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Sementes Talismã entra com pedido de recuperação judicial

A Agropecuária Sementes Talismã, fornecedora brasileira de sementes de soja com tecnologia da Bayer e da Monsanto, entrou com pedido de recuperação judicial na 12ª Vara Cível da Comarca de Goiânia na última sexta-feira com uma dívida atrasada de mais de R$ 180 milhões, valor que supera todo seu faturamento do ano passado.

A companhia argumentou, em nota, que foi afetada por quebras de safra em 2012/13 e em 2014/15, tomando dívidas para cobrir seus resultados. O endividamento também cresceu em decorrência de financiamentos a “diversos grandes investimentos”, segundo a Talismã.

A situação se agravou nos últimos dois anos, quando suas vendas e seu faturamento caíram quase pela metade. Em 2017, a empresa vendeu 260 mil sacas de sementes e teve uma receita de R$ 100 milhões, enquanto em 2015 as vendas foram de 500 mil sacas, e a receita, de R$ 197 milhões.

O pedido de recuperação judicial ocorre após tentativa frustrada de renegociação com os credores. Do total de sua dívida, 60% está concentrada com bancos, como Bradesco e Banco do Brasil. Metade da dívida total do grupo é com credores que possuem garantia real.

A recuperação é coordenada pela Quist Investimentos e pelo escritório DASA Advogados. O grupo, que também produz soja, milho e arroz, afirmou também que, apesar das dívidas, a operação segue normalmente, e que está em conversas com investidores para acelerar “o maior projeto de reestruturação da sua história”. (Valor Econômico 23/01/2018)

 

Juntas, ADM e Bunge alcançariam a líder global Cargill

A proposta de fusão de US$ 30 bilhões entre a Archer Daniels Midland (ADM) e sua rival Bunge chama a atenção para o quanto as condições mais difíceis do mercado em uma geração obrigaram as maiores tradings de grãos do mundo a repensar estratégias em relação a fusões e aquisições.

A ADM e a Bunge são duas das quatro maiores tradings de grãos do mundo, e usam redes de ativos de crescimento tentacular de armazenagem, transporte e processamento para transportar produtos agrícolas a granel das fazendas até os clientes ou para convertê-los em ingredientes. A ADM, sediada em Chicago, contatou a Bunge com uma oferta de tomada de controle no mês passado, dizem pessoas familiarizadas com o tema.

Juntas, criariam uma empresa com quase US$ 110 bilhões em vendas anuais, em nível equiparável ao da Cargill, a líder no setor. Ambas sentem as dificuldades de atuar como tradings em uma época em que os agricultores ficaram mais seletivos sobre quando e a que preço venderão seus produtos. A democratização dos dados do setor corroeu o valor das informações, no passado controladas pelas grandes tradings e usadas para prospectar oportunidades de arbitragem. Ao mesmo tempo, uma série de supersafras reduziu o poder de barganha das tradings com os clientes da indústria de alimentos.

"A fusão faria sentido estrategicamente para a ADM, pois criaria escala significativa nos mercados sul-americano, europeu e asiático, eliminaria capacidade excedente nas regiões em que as margens diminuíram e reduziria mundialmente o custo de atendimento a clientes e agricultores" diz Robert Moskow, analista do Credit Suisse.

As ações da Bunge, que tem valor de mercado de mais de US$ 11 bilhões, subiram 3% ontem, enquanto as da ADM, com US$ 23,3 bilhões em valor, subiram 2%.

A ADM tentou, nos últimos anos, mitigar a dependência do negócio de trading por meio do investimento em empresas que vendem ingredientes mais especializados com margens maiores. Em 2014, pagou € 2,3 bilhões pela Wild Flavors, empresa de aromatizantes especiais para alimentos e bebidas. Mas tais negócios não são suficientemente grandes para neutralizar os problemas estruturais de negociar alimentos a granel.

O executivo-chefe da ADM, Juan Luciano, levantou dúvidas nos últimos doze meses sobre a possibilidade de expandir a empresa por meio de aquisições envolvendo grandes montantes. "Temos o balanço [suficiente] para fazer aquisições. Apenas sentimos que as aquisições hoje não têm os preços no nível [necessário] para que possamos obter o devido retorno", disse em conferência em maio.

Isso pode estar prestes a mudar, na medida em que as condições do mercado parecem tender a mais deterioração. As margens de lucro de uma trading podem ficar ainda mais estreitas na medida em que concorrentes reforçam suas redes de beneficiamento de produtos agrícolas, o que eleva a concorrência para obter produtos de agricultores que reforçaram suas próprias instalações de armazenagem.

A G3, uma joint venture entre a Bunge e um investidor saudita, está construindo um enorme terminal de grãos em Vancouver, British Columbia (Canadá), que deverá comprimir as margens de exportação na costa do Pacífico. No Brasil, a Cargill estuda construir um novo porto de grãos em Barcarena, onde a ADM e a suíça Glencore controlam um terminal de exportação.

Tanto a ADM quanto a Bunge têm portfólios insubstituíveis de portos, silos de armazenagem de grãos e unidades de processamento para commodities como soja e girassol. Mas o grosso dos ativos da ADM está nos EUA, enquanto a Bunge tem maior presença no Brasil, outro grande produtor.

"As sinergias potenciais do acordo podem ser significativas, uma vez que a ADM e a Bunge têm sobreposições substanciais na originação de grãos na América do Norte e na América do Sul e no processamento de oleaginosas, e poderá, portanto, otimizar suas redes para maximizar o índice de utilização e minimizar os custos", disse Vincent Andrews, do Morgan Stanley.

Outros veem motivo diferente. A Bunge rejeitou a sondagem da Glencore no ano passado. Um acordo de "standstill" que impede a Glencore de fazer uma nova oferta expira mês que vem. "O fator medo está impulsionando a ADM", diz Jean-François Lambert, da consultoria Lambert Commodities. "A ideia de a Glencore comprar a Bunge e despontar como uma concorrente ainda maior é muito perturbadora para a ADM."

Ivan Glasenberg, executivo-chefe da Glencore, não fez segredo de seu desejo de expandir seu negócio no setor agrícola – uma joint venture com dois fundos de pensão canadenses. "Estamos buscando fazer esse negócio crescer em várias partes do mundo", disse em dezembro.

Não está claro como a Bunge reagirá à proposta da ADM. Até agora, nenhuma das duas empresas comentou as informações. Soren Schroder, executivo-chefe da Bunge, falou abertamente sobre a necessidade de consolidação no setor, mas enfatizou sua preferência por joint ventures e parcerias, em vez da venda da companhia.

No ano passado, a Bunge manteve discussões com a Gavilon, uma empresa de grãos da japonesa Marubeni, sobre uma parceria em operações de processamento de grãos nos EUA, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

Uma possível fusão da ADM com a Bunge já semeou nervosismo entre agricultores que dependem de ofertas concorrentes para obter os melhores preços para seus produtos. Os EUA e o Canadá têm operações consolidadas de processamento de oleaginosas, a ADM e a Bunge representam um pouco mais de 50% da capacidade -, de acordo com o Credit Suisse.

Uma aquisição da Bunge pela ADM seria mais uma onda em meio ao movimento de consolidação que varre todos os setores agrícolas, diz Rob Larew, vice-presidente sênior de políticas públicas e comunicações da National Farmers Union, nos EUA. "Chegou a hora de pôr fim à consolidação desenfreada na agricultura".

Essa retórica sugere que um acordo exigiria desinvestimentos significativos nos EUA. A venda de ativos poderia criar uma oportunidade para a Glencore ou outro comprador estratégico, possivelmente a chinesa Cofco, fazer incursões em mercados como os EUA, sem ter que se oferecer para adquirir a Bunge inteira. Mas mesmo a abordagem da ADM mostrou aos investidores que Luciano tem um veio pragmático e reconhece a necessidade de tomar medidas para preservar a lucratividade.

"Acreditamos que as coisas vão voltar, mas a camada de rentabilidade talvez não retorne", disse na conferência em maio, referindo-se ao comércio de grãos e oleaginosas. "E eu acho que isso é algo importante que todos percebam". (Assessoria de Comunicação 23/01/2018)

 

Petróleo 'continuará aí por muitos anos', diz presidente da Petrobras

A Petrobras quer acelerar seus investimentos em inovação para reduzir seu impacto ambiental, mas a indústria de óleo e gás "continuará aí por muitos anos", afirmou o presidente da Petrobras, Pedro Parente, nesta terça-feira (23), em conferência do Fórum Econômico Mundial, em Davos.

O executivo participou de uma mesa sobre o futuro do fornecimento de energia ao lado de líderes ligados a energias renováveisl: o indiano Piyush Goyal, ministro das Ferrovias, o espanhol Ignacio Galán, presidente da Iberdrola, o francês Jean-Pascal Tricoire, presidente da Schneider Electric e e Rachel Kyte, presidente do programa SEforAll (Sustainable Energy for All).

"Às vezes é difícil para grandes corporações mudar sua mentalidade. O que faremos é criar fundos de venture capital [capital de risco] para contratar pequenas empresas, para acelerar e dar mais qualidade às propostas para melhorar a eficiência", disse o executivo.

Parente também destacou uma provável entrada da Petrobras no programa Oil and Gas Climate Initiative (associação de petroleiras para propor iniciativas contra mudanças climáticas).

"Somos totalmente favoráveis a combustíveis mais limpos, mas o óleo e p gás continuarão aí por muitos anos", disse ele, destacando que é preciso ter uma preocupação, por exemplo, em relação ao tipo de fonte de abastecerá carros elétricos.

Para o presidente da estatal, o gás natural será o combustível da transição. "É fóssil, mas polui muito menos que petróleo e diesel. É um tema importante para minha companhia. A Petrobras hoje é 20% gás e 80% óleo, precisamos equilibrar essa participação."

O problema, segundo ele, é que hoje a exploração do gás natural está associada à extração do petróleo, e uma expansão dele no país implicaria em mais importação. "Em 2016, decidimos nos concentrar no nosso core business [petróleo], para sobreviver. Mas o gás é muito importante, e estamos melhorando tecnologias para ter um melhor uso", disse.

Parente ainda criticou a taxação a equipamentos de energia renovável, anunciada nesta segunda (22) pelo presidente americano Donald Trump, o assunto foi um dos temas levantados no painel.

"O pico de consumo de óleo e gás pode ser inclusive antes de 2030. Mas o carvão ainda vai representar 30% do consumo de energia em 2030. Então, quando o presidente dos EUA coloca impostos em renováveis, está estimulando o carvão de novo. É uma preocupação."

O presidente da Petrobras foi o único representante do setor de petróleo no debate, que destacou a redução dos preços da geração eólica e solar e o aumento da geração distribuída, em que consumidores injetam energia renovável no sistema, fenômenos globais que já são realidade no Brasil.

O executivo ainda ressaltou políticas no país como o incentivo ao etanol, os carros flex e o aumento de fontes limpas na matriz, como a eólica e, mais recentemente, a solar. (Folha de São Paulo 23/01/2018)

 

Presidente da Toyota do Brasil: “Cada mercado vai decidir o tipo de energia”

“Algo importante é competitividade. Esta é uma palavra-chave para o Brasil se tornar jogador mundial”, Rafael Chang (Toyota).

A crise já acabou no setor de automóveis. Ao menos é o que diz Rafael Chang, que comanda a Toyota do Brasil. A companhia espera que a indústria feche 2018 com 2,5 milhões de veículos emplacados, um crescimento de cerca de 10%, semelhante ao do ano passado.

O executivo participou de uma entrevista com perguntas enviadas por internautas e comentou assuntos como o Rota 2030 e os carros híbridos.

Quando questionado sobre o Rota 2030, conjunto de regras para o setor automotivo, ele disse acreditar que ele vai colocar o Brasil no caminho de exportador global.

“[O Rota 2030] vai colocar o Brasil como um jogador mundial, para desenvolver carros que podem competir e podem ser inseridos em outros mercados do mundo”, afirma.

Contudo, embora exista a expectativa de que o programa deve vigorar a partir deste ano, ele ainda não foi aprovado pelo governo.

Futuro é dos híbridos?

Apesar de ser a Toyota liderar a venda de carros híbridos no Brasil, com o Prius, Chang não crava que esse tipo de veículo irá dominar os mercados. E, por isso, a montadora desenvolve várias tecnologias, inclusive elétricos com célula de hidrogênio.

“Ao final do dia, cada mercado vai decidir qual o tipo de energia vai tomar. Não vai ser a montadora, não vai ser uma marca que vai dizer: ‘Aqui vai ser elétrico’ ou ‘Vai ser híbrido’”, afirma.

O executivo diz que a marca já testa o carro híbrido com etanol, conforme o G1 noticiou em outubro, mas que ainda não existe “um plano concreto em termos de quando ou como vai ser”.

Além disso, respondendo a um internauta sobre quando o Brasil terá carros elétricos e híbridos com preços acessíveis, Chang afirmou que o valor dos produtos atuais está de acordo. O Prius custra R$ 126.600.

“Voltaríamos à primeira conversa sobre a estrutura de impostos etc., etc. Mas, se olhar as alternativas que temos agora no mercado, (elas) estão de acordo com os preços de outros modelos que estão aqui no Brasil”, alega.

Ele também disse que não há nenhum plano de produzir o Prius no Brasil. (Auto Esporte 23/01/2018)

 

Senado analisa fim de desconto nas taxas de transmissão e distribuição para fontes alternativas de energia

Está na pauta de votações da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado Federal, um projeto de lei que define o ano de 2027 como prazo final para o desconto de 50% no uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica concedido aos pequenos geradores de energia a partir de fontes alternativas. O projeto (PLS 622/2015) também elimina a possibilidade de a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) custear o desconto. Apresentada pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), a proposta foi modificada pelo relator na CAE, Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE).

As pequenas hidrelétricas (com potência de até 3 mil kilowatts) e as usinas solares, eólicas, de biomassa e de cogeração qualificada com potência de até 30 mil kilowatts pagam pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição tanto sobre a energia que produzem como sobre a que consomem. Esses produtores, que incluem os pequenos sistemas de energia solar instalados em residências e prédios comerciais, por exemplo, vendem o excesso da energia gerada à respectiva distribuidora e constituem o que o setor chama de geração distribuída.

Segundo o autor do projeto, com o avanço das fontes alternativas, o subsídio concedido pela Lei 9.427/1996 e pago pela CDE vai ficando cada vez maior. E, como a CDE é mantida por tarifa paga pelos consumidores finais, em especial os grandes consumidores, ou seja, as indústrias, ele adverte que, “sem o ajuste proposto, empresas responsáveis pela geração de emprego e renda custearão ainda mais parte da energia direcionada aos consumidores regulados [pequenos consumidores, que não podem escolher de qual produtor comprar]”.

Cálculo da tarifa

O PLS 622/2015 também modifica o cálculo da tarifa de compra de energia pelos consumidores finais. Pela Lei 10.438/2002, o custo de aquisição de energia elétrica e o de contratação de capacidade de geração pelo Executivo são divididos entre todos os consumidores, na proporção do consumo de cada um, sem considerar a fonte da energia adquirida ou o tipo de consumidor, se regulado ou livre (grandes consumidores que têm liberdade para escolher de quem comprar, na maior parte, indústrias).

Otto Alencar propõe que o cálculo do valor de referência do custo da aquisição de energia proveniente de geração distribuída, que integra o cálculo global da tarifa, seja feito segundo a fonte, levando em conta também a quantidade adquirida de cada fonte.

Segundo o autor, o fim do desconto em 2027 coincide com o fim do subsídio da CDE às usinas elétricas que usam carvão, o que corrigiria distorções.

Para Alencar, os benefícios das alterações seriam a redução da necessidade de construir grandes hidrelétricas, termelétricas e linhas de transmissão e das perdas elétricas. Além disso, argumenta, com a eliminação dos descontos concedidos pela Lei 9.427/1996 e a proibição de que eles sejam cobertos pela CDE, seriam reduzidas as distorções econômicas causadas pelo modelo brasileiro de encargos setoriais pagos pelos consumidores, que impedem um maior crescimento da geração de energia a partir de fontes alternativas. Outra consequência seria a redução do custo da energia para os grandes consumidores que, no atual modelo, acabam subsidiando as tarifas do mercado regulado.

Em seu substitutivo à proposta, Bezerra concorda com o fim do desconto, sob o argumento de que a “manutenção indevida pode significar que essa política estatal fracassou e que recursos públicos estão sendo gastos sem uma contrapartida benéfica para a sociedade, além de impedir o setor de continuar se desenvolvendo. O desconto em questão remonta ao ano de 1998 e, entre diversos sinais de que já atingiu seu objetivo, pode ser citado que em recentes leilões a energia eólica obteve preço de venda inferior ao de diversas hidrelétricas”. Ele acrescentou, no entanto, que a norma deve valer apenas para os contratos feitos após a publicação da lei.

Quanto à retirada da CDE do ônus de arcar com o desconto, Bezerra reconhece que há subsídio cruzado, mas lembra que, como o desconto incide tanto na produção quanto no consumo de energia elétrica, os consumidores livres que compram energia das fontes incentivadas também recebem o desconto. Além disso, como o PLS 622 não prevê outra fonte de recursos para o pagamento do desconto, o relator propõe a supressão desse item do projeto.

Valor de referência

Outra alteração importante feita pelo relator refere-se ao cálculo do valor de referência da energia adquirida da geração distribuída. Ele esclarece que, após a apresentação da proposta, o Ministério de Minas e Energia editou portaria que adota, entre outros critérios, o de fixar um valor de referência para cada fonte de geração de energia elétrica. Bezerra argumenta, no entanto, que o cálculo de uma média ponderada das quantidades adquiridas de cada fonte de geração de energia elétrica não está previsto na portaria e que se trata de tema muito técnico e minucioso para ser tratado em lei. Ele mantém o cálculo do valor de referência com discriminação da fonte de energia, mas retira a previsão de média ponderada.

Depois de analisado pela CAE, o PLS 622/2015 segue para a Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), que terá decisão final, caso não haja recurso para votação em Plenário. (Agência Senado 24/01/2018)

 

Commodities Agrícolas

Café: Dólar e safra: Após iniciarem a semana com alta de 130 pontos, os contratos futuros do café arábica devolveram os ganhos ontem na bolsa de Nova York pressionados pela alta do dólar ante o real e pela previsão de uma grande safra no Brasil. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1,234 a libra-peso, recuo de 160 pontos. Segundo analistas, o mercado segue influenciado pelas previsões de colheita recorde no Brasil, maior produtor mundial de café, na safra 2018/19. A Conab estimou que o Brasil colherá entre 54,4 milhões e 58,5 milhões de sacas na nova temporada (crescimento entre 21,1% e 30,1% ante o estimado para o ciclo 2017/18). No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica em São Paulo ficou em R$ 443,62 a saca de 60 quilos ontem, recuo de 0,47%.

Algodão: Aumento de área: As previsões de aumento da área plantada com algodão nos EUA ajudaram a pressionar os contratos futuros da pluma na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 82,74 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 104 pontos. De acordo com analistas ouvidos pela publicação americana Informa Economics, os EUA deverão semear 5,34 milhões de hectares de algodão no próximo ano-safra ante 5,09 milhões de hectares estimados para 2017/18. Se confirmado, esse será o terceiro aumento de área consecutivo no país após uma alta de mais de 11% nas cotações do algodão em 2017. No mercado interno, o preço médio ao produtor baiano ficou em R$ 90,92 a arroba, segundo a associação de agricultores local, a Aiba.

Soja: Clima argentino: Ainda sustentadas pelas preocupações com o clima na Argentina, as cotações da soja registraram alta na bolsa de Chicago ontem. Os contratos com vencimento em maio fecharam a US$ 9,9775 o bushel, avanço de 2 centavos. As previsões climáticas para o país indicam tempo quente e seco ao longo das próximas duas semanas nas regiões produtoras de soja, elevando o percentual de área plantada sob estresse hídrico. Em nota, o Commerzbank destacou que as elevadas temperaturas devem tornar impossível a semeadura de toda a área projetada inicialmente na Argentina, atualmente em 18 milhões de hectares. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 72,38 a saca de 60 quilos, alta de 0,65%.

Milho: Pressão dos fundos: A movimentação dos fundos na bolsa de Chicago continua a pressionar as cotações do milho. Ontem, os contratos do grão com vencimento em maio fecharam a US$ 3,5975 o bushel, queda de 0,75 centavo. Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), os gestores de recursos elevaram em 1,96% o saldo líquido vendido para o grão ao longo da semana encerrada no último dia 16, para 226.876 papéis. A movimentação coincidiu com a revisão nas previsões de estoques mundiais pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No dia 12, o órgão elevou as estimativas de 204,08 milhões para 206,57 milhões de toneladas. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 32,57 a saca de 60 quilos ontem, queda de 0,15%. (Valor Econômico 24/01/2018)