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Onda de consolidação abre espaço para FMC

Aproveitando a janela de oportunidades criada pelo movimento de consolidação da indústria de agroquímicos no mundo, a americana FMC Agricultural Solutions, que até outubro era a oitava no ranking global do setor, assumiu a quinta posição e espera avançar mais.

O salto da FMC no ranking é resultado da aquisição, no começo de novembro, de parte dos ativos da área de defensivos da DuPont, que se fundiu com a Dow este ano. Para as operações da FMC no Brasil, essa aquisição representa um aumento imediato de 30% no faturamento, o equivalente a US$ 157 milhões, considerando os resultados de 2016. Em nível global, eleva a receita da área agrícola da empresa de US$ 2,3 bilhões para US$ 3,8 bilhões, também considerando dado do ano passado.

Ronaldo Pereira, presidente da FMC América Latina, disse ao Valor, que a aquisição significa uma oportunidade para a companhia crescer em áreas em que tinha pouca ou nenhuma representatividade. Segundo ele, a participação no mercado mundial pode avançar mais, já que a empresa pretende investir anualmente 8% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento, após a aquisição. Até então, investia entre 3% e 3,5% da receita anual.

A DuPont teve de vender parte de ativos do setor de defensivos para ter sua fusão com a Dow aprovada pelos órgãos antitruste. A FMC ficou com parte do negócio - herbicidas para espécies de folhas largas e de inseticidas contra insetos mastigadores -, e com a pesquisa e desenvolvimento da área de agroquímicos, incluindo 15 projetos de moléculas em fase inicial de desenvolvimento.

"Alguns desses projetos incluem moléculas de famílias químicas que não têm paralelo no mercado", afirmou Pereira. Também passaram para as mãos da FMC 13 plantas em todo o mundo - uma no Brasil, em Barra Mansa (RJ) -, elevando o parque fabril da FMC no mundo para 27 unidades. Como pagamento, a FMC entregou à DuPont a área de saúde e nutrição e mais US$ 1,2 bilhão.

Num momento em que fábricas de químicos são fechadas na China - maior produtora de princípios ativos para agroquímicos no mundo - por não se adequarem à legislação ambiental mais restritiva, a ampliação do parque fabril é uma excelente vantagem, avaliou Pereira.

Ganhar mercado por meio de aquisições tem sido uma estratégia da FMC. Em 2014, a empresa comprou a dinamarquesa Cheminova por US$ 1,8 bilhão e passou a ter uma participação mais significativa no Brasil em café e cana-de-açúcar.

A FMC está no Brasil desde 1970, e tem fábrica em Uberaba (MG). No ano passado, faturou US$ 523 milhões no país, cerca de 23% da receita global da área agrícola. Segundo estimativas da consultoria Allier Brasil, o faturamento da empresa no Brasil deve chegar a US$ 580 milhões neste ano.

Pereira acredita que mesmo com um estoque ainda elevado no canal de distribuição, a empresa ampliará as vendas no Brasil este ano. "A FMC começou com um ajuste há dois anos e isso significou renunciar vendas para escoar estoque do canal de distribuição", disse.

Para o executivo, ainda há bastante espaço para crescer no mercado brasileiro. "A FMC tem uma área de expansão importante para buscar ainda em soja em milho", afirmou.

Com os ativos adquiridos, a empresa passa a ocupar o segundo lugar no segmento de defensivos para algodão, atrás da Syngenta. Nas categorias cana, arroz irrigado, tomate e tabaco, a FMC tem participação de mercado entre 15% e 20%. O mercado de agrotóxicos movimentou US$ 9,56 bilhões no Brasil em 2016, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

Afora a aquisição, o aumento da base de produtos biológicos - que representam 4% da receita da FMC, também faz parte da estratégia de crescimento da empresa.

O peso do Brasil no faturamento global da FMC deve crescer, mas o da América Latina, que inclui as operações do México, deve cair após a consolidação da compra dos ativos da DuPont, prevista para meados de 2018. Em 2016, a região representou 35% da receita. Segundo Pereira, essa fatia deve cair a 28% do resultado global da divisão agrícola. (Valor Econômico 11/12/2017)

 

Açúcar e carnes devem impulsionar exportações brasileiras aos países árabes

As perspectivas para as exportações brasileiras do agronegócio aos países árabes em 2018 são de expansão, afirma Osmar Chohfi, vice-presidente de Relações Internacionais da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. "Esperamos uma expansão do comércio de açúcar e proteína animal, principalmente", disse ele ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. Para Chohfi, o crescimento demográfico e do poder aquisitivo dos países naquela região é que o deve impulsionar essa pauta de exportação. "Atualmente, mais de 50% da população desses países tem menos de 30 anos", acrescentou.

De janeiro a novembro deste ano, a exportação de açúcar do Brasil para os países árabes cresceu 36,25%, para U$S 4,27 milhões. Os embarques de carne de aves avançaram 6,1%, na mesma base de comparação para US$ 2,46 milhões. Os dados são da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira que representa 22 países. As exportações brasileiras totais a estes países somaram US$ 12,5 bilhões entre janeiro e novembro. O resultado representa aumento de 21,66% em relação ao mesmo período de 2016.

O vice-presidente salientou que o Brasil deve se manter como um dos principais fornecedores de carne halal, produzida seguindo preceitos muçulmanos. "As indústrias brasileiras estão em constante treinamento para este tipo de produção", observou. Chohfi acredita que os efeitos da Operação Carne Fraca da Polícia Federal ficaram para trás e que a confiança dos árabes nos produtos brasileiros foi completamente restaurada. "Fornecemos todas as informações necessárias aos governos e empresas árabes e isso já ficou no passado", garantiu.

A Câmara Árabe-Brasileira promoveu nesta sexta-feira o Encontro Empresarial Brasil-Egito para discutir formas de ampliar o comércio bilateral entre as duas nações. O Egito é atualmente o terceiro maior mercado dos produtos brasileiros no mundo árabe. As exportações para o país do Norte da África somaram em 2016 US$ 1,7 bilhão.

Outro objetivo do encontro foi avaliar o acordo de livre comércio Mercosul-Egito, referendado em 2016. Há oportunidades nas áreas de alimentos, na qual o Brasil é competitivo, fertilizantes e de têxteis, uma especialidade egípcia. O acordo de livre comércio Mercosul-Egito deve ampliar e facilitar os negócios entre os países. Uma das apostas é a importação de fertilizantes pelo Brasil. O crescimento da safra de soja brasileira deve favorecer as importações do produto. (Agência Estado 11/12/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Oferta abundante: A elevada oferta mundial de açúcar em meio à recuperação da produção na Ásia e na Europa na atual temporada pressionou as cotações do demerara na última semana na bolsa de Nova York. Na sexta-feira, os papéis com vencimento em maio fecharam a 13,97 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 27 pontos e queda de 97 pontos na semana. As previsões são de um superávit na oferta mundial entre 5 milhões e 10 milhões de toneladas na atual temporada. Isso deve impedir que o preço do açúcar se recupere mesmo após a recente alta puxada pela queda dos números de moagem no Brasil, avaliou o Commerzbank em nota. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal negociado em São Paulo ficou em R$ 69,89 a saca de 50 quilos, alta de 0,49%.

Cacau: Semana negativa: Os contratos futuros do cacau tiveram sua quarta semana consecutiva de perdas na bolsa de Nova York. Na sexta-feira, os papéis da amêndoa com vencimento em março fecharam a US$ 1.887 a tonelada, avanço de US$ 7, mas desvalorização de mais de 7% no acumulado da semana. No total, já são sete pregões consecutivos de resultado negativo na bolsa, com perdas acumuladas de 10,4% desde o último dia 30, quando foi a registrada a primeira da série de quedas. O mercado tem sido pressionado pelos sinais de oferta abundante no oeste da África durante a safra intermediária de 2017/18. No mercado interno, o preço médio ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, avançou 0,63%, para R$ 110,40 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: Mais exportação: O avanço das vendas externas semanais de milho pelos Estados Unidos deu fôlego às cotações do milho na bolsa de Chicago na última sexta-feira. Os contratos com vencimento em março fecharam a US$ 3,5275 o bushel, avanço de 1,25 centavo. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), foram firmados contratos para a venda de 876,4 mil toneladas de milho ao longo da semana entre 14 e 30 de novembro, 46% acima da semana anterior. A alta do petróleo, que eleva a competitividade e a demanda por etanol de milho nos EUA, e o atraso no plantio do cereal na Argentina também sustentaram as cotações. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 31,58 a saca de 60 quilos na sexta-feira, com queda de 0,19%.

Trigo: EUA menos competitivo: A perda de competitividade do trigo americano no mercado internacional diante de uma produção recorde na Rússia segue pressionando as cotações do cereal nas bolsas americanas. Em Chicago, os contratos do trigo com vencimento em março fecharam a US$ 4,19 o bushel na sexta-feira, queda de 2,5 centavos. Em Kansas, o mesmo contrato encerrou a US$ 4,18 o bushel, recuo de 2,75 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos exportaram 12,74 milhões de toneladas de trigo no acumulado do ano-safra 2017/18 até o último dia 30, queda de 6,4% em comparação a igual período do ciclo anterior. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná ficou em R$ 647,97 a tonelada na sexta-feira, recuo de 0,44%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 11/12/2017)