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Brasil deve atrair gigantes globais com leilões para energia renovável em 2018

O Brasil deve atrair gigantes globais do mercado de energia em leilões para contratação de novos projetos de geração renovável previstos para este ano, em meio a projeções de que uma forte competição restringirá a participação de empresas locais e fundos de investimento, disseram especialistas à Reuters.

O país já agendou uma licitação para abril, que viabilizará usinas para iniciar a operação a partir de 2022, e ao menos mais um certame deve ser realizado no ano, para empreendimentos com entrega em 2024, este também aberto a termelétricas, disse o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso.

Para o leilão de abril, o chamado “A-4”, há um recorde de 48,7 gigawatts em projetos cadastrados por investidores, maior volume já registrado em certames voltados a fontes renováveis, o montante equivale a mais de três usinas do porte de Itaipu, maior geradora do mundo.

“O grande número de projetos cadastrados indica um mercado ainda muito atrativo para os investidores. Apesar de alguns percalços, o Brasil possui a confiança de desenvolvedores e investidores nacionais e internacionais”, disse Barroso, em respostas por e-mail.

Uma prova do apetite do mercado foi dada em dezembro passado, quando após dois anos sem licitações o governo brasileiro conseguiu contratar novas usinas solares e eólicas pelos menores preços já registrados no país, com deságios de cerca de 60 por cento ante os preços-teto definidos para a produção futura dos empreendimentos.

Em relação à biomassa, os dois leilões realizados em dezembro do ano passado contrataram sete projetos de um total de 42 cadastrados. Foram 111,2 MW médios, com 8,6 MW médios comercializados a R$ 144,51/MWh no A-4, além de 102,6 MW médios a R$ 189,45/MWh no A-6.

A diretora da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini, avalia que esse novo cenário de preços deve continuar, o que favorece grandes elétricas europeias em detrimento de fundos e investidores locais.

“Tem um perfil de investidor que continua super animado, animadíssimo, querendo participar. E tem quem está começando a achar que os deságios estão muito grandes e não vale mais a pena, as margens diminuem”, disse.

Para o sócio da consultoria Thoreos, Rodrigo de Barros, os retornos ficaram mais baixos e próximos dos oferecidos para projetos de energia renovável em leilões recentes ao redor do mundo, mas com a diferença de que no Brasil os contratos são em reais, e não em dólar como em alguns outros países, o que representa um risco cambial para o empreendedor.

“Está bem mais difícil para os players locais. A gente não espera retornos muito bons. Ao preço que está, só quem tem acesso a capital lá fora, com juros muito baixos. Só essas gigantes”, afirmou ele, que citou como exemplos o grupo italiano Enel e a francesa Engie.

O especialista em energia da Deloitte, Luis Carlos Tsutomu, afirmou que essas grandes elétricas possuem projetos por todo o mundo e presença forte na América Latina, o que reduz o risco cambial.

“No somatório de todo portfólio, se você está em vários países, consegue diversificar e diluir esse risco. Mesmo grandes players globais se assustaram com o que aconteceu no final do ano passado. Aumentou muito o nível de competição”, disse.

As expectativas são de que os leilões brasileiros em um ano em que o país sai da maior recessão em décadas devem contratar mais que os 4,5 gigawatts de 2017– um volume que poucos mercados de energia no mundo movimentam anualmente.

Riscos e retorno

O consultor da Deloitte ressaltou ainda que o governo precisa ficar atento à evolução dos empreendimentos contratados, uma vez que tarifas muito baixas acabam também por aumentar chances de alguns projetos não saírem do papel.

“É só ver o que aconteceu com projetos solares do leilão de 2014. Na hora em que venderam, fazia sentido. Depois, teve uma variação do câmbio e foi por água abaixo”, afirmou.

No caso citado pelo especialista, diversos empreendedores paralisaram projetos de energia após uma forte desvalorização do real em 2015 e 2016, em meio à instabilidade gerada por um processo que culminou no impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Na época, o governo acabou por promover um inédito leilão reverso, em que investidores pagaram um prêmio em troca de desistir sem multas de 25 projetos que não saíram do papel, incluindo usinas solares e eólicas.

Ainda assim, os consultores são unânimes em apontar que há apetite suficiente dos investidores para manter os preços baixos dos leilões do ano passado, embora já exista algum ceticismo no mercado devido aos baixos retornos.

Nesta quarta-feira, o UBS cortou o preço-alvo para as ações da geradora AES Tietê, que viabilizou um projeto solar no leilão A-4 de 2017.

“Não acreditamos que os projetos solares anunciados recentemente serão geradores de valor”, afirmaram os analistas do banco em relatório.

Além da AES Tietê, da norte-americana AES, os leilões de 2017 tiveram como principais vencedores elétricas estrangeiras como a italiana Enel, a portuguesa EDP, a francesa Voltalia e a dinamarquesa European Energy, todas já com projetos anteriores no Brasil. (Reuters 18/01/2018)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Novas perdas: Os contratos futuros do açúcar demerara ampliaram ontem as perdas registradas na última terça-feira, quando foram pressionados pelo possível revogação da taxa de 20% sobre a importação de etanol pelo Brasil. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 13,58 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 19 pontos. Segundo analistas, a medida tende a atenuar a queda no percentual da cana destinada à produção de açúcar pelas usinas prevista para a safra 2018/19 diante da alta nos preços dos combustíveis e do petróleo. Também pressionam as cotações previsões de superávit de mais de 10 milhões de toneladas na oferta mundial em 2017/18. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 58,95 a saca de 50 quilos, baixa de 2,4%.

Cacau: Moagem crescente: As expectativas de aumento na moagem de cacau na América do Norte e Ásia deram fôlego às cotações do cacau na bolsa de Nova York. Ontem, os contratos com vencimento em maio fecharam a US$ 2.001 por tonelada, alta de US$ 50. Analistas do setor projetam que o processamento de cacau nos EUA cresceu de 1% a 3% no último trimestre de 2017, acelerando-se em relação ao crescimento de 0,68% no trimestre imediatamente anterior. Para a Ásia, espera-se um aumento de até 8% na moagem no mesmo período, o que reforçou o movimento de alta da amêndoa na bolsa de Nova York. No mercado brasileiro, o preço médio aos produtores em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou em R$ 113,70 por arroba ontem, alta de 2,43%, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Café: Exportação menor: Um ajuste técnico em meio à queda das exportações brasileiras deu fôlego às cotações do café arábica na bolsa de Nova York ontem. Os contratos com vencimento em maio fecharam a US$ 1,2555 a libra-peso, avanço de 260 pontos. Com isso, a commodity passou de uma queda acumulada de 175 pontos desde o início da semana para alta de 85 no período. De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), as exportações de café do país caíram 10,1% no ano passado comparado a 2016, para 30,790 milhões de sacas. Trata- se do menor volume em cinco anos, o que reflete a queda de até 15% na produção brasileira do grão. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 445,29 a saca de 60 quilos ontem, leve alta de 0,62%.

Soja: Ainda a Argentina: A despeito da ampla oferta global de soja e da melhora das perspectivas para a produção no Brasil, as cotações da oleaginosa encontraram sustentação ontem nas más condições climáticas na Argentina. Os contratos com vencimento em maio fecharam a US$ 9,80 o bushel na bolsa de Chicago, alta de 0,5 centavo. De acordo com analistas, as chuvas do último fim de semana ficaram abaixo do esperado na Argentina, com menos de 20% da área prevista atingida pelas precipitações. O processamento recorde nos Estados Unidos em dezembro também favoreceu, num momento em que os americanos têm perdido espaço no mercado internacional. Ontem, indicador Esalq/ BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 71,84 a saca de 60 quilos, avanço de 0,25%. (Valor Econômico 18/01/2018)