Macroeconomia e mercado

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Oferta agrícola da UE terá etanol e carne

A União Europeia (UE) deu a garantia de que fará no começo de outubro sua oferta agrícola ao Mercosul, e vai incluir acesso para carne bovina e etanol, informou ao Valor o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. O ministro passou por Bruxelas, Londres e Paris, antes de se juntar à delegação do presidente Michel Temer na China. Na capital belga, deixou claro que sem carne bovina, etanol e açúcar não poderia haver acordo.

Em Paris, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Yves le Drian, observou que um acordo com o Mercosul gera repercussões políticas no país, em razão da sensibilidade do setor agrícola, mas que é preciso colocar logo as cartas na mesa, nos dois lados.

Para o ministro brasileiro, um acordo vai ajudar a quebrar o que chamou de "mito" de ameaça das exportações do Mercosul, lembrando que a França faz exportações significativas de produtos agrícolas para o Brasil e o resto do Mercosul, incluindo defensivos agrícolas.

Em Bruxelas, a comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, e outras autoridades reafirmaram a importância política do acordo birregional, ainda mais no contexto atual, com as tendências isolacionistas do governo de Donald Trump.

Em Londres, o chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, lembrou que o Reino Unido continua apoiando o acordo com o Mercosul. Uma vez que o Brexit (saída da UE) se concretize, Londres vai querer utilizar o acordo UEMercosul como o ponto de partida para um entendimento mais audacioso com o bloco do Cone Sul.

No quarto trimestre, deverá ser realizada no Brasil a cúpula UE-Brasil. É quando se espera o impulso final para o anúncio de um pré-acordo em seguida à conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Buenos Aires.

Por sua vez, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira; informou que planeja ir aos EUA no fim do mês ou início de outubro para conversar com autoridades americanas e evitar que o aço brasileiro sofra com uma eventual sanção, que teria como alvo sobretudo a China. (Valor Econômico 01/09/2017)

 

Setor de máquinas agrícolas deve crescer até 15% em 2017

As vendas de máquinas e implementos agrícolas do Brasil devem crescer entre 10 a 15 por cento este ano, um desempenho menor que o ano passado, mas ainda expressivo em comparação aos demais setores da indústria de máquinas, estimou nesta quarta-feira a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

“É o único setor da Abimaq que vai ter crescimento. É o único setor que está, teoricamente, fora da crise”, disse o presidente-executivo da entidade, José Velloso, em evento em São Paulo, lembrando que a associação representa 35 setores da indústria de bens de capital.

Para a Abimaq, a demanda por máquinas agrícolas é reflexo do bom desempenho da agricultura no país, que registrou safras recordes de milho e soja na temporada 2016/2017.

Entre janeiro e julho de 2017, o faturamento do setor acumulou crescimento de 11 por cento ante mesmo período do ano passado, totalizando 7,6 bilhões de reais, informou a Abimaq.

Velloso disse acreditar que o segundo semestre não será tão bom quanto o primeiro e lembrou que a segunda metade do ano passado foi muito melhor que os primeiros seis meses de 2016.

“Então deve terminar o ano com crescimento da ordem de 10 a 15 por cento”, concluiu, acrescentando que alguns fabricantes tem uma visão mais conservadora.

O setor de máquinas e implementos agrícolas foi responsável por 42,2 por cento das exportações da indústria brasileira de bens de capital entre janeiro e julho, segundo dados da Abimaq. (Reuters 31/08/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: De olho no Brasil: O mercado está atento às oscilações do preço da gasolina no Brasil e à possível redução do percentual do caldo de cana destinado pelas usinas do país para a produção de açúcar. Nesse cenário, os papéis com vencimento em março fecharam ontem a 14,98 centavos de dólar a libra-peso em Nova York, avanço de 45 pontos. A alta coincidiu com um aumento de 4,2% no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras, divulgado no início do dia. Foi o maior ajuste realizado pela estatal desde a mudança na sua política de preços. A gasolina mais cara tende a aumentar a demanda por etanol hidratado, desestimulando a produção de açúcar pelas usinas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 52,33 a saca de 50 quilos, com queda de 0,82%.

Suco de laranja: Respiro em NY: Em meio ao aumento da oferta e à demanda em franca retração, as cotações do suco de laranja tiveram um respiro ontem na bolsa de Nova York. Os papéis para novembro fecharam a US$ 1,338 a libra-peso, avanço de 375 pontos. Na semana, porém, os contratos acumulam queda de 165 pontos. "O mercado continua fraco devido à perspectiva de melhor potencial produtivo para a próxima safra e relatos de demanda fraca", afirma Jack Scoville, da Price Futures Group. Segundo a consultora independente Elizabeth Steiger, os EUA devem colher 75 milhões de caixas no próximo ano contra 68 milhões de caixas em 2017. No mercado interno, o preço médio da caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria em São Paulo ficou em R$ 19,25, queda de 0,88%, segundo o Cepea.

Algodão: Harvey e seus estragos: A passagem do furacão Harvey pelo sul dos EUA continua impulsionando as cotações do algodão na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam ontem a 70,93 centavos de dólar a libra-peso, com alta de 8 pontos. Desde segunda-feira, a valorização acumulada foi de 278 pontos. O algodão registrou alta em nove das dez últimas sessões em Nova York, refletindo a apreensão com o impacto do furacão Harvey nas lavouras de algodão de Texas e Louisiana, os dois principais Estados produtores do país. O fenômeno causou inundações, prejudicando a safra ainda por colher e colocando em risco os estoques da região. No mercado interno, o preço médio ao produtor na Bahia ficou em R$ 80,86 a arroba, segundo a associação de agricultores local, a Aiba.

Milho: Ajuste técnico: Os contratos futuros do milho passaram por um ajuste técnico na bolsa de Chicago ontem, um dia após terem atingido o menor valor em 11 meses. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 3,5775 o bushel, com avanço de 12,25 centavos. No mês, contudo, o grão ainda acumula queda de 27 centavos de dólar, pressionado pelo bom desenvolvimento das lavouras da safra 2017/18 nos EUA. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 62% do milho plantado no país apresentava condições boas ou excelentes até o último domingo, mesmo percentual de semana antes, mas acima da média para o período. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 27,30 a saca de 60 quilos, alta de 1,37%. (Valor Econômico 01/09/2017)