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Netafim aposta em áreas de grãos

Líder mundial em vendas de sistemas de irrigação por gotejamento, a israelense Netafim, que recentemente teve seu controle adquirido pela mexicana Mexichem, aposta em projetos voltados a grandes áreas de produção, inclusive de grãos e especialmente no Brasil, para manter o forte ritmo de crescimento que levou suas vendas globais a superarem US$ 1 bilhão por ano.

No país, plantações irrigadas de soja e milho com dezenas de milhares de hectares, por exemplo, contam com pivôs centrais. Mais complexos e cerca de 50% mais caros, a diferença está caindo, os sistemas de irrigação por gotejamento são mais usados em áreas de culturas perenes como café, cana e laranja.

No Sudeste, é cada vez mais comum encontrar fazendas dessas três culturas com sistemas de irrigação por gotejamento. E a maior parte deles é da Netafim. Conforme a empresa, no país, onde suas vendas cresceram 39% em 2017, a receita brasileira não é revelada, seus equipamentos estão em 140 mil hectares de café, 135 mil de citros e 35 mil de cana, além de irrigarem cerca de 200 mil hectares de hortifrútis.

No total, os sistemas da companhia estão em 10 milhões de hectares espalhados por 110 países. Atualmente, a empresa está produzindo cerca de 150 bilhões de gotejadores produzidos para mais de 2 milhões de agricultores.

Segundo dados divulgados na sexta-feira pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a partir de um trabalho realizado em parceria com a FAO, o braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação, há no país potencial para que as áreas agrícolas irrigadas sejam duplicadas. "São quase 6 milhões de hectares com condições naturais para produção", informou a entidade.

Segundo Marcus Tessler, diretor de desenvolvimento de negócio da Netafim para o Mercosul, o momento é propício para uma expansão no Brasil. E com a recente reação dos preços de soja e milho, a aposta em sistemas de gotejamento para grãos poderá render bons resultados - bem como o avanço em modelos de gestão de água.

É nesse contexto que a companhia concluiu recentemente um projeto para a instalação de um sistema em uma área contínua de grãos de 24 mil hectares. O projeto ainda não foi vendido, mas já animou a companhia a ampliar a prospeção de clientes nessa frente. Nos Estados Unidos, há cerca de 300 mil hectares de grãos com sistemas de irrigação por gotejamento.

Conforme Tessler, há grandes áreas também de outras culturas na mira. Outro projeto em andamento prevê, por exemplo, a instalação de irrigação por gotejamento em uma área de 33 mil hectares de cana no Centro-Sul do Brasil. (Valor Econômico 19/03/2018)

 

Commodities Agrícolas

Algodão: Alta do dólar: Os preços do algodão fecharam em baixa na sexta-feira em Nova York. A queda refletiu o receio dos investidores com uma possível guerra comercial entre os Estados Unidos e países importadores de commodities, especialmente a China -, que tem impulsionado o dólar ante outras moedas. Os papéis com vencimento em julho caíram 62 pontos, a 82,98 centavos de dólar a libra-peso. A alta do dólar favorece as exportações americanas, aumentando a disponibilidade do produto no mercado internacional. A queda do último pregão reverte ganhos dos dias anteriores determinados por notícias de demanda aquecida. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 98,74 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Cacau: Oferta em foco: Chuvas em regiões produtoras de cacau no Sudeste Asiático contribuíram para a queda dos preços da amêndoa na sextafeira em Nova York. Os papéis para julho caíram US$ 10, a US$ 2.547 a tonelada. De acordo com dados climáticos, o aumento das chuvas em plantações na Indonésia e na Malásia tem aliviado receios com a quebra de produção nessa região. Segundo análise da consultoria Zaner, contudo, as cotações continuam a encontrar suporte em preocupações ligadas à oferta. No fim de fevereiro, a Organização Internacional do Cacau (ICCO, na sigla em inglês) reduziu sua estimativa de superávit global para 105 mil toneladas. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 140,7 a arroba, baixa de 0,5%, segundo a Central Nacional de Produtores.

Soja: Argentina no radar: Revisões para baixo da safra de soja na Argentina motivaram a alta da oleaginosa na sexta-feira em Chicago. Os papéis com vencimento em julho subiram 9 centavos de dólar e fecharam o pregão a US$ 10,6025 o bushel. A Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) reduziu sua estimativa para a colheita argentina de soja de 46,5 milhões para 40 milhões de toneladas - projeção mais pessimista divulgada até agora. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires, por sua vez, manteve sua previsão em 42 milhões de toneladas. De acordo com análise da AgResource Mercosul (ARC), investidores seguem precificando essa diminuição da oferta, enquanto a demanda chinesa avança. No mercado doméstico, o indicador EsalqBM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 79,30 a saca de 60 quilos, baixa de 0,08%.

Trigo: Menor competitividade: Os contratos de trigo recuaram na sexta-feira em Chicago, novamente por causa da queda das exportações americanas do cereal. Os papéis com vencimento em julho caíram 11 centavos de dólar, a US$ 4,85 o bushel. Em Kansas, os contratos com vencimento no mesmo mês recuaram 14 centavos, a US$ 5,165 o bushel. Segundo os últimos dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), houve, em uma semana, redução de 58% no número de contratos de venda para o trigo com entrega no ciclo 2017/18. Os dados agravaram a impressão de que o trigo dos EUA não é capaz de competir com o produzido em outros países, como a Rússia, que podem ofertar o produto a preços melhores. No mercado interno, o preço médio no Paraná ficou em R$ 710,78 a tonelada, alta de 1,32%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 19/03/2018)