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Incerteza política ameaça acordo entre Mercosul e UE

Setor de açúcar europeu rejeita qualquer oferta e proposta para etanol foi considerada insuficiente pelos sul-americanos.

Incertezas políticas na Europa se transformam em ameaças para o acordo entre Mercosul e UE e, na Alemanha, negociadores já admitem que existe um risco de que o entendimento seja adiado para 2019.

Em dezembro, os dois blocos estiveram próximos de um acordo, depois de 18 anos de negociações. Mas, segundo o Mercosul, Bruxelas não ofereceu uma abertura suficiente no setor de carnes e etanol e o impasse não conseguiu ser superado. O bloco sul-americano chegou a elevar sua proposta para atender aos negociadores europeus. Mas não houve uma reciprocidade.

O entendimento era de que o processo seria retomado em janeiro e que, ao longo do mês, novos encontros técnicos poderiam ocorrer. Mas, em Bruxelas, negociadores admitem que o processo está emperrado.

O que ninguém previa era que o governo da Alemanha fosse paralisado por uma incapacidade de Angela Merkel em formar um governo depois das eleições. O espaço vazio deixado por Berlim em Bruxelas tem sido ocupado pela França, um dos países mais hesitantes em fechar um acordo comercial com o Mercosul. Se existe setores como o de vinhos que querem maior abertura ao mercado sul-americano, outros – como o de açúcar, rejeitam qualquer oferta.

Se não bastasse, a presidência temporária do bloco foi para a Bulgária, governo pouco interessado em um acordo comercial com o Mercosul que represente a entrada de novos produtos agrícolas para concorrer com os seus nos grandes mercados europeus.

Nos bastidores, um dos negociadores mais experientes da Europa, Jean-Luc Demarty, irá se aposentar, o que também deixa um vácuo no processo nos próximos meses. Mas, do lado do Mercosul, negociadores insistem que não terão nada de novo a apresentar enquanto a proposta dos europeus no setor agrícola não for revista. Por enquanto, porém, a oferta europeia é de uma cota de 70 mil toneladas de carnes para o Mercosul, algo considerado como insuficiente.

O bloco sul-americano, porém, também tem seus prazos políticos. Brasil e Paraguai passam por eleições e negociadores europeus temem que, depois de abril, ambos os governos estejam concentrados em sua política doméstica, com pouco espaço para fazer manobras que possam deixar insatisfeitos certos interesses econômicos.

Nesta semana, o secretário de Economia da Alemanha, Matthias Machnig, alertou que se um entendimento não for obtido até o final de janeiro, todo o processo pode ser congelado e restabelecido apenas em 2019.

Mas, nos bastidores, a diplomacia sul-americana também tenta alertar que não aceitaria que os europeus coloquem a culpa no Mercosul por um evento fracasso na negociação. Para o Brasil, por exemplo, existem todas as condições para que o acordo possa ser concluído em 2018.

Para os europeus, o prazo de 2019 também é relevante. O ano marcará a renovação do Parlamento Europeu e do comando da Comissão Europeia, o que significa que pouco poderá ser feito. (O Estado de São Paulo 11/01/2018)

 

Grupo Amaggi negocia compra da Fazenda Itamarati

Empresa da família do ministro Blairo Maggi estaria na reta final para adquirir propriedade de herdeiros de Olacyr de Moraes por US$ 300 milhões.

A Amaggi, empresa da família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), negocia a compra da Fazenda Itamarati, em Mato Grosso, que pertence aos herdeiros de Olacyr de Moraes, antigo ‘Rei da Soja’, morto em 2015. O negócio, estimado em cerca de US$ 300 milhões, está na reta final de conclusão, apurou o ‘Estado’.

Segundo fontes próximas à empresa, a fazenda está arrendada ao Grupo Amaggi desde 2002, e as negociações para a aquisição da propriedade estariam acontecendo há alguns meses.

Grupo do ministro Blairo Maggi é o 3º maior produtor de soja do País.

Localizada em Campo Novo do Parecis, a 400 quilômetros de Cuiabá, a fazenda tem uma área total de 105 mil hectares, sendo 51,59 mil de área produtiva, com culturas como soja, milho e algodão. Na propriedade, que faz parte dos ativos da Companhia Agrícola do Parecis (Ciapar), trabalham cerca de 700 funcionários.

Procurada, a Amaggi informou em nota que está “participando das negociações visando a aquisição da totalidade das ações do capital social da Ciapar”, mas que a conclusão das negociações depende da “satisfação de condições precedentes a sua formalização”.

Procurado pela reportagem, o ministro Blairo Maggi negou a conclusão do negócio.

Além da Fazenda Itamarati, a família de Olacyr de Moraes detém a Usinas Itamarati, localizada em Nova Olímpia, a 200 km da fazenda. A empresa, maior processadora de cana-de-açúcar de Mato Grosso, chegou a ser a maior produtora de álcool do mundo.

Com 40 anos de operação, o Grupo Amaggi é o terceiro maior produtor de soja do País. O nome da companhia homenageia o pai de Blairo, André Maggi. A empresa está presente também na Argentina, Paraguai, Holanda, Noruega e Suíça. Hoje, o grupo atua na originação e comercialização de grãos e insumos; produção agrícola e de sementes de soja; operações portuárias, transporte fluvial e geração e comercialização de energia elétrica.

Somente em Mato Grosso, o grupo administra 252,3 mil hectares de terras para agricultura, pecuária e reflorestamento. Do total, 200,4 mil hectares em 19 fazendas próprias. O grupo emprega 3,9 mil funcionários.

Ministro

Absorvido pela política, o engenheiro agrônomo Blairo Maggi acabou se distanciando da linha de frente da companhia.

Durante mais de uma década, ele foi o maior produtor de soja do País. Hoje é o terceiro maior. Eleito governador do Estado de Mato Grosso em 2002, foi reeleito em 2006 e deixou o cargo para concorrer ao Senado. Para se dedicar à carreira pública, repassou a gestão de sua empresa, a um conselho administrativo presidido por Pedro Jacyr Bongiolo. Em maio de 2016, assumiu o Ministério da Agricultura. (O Estado de São Paulo 10/01/2018)

 

Terras sobem mais na 'velha fronteira' agrícola do Brasil

Uma combinação rara entre instabilidade política e redução da taxa básica de juros abriu espaço em 2017 para que os investidores começassem a olhar com mais interesse o mercado de terras, um ativo considerado seguro em épocas de turbulência. Mas o interesse, ainda modesto comparado a tempos áureos do setor, concentrou-se em regiões que já oferecem mais facilidades ao produtor, como acesso à infraestrutura e bons solos.

Foi o que ocorreu nas regiões Sul e Sudeste, onde terras chegaram a ter altas de até 25% em 2017, muito acima do visto no Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país - que embora tenham terras mais abundantes e baratas, perdem competitividade devido às distâncias e solos de menor qualidade.

Segundo Marcio Perin, analista da consultoria FNP Informa Economics, os preços das terras do Sul e Sudeste já vinham subindo desde 2015 como reflexo da busca por ativos "seguros" em meio à instabilidade política dos últimos anos, além das boas safras nas regiões. Em 2017, as altas foram mais acentuadas no mercado paulista, após dois anos de elevações mais relevantes no Sul.

Ele observou que, como os terrenos nessas regiões são bons e escassos, um leve aumento na demanda já provoca alterações expressivas nos preços. Em Franca, por exemplo, tradicional região de café no Estado de São Paulo, o preço da terra nua subiu 25,8% em relação a 2016, para R$ 39 mil o hectare, enquanto em Sorriso, um dos principais polos do cultivo de soja e milho do país, o valor do terreno ficou estável, permanecendo em média em R$ 23 mil o hectare, conforme o levantamento da FNP.

Na última fronteira agrícola do país, o Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), houve queda no números de negócios efetivados. A região foi marcada por quebras de safras de 2014/15 e 2015/16 em decorrência de problemas climáticos. "Nessas regiões, os preços não caíram tanto, mas diminuiu a liquidez", disse André Guillaumon, presidente da BrasilAgro, especializada em desenvolvimento de terras.

Levantamento da empresa com dados compilados da FNP indicou que o preço médio real dos terrenos na região Sul subiu 6,2% nos 12 meses encerrados em agosto do ano passado, enquanto no Sudeste o aumento foi de 4,1%. Já no Centro-Oeste, o hectare se valorizou apenas 1% no mesmo período, enquanto no Norte a alta média foi de 1,6%.

No geral, o movimento de queda da Selic, hoje, em 7% ao ano, patamar mais baixo da história, colaborou para que o apetite por terras começasse a reaparecer, já que juros baixos significam financiamento mais barato, e os investimentos tendem a migrar do mercado financeiro para o físico. Afora isso, o início da recuperação da economia brasileira também ajudou, segundo Guillaumon. "De modo geral, mesmo com alguns sobressaltos econômicos, o preço da terra não cai como em outros setores", disse.

A valorização das terras tem ocorrido em áreas destinadas a culturas variadas no Sudeste e no Sul. Houve alta tanto nas áreas em que falta cana perto de usinas em boa situação financeira, como nas voltadas a café, laranja e até mesmo soja. Na região de Ribeirão Preto, o preço avançou 12,7%, para R$ 42,8 mil o hectare, enquanto nas áreas de grãos de Cascavel, subiu 4,5% para R$ 57,5 mil o hectare.

A busca por terras em São Paulo para plantar soja - às vezes em consórcio com a cana, substituindo o amendoim - também tem inflacionado terrenos em algumas regiões, como em Cândido Motta. "A soja chegou a São Paulo e está na nossa porta, como em Itapetininga. O que ocorreu ano passado foi a agricultura chegando próximo a grandes cidades", afirmou Aloisio Barinotti, CEO da corretora NAI Commercial Properties.

A oleaginosa ainda ocupa uma área modesta no Estado, mas há um avanço do cultivo para a safra 2017/18, sobre algumas áreas antes destinadas ao milho. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área de soja cresceu 64,4% desde a safra 2011/12, para 957,1 mil hectares projetados para o ciclo 2017/18.

"Espaço para crescer [em São Paulo] existe e pode aumentar nos próximos anos em função de preço [das commodities]", avaliou Aroldo de Oliveira Neto, superintendente de informações do agronegócio da Conab. A soja tem ganhado espaço inclusive em substituição à cana. "As usinas estão reduzindo o número de fornecedores e o espaço está sendo aproveitado para soja", disse.

Entretanto, o volume de negociações foi inferior ao de 2014 e 2015, quando o mercado estava mais aquecido. Após o marasmo de 2016, investidores se voltaram a ativos ofertados a preços abaixo da média. "Ocorreram muitas negociações em leilões", lembrou Perin. (Valor Econômico 11/01/2018)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Sexta queda em NY: Os contratos futuros do açúcar registraram ontem a sexta queda consecutiva na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 14,72 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 5 pontos. Embora a perspectiva seja de queda na produção brasileira em 2017/18 diante da alta nos preços dos combustíveis e da consequente destinação de mais cana para o etanol, o cenário mundial ainda é de oferta abundante de açúcar. Na Índia, segundo maior produtor global da commodity, a produção entre outubro e dezembro do ano passado ficou 26% superior ao registrado em igual período de 2016, de acordo com a indústria local. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 64,35 a saca de 50 quilos, retração de 1,03%.

Café: Produção global: A expectativa de superávit global de café na safra 2017/18 pressionou as cotações na bolsa de Nova York. Ontem, os contratos com vencimento em maio fecharam a US$ 1,2635 por librapeso, queda de 120 pontos. De acordo com a Organização Internacional do Café (OIC), a produção mundial deve bater recorde de 158,8 milhões de sacas no ano-safra internacional 2017/18, alta de 0,7%. Os dados pressionaram o mercado, segundo o Commerzbank. Além disso, a expectativa de aumento de mais de 20% na safra do Brasil, maior produtor global de café, em 2018/19 também contribuiu para pressionar as cotações. No mercado brasileiro, o indicador Cepea/Esalq para o grão em São Paulo ficou ontem em R$ 448,24 por saca, ligeira queda de 0,02%. No acumulado de janeiro, há alta de 0,34%.

Algodão: À espera do USDA: As expectativas dos investidores com o próximo relatório de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deram fôlego às cotações do algodão na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam o dia a 79,96 centavos de dólar por libra-peso, alta de 127 pontos. A média das previsões de mercado aponta corte nas estimativas de estoques finais dos EUA em 2017/18, de 1,26 milhão para 1,19 milhão de toneladas. A revisão, segundo analistas, deve refletir a maior demanda pela pluma americana em meio aos problemas de safra enfrentados pela Índia, segundo maior exportador mundial. No mercado brasileiro, o preço médio ao produtor na Bahia ficou em R$ 87,77 por arroba, segundo a associação de agricultores local, a Aiba.

Milho: Chuva na Argentina: A melhora das previsões climáticas na Argentina pressionou os contratos futuros do milho na bolsa de Chicago, apesar da expectativa de que o relatório de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) seja altista. Os papéis com vencimento em maio encerraram o pregão a US$ 3,57 o bushel, recuo de 0,25 centavo. Na Argentina, as previsões são de chuva em diversas regiões no próximo fim de semana, aliviando as condições secas que têm atrapalhado o plantio da safra 2017/18. A queda dos preços, contudo, foi limitada pela expectativa de redução nas estimativas do USDA para a safra da Argentina, de 42 milhões para 41,4 milhões de toneladas. No Brasil, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 32,71 a saca, leve alta de 0,21%. (Valor Econômico 11/01/2018)