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Shell e Statoil avaliam ampliar negócios no Brasil

As únicas duas petroleiras estrangeiras a entrarem como operadoras do pré-sal, nos leilões de partilha do ano passado, Shell e Statoil já preparam suas primeiras perfurações nos blocos recém adquiridos e mantêm o interesse em voltar a investir em novos ativos no Brasil. No radar estão oportunidades de negócios não só na área de exploração e produção, como também no mercado de gás natural.

Em dezembro, a Shell fechou um acordo para fornecer gás natural do pré-sal para a termelétrica Vale Azul II (466 megawatts), que teve a produção negociada no leilão de energia nova A-6 e será construída em Macaé (RJ).

"Sobre novos projetos na área de gás, nós temos interesse. O gás natural é estratégico para o grupo, até como uma fonte de energia no próprio processo de transição [para uma economia de baixo carbono]", disse o presidente da Shell no Brasil, André Araujo, a jornalistas, após participar do evento UK Energy, do Consulado Britânico no Rio.

Além da geração a gás, a Shell avalia outras alternativas de monetização, como a venda do insumo para as distribuidoras. "A gente conversa com a distribuidoras de gás", afirmou.

Araujo disse que uma equipe da companhia também "trabalha forte" olhando as oportunidades dos próximos leilões de blocos exploratórios. Segundo ele, a empresa ainda tem "bastante apetite" pelo Brasil, mesmo depois de ter desembolsado US$ 100 milhões nas rodadas do pré-sal de 2017.

"Mas tem muitos projetos no mundo todo. [o leilão do México deste ano] Mostra que vários países estão buscando investimentos. Uma coisa que temos muito forte no grupo é disciplina de capital. Tendo projetos competitivos, vamos continuar investindo [no Brasil]", ressalvou o executivo, em referência à aquisição, pela companhia, de nove dos 19 lotes oferecidos em águas profundas no Golfo do México, em janeiro.

A Shell foi uma das participantes mais agressivas das rodadas do pré-sal de outubro no Brasil. A companhia, que já operava a área de Gato do Mato, fez oferta por todas as seis áreas negociadas nas licitações e levou três, duas delas como operadora: 80% de Sul de Gato do Mato e 55% de Alto de Cabo Frio Oeste. Também entrou como sócia da Petrobras, com 30%, em Entorno de Sapinhoá. A expectativa da empresa é começar a perfurar na área de Sul de Gato do Mato no início do ano que vem.

A Statoil, que investiu US$ 3,66 bilhões em aquisições no país, desde o ano passado, também mantém o interesse pelo mercado brasileiro. O vice-presidente de supply chain da norueguesa, Mauro Andrade, disse que, com as recentes aquisições de Carcará e Roncador, a empresa possui projetos para "três a quatro décadas no Brasil", mas que a petroleira continua olhando novas oportunidades de crescimento no país, incluído também o mercado de gás. A Statoil opera a área de Pão de Açúcar, na Bacia de Campos, uma das descobertas de gás mais promissoras do pré-sal.

"Temos um belo portfólio no país, mas continuamos olhando oportunidades no Brasil", disse o executivo, após participar de evento do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), na segunda-feira.

A Statoil foi a petroleira estrangeira que mais investiu em aquisições no país nos últimos anos. Desde o ano passado, anunciou um acordo de US$ 2,9 bilhões com a Petrobras para compra de 25% no campo de Roncador, na Bacia de Campos, numa operação que deve praticamente triplicar a produção da norueguesa no Brasil, para 110 mil barris diários de óleo equivalente (BOE/dia); investiu US$ 25 milhões na aquisição de 40% do projeto de geração solar de Apodi (162 megawatts), no Ceará, que marca a entrada da empresa no segmento, no Brasil; e outros US$ 743 milhões para reforçar presença no projeto de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos.

"Vemos o Brasil como uma área muito importante para a Statoil. Fora da Noruega, é a mais importante, ao lado dos Estados Unidos", afirmou.

Para 2018, o foco da norueguesa está na conclusão das aquisições dos equipamentos e serviços do projeto Peregrino II, no pós-sal da Bacia de Campos. A Statoil tem planos de começar a operar a segunda fase de desenvolvimento da produção do campo em 2020.

A companhia também pretende avançar este ano com a exploração da área de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos. A Statoil está neste momento conduzindo um teste num dos poços já perfurados na concessão BM-S-8. A petroleira também pretende perfurar este ano o prospecto de Guanxuma (também no BM-S-8) e mais um poço em Carcará Norte - área adjacente a Carcará, arrematada na 2ª Rodada de partilha, em outubro.

A Statoil prevê começar a produzir em Carcará entre 2023 e 2024. Andrade disse que a expectativa é avançar com as definições sobre as contratações dos equipamentos do projeto a partir do próximo ano. (Valor Econômico 21/03/2018)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Produção na Índia: Informações sobre o aumento da produção de açúcar na Índia pressionaram a commodity ontem em Nova York. Os contratos com vencimento em julho fecharam em baixa de 30 pontos, a 12,75 centavos de dólar a libra-peso. Segundo a Associação de Usinas de Açúcar da Índia (ISMA), a produção até 15 de março somou 25,8 milhões de toneladas, 8,3 milhões de toneladas a mais que a produção do mesmo período da última safra. Os números reforçam a idéia de oferta abundante no curto prazo, dificultando reações de preço. Além disso, os fundos especulativos seguem firmes em suas apostas baixistas para o açúcar. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 50,45 a saca de 50 quilos, queda de 0,51%.

Cacau: Ventos Harmattan: Após a liquidação de posições compradas na segunda-feira, os contratos futuros de cacau voltaram a subir ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em julho subiram US$ 33, a US$ 2.505 a tonelada. Os contratos acumulam alta de mais de 30% neste ano, diante de problemas nas lavouras de cacau em vários países produtores do oeste da África. O clima é o principal motivo para a valorização. O banco ING destaca o efeito dos ventos Harmattan - que limitam a umidade nas regiões produtoras da África - sobre o mercado de cacau. Além disso, um vírus tem causado perda de produtividade nas lavouras da Costa do Marfim. Em Ilhéus, o preço médio pago ao produtor ficou estável em R$ 125 a arroba ontem, segundo a Secretaria de Agricultura da Bahia.

Café: Foco no Fed: A apreensão com próxima decisão do Federal Reserve (Fed, banco central americano) em relação aos juros nos EUA pressionou a cotação do café arábica, produto exposto a variações cambiais, ontem na bolsa de Nova York. Após oscilar durante o pregão, os contratos com vencimento em julho caíram 40 pontos, e fecharam a US$ 1,2105 a libra-peso. Há dúvidas se o Fed sinalizará quatro altas de juros em 2018 ou se manterá a projeção de 2017, de três movimentos de alta. A perspectiva de aumento dos juros nos EUA fez o dólar se valorizar ante o real, o que pressiona as cotações de produtos de exportação, como o café. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica negociado em São Paulo ficou ontem em R$ 426,22 a saca de 60 quilos, com recuo de 0,27%.

Soja: Ajuste técnico: Os contratos futuros de soja passaram por um ajuste técnico ontem em Chicago, após caírem 26,75 centavos de dólar na segunda-feira. Os papéis com entrega para julho subiram 5,5 centavos de dólar, a US$ 10,39 o bushel. No primeiro pregão da semana, os preços recuaram reagindo às chuvas em áreas secas da Argentina. No entanto, segundo a Granoeste Corretora, as chuvas devem apenas limitar novas perdas nas lavouras, pois os estragos já registrados são definitivos e as estimativas apontam para produção entre 40 milhões e 42 milhões de toneladas de soja. As projeções iniciais indicavam colheita de 57 milhões de toneladas no país. Ontem, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 78,23 a saca de 60 quilos, queda diária de 0,71%. (Valor Econômico 21/03/2018)