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Carteira rural do Santander deve bater R$ 16 bilhões em 2018

Banco projeta crescimento de 23% na contratação de recursos na comparação com o ano passado.

O Santander projeta um crescimento de 23% na contratação de recursos do crédito rural em 2018. A maior parte dos R$ 16 bilhões estimados deverá ser aplicada em investimentos e no custeio da safra 2018/2019, iniciada neste mês. “Vemos intenção na aquisição de silos, tratores, máquinas e equipamentos”, diz à coluna o superintendente de Agronegócios do banco, Carlos Aguiar.

Ele lembra que o dólar mais forte garantiu ao produtor um aumento de receita na comercialização da última safra, mas a despesa com os insumos também cresceu. “O agricultor terá então maior necessidade de capital de giro para assegurar o custeio.” No ano passado o Santander liberou para o agronegócio R$ 13 bilhões, considerando linhas com juros equalizados pelo governo federal e a taxas livres, vinculadas ao Funcafé, ao BNDES e a títulos do agronegócio.

É agora

O forte da demanda deve ser observado entre julho e agosto, os dois primeiros meses do ano-safra, quando os agricultores fecham o planejamento do plantio, que começa em setembro. Nesse período, Carlos Aguiar espera um aumento de 20% na tomada de recursos ante igual período de 2017.

Fronteira

Convencida do potencial de crescimento agrícola do Estado de Tocantins, onde iniciou operação há três safras, a cooperativa paranaense Frísia está aumentando sua estrutura para a temporada 2018/2019. Com seis silos novos, vai adquirir seu segundo secador de grãos, para agilizar o beneficiamento de grãos recebidos dos cooperados. O superintendente, Emerson Moura, conta que será construída unidade para armazenar sementes.

Lá na frente

No Estado, a produção de soja e milho cresce, em média, 10% ao ano. Há oferta de terra, mais barata que no Paraná. “Em um raio de 80 quilômetros da nossa unidade, em Paraíso do Tocantins, tem 2 milhões de hectares de pastagens degradadas que podem ser usadas para agricultura”, diz Moura. Hoje, a Frísia tem 23 cooperados com 21 mil hectares; em três anos, quer chegar a 40 cooperados e 50 mil hectares. Neste ano, eles devem produzir 48 mil toneladas de soja e até 15 mil toneladas de milho.

Atrapalhou

A Fertilizantes Tocantins está revendo sua expectativa de faturamento após o tabelamento do frete, que encareceu o transporte. “Não conseguimos estimar ainda, mas eu não me surpreenderia se nossa receita ficasse 10% abaixo do previsto”, diz José Eduardo Motta, presidente da empresa controlada pela suíça EuroChem. Hoje a estimativa é bastante otimista: faturar R$ 2,7 bilhões, 80% mais do que em 2017 (R$ 1,5 bilhão). O salto é atribuído à construção de fábricas e a vendas aquecidas no primeiro semestre, impulsionadas pela soja.

Rumo ao Sul

A empresa abriu duas fábricas no Centro-Oeste - em Sinop (MT) e Catalão (GO), e terá em 2019 a primeira unidade no Sudeste, no município mineiro de Araguari. Esse movimento ao Sul do País deve reduzir o peso do Norte e Nordeste na receita. Hoje, 70% do faturamento vem dessas regiões. No ano que vem, a fatia deve recuar para 60%, enquanto Centro-Oeste e Sudeste responderão por 40% do bolo (ante 30%).

Mais perto. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) pretende ter um representante em Pequim, na China.

China

A entidade que representa os principais frigoríficos do País quer estreitar relações nos temas relativos à carne bovina.

No cocho. A Tortuga, marca da DSM, prevê que os preços do milho devem recuar nos próximos meses e estimular o confinamento de gado. Com a perda de vigor das pastagens no inverno, os animais ganham suplementação sendo alimentados com grãos no cocho. O gerente de confinamento da Tortuga, Marcos Baruselli, estima que 4,7 milhões de cabeças, ou 200 mil a mais do que no ano passado, serão confinadas. “O preço do milho está caindo e os contratos futuros do boi gordo negociados na B3 sinalizam um bom retorno (da atividade)”, explica.

Reforço

A empresa começa nesta semana um tour por 20 Estados para confirmar a tendência para o confinamento 2018. Segundo Baruselli, pecuaristas têm buscado resultados mais rápidos investindo em alimentos concentrados, como milho e soja, ao invés de volumosos, como bagaço de cana-de-açúcar. 

Tá quentinho

O consumo de café aumenta no mercado doméstico em períodos de campanha eleitoral e neste ano não será diferente, afirma o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz. “Assim como a demanda por produtos como carne cresce na época de Copa do Mundo, os anos em que há tensão política elevam o consumo de café”, explica. (O Estado de São Paulo 30/07/2018)

 

Commodities Agrícolas

Café: Por Chuva no Brasil: As previsões climáticas para esta semana no CentroSul do Brasil sustentaram as cotações do café na bolsa de Nova York na última sexta-feira. Os contratos do arábica com vencimento em dezembro fecharam a US$ 1,136 a libra-peso, alta de 75 pontos. De acordo com Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima, o avanço de uma frente fria pelo Rio Grande do Sul no sábado, dia 28, levaria instabilidade climática ao país, com queda das temperaturas no início desta semana. Com isso, as perspectivas são de retorno da chuva ao norte do Paraná e a São Paulo, reduzindo o ritmo da colheita da safra 2018/19 no país. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 432,78 a saca de 60 quilos, alta de 0,48%.

Cacau: Novas perdas: Os contratos futuros do cacau voltaram ao menor patamar em cinco meses em Nova York na última sexta-feira após terem passado por uma correção que levou a uma alta de US$ 66 no dia anterior. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 2.272 a tonelada, queda de US$ 72. O cacau tem sido pressionado pela liquidação de posições compradas dos fundos desde a divulgação dos dados trimestrais de moagem da Europa. O continente processou um volume recorde para um segundo trimestre. Segundo analistas, contudo, o resultado refletiu a moagem do cacau adquirido no fim do ano passado, quando os preços atingiram mínimas históricas. Na Bahia, o preço médio em Ilhéus e Itabuna ficou estável em R$ 128,70 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores.

Algodão: Mercado desaquecido: Em meio a um baixo volume de negociações, o mercado de algodão operou "de lado" durante a última semana na bolsa de Nova York, com 74 pontos de diferença entre a cotação máxima e a mínima. Na sexta-feira, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 88,34 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 11 pontos. Segundo a Plexus Cotton Group, os operadores comerciais continuam pouco dispostos a pagar os preços atuais enquanto os operadores financeiros continuam com um elevado posicionamento comprado. Com isso, a consultoria avalia que o mercado segue suscetível a correções nos próximos dias. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,25%, para R$ 3,368 a libra-peso.

Soja: Demanda firme: Os sinais de demanda firme pela soja americana mesmo após a tarifa de 25% imposta pela China ao produto dos EUA deram força às cotações do grão em Chicago na última semana. Os contratos com vencimento em setembro fecharam a US$ 8,7525 o bushel na sexta-feira, alta de 9 centavos e valorização de 20 centavos na semana. Segundo analistas, outros países têm aproveitado a recente queda dos preços em Chicago para adquirir soja dos EUA. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), foi acertada a venda de 538,1 mil toneladas de soja da safra 2017/18 entre 13 e 19 de julho - alta semanal de 113,2% e acima das previsões de mercado. No Brasil, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 88,07 a saca de 60 quilos, queda de 0,06%. (Valor Econômico 30/07/2018)