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Gigante do setor de grãos, chinesa Cofco avalia venda da Nidera, dizem fontes

Depois de pagar centenas de milhões de dólares pela comerciante de grãos Nidera em uma aquisição finalizada há alguns meses, o grupo estatal chinês Cofco está considerando vender o problemático negócio, de acordo com pessoas familiarizadas com seus planos.

Com o objetivo de se tornar um competidor global mais forte, a Cofco esperava combinar a Nidera, com sede na Holanda, com a Noble Agri, uma unidade da trading Noble Group, que também começou a comprar em 2014.

Qualquer venda marcaria uma mudança abrupta na estratégia, à medida que a Cofco busca reestruturar seus negócios como parte de uma ampla gama de reformas das empresas estatais chinesas.

Duas fontes disseram que o Cofco contratou o banco de investimento Morgan Stanley para trabalhar em planos para vender a Nidera.

Perdas imprevistas acumuladas pela Nidera e irregularidades contábeis em sua operação na América Latina ajudaram a persuadir a administração da Cofco a buscar formas de alienar a trading.

"As contínuas perdas da Nidera foram piores do que a expectativa da Cofco", disse uma das fontes. "E a questão contábil no negócio brasileiro de Nidera ajudou a acelerar a venda."

Não está claro em quanto o negócio seria avaliado, uma vez que o processo está em uma fase inicial, disse uma fonte.

Uma outra fonte disse que a Cofco poderia optar por uma venda total ou parcial, e não se sabe se a Cofco venderia os ativos físicos que a ajudaram a construir uma cadeia global de suprimentos de grãos.

As fontes declinaram ser nomeadas, uma vez que a Cofco não fez uma oferta pública sobre a Nidera.

Nem a Cofco nem o Morgan Stanley comentaram o assunto imediatamente.

O crescimento da Cofco nos últimos anos estabeleceu um rival significativo para o chamado quarteto "ABCD", das gigantes globais de comércio agrícola Archer Daniels Midland, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus Company.

A Cofco pagou cerca de 1,5 bilhão de dólares por uma participação de 51 por cento na Noble Agri em 2014 e mais 750 milhões de dólares pelo restante em dezembro de 2015.

Em fevereiro, a Cofco tornou-se a única proprietária da Nidera, tendo gradualmente aumentado a sua participação desde 2014. Os detalhes financeiros não foram divulgados, mas os analistas estimam que a empresa chinesa pagou centenas de milhões de dólares pela Nidera.

Em abril, a Cofco combinou as duas empresas sob uma nova divisão, a Cofco International. (Reuters 23/08/2017)

 

Governo fará ao menos dois leilões de energia para novas usinas por ano se houver demanda

O governo federal deverá realizar todos os anos ao menos dois leilões de energia para contratação de novas usinas geradoras, desde que haja demanda declarada pelas distribuidoras de eletricidade, responsáveis pelo atendimento aos clientes finais, segundo decreto presidencial publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira.

De acordo com o texto, o governo divulgará até 30 de março de cada ano a agenda de licitações prevista. Deverá haver anualmente ao menos um certame A-3 ou A-4, em que as usinas têm três ou quatro anos para serem construídas e iniciarem a operação, respectivamente, e um leilão A-5 ou A-6, com prazos de cinco ou seis anos.

Deverá haver também pelo menos um leilão para contratar energia de usinas já existentes a cada ano, com entrega da energia no ano seguinte. Mas esses certames poderão também envolver entrega no mesmo ano (leilão A) ou em prazos de até 5 anos (de A-1 até A-5).

O governo também poderá realizar leilões A-5, A-6 ou A-7, com até sete anos de prazo, para viabilizar novas usinas consideradas "estruturantes", aprovados pela Presidência. Esses prazos maiores também poderão ser aplicados no caso de certames que envolvam a contratação conjunta de novas usinas e suas linhas de transmissão associadas.

Em leilões para novas usinas de fontes alternativas de eletricidade, os prazos para implementação dos projetos poderão ser de um a seis anos (de A-1 até A-6).

O decreto define ainda que os leilões para contratar energia existente deverão acontecer antes daqueles para contratação de novas usinas. (Reuters 23/08/2017)

 

Senado modifica decisão do STF sobre Funrural

O Senado poderá ter posto fim em uma discussão que se vem arrastando nos últimos meses: a cobrança do Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural).

Nesta quarta-feira (23), a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) aprovou projeto da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) que suspende a execução de dispositivos da lei que regulamenta a cobrança do Funrural. A medida beneficia produtores rurais com dívidas junto ao fundo.

Essa discussão tem origem no momento em que, por volta de seis anos atrás, o STF (Supremo Tribunal Federal), por unanimidade, julgou inconstitucional a cobrança da taxa do Funrural sobre as receitas totais dos produtores.

Neste ano, o STF voltou a julgar a matéria e considerou o pagamento constitucional.

Seis ministros, alguns dos quais com mudança de voto em relação ao primeiro julgamento, foram favoráveis à constitucionalidade da cobrança.

A recente decisão dos ministros trouxe muitas incertezas ao setor a respeito do não recolhimento das taxas.

Praticamente todos os produtores e empresas do agronegócio haviam deixado de recolher a taxa, acumulando, na avaliação do governo, uma dívida de R$ 9 bilhões. Acrescido de juros e multa, o montante subiria para R$ 18 bilhões.

O imbróglio não teria ocorrido se, à época, o Senado tivesse feito o dever de casa e excluído do ordenamento jurídico a matéria julgada inconstitucional pelo STF. Foi o que fez nesta quarta-feira.

Na avaliação do produtor Sérgio Pitt, do oeste da Bahia, essa decisão tem efeito retroativo e, portanto, a PGRN (Procuradoria-Geral da Receita Nacional) fica sem base legal para considerar como dívida o que não foi recolhido nos últimos anos.

"O momento do país é delicado. Queremos continuar pagando o Funrural, mas com isonomia tributária", diz ele.

Governo e STF deverão fazer agora as adequações na lei. O governo já tem uma medida provisória no Congresso para definir a cobrança a partir de agora.

O recolhimento poderá ser feito com base na folha de pagamento ou nas receitas, desde que respeite uma equivalência, segundo Pitt.

IBGE e entidades dos diversos setores poderão servir de base para o equilíbrio dessa equivalência.

Pitt não acredita que o governo questione a decisão do Senado. Mas a senadora Simone Tebet (PMDB-MS) diz que o projeto de resolução modifica uma lei que já não vigora, o que poder acarretar questionamentos. (Folha de São Paulo 24/08/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: Pregão volátil: As incertezas sobre os efeitos das chuvas recentes no Centro-Sul do Brasil sobre a safra 2017/18 de café geraram instabilidade nas cotações do arábica ao longo do pregão de ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em dezembro fecharam a US$ 1,287 o bushel, queda de 40 pontos. Enquanto alguns analistas afirmam que as precipitações devem favorecer a floração da safra 2018/19, outros avaliam que o otimismo com a produção é prematuro. "As chuvas que causarão floradas em algumas áreas do arábica agora precisam continuar para não terem o efeito perverso de abortamento", observa a Archer Consulting. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 446,41 a saca de 60 quilos, queda de 0,57%.

Algodão: Sinal amarelo: A persistência das chuvas no sudeste dos EUA já causa preocupação entre os investidores do mercado de algodão na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam ontem a 68,89 centavos de dólar a libra-peso, alta de 108 pontos. Embora a umidade seja bem-vinda em algumas regiões, as lavouras agora precisam de tempo aberto para atingir o seu potencial máximo de produtividade. As previsões, contudo, indicam temperaturas mais frias e chuvas nos próximos dias. Até o dia 20, 61% do algodão plantado nos EUA estava em boas ou excelentes condições, segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA) - avanço semanal de dois pontos percentuais. Na Bahia, o preço médio ao produtor ficou em R$ 82,54 a arroba, segundo a associação de agricultores local, a Aiba.

Soja: De olho no rendimento: Os primeiros relatos dos levantamentos privados sobre a produtividade da safra 2017/18 de soja nos EUA deram um pequeno fôlego às cotações da oleaginosa na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em novembro fecharam a US$ 9,38 o bushel, avanço de 0,5 centavo. Segundo a Granoeste Corretora, a contagem de vagens das lavouras de soja está aquém do esperado e abaixo da média dos últimos três anos. "O mercado passa a questionar mais assertivamente a estimativa de produção do último relatório do USDA [Departamento de Agricultura dos EUA]", afirma a empresa em nota. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja com saída pelo porto de Paranaguá ficou em R$ 69,49 a saca de 60 quilos, alta marginal de 0,09%.

Milho: Normalidade: Se as primeiras impressões sobre a safra 2017/18 de soja nos EUA são pessimistas, as avaliações sobre as condições de desenvolvimento do milho têm reforçado a estimativa de uma produção de 359,5 milhões de toneladas divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) no início deste mês. Diante disso, as cotações do grão recuaram ontem em Chicago. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 3,5575 o bushel, com queda de 4,25 centavos. Segundo analistas, os primeiros relatos sobre os levantamentos privados indicam contagem de espigas e grãos dentro ou acima da média. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 27,42 a saca de 60 quilos ontem, queda de 0,54%. (Valor Econômico 24/08/2017)