Macroeconomia e mercado

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O rebatismo da Odebrecht

Há uma discussão intensa na Odebrecht sobre o nome futuro das subsidiárias e unidades operacionais.

Sim, todas as “empresas Odebrecht” vão mudar de nome.

Somente a holding continuará com a marca original. A prioridade são as subsidiárias internacionais.

A escolha dos novos nomes está sendo feita nas próprias empresas, mas serão aprovadas pela matriz. (Jornal Relatório Reservado 28/08/2017)

 

Chinesa COFCO põe à venda negócio de sementes na América Latina

A estatal chinesa que comercializa commodities agrícolas COFCO está reformulando suas operações no Brasil, incluindo uma reestruturação em seus negócios com a Nidera Sementes Ltda, após encontrar irregularidades contábeis no ano passado, segundo reporta a agência internacional Reuters.

Já em dezembro do ano passado, foi reportado um rombo de US$ 150 milhões em suas contas da divisão brasileira e, de lá pra cá, muitos outros contratempos vêm sendo sofridos pela COFCO não só no Brasil, mas em suas operações em toda a América Latina, incluindo uma perda de US$ 200 milhões em suas negociações entre biocombustíveis.

A aquisição da Nidera pela COFCO foi concluída este ano. E de acordo com documentos apurados pela Reuters internacional, três dos principais executivos da diretoria da Nidera já renunciaram a seus cargos. Em 2016, as perdas da Nidera Capital BV - a holding da Nidera que também é da COFCO - foram recordes e ficaram em US$ 266,6 milhões, contra US$ 65,9 milhões de 2015.

É importante lembrar, porém, que o recuo na receita gerada pelas maiores traders agrícolas mundiais, como a ADM e a Bunge - também foi reflexo dos preços mais baixos para os grãos. Junto da Cargill e da Louis Dreyfus Corp, as quatro são as maiores e dominam o mercado global de grãos. (Reuters 26/08/2017)

 

BR ‘ganha’ R$ 6,3 bi da Petrobrás para ficar mais atrativa

Operação visa a aumentar as chances de sucesso da abertura de capital da distribuidora, que deve ocorrer até o final deste ano.

A Petrobrás vai injetar R$ 6,3 bilhões na BR Distribuidora, como parte de uma reestruturação societária anunciada para tornar mais atraente a abertura de capital da subsidiária. Os recursos serão usados para abater a dívida da BR e limpar seu balanço, aumentando as chances de sucesso da oferta de ações, que deve ocorrer até 1.º de dezembro. A operação envolve a transferência de créditos da distribuidora com o grupo Eletrobrás à estatal, como antecipou o ‘Estadão/Broadcast’.

“Tudo está engatilhado para a oferta ainda neste ano”, afirmou nesta sexta-feira, 25, ao Estadão/Broadcast o presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Nelson Carvalho. Segundo o conselheiro, advogados, auditores e bancos já foram contratados e a companhia está seguindo com todos os preparativos para sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). O desejo da Petrobrás é efetivar até 1.º de dezembro a operação, que é uma peça-chave de seu programa de desinvestimento de US$ 21 bilhões entre 2017 e 2018.

A reestruturação anunciada prevê que os créditos da BR, decorrentes de dívidas da Eletrobrás pela compra de combustível para a geração de energia elétrica em usinas térmicas, serão transferidos a uma nova empresa, a Downstream Participações. Depois, ela será incorporada pela Petrobrás.

Os R$ 6,3 bilhões do aporte de capital serão 100% destinados ao pagamento de dívidas da BR. A redução da dívida abre espaço para que a empresa seja mais bem avaliada pelos investidores, aumentando o interesse por seu IPO. Além disso, também é afastado o fantasma de um eventual calote da Eletrobrás. Ao fim de 2016, sua dívida bruta era de R$ 12,4 bilhões. O balanço da BR do ano passado mostra que o total a receber de empresas termoelétricas do Sistema Eletrobrás era de R$ 6,064 bilhões.

Balanço

Para especialistas, ao incorporar as contas a receber da Eletrobrás, a Petrobrás resolveu um entrave para a avaliação da BR na oferta. “O efeito foi limpar o balanço da BR, que agora poderá ser mais bem avaliada”, disse Nelson Carvalho.

“Nada mais é que uma operação preparatória para reduzir a alavancagem (o tamanho da dívida na comparação com sua geração anual de caixa) da BR, ao dar uma saída para créditos podres. Isso torna a empresa mais vendável”, diz o advogado Luiz Herique Vieira, do Bichara Advogados. O Plano de Negócios e Gestão BR para o período 2017-2021 é a redução dessa relação das 3 vezes verificadas em 2016 para 2 vezes em 2021.

Para o professor Eliseu Martins, um dos maiores especialistas em contabilidade do País, nada se altera no balanço consolidado da petroleira. “A Petrobrás apenas perde liquidez, ao deixar de ter dinheiro e passar a ter recebíveis”, explica.

A companhia informa no comunicado que a operação será realizada a valor contábil, sem gerar resultado para nenhuma das duas empresas envolvidas. “Não vai ser gerado nenhum lucro interno nas operações da mãe (Petrobrás) com a filha (BR). Às vezes uma empresa passa um ativo para outra não a valor contábil, mas a valor de mercado, o que pode gerar problemas tributários. Nesse caso, a Petrobrás não deve pagar mais nem menos que o valor pelo qual os créditos estão contabilizados”, diz Martins. (O Estado de São Paulo 26/08/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Atenção à moagem: A perspectiva de queda na moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil em agosto, em decorrência das chuvas, deu sustentação às cotações da commodity na bolsa de Nova York na última semana. Os papéis com vencimento em março fecharam a 14,69 centavos de dólar a libra-peso na sexta-feira, avanço de 1 ponto e alta de 52 pontos desde o início da semana. Para a primeira quinzena do mês, o banco Pine estima que foram processadas 45,3 milhões de toneladas de cana, leve alta de 0,3% em relação a igual período da safra passada, mas queda de 10,7% ante a quinzena anterior. O Centro-Sul concentra 90% da oferta brasileira de açúcar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 52,61 a saca de 50 quilos, queda de 0,09%.

Algodão: Apesar do furacão: Embora tenha registrado queda na última sextafeira, o algodão encerrou a semana passada com alta na bolsa de Nova York, impulsionado pela chegada de um furacão ao Texas, principal Estado produtor da pluma nos EUA. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a 68,15 centavos de dólar a libra-peso na sexta-feira, recuo de 168 pontos, mas alta de 87 na semana. É a primeira vez desde 2008 que um furacão atinge a região, lembrando o mercado que o potencial de produção do país para a safra 2017/18 ainda não está totalmente garantido. Estima-se que cerca de 57% do volume estimado para ser produzido na safra 2017/18 no Estado já tenha sido colhido. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 81,53 a arroba, segundo a associação de agricultores local, a Aiba.

Soja: Tira-teima: Considerados um tira-teima pelos analistas, os levantamentos privados de safra nos Estados Unidos confirmaram uma elevada produtividade para as lavouras americanas de grãos, o que pressionou as cotações da soja em Chicago na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em novembro fecharam a US$ 9,445 o bushel, recuo de 2 centavos. Segundo o Farm Journal, os produtores americanos devem colher 117 milhões de toneladas de soja em 2017/18, com um rendimento de 49 bushels por acre (equivalente a 54,9 sacas por hectare) - abaixo da última projeção oficial, mas ainda um recorde histórico para o país. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja com saída por Paranaguá ficou em R$ 69,51 a saca de 60 quilos, queda de 0,33%.

Milho: Produtividade em foco: As estimativas privadas de safra nos EUA também pressionaram as cotações do milho na bolsa de Chicago na última sexta-feira. Os papéis do grão com vencimento em dezembro fecharam a US$ 3,535 o bushel, com queda de 2,75 centavos. Os produtores americanos devem colher quase 360 milhões de toneladas de milho nesta safra com uma produtividade de 167 bushels por acre (equivalente a 174 sacas por hectare), segundo estimativas feitas pelo Farm Journal após visitas a fazendas. A projeção é ligeiramente menor que a apontada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no início de agosto. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 26,94 a saca de 60 quilos, com queda de 0,15%. (Valor Econômico 28/08/2017)