Macroeconomia e mercado

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BR Distribuidora no Cadê

A BR Distribuidora afirmou ontem que considera possível uma condenação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por formação de cartel na área de distribuição de combustível em Minas Gerais, junto com as distribuidoras Ale, Ipiranga e Raízen.

A declaração foi feita em resposta a um ofício enviado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na sexta-feira, em que a autarquia questiona a empresa a respeito de reportagem publicada pelo Valor na quinta-feira sobre o parecer da Superintendência Geral (SG) do Cade, apontando que as quatro distribuidoras formaram um cartel em Belo Horizonte e municípios vizinhos entre 2007 e 2008.

As empresas devem receber uma multa perto do teto permitido pela legislação, de 20% do faturamento no ano anterior ao da abertura do processo nas regiões afetadas. (Valor Econômico 09/01/2018)

 

Venda de máquinas agrícolas deverá subir 3,7% este ano

Menos otimista que em 2017, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê alta de 3,7% das vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias no mercado doméstico neste ano. Se a projeção se confirmar, o número deve chegar a 46 mil unidades. Em 2017, as vendas somaram 44,4 mil máquinas, 1,5% a mais que em 2016, mas 4,9% aquém da projeção inicial de 46,7 mil unidades.

Segundo Ana Helena de Andrade, vice-presidente da Anfavea, a frustração na expectativa de 2017 é resultado de menor renovação de maquinário e maior taxa de utilização das máquinas. "Para 2018, já temos um aprendizado do que aconteceu com o mercado", disse em encontro com jornalistas, na sexta-feira.

A retração de 20,8% das vendas de colhedoras de cana em 2017 foi um dos motivos para o crescimento inferior ao projetado inicialmente. "Em 2016, houve uma alta taxa de renovação desse maquinário e isso desestimulou as vendas em 2017", disse. Também houve retração de 5,3% nas vendas de retroescavadeiras. No sentido oposto, as vendas de tratores de rodas subiram 2,7% e as de colheitadeiras, 0,9%.

Se as vendas internas em 2017 desanimaram, as exportações de máquinas agrícolas foram motivo de comemoração. A Anfavea projeta que o Brasil venderá ao exterior 15,5 mil unidades em 2018, quase 10% mais que as 14,1 mil unidades de 2017, quando as vendas subiram 34,6%. A projeção inicial para 2017 era mais modesta, de 12,9 mil unidades.

Em 2017, segundo a vice-presidente da associação, as exportações foram puxadas pelas vendas para a Argentina e Estados Unidos, que cresceram 195% e 87%, respectivamente.

Com relação à produção do setor, a Anfavea prevê crescimento de 11,8%, para 61,5 mil unidades em 2018. No ano passado, foram produzidas 55 mil unidades, 1,8% mais que em 2016, mas 7,7% abaixo das 59,6 mil unidades projetadas.

A Anfavea também divulgou na sexta-feira os resultados de dezembro. As vendas recuaram 8,8% no mercado interno na comparação anual, para 3,8 mil unidades. As exportações cresceram 39,1% na mesma comparação, para 1,3 mil unidades. A produção, por sua vez, somou 2,7 mil unidades, retração de 52,1%, refletindo as férias coletivas dada pela indústria no mês passado.

Em 2017, o segmento de máquinas agrícolas e rodoviárias registrou 18.365 postos de trabalho, alta de 9,5% ante 2016. (Valor Econômico 08/01/2018)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Apreensão em NY: Os contratos futuros de açúcar tiveram ontem quarta queda consecutiva na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam o pregão cotados a 14,78 centavos de dólar a libra-peso, desvalorização de 24 pontos. De acordo com James Liddiard, da Agrilion Commodity Advisers, o mercado está apreensivo diante da sequência de três desvalorizações consecutivas observada na semana passada. "Acho que o sentimento geral parece ser de que a queda da semana passada foi mais pautado por mercados externos do que pelos fundamentos", afirma Liddiard, observando que o mercado de açúcar ainda está bem abastecido. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal no Estado de São Paulo ficou em R$ 65,43 a saca de 50 quilos, queda de 0,88%.

Café: Pressão cambial: O dólar firme em relação ao real segue pressionando as cotações do café arábica na bolsa de Nova York. Ontem, os papéis com vencimento em maio fecharam o dia US$ 1,275 a libra-peso, desvalorização de 325 pontos. A moeda americana mais forte eleva as margens dos exportadores brasileiros, o que os estimula a vender a commodity mais barata, em dólar. As projeções positivas para a safra 2018/19 de café no Brasil também pressionam as cotações. De acordo com a estimativa mais recente do Rabobank, a colheita brasileira deve ficar entre 57 milhões e 59 milhões de sacas, o que representa um acréscimo de ao menos 27% ante a safra atual. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq em São Paulo ficou em R$ 449,10 por saca, queda de 1,25%. No acumulado do mês, no entanto, há valorização de 0,54%.

Cacau: Oferta apertada: As previsões de uma oferta mundial de cacau mais apertada do que o esperado deram impulso às cotações do cacau na bolsa de Nova York no pregão de ontem. Os contratos futuros com entrega para maio fecharam a US$ 1.916 a tonelada, valorização de US$ 18. As previsões para 2017/18 são de queda de até 6% na produção da Costa do Marfim e de 12% em Gana, os dois maiores produtores mundiais, enquanto a demanda dá sinais de recuperação na Europa e na Ásia. Para 2016/17, analistas avaliam que o superávit esperado pelo mercado deve ficar bem abaixo das 335 mil toneladas estimadas pela Organização Internacional do Cacau. No mercado brasileiro, o preço médio pago ao produtor em Ilhéus, na Bahia, ficou estável em R$ 108 por arroba, segundo a Secretaria e Agricultura do Estado.

Milho: Ritmo lento: A lentidão nas exportações americanas de milho afetou as cotações do grão na bolsa de Chicago. Ontem, os papéis para maio fecharam o pregão negociados a US$ 3,555 o bushel, retração de 3,75 centavos. Embora o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos tenha apontado que os embarques semanais do país avançaram 16,8% durante a semana encerrada no último dia 4 de janeiro, no acumulado do atual ano-safra 2017/18, que começou em 1º de setembro, as entregas somam 11,43 milhões de toneladas, queda superior a 35% ante as 17,93 milhões de igual período do ciclo 2016/17. Além dos dados sobre as exportações dos EUA, a melhora pontual do clima na Argentina também afetou os preços. No Brasil, o indicador Esalq/BM&FBovespa pra o milho ficou em R$ 33,12, queda de 0,5%. (Valor Econômico 09/01/2018)