Macroeconomia e mercado

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Ataque

O ex-presidente Lula tem sido ameaçado de morte.

Segundo a fonte, Lula vai revelar as intimidações na audiência com o juiz Sergio Moro, no próximo dia 13, em Curitiba. Daí para os comícios será um passo.

Testemunho de Antonio Palocci incriminando os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff é bombástico devido à proximidade intestina com ambos, mas não chega a ser revelador em relação aos depoimentos de Marcelo e Emilio Odebrecht.

As "novidades" estão guardadas para a negociação da delação premiada.

São mais de 50 empresas envolvidas com propinas.

A bomba H de Palocci sobre o setor privado vai surpreender pelo ineditismo dos nomes.

O ex-ministro vai avançar em relação ao universo de 47 companhias que contrataram os “préstimos” de sua consultoria, a Projeto, entre 2007 e 20015. (Jornal Relatório Reservado 11/09/2017)

 

Enfim Joesley preso; faltam Lula, Dilma.

Os delatores da J&F Joesley Batista e Ricardo Saud se entregaram à Polícia Federal em São Paulo neste domingo após a determinação de prisão temporária pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin.

Fachin determinou ainda a suspensão dos benefícios da colaboração firmada por ambos ao afirmar que os elementos apresentados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, indicam que os delatores entregaram provas de maneira “parcial e seletiva”. Entretanto, ele negou pedido para deter o ex-procurador da República Marcelo Miller.

O prazo inicial da prisão temporária é de cinco dias, podendo ser estendida por decisão do magistrado. O advogado de Joesley e Saud, Pierpaolo Bottini, que informou que eles se entregaram à PF, explicou que ambos devem ir na segunda-feira para Brasília.

Em nota, Joesley e Saud “reafirmam que não mentiram nem omitiram informações no processo que levou ao acordo de colaboração premiada e que estão cumprindo o acordo”.

“O empresário e o executivo enfatizam a robustez de sua colaboração e seguem, com interesse total e absoluto, dispostos a contribuir com a Justiça”, completou a nota.

Fachin concordou com a manifestação de Janot de que se Joesley e Saud permanecessem em liberdade, encontrariam estímulos para voltar a ocultar parte das provas que se comprometeram a entregar às autoridades em troca de não poderem ser presos.

“Cabível, portanto, nos termos pleiteados pelo MPF, a parcial suspensão cautelar da eficácia dos benefícios acordados entre o Procurador-Geral da República e os colaboradores para o fim de se deferir medidas cautelares com a finalidade de se angariar eventuais elementos de prova que possibilitem confirmar os indícios sobre os possíveis crimes ora atribuídos a Marcelo Miller”, disse Fachin.

O pedido sigiloso para prender os dois delatores da J&F e Miller havia sido feito pelo procurador-geral na noite da sexta-feira, no momento em que o ex-procurador estava depondo no procedimento aberto por Janot para revisar o acordo de delação premiada de Joesley, Saud e do advogado Francisco de Assis e Silva, também diretor do grupo e envolvido no episódio.

A decisão do ministro do Supremo também é de sexta, mas só foi divulgada neste domingo após ele avaliar que, em razão de o fato já estar sendo amplamente divulgado pela imprensa, não haveria mais motivo para tramitar sob sigilo.

OMISSÃO

Não decisão de sete páginas, Fachin disse que a análise dos áudios e de documentos apresentados por Janot revela indícios suficientes de que os colaboradores omitiram informações, quando da formalização da colaboração, que o então procurador da República, Marcelo Miller, estava ajudando no “aconselhamento” deles quando das negociações do acordo.

Segundo o ministro, numa análise preliminar, o fato implica “justa causa” para rescindir os acordos com Joesley e Saud. Para ele, são “múltiplos” os indícios confessados pelos dois de que integram uma organização criminosa voltada para a prática sistemática de crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro, motivo que justifica a prisão temporária.

No caso de Marcelo Miller, Fachin disse que, ainda que sejam “consistentes” os indícios de que ele possa ter praticado o crime de exploração de prestígio e até mesmo de obstrução às investigações, não há elementos no momento que indicam a necessidade de “decretação da prisão temporária”, como tendo sido requerido por Janot, por supostamente ter sido cooptado pela organização criminosa. (Reuters 10/09/2017)

 

Lula e Palocci firmaram uma das parcerias de maior sucesso da história

Não sabemos ainda se o depoimento de Antonio Palocci encerrará a carreira política de Lula, mas é mais ou menos certo que encerrou a carreira de Antonio Palocci. Mesmo que não seja publicamente renegado pelo Partido dos Trabalhadores, o discurso oficial é que as delações são uma forma de coerção, está claro que o ex-ministro dificilmente voltará a ter vida partidária.

Essa é uma boa oportunidade, portanto, para refletir sobre o sujeito que talvez tenha sido o quadro político mais talentoso de sua geração.

Palocci teve papel fundamental na conformação do lulismo, um dos maiores sucessos da história política brasileira. Em geral, a conversa de "conquistar a confiança do mercado" é papo furado, mas em 2003 o problema era real. E quem resolveu foi Antonio Palocci.

Em uma série de encontros no Hotel Glória, no Rio de Janeiro, Palocci e o então presidente do Banco Central, Armínio Fraga, no que foi um senhor encontro de intelectos, negociaram a transição entre FHC e Lula. O petista deixou claro que a gestão macroeconômica seria responsável. Fraga apresentou-lhe o documento "A Agenda Perdida", um plano de reformas econômicas que havia sido inicialmente elaborado para a campanha de Ciro Gomes. Palocci trouxe os autores do documento para o governo, formou o que deve ter sido a melhor equipe econômica que o Brasil já teve, e ajudou Lula a entrar para a história.

Palocci não era só economicamente responsável: era um político faixa preta, como Lula, Dirceu, e muito pouca gente. Se as denúncias de 2005-2006 não tivessem derrubado toda a elite petista, Palocci disputaria a sucessão de Lula com Dirceu, e suspeito que vencesse fácil. Teria o apoio da elite econômica, enquanto Dirceu traria a elite política fechada em seu favor. A elite política trairia Dirceu com medo da elite econômica.

Mas não foi assim.

Palocci caiu em função dos graves desdobramentos de um escândalo que, depois das revelações da Lava Jato, parece pequeno. Acusado de frequentar uma casa em que se realizavam reuniões (e orgias) com lobistas, negou. Foi desmentido pelo caseiro Francenildo. Quebrou (ou deixou que alguém quebrasse) o sigilo bancário de Francenildo. Achou um dinheiro suspeito, vazou para a imprensa, o dinheiro era uma herança. Palocci caiu.

Foi sucedido por Guido Mantega.

Teve, entretanto, algo raríssimo na política: uma segunda chance. Foi chefe da Casa Civil no primeiro governo Dilma. É inconcebível que uma equipe com Palocci forte fizesse algo como a Nova Matriz Econômica. No mínimo, Palocci teria reforçado o lado de Nelson Barbosa contra Mantega na briga pela política fiscal.

Mas não foi assim.

Mal assumiu a Casa Civil, descobriu-se que Palocci havia enriquecido de forma inexplicavelmente rápida. Caiu pela segunda vez. Continuou sendo uma figura importante no PT, mas era claro que nunca mais poderia ter um papel público de destaque.

Durante sua passagem pelo governo, conquistou o ódio eterno dos radicais petistas, que sempre festejaram suas quedas. E agora entregou Lula.

Há muito de trágico nisso tudo, mas a vida é assim. Antonio Palocci e Lula devem explicações às autoridades. Mas acho que alguém também precisa lembrar que foram uma das parcerias de maior sucesso da história da governança brasileira, e, por isso, faço-o aqui. (Folha de São Paulo 11/09/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: De olho no Brasil: Os contratos futuros de café arábica registraram nova alta no pregão de sexta-feira e voltaram ao patamar de US$ 1,30 na bolsa de Nova York. Os papéis de vencimento em dezembro subiram 150 pontos, para US$ 1,3065 a libra-peso. O movimento reflete a preocupação com a florada da próxima safra, a 2018/19, no Brasil. O analista do Price Futures Group, Jack Scoville, afirmou em relatório que chuvas nas áreas produtoras do Brasil provocaram uma florada precoce. Mas o analista ponderou que, como estão previstos períodos de seca, essas flores podem cair prematuramente, devido a altas temperaturas, e prejudicar a produtividade da safra. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão em São Paulo atingiu R$ 445,43 a saca de 60 quilos, alta de 0,06%.

Cacau: Maior demanda: Os contratos de cacau subiram, após três quedas seguidas, e fecharam no campo positivo na bolsa de Nova York na sextafeira. Os contratos para entrega em dezembro encerraram o pregão a US$ 1.933 a tonelada, alta de US$ 27. Apesar das previsões de superávit na oferta e dos relatos de início de colheita da nova temporada no oeste da África, os fundos preferiram recomprar posições, já que o mercado ficou "sobrevendido". Segundo Jack Scoville, da Price Futures Group, análises gráficas sugerem que traders apostam em aumento da demanda, já que os preços estão atrativos para processadores e fabricantes de chocolate. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio ao produtor ficou em R$ 96,70 a arroba, baixa de 0,7%, segundo a Central Nacional de Produtores.

Milho: Receio com o Irma: Os contratos futuros de milho fecharam em alta na sexta-feira na bolsa de Chicago, refletindo a apreensão com a aproximação do furacão Irma. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam em alta de 1,5 centavo, a US$ 3,5675 o bushel. O movimento traduziu os receios do mercado em relação aos efeitos do furacão Irma, que deveria chegar aos EUA no último fim de semana, com potencial para comprometer lavouras e a infraestrutura de armazenagem e escoamento da produção. Dados sobre a demanda, incluindo a venda de 179 mil toneladas de exportadores dos EUA para "destinos desconhecidos". No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 28,13 a saca de 60 quilos, retração de 0,14% ante a quarta-feira.

Soja: Movimento técnico: O mercado de soja voltou a operar no campo negativo na bolsa de Chicago na sexta-feira. Os contratos da oleaginosa com vencimento em novembro fecharam a US$ 9,62 o bushel, recuo 6,75 centavos. As vendas técnicas dos fundos- buscando embolsar lucros - ocorreram na contramão dos demais mercados agrícolas. A apreensão com os efeitos do furacão Irma, que se aproximava dos EUA, fez a maioria das commodities subirem. Teme-se que o furacão atinja lavouras e a infraestrutura de armazenagem do país. Os investidores também ignoraram os dados de vendas de soja dos EUA para o exterior, como a exportação de 264 mil toneladas para a China. No mercado doméstico, o indicador Esalq BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 70,31 a saca, baixa de 0,09%. (Valor Econômico 11/09/2017)