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Chineses avaliam compra de áreas de eucalipto no País por até US$ 700 mi

China Forestry Group Corporation negocia 230 mil hectares em ativos florestais da Vallourec, que também pôs à venda a mina Pau Branco.

A siderúrgica francesa Vallourec, que produz tubos de aços, colocou à venda fazendas com plantação de eucalipto em Minas Gerais que somam 230 mil hectares. Os ativos florestais são avaliados entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões e atraíram investidores locais e estrangeiros, entre eles a gigante China Forestry Group Corporation (CFGC), apurou o Estado.

A estatal chinesa, que contratou o banco Modal como assessor financeiro, ainda não definiu como vai estruturar a operação, uma vez que o Brasil tem restrição à entrada de investidores estrangeiros desde 2010, após decisão da Advocacia Geral da União (AGU), que proibiu grupos internacionais de adquirir o controle de propriedades agrícolas.

O projeto de lei que libera a compra de terras por estrangeiros, desde que em sociedade com empresas brasileiras, está parado na Câmara após as delações dos irmãos Batista (donos da JBS) virem à tona. Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG), relator do projeto na Câmara, disse que vai tentar uma nova frente no Senado para aprovar o projeto, que prevê maior flexibilização de investimentos de fora no País.

Diante desse impasse, fontes a par das negociações que envolvem a Vallourec afirmaram que o grupo chinês avalia se faz parceria com um grupo brasileiro para comprar as florestas ou se ficará com apenas com a produção de eucaliptos. A Vallourec é assessorada pelo banco Moelis.

Outras empresas nacionais, como a Suzano, e investidores canadenses, teriam olhado o negócio, mas não foram adiante, segundo fontes. Procurados, Modal e Moelis não comentaram. A CFGC não retornou os pedidos de entrevista e a Suzano informou que não comenta rumores de mercado. A Vallourec não confirma a negociação.

As propriedades agrícolas da Vallourec estão espalhadas por Minas. A francesa utiliza a madeira para a queima para a produção de carvão vegetal nas suas usinas. Mas, com a crise global das siderúrgicas, a partir de 2015, a Vallourec anunciou uma reestruturação internacional de seus negócios. No Brasil, o grupo desligou em 2016 dois de seus três altos-fornos, de Barreiro e Jeceaba, ambas em Minas.

O Estado de Minas concentra cerca de 30% das propriedades florestais do País, mas os ativos não têm preços competitivos por conta da logística. No fim de 2016, a Suzano comprou as áreas florestais que somam 70 mil hectares, do grupo Queiroz Galvão no Maranhão e Tocantins.

Maior produtor de celulose do mundo, o País tem condições de atrair investimentos superiores a US$ 50 bilhões nos próximos anos, disse o advogado Aldo De Cresci, secretário da Frente Parlamentar da Silvicultura.

Mina à venda

Além das florestas, a Vallourec contratou o BTG para tentar vender sua mina, a Pau Branco, em Minas, avaliada em US$ 500 milhões, segundo fontes. A suíça Trafigura, ArcellorMittal e a Vale são apontadas como interessadas. A Trafigura e ArcelorMittal não comentam. A Vale nega o interesse e a Vallourec não confirma a negociação. (O Estado de São Paulo 18/12/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Efeito cambial: A queda do dólar ante o real em meio à cobertura de posições vendidas dos fundos deu força às cotações do açúcar na bolsa de Nova York ontem. Os contratos com vencimento em maio fecharam a 13,64 centavos de dólar a libra-peso, alta de 12 pontos. A valorização ocorre após o açúcar bater a mínima em nove meses na semana passada. Segundo Arnaldo Corrêa, da Archer Consulting, o movimento foi resultado da venda de posições em commodities agrícolas por parte dos fundos em meio ao cenário macroeconômico e às previsões de superávit na oferta mundial de açúcar em 2017/18. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal negociado em São Paulo ficou em R$ 69,35 a saca de 50 quilos ontem, com alta de 0,26%.

Algodão: Correção em NY: Após registrarem três sessões consecutivas de alta, os contratos futuros do algodão iniciaram a semana em queda na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 75,64 centavos de dólar libra-peso, recuo de 68 pontos. "A história continua a mesma, com o mercado apresentando liquidez de venda enquanto compras especulativas continuam a alimentar um movimento de alta", afirma a Plexus Group em nota. Na semana passada, a commodity chegou bater a máxima em nove meses, num movimento que levou alguns analistas a classificarem o algodão como "sobrecomprado". No mercado interno, o preço médio ao produtor na Bahia ficou em R$ 83,39 a arroba ontem, de acordo com a associação de agricultores local, a Aiba.

Soja: Chuva na Argentina: As previsões da semana passada se confirmaram e foram registradas chuvas na Argentina ao longo do último fim de semana, pressionando as cotações da soja na bolsa de Chicago ontem. Os contratos com vencimento em março fecharam ontem a US$ 9,725 o bushel, com recuo de 5,5 centavos. O país tem sofrido com o tempo quente e seco, o que gera atrasos no plantio da safra 2017/18. Na quinta-feira, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires havia ressaltado que, caso as previsões de chuva não se confirmassem, o órgão poderia realizar cortes nas estimativas de área plantada da Argentina, atualmente em 18,1 milhões de hectares. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 73,91 a saca de 60 quilos, recuo de 0,82%.

Trigo: Risco de geada: As previsões climáticas indicando o risco de geada nas planícies ao norte dos EUA no próximo fim de semana deu impulso ao trigo nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, o cereal com vencimento em maio fechou a US$ 4,335 o bushel, avanço de 2,75 centavos. Em Kansas, o grão com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,3175 o bushel, alta de 1,5 centavo. Segundo analistas, embora haja grande oferta mundial de trigo brando, a disponibilidade de cereal de maior qualidade, como o produzido no norte dos EUA, ainda é baixa no mercado internacional, o que eleva as apreensões com o clima na região. No mercado interno, o preço médio praticado no Paraná, principal Estado produtor, ficou em R$ 655,60 a tonelada, alta marginal de 0,02%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 19/12/2017)