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Shell quer reforçar presença no Brasil em óleo e gás e energia

Embora esteja focada na execução de um programa global de venda de ativos de US$ 30 bilhões, com o objetivo de saldar parte das dívidas que tomou para financiar a aquisição da BG, a Shell vê sua presença no Brasil num movimento inverso. Diretora financeira mundial da petroleira anglo-holandesa, Jessica Uhl, relata que a empresa pretende investir ao menos US$ 10 bilhões (R$ 31,5 bilhões) no país até 2021 e que mira novas oportunidades de expandir seus negócios no mercado brasileiro, tanto na exploração e produção de petróleo, quanto no setor de gás natural e geração de energia.

Com a compra da BG, a Shell se tornou, no ano passado, a segunda maior produtora de petróleo do país, atrás apenas da Petrobras. Cerca de 10% da produção mundial da companhia vem do Brasil: são, ao todo, 320 mil barris diários de petróleo, produzidos nos ativos onde a companhia já operava na Bacia de Campos (Parque das Conchas e Bijupirá e Salema), mas sobretudo campos do pré-sal incorporados ao seu portfólio a partir da aquisição da BG, como Lula e Sapinhoá, onde a Shell é sócia minoritária da estatal brasileira.

A compra da petroleira britânica significou, para a Shell, acesso aos principais projetos de produção de óleo e gás no pré-sal brasileiro. A pouco mais de um mês da 2ª e 3ª rodadas de partilha - conhecidas como "leilões do pré-sal", marcadas para 27 de outubro, a companhia se prepara para as licitações, de olho em oportunidades de reforçar sua presença no pré-sal.

De US$ 30 bi previstos de desinvestimentos, Shell já concluiu US$ 15 bi, tem US$ 7 bi anunciados e negocia outros U$ 4 bi

Além disso, a companhia também olha oportunidades a partir do programa de desinvestimentos da Petrobras, que prevê levantar US$ 21 bilhões até o fim de 2018 com venda de ativos, mas não há nada concreto.

A depender do sucesso da companhia nos leilões, os investimentos previstos para os próximos anos no Brasil, no valor de US$ 10 bilhões, podem atingir cifras ainda maiores. Jessica destaca que o plano de negócios global da Shell está concentrado em dois grandes segmentos: exploração e produção de óleo e gás e o setor de químicos e petroquímicos. "No Brasil, especificamente, estamos olhando para oportunidades em águas profundas", disse a executiva, em entrevista exclusiva ao Valor, em viagem ao Brasil, o primeiro país que ela escolheu para visitar, desconsiderando viagens para encontrar investidores, desde que assumiu a diretoria financeira em março deste ano.

Além das oportunidades do pré-sal, a Shell tem interesse, também, no mercado brasileiro de gás natural e geração de energia. No mês passado, a companhia obteve da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorização para atuar como comercializadora de energia no mercado brasileiro.

"Estamos trazendo algumas experiências dos Estados Unidos para o Brasil, estamos estruturando novos negócios para aproveitar esse modelo de 'gas to power' [instalação de termelétricas na cabeça do poço]", afirmou Jessica.

Ela disse, ainda, que a empresa procura oportunidades de reforçar sua presença no segmento de gás natural na América do Sul e que avalia a possibilidade de investir em plantas de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL).

"Estamos importando GNL para a América do Sul. É algo que já estamos fazendo. Vamos continuar procurando formas de crescer esse negócio", disse.

Com relação ao setor de gás natural brasileiro, a executiva contou que a companhia estuda diversas oportunidades de desenvolver negócios, como transporte de gás por meio de dutos, movimentação de GNL, entre outros, buscando "a melhor maneira de movimentar a molécula [de gás], o melhor modelo de negócio e as melhores soluções para clientes no mercado".

Sobre o programa de desinvestimentos, a Shell já executou a metade dos US$ 30 bilhões previstos para o triênio 2016-2018. Para além dos US$ 15 bilhões já concluídos, a companhia já tem outros US$ 7 bilhões em desinvestimentos já anunciados e mais de US$ 4 bilhões em negociações em curso, segundo dados da petroleira do segundo trimestre.

Jessica destacou, no entanto, que a empresa não possui "desinvestimentos substanciais" em andamento no Brasil. "Estamos muito felizes com a posição que temos aqui", afirmou. "O Brasil é um dos países mais importantes para a Shell", complementou.

Embora o mercado brasileiro já seja um dos principais destaques operacionais da companhia, o aumento da produção da petroleira no país, proporcionado pela aquisição da BG, ainda não se transformou em lucro. Em 2016, a companhia fechou com prejuízo de R$ 424 milhões, ante R$ 4,32 bilhões em 2015. As receitas líquidas, impactadas pela queda do preço do barril do petróleo, por sua vez, caíram 24,5%, para R$ 1,89 bilhão.

Além da atividade de exploração e produção de óleo e gás, a Shell atua no Brasil nas áreas de lubrificantes - onde também tem planos de aumentar sua participação de mercado - e nos segmentos de distribuição de combustíveis (por meio da Raízen) e de gás canalizado (Comgás, fatia que está à venda). (Valor Econômico 15/09/2017)

 

Anúncio oficial do RenovaBio pode ser ‘questão de dias’

O lançamento oficial do RenovaBio e o anúncio da antecipação do B10 para março que vem pode ser uma “questão de dias”. Essa foi, segundo o Senador Cidinho Santos, a leitura predominante do resultado de mais uma reunião entre parlamentares e representantes do setor de biocombustíveis com o presidente Michel Temer.

O encontro foi realizado ontem (13) no Palácio do Planalto atendendo a uma solicitação que havia sido feita na semana passada pelo senador mato-grossense e pelos deputados federais Evandro Gussi e Alexandre Baldy. O encontro contou também com a participação do superintendente executivo da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokasrki. “Outras entidades do setor [como a Abiove e Aprobio] foram convidadas, mas, como a reunião foi confirmada só na última hora, não puderam enviar representantes”, lamentou Cidinho.

A ideia dos parlamentares era cobrar o Planalto sobre a demora no lançamento de um programa que foi introduzido com a prometssa de elevar a indústria brasileira de biocombustíveis a um novo patamar. Numa reunião anterior, no começo de julho, o presidente Temer havia se comprometido a dar uma resposta sobre o RenovaBio no prazo máximo de um mês. Promessa que, até agora, não se concretizou.

Maduro

O Planalto justificou o atraso dizendo que ainda precisava aparar arestas sobre os impactos que o RenovaBio teria sobre a arrecadação de tributos e os preços dos combustíveis. “Mas parece que, agora, estamos mesmo na reta final e ele [o presidente Michel Temer] acredita que ‘nos próximos dias’ teremos um desfecho tanto para o B10 quanto para o RenovaBio”, relata o senador Cidinho.

A expectativa é que o lançamento deva acontecer logo depois do retorno de Michel Temer a viagem que fará aos Estados Unidos na semana que vem para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. Possivelmente na semana entre os dias 25 e 29 de setembro.

Mais comedido, o deputado Evandro Gussi saiu com uma impressão positiva da reunião, mas ressalta que o Planalto não assumiu nenhum compromisso formal em relação ao RenovaBio, nem em relação ao B10. De qualquer forma, Gussi informa que o consenso sobre a iniciativa dentro da equipe do governo federal vem aumentando e que “mais de 90% das divergências já estariam devidamente sanadas. “O RenovaBio nunca esteva tão maduro”, finaliza. (Agência Estado 14/09/2017)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Recuo pontual: As expectativas com o fortalecimento da demanda mundial por cacau cederam aos fundamentos de curto prazo na bolsa de Nova York ontem. Os papéis da amêndoa com entrega para dezembro fecharam a US$ 1.973 a tonelada, queda de US$ 17, interrompendo uma série de quatro altas consecutivas. Na semana, a commodity ainda acumula valorização de US$ 40. As altas do euro e da libra alimentam as previsões de uma maior moagem na Europa, que responde por um terço do processamento mundial de cacau. O fortalecimento das duas moedas eleva o poder de compra da indústria local. No mercado interno, o preço médio ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou estável, em R$ 99 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Forte queda: Após terem registrado forte alta no início da semana, ainda impulsionados pela passagem do furacão Irma pelo sul dos EUA, os contratos futuros do suco de laranja registraram queda expressiva na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em janeiro fecharam a US$ 1,4915, recuo de 490 pontos. Com isso, os papéis de segunda posição passaram de uma ligeira alta (0,03%) acumulada até ontem para queda de 3,15% na semana. O mercado é pressionado pelas previsões de safra no Brasil, onde espera-se alta de 48,6% na produção de laranjas em 2017/18, segundo o Fundecitrus. No mercado interno, o preço médio da caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria no Estado de São Paulo ficou em R$ 19,36, alta de 0,36%, segundo levantamento do Cepea.

Soja: Recuperação: Os contratos futuros de soja recuperaram, ontem, na bolsa de Chicago as perdas registradas na terça-feira, quando o mercado foi pressionado pelas estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a safra 2017/18. Os papéis com vencimento em novembro fecharam a US$ 9,76 o bushel em Chicago, com alta de 15,5 centavos. Segundo analistas, as atenções do mercado estão voltadas para a demanda mundial pelo grão. Ontem, o USDA informou que os EUA fecharam contrato para a venda de 198 mil toneladas de soja para a China, com um acumulado na semana de 849 mil toneladas. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá ficou em R$ 71,09 a saca de 60 quilos, alta de 1,38%.

Milho: Oferta limitada: Os contratos futuros de milho também registraram alta na bolsa de Chicago ontem, reduzindo as perdas registradas na última terça-feira. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 3,5425 o bushel, avanço de 2,75 centavos. O grão foi impulsionado pelo atraso das chuvas no Brasil, o que tem levado os produtores locais a segurarem as suas vendas, limitando a oferta internacional. No Mato Grosso, a comercialização da safra 2016/17 atingiu 79,49% da produção esperada no Estado no dia 11 - 17,1 pontos percentuais abaixo do observado em setembro de 2016, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Ontem, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 28,83 a saca de 60 quilos, com alta de 1,34%. (Valor Econômico 15/09/2017)