Macroeconomia e mercado

Notícias

BTG vê governo pró-etanol e recomenda compra de ação da São Martinho

O governo brasileiro anunciou ontem a criação de uma cota de importação de etanol de 600 milhões de litros ao ano e uma taxa de 20% para todo o volume que exceder ao proposto. Essa notícia, segundo o BTG Pactual, mostra que a administração federal tem uma visão pró-etanol e que poderá beneficiar as ações da São Martinho.

Os analistas Thiago Duarte e Vito Ferreira calculam que as importações nos últimos doze meses chegaram a 1,8 bilhões de litros, sendo 1,35 bilhão só em 2017. A tarifa, aponta o banco, deve fazer com que esses novos volumes se tornem economicamente inviáveis, o que abre espaço para a oferta nacional. O consumo interno foi de 25,2 bilhões de litros nos últimos doze meses, enquanto a produção foi de 26,9 bilhões.

“Com o etanol mais uma vez vendido muito perto da paridade da bomba de gasolina, em média, no Brasil, não esperamos que os preços tenham qualquer reação importante, já que os preços da gasolina ainda são um teto. Mas com os preços do açúcar agora inexplicavelmente abaixo do nível de equivalentes de etanol, nós acreditamos que os produtores locais do Brasil acelerarão a mudança de produção para o etanol, preenchendo o vazio esperado deixado pelas importações mais baixas e, assim, reduzindo a produção de açúcar”, indicam os analistas.

Segundo o BTG Pactual, isso pode iniciar um processo de recuperação dos preços do açúcar.

“Tão importante quanto a medida, per se, é o sinal de que o governo brasileiro poderia estar adotando uma agenda mais pró-etanol. Este sinal começou pelo aumento dos impostos sobre o combustível PIS/Cofins, que rapidamente levaram a um nível de etanol versus gasolina mais competitivo (O aumento de preços de 11% na usina nos últimos 30 dias certamente atrapalhou esse ponto)”, concluem. A recomendação é de compra das ações da São Martinho. (Money Times 24/08/2017)

 

EUA e Brasil se envolvem em guerra comercial de biocombustíveis

A última salva veio do Brasil na quarta-feira, quando o país decidiu instituir um imposto de 20% sobre as importações de etanol.

Uma guerra comercial eclodiu no mercado mundial de biocombustíveis e poderia causar repercussões nos mercados de commodities, do petróleo ao óleo de soja.

A última salva veio do Brasil na quarta-feira, quando o País decidiu instituir um imposto de 20 por cento sobre as importações de etanol que excederem um limite anual de 600 milhões de litros, de acordo com dois membros do gabinete que pediram anonimato antes que a decisão se torne pública.

A medida ocorreu um dia depois que o Departamento de Comércio dos EUA propôs multas aos produtores de biodiesel da Indonésia e da Argentina, afirmando que eles se beneficiam de subsídios nacionais.

Os tiros estão sendo disparados em meio ao crescente protecionismo do presidente dos EUA, Donald Trump. A ação do Departamento de Comércio dos EUA sobre o biodiesel argentino e indonésio pode ter dado cobertura ao Brasil para agir em relação ao etanol dos EUA, disse Jerrod Kitt, analista da Linn Associates em Chicago.

Embora os EUA estejam agindo na tentativa de beneficiar sua própria indústria, os produtores americanos podem acabar sendo vítimas, porque mandam uma parte significativa de seu produto ao exterior, inclusive para o Brasil, seu principal cliente. A China já instituiu impostos ao etanol e a um subproduto para ração animal produzidos nos EUA no início deste ano.

“A situação pode ficar feia”, disse Scott Irwin, economista agrícola da Universidade de Illinois em Urbana, em entrevista por telefone. “Todo mundo intervém intensamente nos biocombustíveis.”

Mercados agrícolas

As tensões crescentes poderiam repercutir nos mercados agrícolas que sustentam os biocombustíveis. Os EUA são o maior produtor mundial de milho e soja, as principais matérias-primas para o etanol e o biodiesel. O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar, que utiliza na produção de etanol. A Argentina é o principal exportador de óleo de soja.

A decisão do Brasil de cobrar imposto às importações de etanol provavelmente afetará os produtores dos EUA, que venderam 965 milhões de litros para o país sul-americano neste ano até maio, de acordo com dados da Administração de Informações de Energia dos EUA. Isso equivale a 42 por cento do total exportado.

A Associação de Combustíveis Renováveis, a Growth Energy e o Conselho de Grãos dos EUA, grupos do setor com sede em Washington, expressaram decepção com a medida brasileira em um comunicado conjunto divulgado na quarta-feira.

“A política prevaleceu”

“Considerando o enorme volume de informações que fornecemos ao Brasil para demonstrar que um imposto seria equivocado, parece que hoje a política prevaleceu e os consumidores brasileiros saíram perdendo”, afirmaram os grupos.

As tensões poderiam aumentar ainda mais. Trump analisou diversas vezes os pactos comerciais. Em um discurso na terça-feira em Phoenix, o presidente disse que acha que os EUA vão sair do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês). A indústria de biocombustíveis dos EUA está fortemente concentrada no Centro-Oeste, região que, segundo Trump, lhe deu impulso para chegar à Casa Branca.

“Se este fosse um governo normal, que não se concentrasse” tanto no comércio, isso não seria tão impactante, disse Kitt, da Linn Associates. “Suponho que ele poderia agir para favorecer essa base”. (Exame 24/08/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Queda na moagem: A possível queda na moagem da cana no Centro-Sul do Brasil em agosto tem dado força às cotações da commodity na bolsa de Nova York esta semana. Os papéis com vencimento em março fecharam a 14,68 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 29 pontos e alta acumulada de 360 pontos desde segunda-feira. Conforme o banco Pine, foram processadas 45,3 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena do mês, queda de 10,7% ante a quinzena anterior. Com isso, a produção de açúcar no período é estimada em 3,14 milhões de toneladas, recuo de quase 8% na mesma comparação. O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 52,66 a saca de 50 quilos, queda de 0,32%.

Café: Mais um recuo: Os contratos futuros do café arábica completaram nove sessões consecutivas de queda ontem na bolsa de Nova York, ainda pressionados pelas chuvas que atingiram o Centro-Sul do Brasil na última semana. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 1,279 a libra-peso ontem, queda de 80 pontos e desvalorização acumulada de 380 pontos na semana. Desde o último dia 14 de agosto, quando registrou o primeiro recuo dessa série, o café acumula queda de mais de 11% na bolsa. Alguns analistas afirmam que as precipitações devem dar condições para a floração da safra 2018/19, o que tem pressionado as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão arábica negociado em São Paulo ficou ontem em R$ 443,36 a saca de 60 quilos, com queda de 0,68%.

Cacau: Semana volátil: Com um cenário ainda incerto para a oferta mundial de cacau na safra 2017/18, que se inicia em outubro, as cotações da amêndoa na bolsa de Nova York apresentam forte volatilidade. Ontem, os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 1.895 a tonelada, avanço de US$ 24. Até terça-feira, a amêndoa acumulava alta de 0,43%. Após duas sessões consecutivas de queda, passou a acumular desvalorização de 0,37% na quarta-feira para, ontem, recuperar essas perdas e acumular valorização de 0,91%. Os investidores seguem atentos aos efeitos das chuvas regulares no oeste da África este ano. No mercado interno, o preço médio ao produtor em Ilhéus, na Bahia, ficou estável, cotado em R$ 96 a arroba, de acordo com a secretaria de agricultura do Estado, a Seagri.

Trigo: Alta pontual: Com queda acumulada de 25% desde o início de julho, os contratos futuros do trigo foram impulsionados por compras de barganhas nas bolsas americanas ontem, acompanhando os demais grãos, segundo analistas. Na bolsa de Chicago, o cereal com entrega para dezembro fechou a US$ 4,345 o bushel, alta de 4,5 centavos, mas queda de 8 centavos na semana. Em Kansas, o grão com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,3325 o bushel, alta de 7,5 centavos no dia e queda acumulada de 9 centavos desde segunda-feira. Conforme analistas, os preços do trigo americano tornaram-se baixos o suficiente para competir com o produto de outros países. No mercado interno, o preço médio do cereal no Paraná ficou em R$ 650,20 a tonelada, queda de 0,33%, segundo levantamento do Cepea. (Valor Econômico 25/08/2017)