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Gradin e Odebrecht tentam acordo fora dos tribunais

Briga entre as duas famílias se arrasta desde 2010 na Justiça.

Enquanto empenham-se em sanar as dificuldades de seu projeto de etanol, os Gradin buscam achar uma saída para um problema mais antigo e rumoroso: a disputa com os Odebrecht.

A briga entre as duas famílias baianas arrasta-se desde 2010 na Justiça, quando os dois clãs romperam. Neste ano, porém, as famílias iniciaram negociações diretas para chegar a um acordo fora dos tribunais.

Não é a primeira vez que há uma tentativa de um acerto extrajudicial entre as partes. Mas, diferentemente de outras ocasiões, as tratativas estão mais amigáveis, segundo fontes a par das conversas.

A situação delicada da Odebrecht, que tem dívida bilionária e enfrenta queda de receitas em meio a uma aguda crise de reputação após ser alvo da Lava Jato, ajudou a baixar os ânimos.

A forçosa troca de comando na Odebrecht, que teve de afastar 77 delatores e hoje é presidida por Luciano Guidolin, renovou a interlocução com os Gradin, que ainda são donos de 20,6% da companhia.

Os Gradin, por sua vez, decidiram contratar um executivo para negociar em seu nome. Foi escolhido Pércio de Souza, fundador e sócio da butique de investimentos Estáter, segundo duas fontes com conhecimento das negociações.

Não está mais sobre a mesa a ideia de dar aos Gradin pedaços de empresas do grupo, até porque boa parte dos negócios foi dada a bancos como garantia de empréstimos.

Histórico

As famílias foram sócias por quase 30 anos, mas romperam em 2010. Na época, os Odebrecht quiseram exercer opção de compra oferecendo US$ 1,5 bilhão pela fatia de Victor Gradin e seus filhos, Bernardo e Miguel, então presidentes da petroquímica Braskem e da Odebrecht Óleo e Gás, respectivamente. Os Gradin recusaram. Diziam que não queriam sair da empresa e, se o fizessem, a conta seria muito mais salgada, de cerca de US$ 5 bilhões.

Bernardo Gradin, Odebrecht e Pércio de Souza não quiseram comentar. (O Estado de São Paulo 06/11/2017)

 

Família Gradin, sócia da Odebrecht, busca ajuda do BNDES para viabilizar usina

Protagonista de um dos maiores litígios empresariais do País, família criou projeto de etanol em 2011, após deixar o dia a dia da Odebrecht; negócio, que tem o banco como sócio e já consumiu recursos de R$ 1 bi, tenta novo aporte para conseguir dar resultado.

Cinco anos após investir cerca de R$ 1 bilhão em um projeto de etanol de segunda geração, que usa resíduos da cana-de-açúcar em sua produção, a família Gradin ainda tenta fazer deslanchar o negócio, sua principal aposta para superar a saída tumultuada do dia a dia do grupo Odebrecht, no qual até hoje detém fatia de 20,6%. A briga entre os Gradin e os Odebrecht é uma das maiores disputas societárias em curso no País.

Batizada de GranBio, a empresa, que produz combustível a partir da palha da cana, sofreu reveses em série, que incluíram a paralisação da fábrica, incêndio no estoque de matéria-prima e briga com fornecedores. O projeto atrasou e agora precisa de mais dinheiro.

Para isso, no entanto, os Gradin precisarão da boa vontade do governo. Está prevista para a próxima quinta-feira uma assembleia para discutir com o BNDESPar, braço de participações do BNDES, novo aporte de R$ 250 milhões na empresa. O banco é o maior investidor no projeto: pagou R$ 600 milhões por 15% da GranBio em 2013. Os Gradin investiram R$ 400 milhões. Mas convencer o BNDES a colocar mais dinheiro na empresa não será fácil, afirmam fontes próximas ao banco. Procurado, o BNDES admitiu que novo aporte é necessário, mas disse não ter tomado decisão sobre o tema.

Tecnologia. Ao fundar a GranBio em 2011, Bernardo Gradin, ex-presidente da petroquímica Braskem, fechou parceria tecnológica com a italiana Mossi Ghisolfi (MG), um dos mais importantes grupos petroquímicos do mundo. Os italianos forneceriam maquinário para a usina em Alagoas. Em setembro de 2014, a fábrica começou a rodar. Mas não tardou para ficar claro que a solução vendida não funcionava. A usina só conseguia operar por poucos dias até precisar parar para reparos.

Os Gradin tentaram negociar diretamente com os donos da MG o ressarcimento, mas acabaram, segundo apurou o Estado, apelando para arbitragem na Corte de Londres após a morte de Guido Ghisolfi, em 2015. Um dos herdeiros da MG, ele era o principal interlocutor dos brasileiros. Paralelamente à disputa, os Gradin abriram processo na Justiça de Alagoas para produzir provas e mostrar que a tecnologia dos italianos não funciona.

Para piorar, a MG, com dívida de quase US$ 1 bilhão, entrou em outubro com pedido de concordata na Itália e nos EUA. O episódio reduz as chances de os Gradin serem indenizados pelos prejuízos à GranBio, que somam cerca de R$ 200 milhões, apurou o Estado.

Procurada, a MG não respondeu. A GranBio disse esperar uma solução viável com a MG e que vê a recuperação judicial do grupo como oportunidade. A empresa não confirmou se há arbitragem em curso. (O Estado de São Paulo 06/11/2017)

 

FMC Corporation conclui transações transformadoras com a DuPont

A FMC Corporation (NYSE: FMC) anunciou hoje que concluiu com sucesso duas transações pendentes com a DuPont.

As empresas firmaram um contrato definitivo em 31 de março de 2017, já tendo atendido todas as condições e obtido as aprovações necessárias.

A FMC adquiriu parte do setor de Proteção de Culturas da DuPont do qual a última teve que se desfazer para atender ao regulamento da Comissão Europeia relativo à sua fusão com a The Dow Chemical Company, concluído em 31 de agosto do 2017, para a criação da DowDuPont™.

Além disso, a FMC concluiu a venda da FMC Health and Nutrition à DuPont.

A empresa fornecerá um primeiro parecer sobre a empresa combinada e a integração dessa aquisição na próxima semana, como parte do conference call sobre os lucros do terceiro trimestre de 2017 na terça-feira, 7 de novembro de 2017. (FMC 03/11/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Realização de lucros: Após caírem 33 pontos na quinta-feira, os contratos futuros de açúcar demerara passaram por realização de lucros na sexta-feira. Os papéis com vencimento em maio subiram 12 pontos, para 14,48 centavos de dólar a libra-peso. Os fundamentos, contudo, continuam apontando para baixa da commodity. Segundo a Green Pool, a oferta de açúcar deve ficar 9,8 milhões de toneladas acima da demanda mundial em 2017/18. O número representa o maior superávit registrado em uma década. Nem mesmo a sinalização de que o Brasil continuará destinando a maior parte da sua colheita de cana para o etanol em detrimento do açúcar muda o cenário. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 58,75 a saca de 50 quilos, alta de 0,65%.

Soja: Chuvas no Cerrado: Os contratos da soja recuaram na sexta-feira em Chicago com as perspectivas de chuvas regulares no mês de novembro no Brasil, segundo maior produtor mundial da oleaginosa. Os papéis para janeiro terminaram a US$ 9,8675 o bushel, 12,50 centavos abaixo do pregão anterior. Segundo a consultoria AgResource, há previsão de chuvas expressivas e regulares para todo o mês de novembro no CentroOeste do Brasil e os índices de umidade do solo devem ficar em níveis confortáveis para o plantio e a germinação. De acordo a consultoria AgRural, o plantio da safra brasileira de soja avançou 13 pontos em uma semana, para 43% da área. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 73,39 a saca de 60 quilos, baixa de 0,12%.

Suco de laranja: Ajuste técnico: Os contratos futuros do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) tiveram alta na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em janeiro subiram 170 pontos, para US$ 1,566 a libra-peso. O movimento foi um ajuste técnico dos fundos. O mercado ainda segue pressionado pelo baixo consumo americano e pelas previsões de produção acima do esperado. Projeções do Departamento de Agricultura do país (USDA) indicam que a safra da Flórida totalizará 54 milhões de caixas em 2017/18, queda de 21% ante a safra anterior. Apesar do recuo, o volume está acima da expectativa inicial, que era 50,6 milhões de caixas. No mercado interno, o preço médio da caixa de laranja destinada à indústria ficou em estável em R$ 19,44, segundo o Cepea.

Café: Brasil no radar: Os contratos de café arábica chegaram ao maior valor em três meses na sexta-feira em Nova York, mas nos minutos finais do dia os papéis com vencimento em março caíram 235 pontos, a US$ 1,275 a libra-peso. Os investidores seguem receosos com a safra de 2018/19 no Brasil. Apesar de chuvas em áreas produtoras, há quem acredite que o botões abertos durante a florada dos cafezais possam ser abortados em decorrência da seca em julho e agosto. Os dados sobre demanda também pressionam. Conforme a Organização Internacional do Café (OIC), houve retração de 14,8% no volume exportado mundialmente em setembro ante o mesmo mês de 2016. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão negociado em São Paulo ficou em R$ 446,92 a saca de 60 quilos. (Valor Econômico 06/11/2017)