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Americana Albaugh agora planeja investir R$ 500 milhões no país

A empresa de agrotóxicos americana Albaugh ampliou sua previsão de investimentos no Brasil para R$ 500 milhões até 2021. O plano inicial era investir até R$ 300 milhões e sem prazo determinado.

O aumento no montante planejado reflete uma mudança no mercado global de agroquímicos. O reforço da fiscalização ambiental na China provocou o fechamento de mais de 700 fábricas de químicos em 2017, diminuindo a oferta de matérias-primas e encarecendo a produção de agroquímicos no mundo. Isso tem estimulado investimentos dessa indústria no Brasil.

"No passado, um planejamento de investir numa planta de síntese ou de formulação no Brasil não daria retorno, mas agora já se torna competitivo", afirmou Renato Seraphim, presidente da empresa de agroquímicos genéricos no Brasil.

O novo montante já considera aportes feitos no país desde 2016, como a compra da Consagro Agroquímica, que pertencia à FMC.

"Os projetos futuros são de começar a fazer a síntese de ingredientes ativos aqui, mas hoje apenas formulamos no país", disse. A proposta da empresa, segundo Seraphim, é sintetizar dois fungicidas nos próximos anos.

Ainda neste ano, a empresa pretende construir uma planta para iniciar a formulação de herbicida em seu complexo industrial de Resende (RJ). "Tivemos vários produtos liberados para cana-de-açúcar. A Atrazina Atanor, que fazíamos na Argentina, vamos fazer no Brasil", afirmou.

Os planos da americana de crescer no país não são exatamente novos. A empresa, que é controlada pelo fundador Dennis Albaugh (80% do capital) e tem a chinesa Nutrichem como sócia (20%), já atuava no país por meio da controlada Atanor, que tem raízes na Argentina e, em 2005, adquiriu a fábrica de Resende.

Em 2015, a operação local ganhou corpo com a aquisição da Consagro Agroquímica, que pertencia à FMC e, só em 2016, a empresa lançou a marca Albaugh Brasil, que uniu as operações da Atanor e Consagro no país.

Já em 2016 a empresa tinha planos de chegar ao faturamento de US$ 500 milhões no Brasil, com participação de mercado ao redor de 5%. Plano que mantém e deve atingir em 2022. Em 2017, a receita foi de US$ 200 milhões, e a fatia de mercado chegou a 2,3%. Para este ano, a previsão é US$ 250 milhões. O faturamento global da Albaugh atingiu US$ 1,4 bilhão em 2017.

A rentabilidade neste ano, no entanto, poderá ser prejudicada pela queda do real ante o dólar e pela instabilidade ocasionada pelas eleições presidenciais no país, admitiu o executivo. Isso porque a Albaugh ganha espaço no mercado de genéricos praticando preços mais competitivos, o que dificulta o repasse de aumento de custos. (Valor Econômico 18/06/2018)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Oferta coordenada: Os contratos futuros de cacau fecharam em alta em Nova York na sexta-feira refletindo o anúncio de que os dois maiores produtores mundiais irão coordenar a oferta no próximo ano-safra. Os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 2.519 a tonelada, avanço de US$ 86. Costa do Marfim e Gana anunciaram que irão coordenar a oferta de cacau com o intuito de evitar oscilações bruscas nos preços. Em 2017, o cacau registrou queda expressiva diante dos sinais de superávit na oferta mundial. Além de coordenar a oferta, os países pretendem anunciar de forma conjunta o preço mínimo a ser praticado no mercado interno a cada ciclo. Em Ilhéus, na Bahia, o preço médio ao produtor ficou em R$ 168 a arroba, alta de 2,4%, segundo a Secretaria da Agricultura da Bahia.

Algodão: Temor de retaliação: O anúncio dos EUA de que vai impor novas tarifas a produtos chineses pressionou as cotações de algodão na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os contratos com vencimento em outubro caíram 281 pontos, para 91,28 centavos de dólar a libra-peso. O receio dos investidores é que a China faça uma retaliação sobretaxando os produtos agrícolas americanos, entre eles o algodão. A China é um dos maiores importadores mundiais da commodity e, recentemente, anunciou que compraria até 1,4 milhão de toneladas em 2018/19 para recompor seus estoques, o que impulsionou a cotação da fibra no mercado externo. No mercado doméstico, o preço médio ao produtor na Bahia ficou em R$ 115,57 a arroba da pluma, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Guerra comercial: O acirramento da guerra comercial entre China e EUA afetou mais uma vez o mercado de soja na bolsa de Chicago. Na sexta-feira, os contratos com vencimento em agosto caíram 21,75 centavos de dólar, para US$ 9,115 o bushel. O governo americano anunciou que adotará tarifa de 25% sobre US$ 50 bilhões em bens importados da China, aumentando a tensão no mercado. O documento divulgado pela Casa Branca destaca que o comércio entre os dois países tem sido "muito injusto, por muito tempo". As cotações também foram pressionadas pelas condições das lavouras americanas do ciclo 2018/19, que estão melhores do que em igual momento do ano passado. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM& FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 83,52 a saca, alta de 0,89%.

Milho: Novas taxas: Pressionadas pela nova lista de produtos chineses sobretaxados pelos Estados Unidos, as cotações do milho terminaram em queda na sexta-feira na bolsa de Chicago. Os contratos do cereal com vencimento em setembro caíram 2 centavos de dólar, a US$ 3,7075 o bushel. Na semana, a queda acumulada foi de 4,08%. Além disso, as boas condições da safra americana de milho contribuíram para o movimento de baixa. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 77% da área plantada estava em boas ou excelentes condições até o último dia 10. Em igual momento do ano passado, esse percentual era de 67%. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&F Bovespa para o milho ficou em R$ 40,04 a saca de 60 quilos na sexta-feira, com leve queda de 0,50%. (Valor Econômico 18/06/2018)