Macroeconomia e mercado

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Bayer diz que precisa de mais tempo para concluir aquisição da Monsanto

A fabricante alemã de medicamentos e agroquímicos Bayer disse que provavelmente levará até o início do próximo ano para completar a planejada aquisição do grupo de sementes norte-americano Monsanto, por 66 bilhões de dólares, negócio que estava previsto para ser concluído no fim de 2017.

A Comissão Europeia vem analisando a aquisição, tendo como prazo limite 8 de janeiro. A Bayer disse, em nota, que pediu ao regulador uma extensão desse prazo para até 22 de janeiro. A Comissão iniciou no mês passado uma investigação aprofundada sobre tal aquisição, dizendo que estava preocupada com a concorrência em vários mercados de pesticidas e sementes. (Reuters 19/09/2017)

 

China estuda se abrir a fabricantes de carros elétricos, dizem fontes

Medida pode entrar em vigor a partir de 2018 e a expectativa é que ela atraia o interesse de fabricantes como a Tesla.

A China discute um plano para permitir que fabricantes de automóveis estrangeiras criem empresas de veículos elétricos de propriedade exclusiva delas em suas zonas de livre comércio, medida que representaria uma grande mudança no princípio fundamental que rege a política da indústria automotiva do país desde a década de 1990, segundo representantes de empresas informados sobre o assunto.

O plano, que está sujeito a mudanças porque nenhuma decisão final foi tomada, pode ser colocado em prática já no ano que vem, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque as deliberações são privadas. Se a política entrar em vigor, será uma mudança histórica em relação às regras existentes, que obrigam as fabricantes de veículos estrangeiras a criarem joint ventures com empresas locais.

O relaxamento da regra das joint ventures daria a empresas como a Tesla a oportunidade de estabelecer operações industriais integralmente pertencentes à companhia na China, o maior mercado de veículos elétricos do mundo. A Ford Motor estuda a criação de uma joint venture para produzir veículos elétricos na China com a Anhui Zotye Automobile, enquanto a Volkswagen se associou à Anhui Jianghuai Automobile Group, também para produzir carros elétricos.

O Ministério do Comércio da China, responsável pela elaboração das políticas que regem os investimentos estrangeiros diretos, afirmou em resposta enviada por e-mail à Bloomberg News que irá "implementar ativamente a abertura do setor de fabricação de veículos de novas energias a estrangeiros, junto com outros departamentos que estão sob a direção do Conselho de Estado".

O Ministério também fez referência a um aviso emitido em agosto pelo Conselho de Estado em que determinou que as agências do governo ampliassem o acesso dos investidores estrangeiros a áreas como a fabricação de veículos de nova energia.

No início do mês, a China colocou a indústria automotiva em alerta ao se tornar o mais recente país, e o maior, a buscar a eliminação progressiva dos veículos movidos a combustíveis fósseis, medida que certamente acelerará a mudança global rumo aos carros elétricos. O governo chinês trabalha com os órgãos reguladores na fixação do prazo para o encerramento da produção e das vendas dos veículos de combustão interna, disse Xin Guobin, vice-ministro de Indústria e Tecnologia da Informação.

A China vem abrindo gradualmente o acesso das fabricantes de automóveis estrangeiras às zonas de livre comércio. Empresas estrangeiras receberam autorização para estabelecer operações de propriedade integral delas para a fabricação de motocicletas e baterias na China desde julho de 2016. A chamada regra 50-50 para joint ventures entre chinesas e estrangeiras foi implementada em 1994 para garantir que a indústria automotiva da China, à época incipiente, aproveitasse a transferência de tecnologia obtida por meio de fábricas operadas em conjunto com empresas de automóveis multinacionais como Volkswagen e General Motors.

Xu Shaoshi, então presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, disse em junho de 2016 que o governo considera cancelar o limite de propriedade de 50 por cento. Essa política foi criticada nos últimos anos por proteger as empresas estatais da concorrência e reduzir o esforço para que construam suas próprias marcas. Os defensores da regra afirmam que ela garante às montadoras da China uma chance de construir uma escala suficiente e desenvolver a tecnologia para resistir à concorrência global. (Bloomberg 19/09/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Maior produtividade: O cenário continuou negativo para os contratos futuros do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a 14,37 centavos de dólar a libra-peso, com recuo de 55 pontos. Após ter sido pressionada pela desvalorização do açúcar refinado em Londres na segunda-feira, a commodity cedeu ontem ao aumento nas previsões de produtividade da Europa em 2017. Segundo a agência de monitoramento de safras da União Europeia (Mars, na sigla em inglês), o continente deve produzir 76,9 toneladas de açúcar por hectare plantado de beterraba, aumento de 2,9% ante o estimado em agosto. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 52,42 a saca de 50 quilos, queda de 0,21%.

Café: Clima no Brasil: As atenções no mercado futuro de café seguem voltadas para o clima no Brasil, no momento em que as primeiras floradas da safra 2018/19 de arábica enfrentam falta de chuvas e altas temperaturas. Diante desse cenário, as cotações futuras subiram na última semana na bolsa de Nova York, mas ontem as previsões de chuva no oeste paulista e norte do Paraná nos próximos dias pressionaram os papéis. Os contratos com vencimento em dezembro fecharam a US$ 1,3535 a libra-peso, queda de 500 pontos. A recente alta do dólar ante o real também pressionou as cotações. Na semana, o café acumula perdas de 605 pontos após ter subido mais de 1.000 pontos na semana passada. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 458,90 a saca de quilos, queda de 2,05%.

Suco de laranja: No olho do furacão: A passagem de dois furacões seguidos pelo sul dos EUA e a formação de outros dois no oceano Atlântico deram força às cotações do suco de laranja na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em janeiro fecharam a US$ 1,5115 a libra-peso, avanço de 65 pontos. "Nenhum desses furacões têm previsão de atingir a Flórida ainda, mas a ameaça é suficiente para impulsionar os preços, uma vez que já houve muito dano aos pomares da Flórida este ano", explica Jack Scoville, analista do Price Futures Group em Chicago. A Flórida responde por 60% da produção americana de laranjas e tem sofrido com o avanço do greening. No mercado interno, o preço médio da caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria em São Paulo ficou em R$ 19,08, queda de 1,45%, segundo o Cepea.

Algodão: Apesar dos furacões: Apesar dos prejuízos causados pela passagem dos furacões Harvey e Irma pelo sul dos EUA, os contratos futuros do algodão registraram queda na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a 69,27 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 23 pontos. Na semana, há uma alta acumulada de 20 pontos. A ampla oferta mundial de algodão, com perspectiva de recuperação da colheita na Índia, maior produtora mundial, pressionou as cotações após a forte alta observada na semana passada. As perdas, contudo, foram limitadas pelos receios com a formação de dois novos furacões no oceano Atlântico. No mercado interno, o preço médio ao produtor na Bahia ficou em R$ 80,86 a arroba, segundo a associação de agricultores local, a Aiba. (Valor Econômico 20/09/2017)