Macroeconomia e mercado

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Pela primeira vez em 60 anos, Toyota vai operar em regime de 24h no Brasil

Japonesa vai lançar sedã Yaris e iniciará terceiro turno em duas fábricas, em Sorocaba e Porto Feliz, em São Paulo, no segundo semestre; para presidente da marca no País, recuperação da economia está ocorrendo em ritmo acelerado

Após aumento de 5% nas vendas do ano passado, abaixo da alta de 9,4% verificada em todo o mercado de automóveis e comerciais leves em relação a 2016, a Toyota do Brasil vai ampliar sua produção.

A empresa alega que seu desempenho foi prejudicado em parte pela falta de condições de atender à demanda, pois as fábricas operaram no limite da capacidade.

Rafael Chang, presidente da Toyota Brasil, vai acumular comando da operação da marca na Venezuela.

A solução será introduzir o terceiro turno de trabalho inicialmente em duas fábricas, a de automóveis em Sorocaba, que produz o compacto Etios, e a de motores em Porto Feliz, ambas em São Paulo. Será a primeira vez em 60 anos de Brasil que a fabricante japonesa recorrerá a esse tipo de expediente.

A medida será adotada no segundo semestre, após o início da produção, em junho, do Yaris, sedã que disputará mercado com Volkswagen Virtus, lançado esta semana, Fiat Cronos, que chegará ao mercado em fevereiro, além do Chevrolet Cobalt e do Honda City, entre outros. (O Estado de São Paulo 25/01/2018)

 

Bioplásticos ameaçam sonho de expansão de petroleiras

As empresas que usam plantas em vez de combustíveis fósseis para fabricar embalagens estão começando a desafiar as ambições da indústria petroleira de aumentar a oferta de matéria-prima para os plásticos.

O uso de bioplástico feito de cana-de-açúcar, madeira e milho crescerá pelo menos 50 por cento nos próximos cinco anos, segundo a European Bioplastics Association em Berlin, entre cujos membros figuram a Cargill e a Mitsubishi Chemical Holings. A Basf, a gigante alemã de produtos químicos, e a fabricante de papel finlandesa Stora Enso entraram no negócio para atender a demanda de nomes como Coca-Cola e Lego.

"Os produtos bioquímicos e o bioplástico poderiam reduzir uma parte da demanda de petróleo, assim como a reciclagem pode diminuir a demanda geral por plástico virgem", disse Pieterjan Van Uytvanck, consultor sênior da Wood Mackenzie, empresa de pesquisa com foco no setor de petróleo. "Isso se tornará uma fatia maior da oferta".

As empresas petroleiras fabricam etileno e outros elementos básicos para a fabricação de plástico. Elas vêm considerando esse mercado para crescer, porque os carros elétricos ameaçam diminuir a demanda de gasolina.

Mais plástico do que peixes

A onipresença do plástico nas embalagens deixou o mundo literalmente nadando em garrafas, sacolas e envoltórios. Isto está começando a preocupar os ecologistas e as empresas que mais usam esses produtos. Haverá mais plástico do que peixes nos oceanos do mundo até 2050, segundo a Ellen MacArthur Foundation, e esses materiais estão entrando na cadeia alimentar.

O bioplástico representa atualmente cerca de 1 por cento do mercado de plásticos, segundo a organização do setor na Europa. Alguns dos maiores produtores são a Braskem, a NatureWorks, nos Estados Unidos, e a Novamont, da Itália.

"Os comportamentos estão evoluindo", disse David Eyton, diretor de tecnologia da BP. "A pergunta que a indústria petroquímica tem que responder é: 'Como as pessoas resolverão alguns dos impactos ambientais dos produtos petroquímicos? Particularmente dos plásticos, que são uma preocupação cada vez maior'".

Competitividade

A Agência Internacional de Energia projeta que o crescimento do mercado de plásticos aumentará a demanda de petróleo. É preciso cerca de 8,5 barris de nafta, um derivado do petróleo, para produzir uma tonelada de etileno, quantidade necessária para fabricar 160.000 sacolas de plástico, segundo cálculos da Bloomberg Intelligence.

"Os produtos petroquímicos terão um papel preponderante na demanda de petróleo", disse Tae-Yoon Kim, analista da AIE. "Por isso muitas grandes petroleiras estão focando na petroquímica".

"As matérias-primas alternativas devem ser competitivas", disse Seppo Parvi, diretor financeiro da Stora Enso, em entrevista de Londres, antecipando uma paridade de preços com o plástico feito com petróleo bruto. "Tenho certeza de que vamos conseguir isso". (Bloomberg 23/01/2018)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Volatilidade: Os contratos futuros do açúcar demerara fecharam em queda na bolsa de Nova York ontem, num pregão marcado por volatilidade. Os papéis com vencimento em maio encerraram a sessão a 13,31 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 5 pontos. Os dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) sobre a moagem no Brasil na primeira quinzena de janeiro ajudaram a pressionar o mercado. O órgão apontou que a concentração de açúcares totais recuperáveis alcançou 137,31 quilos por tonelada no acumulado da safra 2017/18, avanço de 2,62% ante o observado em igual período de 2016/17. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal negociado em São Paulo ficou em R$ 56,57 a saca de 50 quilos ontem, queda de 1,65%.

Café: Efeito Lula: A forte queda do dólar em meio ao julgamento do expresidente Luiz Inácio Lula da Silva deu força às cotações do café na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1,249 a libra-peso, avanço de 155 pontos. A moeda americana chegou a registrar queda de 1,69% na mínima do dia, sua maior desvalorização desde maio. O dólar mais fraco reduz as margens dos exportadores brasileiros, contraindo a oferta do país no mercado internacional no curto prazo. As perspectivas, porém, são de um aumento de até 30% na produção brasileira na próxima safra, a 2018/19, segundo a Conab. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 443,31 a saca ontem, leve queda de 0,07%.

Cacau: Ganhos em NY: Após registrarem queda de US$ 8 na terça-feira, os contratos futuros do cacau voltaram ao campo positivo na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1.979 a tonelada, avanço de US$ 26. Embora os dados de moagem abaixo do esperado na América do Norte e na Ásia tenham pressionado o mercado, as previsões de queda na produção do oeste da África em 2017/18 e o avanço acima do esperado no processamento europeu por dois trimestres consecutivos ainda dão sustentação às cotações. A Europa concentra cerca de um terço do consumo mundial de cacau. No mercado interno, o preço médio ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou em R$ 113,50 arroba, queda de 0,18%, segundo a Central Nacional de Produtores.

Trigo: Frio no Mar Negro: As previsões climáticas para a região do Mar Negro impulsionaram as cotações do trigo nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os contratos do grão com vencimento em maio fecharam a US$ 4,455 o bushel, avanço de 11,25 centavos. Em Kansas, o cereal com entrega para o mesmo mês terminou a US$ 4,4725 o bushel, alta de 10 centavos. As temperaturas mínimas na região do Mar Negro podem chegar a até 15 graus negativos, elevando as apreensões do mercado com possíveis danos às lavouras locais. Com uma safra recorde, a região Mar Negro tem ampliado a participação no mercado internacional, sobretudo de Rússia e Ucrânia, em detrimento dos EUA. No mercado interno, o preço médio no Paraná ficou em R$ 668,46 a tonelada, alta de 0,26%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 25/01/2018)