurada, a Cosan informou que não vai se manifestar sobre a negociação em curso com Shell. (Valor Econômico 17/07/2017)

 

Montadoras globais pedem que China flexibilize metas para carros elétricos

Montadoras globais pediram para que a China atrase e suavize as cotas planejadas para vendas de carros elétricos e híbridos, dizendo que será impossível cumprir com suas metas, as quais perturbariam severamente seus negócios, de acordo com uma carta vista pela Reuters.

A carta, escrita em 18 de junho e endereçada ao chefe do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, é o esforço mais coeso até o momento do setor contra as ambiciosas metas para os chamados veículos movidos a energia nova, no maior mercado automobilísticos do mundo.

Ávida para combater a emissão de poluentes, a China está planejando uma série de metas para carros elétricos e híbridos, para que correspondam a pelo menos vinte por cento das vendas de automóveis na China até 2025, com um sistema escalonado de cotas a ser iniciado em 2018.

As novas e rígidas regras, junto com as duras penalidades planejadas para caso de descumprimento, como o cancelamento da licença para vender carros não elétricos na China, podem causar muitos problemas para algumas montadoras no mercado.

"A ambiciosa data de cumprimento com as regras propostas é impossível de atingir", disse a carta de órgão do setor automotivo dos Estados Unidos, Europa, Japão e Coreia. "No mínimo, a obrigação precisa ser atrasada por um ano e incluir flexibilidades adicionais".

O ministério não quis comentar.

As metas ditam que as empresas vendam veículos elétricos ou híbridos para gerar "créditos" equivalentes a 8 (oito) por cento das vendas totais em 2018, 10 por cento em 2019 e 12 por cento em 2020. (Reuters 14/07/2017)

 

Petrobras acelera venda de ativos para enfrentar barril barato

A Petrobras está intensificando as vendas de ativos, mesmo em um momento em que os preços do petróleo persistentemente baixos e a política interna conturbada tornam seu vasto número de campos de petróleo, refinarias e unidades de distribuição menos atraentes.
Por que vender em um mercado de compradores? Porque a petroleira estatal não pode simplesmente aguardar a melhora do ciclo do petróleo. A empresa ainda detém a maior dívida entre todas as petroleiras de capital aberto, mesmo após anos de desinvestimentos e cortes de custos, e não consegue quitá-la simplesmente com produção e comercialização de petróleo.

Nas últimas duas semanas a Petrobras anunciou a venda de um campo de petróleo offshore no Brasil e de seus postos de combustíveis no Paraguai e a oferta pública inicial da unidade BR Distribuidora, a maior distribuidora de combustíveis da América Latina. Além disso, assinou um memorando com a China National Petroleum Corporation, ou CNPC, para uma união para possíveis investimentos no setor. Suas ações e títulos tiveram desempenhos superiores aos de seus pares até esta altura do mês.

A Petrobras, antes uma das corporações mais admiradas do Brasil por seu conhecimento técnico em águas profundas e alcance internacional, está trabalhando para reconstruir a confiança dos investidores após desembarcar no epicentro do maior escândalo de corrupção do Brasil, que levou a bilhões de dólares em baixas contábeis e a uma ação judicial coletiva nos EUA. O sucesso inicial do presidente Pedro Parente com os desinvestimentos, no ano passado, ajudou a reduzir os custos dos empréstimos e a estimular um rali das ações da companhia.

O trabalho dele não terminou. A Petrobras tem US$ 18 bilhões em obrigações com vencimento em 2018, mesmo depois de estender os vencimentos, no início do ano, em uma troca de dívidas. A Petrobras tem uma meta muito ousada e ambiciosa de venda de ativos, em 2017 e 2018, que somam US$ 21 bilhões, disse Luiz Caetano, analista da Planner Corretora.

“O momento do mercado internacional de petróleo não é de grande desejo para comprar ativos”, disse Caetano, por telefone, de São Paulo. “Como eles têm esse objetivo grande, não há tempo para pensar se é um bom momento ou não.”

Será difícil vender os campos de petróleo porque o óleo bruto vale menos da metade do pico de 2014 e por causa dos efeitos da turbulência política no Brasil, disse Chris Kettenmann, estrategista-chefe de energia da Macro Risk Advisors. Ele está mais otimista em relação às perspectivas para a BR Distribuidora, que tem uma rede de cerca de 8.000 postos de gasolina no Brasil.

A Petrobras afirmou em um e-mail de resposta a perguntas que manterá sua meta de desinvestimentos, mas preferiu não detalhar o tamanho da participação que pretende vender na BR Distribuidora por meio da oferta de ações.

A distribuidora pode ser uma fonte importante de recursos para reduzir dívidas e é um negócio atraente devido ao potencial de crescimento das vendas no Brasil, afirmou o Bank of America em relatório de pesquisa de 12 de julho. Uma nova gestão também poderia simplificar custos e melhorar sua marca, segundo o relatório.

“Esse é o maior pacote de ativos que eles levaram ao mercado”, disse Kettenmann. (Bloomberg 14/07/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: Frente fria no Brasil: As previsões de chegada de uma frente fria e de uma massa de ar polar no Brasil no último fim de semana sustentaram as cotações do café na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 1,337 a libra-peso, alta de 250 pontos. Os dois sistemas devem causar chuva no Centro-Sul do país, o que pode atrapalhar a colheita da safra 2017/18, e derrubar as temperaturas, elevando o risco de geada. De acordo com a consultoria Safras & Mercado, a colheita de da safra 2017/18 atingiu a 56% da área plantada no dia 11 de julho, ante 58% em igual período de 2016/17 e uma média histórica de 57%. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos de café arábica negociada em São Paulo ficou em R$ 455,56, alta de 1,19%.

Cacau: Demanda em foco: A mudança nas perspectivas para a demanda mundial de cacau este ano levou os contratos futuros da commodity a acumularem alta superior a 2% em Nova York na semana passada. Os papéis para setembro fecharam a US$ 1.915 na sexta-feira, alta de US$ 43. Após a Associação Europeia de Cacau apontar aumento de 2,1% no processamento de cacau no continente no segundo trimestre deste ano, a multinacional Barry Callebaut divulgou aumento de 2,8% nas suas vendas no intervalo de nove meses até 31 de maio, "impulsionado pelo forte crescimento, acima do esperado, do mercado de chocolate, de 4,7%". Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor pela amêndoa caiu 1,3%, a R$ 98,70 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Ajuste e clima: O ajuste de posições dos fundos antes do fim de semana e as previsões de tempo seco em algumas regiões dos EUA nas próximas duas semanas deram impulso às cotações da soja na bolsa de Chicago na sexta-feira. Os papéis com vencimento em agosto fecharam a US$ 9,89 o bushel, alta de 13,5 centavos. O avanço ocorreu após fortes quedas registradas na quarta e na quinta-feira, diante das estimativas de produtividade do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para o país, mantidas em 1,08 tonelada por hectare mesmo com a seca que afeta algumas regiões, sobretudo nos Estados de Dakota do Norte e Dakota do Sul. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá ficou em R$ 71,12 a saca de 60 quilos, queda de 2,01%.

Trigo: Virada em Chicago: As previsões de produção e estoques de trigo nos EUA acima das expectativas apontadas pelo Departamento de Agricultura do país (USDA) na última quarta-feira ainda pressionam as cotações do cereal nas bolsas americanas. Em Chicago, os papéis para setembro fecharam a US$ 5,1075 o bushel na sexta-feira, queda de 1 centavo, elevando as perdas acumuladas para 24,25 centavos na semana. Em Kansas, o mesmo vencimento fechou a US$ 5,135 o bushel, recuo de 2 centavos - a queda na semana foi de 29,5 centavos. Segundo o USDA, só 35% do trigo de primavera apresentava condições boas ou excelentes no país até o dia 9. No mercado interno, o preço médio no Paraná ficou em R$ 664,17 a tonelada, alta de 1,28%, segundo o Cepea/ESALQ. (Valor Econômico 17/07/2017)