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Aumento do etanol pode ser revisto, diz Meirelles

A Receita Federal está refazendo os cálculos do aumento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o etanol para verificar se ele está em conformidade com o que estabelece a lei, informou nesta segunda-feira o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

De acordo com a Receita Federal, “as alíquotas para a Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não devem ser superiores a 9,25% do preço médio de venda no varejo do etanol, apurado de forma ponderada com base no volume comercializado em cada estado e no Distrito Federal nos 12 meses anteriores”.

A suspeita é que, somado ao reajuste que houve no início do ano, quando o setor perdeu a isenção de PIS/Cofins, o aumento da última semana estaria acima do limite imposto por lei. A Receita Federal esclareceu ainda que “variações de preços no varejo praticados nos estados e no Distrito Federal podem implicar alterações neste limite.”

Meirelles disse que, na avaliação do órgão, o reajuste está no “limite da lei”, mas que recomendou que os cálculos fossem refeitos. Ele disse que o refinamento de contas é “sempre positivo” e que o valor pode ser alterado, caso se constate o erro. “Se não estiver [correto], a lei será obedecida”. A Receita informou que “está procedendo a atualização destes valores com vistas a verificar se houve variações no limite estabelecido.”

O ministro da Fazenda disse ontem que o governo não considera, no momento, aumentar outras alíquotas de impostos para atingir sua meta fiscal, mas admitiu que "tudo é possível, se necessário”, embora tenha ressaltado que vem falando isso desde agosto do ano passado e que o governo está “trabalhando mesmo é para concretizar outras receitas".

Ele, que se reuniu com investidores em São Paulo, também afirmou que as discussões do novo Refis fizeram com que muitas empresas esperassem um projeto "muito generoso", mas capaz de gerar "prejuízo fiscal" para as contas do governo. "Nesse sentido nós vamos combater isso [alterações no Refis]", disse.

Meirelles relatou encontro que teve com Paulo Skaf, presidente da Fiesp, que no fim da última semana trouxe de volta o pato amarelo à rua como forma de protestar contra a alta de impostos anunciada na semana passada pela equipe econômica. "Tivemos bom entendimento”, disse. (Valor econômico 24/07/2017)

 

Petrobras reduz preços do diesel e gasolina nas refinarias a partir de terça-feira

A Petrobras irá reduzir em 3 por cento o preço do diesel nas refinarias a partir da terça-feira, 25 de julho, enquanto a gasolina terá uma redução de 1,8 por cento, segundo informações publicadas pela companhia em seu site nesta segunda-feira.

O reajuste com corte nos preços segue-se ao anúncio pelo governo na semana passada de uma elevação nos impostos sobre os combustíveis.

A Petrobras tem realizado mudanças até diárias nos preços do diesel e da gasolina desde o início do mês, em uma nova política que visa evitar perda de participação da companhia no mercado. (Reuters 24/07/2017)

 

Gasolina pode ter maior alta em 13 anos com aumento de tributação

O repasse integral do aumento de impostos anunciado na quinta (20) pode levar a gasolina à maior alta nas bombas desde o início da série semanal de preços dos combustíveis da ANP (Agência Nacional do Petróleo), em 2004.

Nesta sexta (21), os postos começaram a receber combustíveis com novos preços. Levantamento feito pelo Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes de São Paulo) aponta que a gasolina veio R$ 0,4075 mais cara, praticamente o mesmo valor anunciado pelo governo (R$ 0,41).

Considerando o preço médio nacional verificado pela ANP na semana passada, com o repasse integral, a gasolina subirá de R$ 3,485 para R$ 3,895 por litro, alta de 11,7%.

"Não me lembro de outra ocasião em que subiu tanto. Com certeza, vai ter reflexos nas vendas, porque o consumidor não tem mais de onde tirar dinheiro", comentou o presidente do Sincopetro, José Alberto Paiva Gouveia.

A única vez em que a agência detectou alta maior nas bombas foi em novembro de 2002, quando a gasolina subiu 12,3%, ou R$ 0,55 por litro em valores atualizados. Essa estatística, porém, considera a variação mensal dos preços.

O levantamento feito pelo Sincopetro detectou aumento de R$ 0,2297 no diesel e de R$ 0,2082 no etanol. A conta é resultado de comparação entre faturas emitidas nesta sexta com os preços de antes da mudança nos impostos.

Na quinta, o governo anunciou elevação das alíquotas de PIS/Cofins sobre os três combustíveis com o objetivo de arrecadar R$ 10,4 bilhões e evitar aumento do deficit fiscal.

A elevação dos impostos interrompe uma trajetória de queda dos preços nos postos que dura desde o início do ano, resultado de reduções promovidas pela Petrobras para tentar conter importações por empresas privadas.

Se o custo adicional chegar integralmente às bombas, a gasolina terá o preço mais alto desde março de 2016, quando custava R$ 3,909, em valores atualizados, segundo cálculo feito pelo CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

Para especialistas, os preços da refinaria devem ser mantidos em baixa, pois não há perspectivas de alta do petróleo e a Petrobras continua sofrendo concorrência. (Folha de São Paulo 24/07/2017)

 

Opinião: Brasil precisa aumentar ainda mais impostos sobre gasolina

O aumento do imposto sobre combustíveis, com consequente alta de preços, vai ser bom para o país por uma razão mais importante do que engordar o caixa do governo federal. Deve diminuir a demanda pelo uso dos automóveis e ajudar a qualidade do ar das grandes cidades, especialmente São Paulo.

O consumo de combustível e o uso do automóvel são influenciados por preço. Além de quebrar a Petrobras, muito mais do que a corrupção, a política demagógica que marcou os governos Lula e Dilma, de preços artificialmente baixos para agradar a indústria automobilística e segurar a inflação, provocou aumento do uso do carro e fez mal a todas as grandes cidades do país. A epidemia de congestionamento foi marca registrada dos governos petistas.

Menos conhecido do público, mas profundamente danoso foi o aumento da poluição e das doenças decorrentes, principalmente respiratórias. O mimo para a classe média e para as fábricas de carro foi pago com um aumento de custos para a saúde pública que vai deixar consequências de longo prazo para o país.

A taxação maior sobre os derivados de petróleo do que para o álcool também pode ser boa, se os postos mantiverem a proporção no preço para o consumidor. Nos anos passados, ao mesmo tempo em que continham o preço dos combustíveis, o governo federal reduziu a diferença entre gasolina e álcool abaixo dos 30% necessários para igualar o desempenho de consumo (os carros precisam de mais álcool para rodar a mesma coisa, por isso, o biocombustível tem que ser mais barato). Essa (falta de) estratégia quebrou o setor do álcool.

Na última terça-feira, a publicação "Nature Communications" divulgou um artigo sobre a poluição causada pelo crescimento do consumo de gasolina e redução do uso de álcool em São Paulo em função de preço durante o ano de 2011. O estudo chamado "Redução dos níveis de partículas ultrafinas na atmosfera de São Paulo durante troca de consumo de gasolina pelo etanol" foi feito por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores de diferentes universidades, formada pelos brasileiros Alberto Salvo (economia, Universidade de Cingapura), Joel Brito e Paulo Artaxo (física, USP) e o alemão Franz Geiger (química, Northwestern University, EUA).

O artigo mostra como o comportamento do consumidor é sensível a alterações de preço e, por isso, a poluição cresceu quando o governo federal deixou o álcool mais caro.

Em verdade, uma gestão pública estratégica tem que levar em consideração vários aspectos da vida: a arrecadação de impostos, a taxa de poluição, o uso de automóvel e os transportes públicos, a tecnologia dos motores, o desenvolvimento da agricultura brasileira, etc.

Em anos passados, os prefeitos Gilberto Kassab e Fernando Haddad propuseram o aumento da Cide, tributo federal sobre combustíveis, com repasse para as metrópoles subsidiarem as tarifas de transportes públicos.

O governo Temer, que tenta sobreviver a qualquer custo, vai tapando buracos políticos e econômicos atabalhoadamente. Assim, se apropriou de uma receita que poderia melhorar os sistemas de ônibus municipais. O vampiro de Brasília chupa mais um pouco do sangue do país e deixa as tarifas dos coletivos por conta dos cofres dos municípios, muitos quebrados. É péssimo, sem dúvida.

Mas o aumento de preços vai reduzir a demanda por combustíveis, mormente derivados de petróleo, e isso tende a ter dois bons efeitos: diminuir as viagens de carro e a poluição nas grandes cidades.

A rigor, apesar da grita de donos de automóveis e caminhões, o ideal para o país é que mais aumentos ocorram, pressionando radicalmente a alteração do padrão da mobilidade e dos transportes. E com eles, poderá ser recuperada a ideia da "Cide para os municípios".

Leão Serva é jornalista e coautor de “Como Viver em SP sem Carro”, faz pesquisas no Warburg Institute, em Londres, com o apoio da Capes. (Folha de São Paulo 24/07/2017)

 

Com Kepler Weber, AGCO busca novos mercados na América do Sul

A aquisição da gaúcha Kepler Weber, fabricante de silos e equipamentos para armazenagem de grãos, pela AGCO deve ajudar a multinacional americana a avançar no mercado da América do Sul.

Em entrevista ao Valor, o diretor de relações com investidores da AGCO, Greg Peterson, afirmou que a aquisição permitirá que empresa a aumente a presença também nos países vizinhos ao Brasil. Segundo ele, o fato de a Kepler ser "muito bem-sucedida no mercado brasileiro, com uma linha muito forte de produtos" contribuirá para impulsionar outros mercados da região, sobretudo a Argentina.

"A maior parte do crescimento eu acredito que virá do Brasil, mas também há oportunidades importantes fora do país", disse.

Uma das maiores fabricantes de máquinas agrícolas do mundo, a AGCO teve apenas 12,4% da receita total originária da América do Sul em 2016, enquanto 24,4% da receita de vendas teve origem na América do Norte.

A intenção de avançar na América do Sul está alinhada com os planos da Kepler Weber que já estavam em curso. No mês passado, Olivier Colas, vice-presidente da empresa brasileira, afirmou ao Valor que a estratégia é ampliar as exportações com foco nos países da América Latina. O objetivo é elevar a participação nas exportações totais do segmento na região de 35% para 50% em dois anos.

Tanto a Kepler Weber quanto a GSI (controlada da AGCO que atua no segmento de armazenagem) têm fábricas apenas no Brasil, então, o avanço na América do Sul deve ocorrer via exportações.

Hoje, a GSI tem menos de 10% de participação de mercado do Brasil. Com a aquisição da Kepler, a AGCO passará a ter cerca 40% desse mercado no país.

A AGCO ainda não é a controladora da companhia gaúcha. Neste mês, o Cade aprovou sem restrições a venda de 35% da Kepler à AGCO do Brasil, controlada pela AGCO. As ações que passarão para a empresa estão nas mãos de Previ e Banco de Investimentos do Banco do Brasil (BB-BI). O próximo passo é uma oferta pública para aquisição de ações da Kepler para atingir ao menos 65% do capital votante da companhia. Segundo Peterson, a AGCO quer chegar a 100% de participação e fechar o capital da Kepler.

No mercado de máquinas agrícolas, Peterson acredita que o ano continuará a ser de recuperação no país "depois de muitos anos de demanda mais baixa e de aumento da idade média do maquinário em uso no Brasil". Para ele, a recuperação tem como suporte os recursos disponibilizados pelo governo por meio do Plano Safra. "O plano para o período 2017/18 ajudará na retomada da demanda", disse.

O Plano Safra 2017/18 prevê R$ 9,2 bilhões para o Moderfrota, linha voltada à renovação de maquinário agrícola. Além de recursos maiores que os R$ 7,5 bilhões do ciclo 2016/17, a linha tem juros mais baixos nesta temporada. As taxas passaram de entre 8,5% e 10,5% para 7,5% e 10,5% ao ano.

A retomada do crescimento no mercado brasileiro, acredita o executivo da AGCO, vai se dar mesmo após a retração registrada em junho. Pela primeira vez no ano, as vendas de máquinas tiveram resultado mensal inferior ao de igual mês de 2016. Conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas somaram 4.051 unidades, queda de 1,2% em relação a junho de 2016. (Assessoria de Comunicação 24/7/17)

 

Commodities Agrícolas

Café: Clima seco no Brasil: As previsões de clima seco ao longo desta semana no Brasil pressionaram as cotações do café em Nova York ontem. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 1,3615 a libra-peso, recuo de 395 pontos. Segundo a Climatempo, há um bloqueio atmosférico em todo o país, com previsão de chuva nos próximos dias apenas para o extremo sul do Rio Grande do Sul e sobre as faixas litorâneas de parte do Sudeste e do Nordeste, além de toda faixa norte do Brasil. O tempo firme favorece os trabalhos de colheita do café, que devem avançar sem grandes problemas, informa a Climatempo em nota. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão arábica em São Paulo ficou em R$ 450,04 a saca de 60 quilos, com queda de 1,27%.

Algodão: Recuo em NY: As chuvas registradas no último fim de semana nas regiões produtoras de algodão dos EUA e a previsão de novas precipitações ao longo desta semana fizeram as cotações da pluma recuar em Nova York ontem. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a 68,29 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 13 pontos. O aumento da umidade deve colaborar para a melhora das condições de desenvolvimento da safra 2017/18 no Texas. Principal Estado produtor da commodity, a região vinha sofrendo com as elevadas temperaturas e o tempo seco, com 45% das lavouras em bom ou excelente estado até o último dia 23, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Na Bahia, o preço médio ao produtor ficou em R$ 83,89 a arroba, segundo a associação de agricultores local, a Aiba.

Cacau: Demanda x superávit: Com os dados de moagem de cacau acima das expectativas na Europa e na Ásia, as cotações da amêndoa ficaram estáveis na bolsa de Nova York ontem, mesmo com as previsões de superávit na oferta mundial. Os contratos com vencimento em dezembro encerraram o pregão a US$ 1.968 a tonelada, mesmo valor de sexta-feira. Na Ásia, foram moídas 160,878 mil toneladas de cacau no segundo trimestre deste ano, avanço de 9,92% na comparação com igual período de 2016. Na Europa, a alta no processamento foi de 2,1%. Segundo a BMI Research, o cacau deve apresentar novas altas nos próximos dias, apesar do viés de baixa do mercado. Em Ilhéus, na Bahia, o preço médio ao produtor ficou em R$ 100 a arroba ontem, alta de 2,04%, segundo a Secretaria de Agricultura do Estado, a Seagri.

Milho: Chuvas nos EUA: As chuvas registradas ao longo do último fim de semana em algumas regiões afetadas pela seca no Meio-Oeste dos EUA pressionaram as cotações do milho na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 3,9075 o bushel, queda de 2,75 centavos. Para os próximos dias, as previsões são de chuvas localizadas e temperaturas mais amenas nessas regiões. A parte mais ocidental do Meio-Oeste ainda sofre com as condições mais secas. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 62% do milho cultivado no país estava em boas ou excelentes condições até o último domingo contra 76% em igual momento de 2016. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 25,92 a saca de 60 quilos, queda de 1,86%. (Valor Econômico 25/07/2017)