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Mitsui encerrará operação de grãos da Multigrain no Brasil por prejuízos

A japonesa Mitsui & Co informou nesta terça-feira que vai fechar sua unidade Multigrain no Brasil até o final deste ano, em meio à acirrada competição no setor que levou a prejuízos.

A Mitsui investiu um total de 47 bilhões de ienes (431,47 milhões de dólares) para adquirir uma participação total na Multigrain até o final de 2011, mas a unidade, que comercializa soja e milho, vem registrando prejuízos nos últimos quatro anos devido à crescente competição das principais empresas de grãos e operadores chineses.

“A razão direta por trás das perdas é a concorrência excessiva depois que o número de novos participantes cresceu rapidamente”, disse o vice-presidente financeiro da Mitsui, Takakazu Uchida, em entrevista coletiva.

A Mitsui registrou uma despesa única de 38,2 bilhões de ienes (351 milhões de dólares) no ano encerrado em 31 de março com a Multigrain. A empresa com sede em Tóquio havia alertado em fevereiro que uma reestruturação da unidade era provável.

A Multigrain reduziu os lucros anuais da Mitsui em 47,7 bilhões de ienes, disse uma porta-voz da companhia.

Corretoras japonesas, incluindo a rival Marubeni, investiram agressivamente em empresas de grãos no exterior há vários anos, mas ainda estão lutando para gerar lucros.

No geral, a Mitsui informou um salto de 37 por cento no lucro líquido consolidado do exercício encerrado em 31 de março de 2018, para 418,5 bilhões de ienes, devido aos preços mais altos do minério de ferro e do carvão. (Reuters 08/05/2018)

 

Governo estuda reduzir taxa de juros para financiar a próxima safra

Negociação sobre custo do financiamento e valor a ser destinado ao crédito rural aconteceu no gabinete do ministro Blairo Maggi com a presença do presidente do BC.

A área econômica do governo analisa a possibilidade de redução da taxa de juros do crédito agrícola para o próximo Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2018/2019 que terá início no dia 1º de julho deste ano.

“Estamos tentando chegar a um denominador comum, que seja bom para o produtor rural e que não comprometa o orçamento fiscal”, ressaltou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wilson Vaz de Araújo, na tarde desta terça-feira (8), após participar de audiência do ministro Blairo Maggi com o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e representantes do Ministério da Fazenda e do Tesouro Nacional.

Quanto aos recursos a serem destinados para financiar a agricultura da próxima safra, o secretário disse que “tem que haver um equilíbrio entre o volume de recursos disponíveis e a taxa de juros”. Ele explica que, de um lado, houve queda da taxa Selic (taxa de referência básica de juros da economia) e da inflação. Mas disse que há outras variáveis como a fonte de recursos e o impacto no orçamento federal.

Vaz de Araújo explicou que, para chegar a um valor do plano rural, “o governo pondera a execução do ano anterior, a disponibilidade das fontes e a disponibilidade orçamentário para fazer a subvenção à taxa de juros”

De acordo com o secretário, a expectativa é que o desembolso do crédito rural na safra ainda em vigor (2017/2018) fique entre R$ 145 bilhões e R$ 150 bilhões, do montante total destinado que foi de R$ 188,3 bilhões.

O Ministério da Agricultura fará outras reuniões com a equipe econômica. O anúncio do PAP está previsto para ocorrer na primeira semana de junho, em Brasília. (Assessoria de Comunicação 08/05/2018)

 

Commodities Agrícolas

Café: Pressão cambial: Com o dólar renovando máximas em quase dois anos em relação ao real, os contratos futuros do café arábica registraram sua segunda queda consecutiva na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 1,196 a libra-peso, recuo de 115 pontos. A moeda americana operou perto dos R$ 3,60 na terça-feira, o que eleva as margens dos exportadores brasileiros e favorece a oferta do país no mercado internacional. Maior produtor mundial, estima-se que o Brasil vá colher cerca de 60 milhões de sacas de café na atual temporada. No ano, a commodity acumula desvalorização de 895 pontos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão arábica em São Paulo ficou em R$ 447,24 a saca de 60 quilos, alta de 0,43%.

Suco de laranja: Realização de lucros: Uma realização de lucros derrubou o valor dos contratos futuros do suco de laranja concentrado e congelado na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 1,614 a libra-peso, recuo de 320 pontos após terem acumulado alta de 890 pontos no mês. Segundo Jack Scoville, da Price Futures Group, os fundos vinham concentrando as compras em bolsa enquanto produtores seguravam suas vendas. Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, os fundos passaram de um saldo líquido vendido de 1.776 papéis, no dia 24 abril, para um líquido comprado de 710 contratos em maio. No mercado interno, a laranja destinada às indústria no mercado spot de São Paulo ficou estável em R$ 17,11 a caixa de 40,8 quilos, segundo o Cepea.

Algodão: Virada climática: Os contratos futuros do algodão registraram sua segunda queda consecutiva ontem na bolsa de Nova York, refletindo a melhora das previsões climáticas para o Sul dos EUA. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 85,38 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 61 pontos. Embora as perspectivas sejam de tempo seco nos próximos cinco dias no Texas, os modelos climáticos para entre seis e dez dias mudaram e passaram a indicar temperaturas mais amenas e chuvas mais próximas da média. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 20% da área esperada para a safra 2018/19 havia sido semeada até o dia 6 nos EUA. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 107,92 a arroba, segundo a associação de agricultores local, a Aiba.

Trigo: Safra americana: O mau desenvolvimento da safra 2018/19 de trigo nos EUA segue oferecendo sustentação às cotações do cereal nas bolsas americanas, ainda que em Kansas tenham havido pequena retração ontem. Em Chicago, os papéis para julho fecharam ontem a US$ 5,145 o bushel, avanço de 3 centavos. Além dos problemas nos EUA, onde o tempo seco prejudica as condições das lavouras de inverno e o plantio do cereal de primavera, também há chuvas abaixo da média na Austrália, na Alemanha e na Rússia. Em seu último relatório, o Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês) apontou que haverá queda de 2,5% na produção mundial em 2018/19. No Paraná, o preço médio do cereal ficou em R$ 861,48 a tonelada, alta de 1,24%, segundo levantamento do Cepea. (Valor Econômico 09/05/2018)