Macroeconomia e mercado

Notícias

Cargill quer digitalizar a comercialização de grãos no mundo

Há pouco mais de 20 anos, uma tecnologia mudava a maneira como os produtores brasileiros se relacionavam com compradores ou fornecedores. A chegada do sinal de telefonia móvel às zonas rurais permitiu contatos a distância. Bastava uma ligação (que precisava ser rápida, afinal, a cobrança era por minuto e cara) e, pronto, alguns contratos de compra ou venda poderiam ser negociados. Os anos passaram, e o telefone móvel virou muito mais que um aparelho para comunicação de voz. Cada vez mais, as operações das fazendas são monitoradas ou até controladas remotamente, com ajuda de aplicativos ou softwares instalados nos smartphones ou computadores. A comercialização de produtos agropecuários, porém, ainda ocorre no “gogó” e com alguns intermediários (corretores).

Mas isso está mudando, garantem os especialistas. A onda do comércio eletrônico, segmento que, no ano passado, movimentou R$ 52,5 bilhões no país e deve crescer 12% este ano, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), está crescendo para cima do agronegócio e conta agora com a entrada de uma gigante do setor. A Cargill, uma das maiores tradings e processadoras de grãos do mundo, acaba de fazer um lançamento global que aponta para a digitalização do comércio agro. Ao observar uma transição entre gerações no campo, a companhia decidiu criar uma plataforma eletrônica de relacionamento com os produtores que no futuro próximo se transformará num canal de negociações. (Globo Rural 11/07/2018)

 

Brasil vai avaliar consulta à OMC sobre restrições da China a açúcar e aves

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou nesta quarta-feira a produção de estudos para consultas à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as decisões da China que restringiram exportações de carne de aves e açúcar do Brasil ao país asiático.

As medidas impostas recentemente pelo governo chinês são salvaguarda para importação de açúcar e aplicação de direito antidumping sobre carnes de aves.

“O governo brasileiro também poderá fazer consultas ao órgão multilateral sobre o Sistema de Licenciamento de Importação Automático chinês”, afirmou a Camex em nota à imprensa.

“Medidas de defesa comercial adotadas pela China já foram alvo de oito disputas na OMC. O país asiático foi condenado em todos os casos que evoluíram para fase de painel”, disse a Camex.

A China anunciou em 22 de maio de 2017 que vai cobrar tarifa adicional de 45 por cento sobre importação de açúcar, atendendo pleitos de produtores domésticos e afetando grandes exportadores do produto como Brasil e Tailândia.

Já no início de junho deste ano, a China impôs direito antidumping provisório sobre as importações de carne de frango brasileira, que passaram a ter de pagar tarifas de 18,8 e 38,5 por cento sobre o valor dos produtos.

Em comunicado, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que apoia os estudos para consultas do Brasil à OMC com relação às vendas de carne de aves e que as vendas externas brasileiras “complementam o atendimento à demanda local”. Segundo a entidade, a decisão final sobre a continuidade da tarifação será anunciada no próximo mês pelo governo chinês. (Reuters 12/07/2018)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Chuvas na África: O clima chuvoso no oeste da África em meio à aversão do mercado ao risco diante do recrudescimento da guerra comercial entre EUA e China pressionou as cotações do cacau na bolsa de Nova York ontem. Os contratos com vencimento em setembro fecharam a US$ 2.480 a tonelada, queda de US$ 21. O oeste da África, que concentra dois terços da oferta mundial de cacau, tem tido chuvas regulares e a previsão é de mais precipitação nos próximos dias. O clima tende a contribuir para melhora os rendimento da safra 2017/18. Do lado da demanda, a instabilidade econômica mundial põe dúvidas sobre o consumo na Europa e na América do Norte. No Brasil, o preço médio na Bahia (Ilhéus e Itabuna) caiu 2,32% ontem, para R$ 156 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores.

Algodão: Protecionismo: O protecionismo americano voltou a assombrar o mercado futuro do algodão na bolsa de Nova York ontem. Os contratos da pluma com vencimento em dezembro fecharam a 84,54 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 184 pontos. Os EUA são o maior exportador mundial de algodão e a China o seu segundo maior comprador. Com novas tarifas planejadas pelo governo Trump contra US$ 200 bilhões em produtos chineses, o mercado teme novas retaliações por parte de Pequim focando os produtos agrícolas dos EUA. No ano, o algodão acumula alta de 7,07%, refletindo as más condições das lavouras americanas nesta temporada. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em 8 dias registrou alta de 0,51%, a R$ 3,4315 a libra-peso.

Soja: Novas tarifas: O anúncio de uma nova lista de produtos chineses a serem taxados pelos EUA, no valor de US$ 200 bilhões, pressionou os contratos futuros da soja em Chicago ontem. Os papéis com vencimento em agosto fecharam a US$ 8,33 o bushel, queda de 22,75 centavos. O mercado acredita que a China, que já começou a cobrar uma taxa de 25% sobre a soja americana, irá retaliar os EUA com novas tarifas contra produtos agrícolas e que a reação americana prejudicou as chances de uma resolução do conflito. "[O mercado] se preocupa com o fato da situação do comércio internacional estar piorando e não melhorando", diz Rich Nelson, da Allendale. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 88,27 a saca de 60 quilos, alta de 0,75%.

Trigo: Forte queda: O anúncio de novas tarifas americanas sobre produtos chineses, com iminente retaliação por parte da China, renovou o pessimismo do mercado em relação às estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para os estoques no país, segundo analistas. Em Chicago, o trigo com vencimento em setembro fechou a 4,7175 o bushel, baixa de 20,25 centavos. Em Kansas, cereal com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,74 o bushel, queda de 20,75 centavos. Segundo a Zaner, a média das previsões de mercado são de que o USDA aponte estoques de 26,48 milhões de toneladas ao fim do ciclo 2018/19 nos EUA ante 25,74 milhões em junho. No mercado interno, o preço médio no Paraná ficou ontem em R$ 1.019,43 a tonelada, alta de 0,16%, segundo levantamento do Cepea. (Valor Econômico 12/07/2018)