Macroeconomia e mercado

Notícias

Commodities Agrícolas

Café: Piso em 12 anos: Em meio a previsões de safra recorde no Brasil e no Vietnã, alta do dólar e estimativa de superávit na oferta mundial em 2018/19, os contratos futuros do café arábica recuaram 375 pontos ontem na bolsa de Nova York, atingindo o menor valor em mais de doze anos. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 1,0095 a libra-peso. No acumulado do ano, a desvalorização já alcança 2.760 pontos. Segundo Gil Barabach, consultor da Safras & Mercado, o dólar tem sido o principal fator de pressão sobre o mercado. "Se o dólar continuar se valorizando, será difícil o café se recuperar", afirmou o analista. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão arábica em São Paulo ficou em R$ 410,34 a saca de 60 quilos ontem, queda de 1,18%.

Cacau: Alta em NY: Os contratos futuros do cacau iniciaram a semana em linha com os fundamentos de oferta e demanda para a commodity e ampliam a alta de US$ 31 acumulada na última semana na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 2.195 a tonelada, avanço de US$ 46. O movimento ocorre após forte retração causada pela liquidação de posições compradas dos fundos. Do lado dos fundamentos, os analistas destacam que a safra mundial 2017/18 deve encerrar com um balanço equilibrado entre consumo e produção e que as previsões para o ciclo 2018/19, que se inicia em outubro, são de déficit de cerca de 100 mil toneladas. No Brasil, o preço médio em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, subiu 2,13%, para R$ 129,40 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores.

Soja: Guerra comercial: As expectativas com o encontro entre China e EUA para negociar o futuro de suas relações comerciais deu uma pequena sustentação aos contratos de soja na bolsa de Chicago ontem. Os papéis do grão com vencimento em novembro fecharam a US$ 8,934 o bushel, avanço de 0,65 centavo. "Essa reunião será de segundo escalão, não é uma solução definitiva. Acredito que as tarifas atuais vieram para ficar, mas [o encontro] é um avanço. O ponto morto a que se havia chegado não era benéfico para ninguém", avalia Sol Arcidiácono, da ED&F Man Capital. Do lado dos fundamentos, o bom desenvolvimento da safra 2018/19 nos EUA ainda pressiona o mercado. No Brasil, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 90,35 a saca de 60 quilos, queda de 0,48%.

Trigo: Correção nos EUA: Após apresentarem forte valorização na sextafeira, puxados pela possibilidade de a Rússia limitar suas exportações nesta temporada (2018/19), os contratos futuros do trigo registraram queda na bolsa de Chicago ontem, corrigindo parte dos ganhos da semana passada. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 5,6225 o bushel, recuo de 17,25 centavos. Em Kansas, o cereal com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 5,7475 o bushel, também retração de 17,25 centavos. Em nota, o Commerzbank observou que a Rússia tomou a mesma medida após a seca de 2010, o que poderia se repetir a qualquer momento caso o rublo se torne muito fraco. No Paraná, o preço médio praticado ficou em R$ 963,35 a tonelada, queda de 0,26%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 21/08/2018)