Macroeconomia e mercado

Notícias

Dreyfus inicia embarques pelo Tapajós

A Louis Dreyfus Company (LDC) deu início nesta semana ao seu maior investimento mundial dos últimos dois anos: o embarque de soja pelo rio Tapajós, o principal eixo do escoamento de grãos no Arco Norte brasileiro. O projeto, que atingirá cifras próximas a R$ 1 bilhão desde a fase de concepção à execução, prevê escoar 1,5 milhão de toneladas de soja e milho nesta primeira safra. A plena capacidade, levará 4,5 milhões de toneladas à China.

"Foram quase oito anos de projeto e R$ 1 bilhão de investimentos, o que demonstra não só uma visão de muito longo prazo mas o nosso entendimento de que esse lugar representa uma transformação logística no Brasil", diz Luis Barbieri, diretor para oleaginosas e grãos da LDC no país.

As primeiras duas barcaças saíram de Miritituba, distrito de Itaituba, no Pará, carregadas com quase 7 mil toneladas de soja e atracaram no porto de Santarém (PA). Outras duas já deveriam ter carregado ontem, mas as chuvas sem trégua impedem a continuidade das operações. Com isso, o navio Nemo, que embarcaria na próxima quarta-feira, levará mais alguns dias para seguir seu rumo à Ásia.

Os atrasos ocorrem porque a Dreyfus já tem a frota de empurradores e barcaças prontas, mais ainda terá de esperar alguns anos até que seus terminais portuários fiquem prontos. Até o ano que vem, a Dreyfus vai utilizar a infraestrutura portuária da Cianport para o transbordo em Miritituba.

A trading adquiriu o terreno para construção de seu próprio terminal na região, mas ainda aguarda licença de instalação para dar inicio às obras. A expectativa é que ela obtenha essa licença até julho e inicie as obras no segundo semestre. "Levaríamos 18 meses para construir o terminal e, se nada der errado, iniciaremos as operações em 2020", afirma Barbieri.

Em Santarém, a Dreyfus vai operar inicialmente no berço público do porto. A empresa também aguarda as licenças de praxe para construir seu terminal próprio na ilha de Marajó, o que não deve ocorrer antes de 2022.

Diferentemente das instalações da Cianport, a Dreyfus, assim como as concorrentes, pretende ter a área de atracagem das barcaças coberta para evitar interrupções de operação em dias de chuva. Isso porque a soja é escoada justamente entre janeiro e abril, o chuvoso verão amazônico.

Até o momento, 12 barcaças já estão prontas para realizar o transporte de soja nesta safra. Até abril, serão 64 e, até o fim deste ano, a companhia contará com sete empurradores.

Das grandes tradings que operam no Brasil, a Dreyfus foi a última a se posicionar no Arco Norte do país. Bunge, Cargill, Hidrovias do Brasil e Caramuru já usam o rio Tapajós para escoar parte dos grãos que movimentam. A expectativa para atual safra é de movimentar 10 milhões de toneladas de grãos. Já poderia ser um pouco maior não fosse a chuva e os estragos que ela ainda causa na BR-163. (Assessoria de Comunicação 22/02/2018)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Mais etanol: As cotações do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York, refletindo um dólar mais baixo e a expectativa de maior produção de etanol no Brasil. Os contratos do açúcar demerara com vencimento em maio fecharam com alta de 31 pontos, a 13,58 centavos de dólar a libra-peso. Segundo análise da consultoria Zaner, usinas brasileiras devem elevar a produção de etanol deixando a safra atual mais alcooleira. Isso deve contribuir para uma menor oferta de açúcar do Brasil no mundo. Ainda segundo a consultoria, depois de dias de tempo seco nas áreas produtoras de São Paulo, as chuvas devem voltar à região, favorecendo as lavouras de cana. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 52,13 a saca de 50 quilos, baixa de 0,27%.

Café: Ajuste técnico: Os contratos do café arábica com vencimento em maio fecharam com alta de 200 pontos ontem em Nova York, a US$ 1,2090 a libra-peso. Segundo analistas, a valorização se deveu a um ajuste técnico, a reboque da desvalorização do dólar. Contudo, segundo a consultoria Zaner, o mercado segue baixista, dadas as expectativas de uma grande produção mundial. No Brasil, a safra 2018/19 deve ficar entre 54,4 milhões e 58,5 milhões de sacas, alta de 21,1% a 30,1%, segundo a Conab. Na quarta-feira, a brasileira Cooxupé informou que deve receber, de seus cooperados e terceiros, cerca de 6 milhões de sacas este ano, acima das 4,6 milhões de 2017. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão em São Paulo ficou em R$ 435,45 a saca de 60 quilos, alta de 0,36%.

Soja: Área nos EUA: Os contratos de soja recuaram na bolsa de Chicago ontem, refletindo projeções de área para a safra 2018/19 nos EUA. Os contratos da oleaginosa com vencimento em maio fecharam em baixa de 2,25 centavos de dólar, a US$ 10,4325 o bushel. Os produtores americanos vão dedicar o mesmo espaço para soja e para o milho na próxima safra, contrariando uma tradição de deixar mais área para o milho, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No próximo ciclo devem ser plantados 36,42 milhões de hectares com a oleaginosa. A apreensão com a safra Argentina, que vem sendo ameaça por secas no país, evitou uma baixa maior No mercado doméstico, o indicador Esalq BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 76,73 a saca de 60 quilos, baixa de 0,30%.

Milho: Argentina no radar: As cotações do milho fecharam em leve alta ontem na bolsa de Chicago. Os contratos do cereal com vencimento em maio fecharam a US$ 3,7475 o bushel, alta de 0,75 centavo de dólar. Segundo a consultoria Zaner, as projeções para a safra da Argentina, afetada pela estiagem, influenciaram o mercado. Consultorias já apontam produção de 37,5 milhões de toneladas de milho - inicialmente, a projeção era de 42 milhões de toneladas. A primeira estimativa de intenção de plantio para o ciclo 2018/19 nos EUA, que indicou uma área igual de soja e milho, também influenciou as cotações ontem. Tradicionalmente, os americanos dedicam mais área ao cereal. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 36,11 a saca, alta de 2,59%. (Valor Econômico 23/02/2018)