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Bayer lança fungicida para algodão no Brasil, quer consolidar liderança

A Bayer, uma das maiores companhias do setor de agroquímicos, anunciou nesta terça-feira o lançamento de um fungicida no Brasil para ajudar produtores a lidar já na safra 2018/19 com a principal doença a atingir a cultura do algodão, a mancha da ramulária.

O fungicida Fox Xpro, com três princípios ativos, promete maior eficácia no controle da doença, que além de reduzir a qualidade da fibra do algodão pode impactar negativamente a produtividade de uma lavoura em até 70 por cento, se o combate ao fungo não for adequado.

O agroquímico estará disponível também para produtores de soja, mas somente na safra seguinte (2019/20), em um movimento que a Bayer acredita que pode ajudá-la a "consolidar a liderança no mercado de fungicida no Brasil", disse a jornalistas nesta terça-feira Marcos Dallagnese, gerente de Fungicidas da companhia no país.

A companhia alemã, que fechou em junho a compra da norte-americana Monsanto por mais de 60 bilhões de dólares e aposta no Brasil como motor para a expansão da divisão de "crop science", já tem o registro do Fox Xpro para soja, o principal produto de exportação do país, o maior exportador da oleaginosa.

Contudo, executivos da Bayer explicaram que a empresa começará as vendas pelo setor de algodão, que conta com menos produtores comparativamente com a soja, para que o lançamento possa ser acompanhado de forma mais estruturada e responsável.

O lançamento do produto acontece em um bom momento no país para o setor de algodão, o mais intensivo em investimentos entre os principais produtos agrícolas. Os cotonicultores do Brasil projetam safras e exportações recordes, o que pode levar o Brasil a superar a Índia no ranking dos exportadores, na temporada 2018/19.

"Pretendemos estar (com o produto) entre os principais produtores de algodão", acrescentou Dallagnese, ao ser questionado sobre a abrangência das vendas da companhia ao setor, formado por cerca de mil cotonicultores.

Uma das principais dificuldades do controle da ramulária é que o fungo se adapta e pode ganhar resistência, dependendo do manejo realizado pelo produtor.

Segundo a Bayer, com uma maior eficácia, o Fox Xpro pode permitir uma redução de aplicações de fungicidas, elevando a rentabilidade em uma lavoura em 151 dólares por hectare.

O diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Marcio Portocarrero, que participou de um evento realizado pela Bayer para promover o fungicida, afirmou que ainda que o produtor venha a pagar mais caro por um defensivo mais eficaz, o investimento em geral vale a pena pelo retorno financeiro obtido.

O custo de uma lavoura de algodão gira em torno de 8 mil reais por hectare, com os agroquímicos respondendo por 34 por cento do total. A ramulária responde por parte importante do gasto com defensivos agrícolas dos produtores, segundo Portocarrero. (Reuters 04/09/2018)

 

IBM lança aplicativo para avaliação instantânea do solo

Avaliar o solo é um dos principais componentes para uma boa produtividade. Essa avaliação, utilizada por grandes produtores que têm, em geral, uma equipe técnica para desenvolvê-la, agora estará à disposição de pequenos e médios produtores. E com uma vantagem: resultado instantâneo.

É o que promete a IBM, que lança hoje (5) um sistema de avaliação que, por meio de um aplicativo no celular, permitirá ao produtor avaliar o tipo de solo que tem e a necessidade de eventuais correções.

Segundo Ulisses Mello, diretor do laboratório de pesquisa da IBM Brasil esta ferramenta, denominada AgroPad, permite a análise química em tempo real, usando-se a Inteligência Artificial.

Para o diretor da empresa, uma gota de água ou amostra de solo é colocada no AgroPad, um dispositivo de papel do tamanho de um cartão de visita. O chip microfluídico do cartão realiza a análise da amostra química em poucos segundos.

Um conjunto de círculos no verso do cartão aponta a quantidade de elemento químico na amostra. Em seguida, basta o produtor utilizar o celular com o aplicativo para fotografar o cartão de papel e terá o resultado do teste químico.

A IBM disponibilizará o sistema, que também poderá ser utilizado por grandes produtores, por meio de parcerias com cooperativas, associações e indústrias de insumos do setor.

“É uma ferramenta exploratória saindo de pesquisas”, diz Mello.

Os detalhes de custo, que a empresa promete ser baixo, e das parcerias ainda estão sendo avaliados. (Folha de São Paulo 05/09/2018)

 

Fundo de hegde da Cargill, CarVal, diz ter rejeitado oferta da Schroders

A gestora de ativos britânica Schroders <SDR.L> expressou interesse na compra da CarVal Investors em maio, mas o fundo de hedge, que pertence ao grupo norte-americano Cargill, disse que não estava à venda, informou um executivo da CarVal.

A CarVal, que tem 11,6 bilhões de dólares sob sua administração, o que a coloca entre os 2 por cento dos maiores fundos de hedge globais, teria sido uma importante aquisição para a Schroders, que tem buscado expandir sua gama de produtos.

"A Schroders... disse que eles estariam interessados em procurar maneiras para que nós trabalhássemos juntos", disse o diretor geral da CarVal, Lucas Detor, à Reuters. "Eles perguntaram se nós estávamos a venda, nós dissemos que não."

"Nós temos sido muito claros com todas as pessoas com quem conversamos no sentido de que a CarVal não está a venda. Nós fomos abordados por várias gestoras de ativos de grande porte diferentes nos últimos 24 meses."

A Schroders, que é listada na FTSE 100 como tendo 449 bilhões de libras (576 bilhões de dólares) em ativos sob sua gestão e administração até o fim de junho, não quis comentar.

Duas fontes com conhecimento do assunto avaliaram a CarVal em cerca de 200 milhões de dólares. Detor negou que esse número se aproxime de maneira "justa" do valor da companhia. (Reuters 05/09/2018)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Alívio momentâneo: A calmaria dos mercados internacionais e a consequente queda do dólar ante o real abriu espaço para a alta do açúcar na bolsa de Nova York ontem. Os contratos com vencimento em março fecharam a 11,69 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 23 pontos. Segundo Mauricio Muruci, da Safras & Mercado, a revisão nas previsões de superávit na oferta mundial em 2017/18 feita pela Organização Internacional do Açúcar, de 10,51 milhões para 8,6 milhões de toneladas, e o tempo seco na Europa também deram sustentação momentânea ao mercado. "Os números ajudam no curto prazo, mas não há uma reversão de tendência", diz. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 57,43 a saca de 50 quilos, alta de 1,48%.

Suco de laranja: Bom desenvolvimento: O bom desenvolvimento da safra 2018/19 de laranjas na Flórida, mesmo após a passagem da tempestade tropical Gordon pelo sul dos EUA, pressiona as cotações do suco concentrado e congelado na bolsa de Nova York. Ontem, os contratos de suco com vencimento em novembro fecharam a US$ 1,529 a libra-peso, recuo de 235 pontos. "As condições gerais de crescimento na Flórida são de boas a muito boas, e não há desenvolvimento de tempestades no Atlântico neste momento", afirma Jack Scoville, analista da Price Futures Group, em nota. A Flórida é o principal Estado produtor de laranjas dos EUA. No mercado interno, o preço médio da caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria ficou em R$ 22,60, alta de 0,44%, segundo o Cepea.

Soja: Safra recorde: As previsões de uma safra recorde nos EUA em 2018/19 voltaram a pesar sobre as cotações da soja na bolsa de Chicago ontem. Os contratos da oleaginosa com vencimento em novembro fecharam a US$ 8,38 o bushel, queda de 6,25 centavos. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima uma produção de mais de 124 milhões de toneladas de soja no ciclo 2018/19 após o recorde de 119,52 milhões de toneladas em 2017/18. Ainda segundo o órgão, 66% da área plantada estavam em boas ou excelentes condições até o último domingo, dia 2 de setembro, ante 61% registrados em igual momento do ano passado. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 93,83 a saca de 60 quilos, alta de 0,46%.

Trigo: Perdas ampliadas: Os contratos futuros do trigo ampliaram as perdas registradas nas bolsas americanas ontem. Na terça-feira, as declarações do Ministério da Agricultura da Rússia negando que o país vai restringir as exportações do cereal neste ano derrubaram o mercado, movimento que se intensificou ontem. As cotações vinham registrando alta diante do risco de a Rússia limitar o volume de exportação de trigo. Em Chicago, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a US$ 5,2175 ontem, com queda de 9,75 centavos. Na bolsa de Kansas, o cereal com entrega para o mesmo mês fechou a U$ 5,28 o bushel, com baixa de 9 centavos. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná ficou em R$ 965,93 a tonelada ontem, com queda de 0,41%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 06/09/2018)