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Operações de barter ganham mais adeptos

COM JUROS ALTOS E CRÉDITO ESCASSO, O BARTER É UMA SAÍDA PARA O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.

Nas grandes feiras agro, não é difícil encontrar produtores dispostos a trocar suas sacas por insumos, tratores e até colheitadeiras.

As operações de barter surgiram nos anos 90, com o interesse das tradings em expandir os seus negócios em soja na região centro-oeste. Naquele tempo, era uma prática pouco conhecida e de alcance regional. Mas por ser uma opção segura para agricultores adquirirem insumos em períodos de incerteza econômica, essa ferramenta se popularizou e hoje é bem conhecida por produtores em todo o Brasil. Barter, que significa escambo ou troca em inglês, é uma modalidade de pagamento que responde por cerca de 20% ou mais do faturamento das grandes empresas do agronegócio. É um modelo tão bem sucedido que já foi exportado para a Argentina e leste europeu.

Nas últimas duas décadas, o barter expandiu para além da soja e hoje inclui os principais cultivos do agronegócio nacional. Também tornou-se atraente para fornecedores de maquinário, que nos últimos anos sofreram quedas de vendas por conta do financiamento seletivo e caro. De 2015 para cá, os principais fabricantes de máquinas agrícolas, como a Agco, a Agritech e a New Holland, passaram a oferecer o barter como opção de pagamento. O barter é uma operação comercial que envolve três parceiros: o produtor, os fornecedores de insumos ou maquinário e empresas que negociam ou utilizam produtos agrícolas na sua atividade, como tradings e indústrias de alimentos.

Através dessa modalidade de pagamento, o produtor faz uma compra antecipada sem pagar nada à vista. Para adquirir os insumos que precisa, o produtor assina um contrato pelo qual se compromete a entregar parte de sua próxima colheita por meio de um documento chamado Cédula de Produto Rural, ou CPR.

A CPR é a peça-chave nessa negociação. É um documento legal, registrado em cartório, que lastreia a operação. A CPR é uma garantia para a empresa fornecedora de insumos e a trading. Criada em agosto de 1994, através da Lei 8.929, a CPR é um importante elemento nas relações de crédito no agronegócio. A redução de riscos entre as partes é um dos principais benefícios do barter, pois a troca de produtos agrícolas por insumos ocorre com o travamento de preços. Ao fazer o barter, o produtor trava o preço de uma parte da sua produção futura, em valor correspondente a seus custos. Com o seu custo de produção travado, o agricultor está protegido contra variações na taxa de juros, no câmbio e no preço das commodities. Com isso, tem melhor condição para gerenciar a sua rentabilidade.

Além de controlar melhor os custos, com o barter o agricultor também economiza com armazenagem, uma vez que parte da colheita já foi vendida e tem local de entrega estabelecido.

As tradings e fornecedoras de insumos promovem esta modalidade de crédito para garantir negócios seguros e um bom desempenho de vendas a despeito do ambiente de instabilidade econômica. Em geral, as fornecedoras de insumos não procuram ganhar na variação do preço do cultivo e repassam essa possibilidade para as tradings e indústrias de alimentos. É negociação onde todos ganham. O barter é um círculo virtuoso onde todas as partes obtém o que precisam.

A Bayer oferece a opção de compra via barter desde 2002, para operações em soja, milho, café, algodão, cana de açúcar e etanol. A empresa oferece duas modalidades de barter - a física e a financeira. Na primeira, o pagamento é feito com o produto de sua colheita, no volume de sacas acordado no momento da negociação. Na opção financeira, o agricultor paga pela sua compra de insumos em dinheiro pelo preço correspondente à quantidade de sacas acordadas quando fechou a operação de barter. No barter financeiro, o agricultor fica livre para negociar toda a sua produção como bem entender. (Agrolink 09/08/2017)

 

Trump está a um passo de declarar guerra comercial ao Brasil

Importações e exportações de etanol podem decretar uma nova disputa, na qual o Brasil leva vantagem.

A retórica do America First (Primeiro os Estados Unidos) do presidente norte-americano Donald Trump não está favorecendo os produtores de etanol do país, que esperam evitar o início de uma guerra comercial com os compradores do combustível no Brasil.

O governo dos Estados Unidos começou a fazer barulho por conta do aumento das importações do biocombustível brasileiro feito a partir da cana-de-açúcar. Isso fez com que o Brasil apresentasse propostas de maior taxação sobre as importações do etanol de milho produzido nos Estados Unidos.

Quem teria mais a perder com essa queda de braço são os próprios produtores norte-americanos, que enviam ao país sul-americano quatro vezes mais etanol do que recebem.

A disputa pode colocar frente a frente os dois maiores produtores de etanol do mundo. Quanto mais acirrada fica a rivalidade, os gestores de fundos comerciais sinalizam que o Brasil será o vencedor, já que especuladores de mercado rebaixaram mais as apostas de alta de milho na última semana do que as apostas na baixa do açúcar.

“Os ventos do protecionismo estão soprando em Washington”, afirma Joel Velasco, antigo representante da Associação Brasileira de Cana de Açúcar (Unica) e atual diretor do Grupo Albright Stonebridge, empresa de gestão estratégica de negócios, em Washington. “A corrida pela barreira comercial pode rapidamente azedar as relações entre os Estados Unidos e o Brasil”, completa. (Gazeta do Povo 09/08/2017)

 

Petrobras reduz preço do diesel e eleva gasolina nas refinarias a partir de 10 de agosto

A Petrobras reduzirá os preços do diesel nas refinarias em 0,4 por cento e elevará os da gasolina em 0,9 por cento a partir de quinta-feira, 10 de agosto, informou a estatal nesta quarta-feira.

Os reajustes fazem parte da nova política de preços da companhia, que prevê alterações quase que diárias nas cotações dos combustíveis. (Reuters 09/08/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: Recuo marginal: Os contratos futuros do café registraram queda marginal na bolsa de Nova York ontem, mantendo uma alta acumulada de 245 pontos desde o início da semana. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 1,4615 o bushel, recuo de 15 pontos. O movimento de alta dos últimos dias reflete a preocupação com o elevado percentual de grãos de peneiras mais baixas registrado no Brasil conforme avança a colheita da safra 2017/18. Com um menor tamanho, são necessários mais grãos para preencher uma saca de 60 quilos, comprometendo a produção final do país, cujas estimativas são de quebra de 11%. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão arábica em São Paulo ficou em R$ 478,06 a saca de 60 quilos, queda de 0,13%.

Cacau: Mercado travado: Depois de caírem mais de 40% desde o ano passado em razão do superávit global de 380 mil toneladas de cacau na safra 2016/17, que está em andamento, os preços da commodity "travaram" na bolsa de Nova York. Ontem, os contratos futuros da amêndoa com entrega para dezembro fecharam a US$ 2.005 a tonelada, com recuo de US$ 23. "Com os contratos negociados 40% abaixo das máximas registradas em 2016, é compreensível que o mercado faça uma pausa, à medida que a calmaria dos meses de verão passe", aponta a consultoria Cocoanect. No mercado brasileiro, o preço médio ao produtor em Ilhéus e Itabuna, no Estado da Bahia, ficou em R$ 101,40 por arroba, desvalorização de 0,59%, de acordo com levantamento da Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Na contramão: A despeito dos fundamentos de oferta e demanda pressionarem as cotações do suco de laranja, um movimento técnico elevou os preços da commodity ontem na bolsa de Nova York. Os contratos futuros de suco de laranja congelado e concentrado (FCOJ, na sigla em inglês) para novembro fecharam a sessão cotados a US$ 1,324 a libra-peso ontem, alta de 85 pontos. No acumulado da semana, porém, a commodity registra queda de 380 pontos. Contribuem para essa queda a melhora do clima na Flórida, a fraca demanda por suco nos EUA e a recomposição da oferta de laranja no Brasil, maior produtor global. No mercado brasileiro, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos de laranja ficou em R$ 19,33, queda de 0,26%, segundo o Cepea. No acumulado do mês, há alta de 3,2%.

Milho: De olho no USDA: As expectativas do mercado com o relatório de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que será divulgado hoje, deram força às cotações do milho na bolsa de Chicago. Ontem, os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 3,8625 por bushel, alta de 2,5 centavos. De acordo com a média das estimativas de mercado compiladas pelo "The Wall Street Journal", o órgão deve estimar uma produção de 351,57 milhões de toneladas nos EUA na atual temporada, abaixo das 362 milhões de toneladas estimadas em julho. As previsões refletem os efeitos do clima quente e seco no Meio-Oeste do país no último mês. No mercado brasileiro, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de milho ficou em R$ 25,99, alta de 0,43%, segundo levantamento do Cepea. (Valor Econômico 10/08/2017)