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Compradores de grãos do Brasil estão fora do mercado há 3 semanas, dizem operadores

Tradings de grãos pararam de comprar milho e soja de produtores no Brasil há mais de três semanas, na medida em que preocupações com os crescentes custos de frete congelaram o mercado de duas das principais commodities do país, disseram operadores à Reuters nesta sexta-feira.

O Brasil terminou recentemente de colher a soja de 2018 e está colhendo a segunda safra de milho.

O aumento dos preços de frete também está dificultando o transporte da soja comprada durante abril e maio, quando os prêmios dos portos dispararam com o cenário da disputa comercial entre os Estados Unidos e a China acelerando as vendas dos grãos brasileiros.

Receios com os custos de transporte levaram as tradings no Brasil a atrasarem a remoção dos produtos dos armazéns de produtores, para evitar prejuízos, disse um operador.

"A ordem é para não comprar", disse um operador de Mato Grosso à Reuters.

"Não houve propostas para o milho ou para a soja futura por cerca de 25 dias", disse um operador do Paraná, que também não está autorizado a falar com a imprensa.

O problema deve persistir até que as regras para estabelecer custos de frete estejam mais definidas pelo governo, disseram operadores.

"Em algum momento, eles precisaram retornar ao mercado para suprir os pedidos (de exportação) e honrar contratos", disse um dos operadores.

De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), até a semana passada o maior Estado produtor de grãos do Brasil ainda precisava vender cerca de 32 por cento da sua segunda safra de milho.

Os custos de embarque de grãos no Brasil aumentaram acentuadamente nas últimas semanas, depois que o governo impôs preços mínimos para o frete rodoviário. Tal medida seguiu protestos nacionais de caminhoneiros, que paralisaram virtualmente a economia do país por 11 dias no mês passado.

O movimento forçou o governo federal a subsidiar o combustível e impor preços mínimos de frete como parte da solução para suspender as paralisações.

O caos no setor de transportes brasileiro e a baixa dos preços dos grãos na Bolsa de Chicago, pela intensificação da guerra comercial global, também fizeram com que os produtores brasileiros perdessem a oportunidade de vender a soja futura, disseram os operadores.

"Há uma forte demanda pela soja brasileira, mas nosso gargalo logístico significa que os agricultores não podem tirar vantagem", disse um dos operadores. De acordo com a previsão do USDA, serão 103 mls de t na temporada 2018/19, o que superaria em 6% aos 97 mls de t da projeção para o ano comercial atual. Em caso de confirmação esse volume representará cerca de 65% do total do comércio mundial do produto. (Reuters 23/06/2018)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Produção no Brasil: A última semana foi de valorização para os contratos futuros do açúcar, com o mercado atento ao tempo quente e seco no Centro-Sul do Brasil e às perspectivas de queda na produção do país. Os papéis com vencimento em outubro fecharam a 12,41 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 20 pontos e alta de 13 pontos no acumulado desde segunda-feira. "Uma queda na produção total de cana, principalmente no fim da colheita, é amplamente esperada, com fontes em São Paulo projetando perdas de 10% a 15%", disse o Rabobank em nota. No ano, a commodity acumula queda de 17,38%, refletindo as previsões de superávit na oferta mundial. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 58,19 a saca de 50 quilos, alta de 1,54%.

Cacau: Atenção ao clima: As incertezas com a oferta mundial de cacau diante das previsões climáticas para o oeste da África deram força para as cotações do cacau na última semana na bolsa de Nova York. Na sexta-feira, os contratos da amêndoa com vencimento em setembro fecharam a US$ 2.514 a tonelada, leve alta de US$ 1. Na semana, a valorização acumulada foi de US$ 38. Segundo o centro de previsões climáticas dos EUA, há 50% de chances de formação do El Niño durante o outono e 65% durante o inverno no Hemisfério Norte. Em 2015/16, o El Niño foi responsável por derrubar a produção mundial de cacau, gerando déficit na oferta. Na Bahia, o preço médio ao produtor em Ilhéus ficou em R$ 166 a arroba na última quinta-feira. último dado disponível, segundo a secretaria de agricultura do Estado, a Seagri.

Algodão: Abaixo da média: As chuvas abaixo da média no oeste do Texas, principal região produtora de algodão dos EUA, continuam dando o tom das negociações da pluma em Nova York. Na sexta-feira, os contratos com vencimento em outubro fecharam a 86,34 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 104 pontos. As previsões são de continuidade das elevadas temperaturas e chuva abaixo da média pelos próximos dez dias na região, apesar das precipitações observadas recentemente. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 38% da área plantada estava em boas ou excelentes condições até o dia 17 ante 61% em igual momento do ano passado. No mercado interno, o preço médio ao produtor na Bahia ficou em R$ 114,38 a arroba, segundo a associação de agricultores local, a Aiba.

Soja: Tempo seco: As previsões de tempo seco no Meio-Oeste dos EUA no início do próximo mês deram fôlego às cotações da soja na bolsa de Chicago na última sexta-feira. Os contratos com vencimento em agosto fecharam a US$ 9 o bushel, alta de 14,5 centavos. Menos chuvas em julho podem elevar o risco de estresse hídrico das lavouras durante a fase de floração da cultura, fundamental para definir a produtividade da safra. Do ponto de vista comercial, os analistas avaliam que os impactos da guerra comercial entre EUA e China já foram absorvidos pelo mercado, cujas atenções voltam-se para o andamento da safra 2018/19 nos EUA. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 84,70 a saca de 60 quilos, alta de 0,79%. (Valor Econômico 25/06/2018)