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Em greve, canavieiros de Pernambuco realizam protesto e bloqueiam BR-101

Cerca de 80 mil canavieiros entraram em greve nesta segunda-feira (3). Trabalhadores do setor reivindicam melhoria salarial.

Principal ponto de divergência entre trabalhadores, usineiros e fornecedores de cana é o fim das horas in itinere

Após decidirem entrar em greve, trabalhadores do setor canavieiro realizaram protesto por melhoria salarial na manhã desta segunda-feira (3), bloqueando o trânsito nos dois sentidos da BR-101, na altura do município de Ribeirão, Zona da Mata Sul de Pernambuco.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), cerca de 100 canavieiros participam do ato. O engarrafamento foi de aproximadamente 3 km, em ambos os sentidos.

A decisão pela greve foi tomada em assembleia na noite da última quinta-feira (29), após 13 rodadas de negociação. Com a paralisação, entre 60 e 70 mil canavieiros podem suspender a colheita da cana-de-açúcar. O estado está em plena safra 2018/19, iniciada em setembro e que segue até março do ano que vem.

O principal ponto de divergência entre os trabalhadores da cana-de-açúcar, os usineiros e os fornecedores de cana é o fim da chamada horas in itinere, que, pela legislação trabalhista, é o tempo gasto pelo empregado, em transporte fornecido pelo empregador, para a ida e a volta até o local de trabalho em locais de difícil acesso e não atendido por transporte público regular. Esse tempo de deslocamento é pago como acréscimo a jornada de trabalho e representa, em média 20% a mais no salário do empregado.

“A greve foi deflagrada porque eles querem acabar com conquistas históricas de nossa categoria”, afirmou o presidente da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais do Estado de Pernambuco (Fetaepe), Gilvan José Antunis.

Segundo o sindicalista, se houver a retirada das horas in intinere, além da perda salarial, poderá haver prejuízo para as ações que tramitam na Justiça do Trabalho sobre o tema. “Os patrões condicionaram todo o restante das negociações ao fim do pagamento das horas de deslocamento”.

Gilvan afirma ainda que abrir mão da remuneração pode abrir brechas para que o empregador deixe o trabalhador aguardando, por horas, a chegada e a saída do veículo. A campanha salarial dos canavieiros também discute um novo piso salarial para a categoria. Dos atuais R$ 970, os trabalhadores pedem um reajuste para R$ 1.150. “Queríamos dialogar, mas não podemos aceitar nenhum direito a menos”, diz Gilvan.

Buscamos entendimento, diz Sindaçúcar

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool em Pernambuco (Sindaçúcar), Renato Cunha, afirmou que acredita em uma rápida normalização das atividades. Cunha ressaltou que produtores e trabalhadores têm "boa vontade" para resolver a situação – mesmo após 13 rodadas de negociações entre produtores e trabalhadores.

Entre 60 e 70 mil trabalhadores atuam hoje no setor canavieiro em Pernambuco, segundo o Sindaçúcar. (Rádio Jornal 04/12/2018)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Atenção à colheita: Os preços futuros do cacau caíram ontem na bolsa de Nova York em meio à pressão da colheita no oeste da África. Os contratos da amêndoa com vencimento em março fecharam com recuo de US$ 16, a US$ 2.187 a tonelada. O volume de cacau entregue nos portos da Costa do Marfim, onde a colheita começou em outubro, está maior nesta temporada do que na anterior. Até o fim da semana passada, foram entregues 689 mil toneladas de cacau, 35% acima do mesmo período do ciclo passado, de acordo com Jack Scoville, da consultoria Price Futures Group. E relatos indicam que as lavouras da região estão em boas condições, com solo ainda úmido. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 142 a arroba, alta de 0,70%, segundo a Central Nacional de Produtores.

Café: Oferta em alta: A alta do dólar sobre o real e novos dados de oferta do café pressionaram os preços futuros do grão ontem em Nova York. Os contratos de arábica com vencimento em março fecharam em US$ 1,069 a libra-peso, com baixa de 90 pontos. A valorização da moeda americana incentiva os exportadores brasileiros a aumentarem a oferta de café no exterior. Além disso, o escritório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) no Vietnã apontou que o país deve produzir 30,4 milhões de sacas na safra 2018/19. O número é 1,7% maior do que estimativa oficial do USDA. Na Colômbia, a produção somou 1,3 milhão de sacas em novembro, estável, apontou a Federação Nacional dos Cafeicultores (FNC). O indicador Cepea/ Esalq para o café em São Paulo ficou em R$ 430,06 a saca, baixa de 0,54%.

Soja: Otimismo moderado: As cotações de soja fecharam mais uma vez em alta ontem em Chicago. O movimento ainda reflete as expectativas com relação à trégua estabelecida entre EUA e China na guerra comercial. Os contratos com vencimento em março subiram 6 centavos de dólar, a US$ 9,2375 o bushel. Segundo análise da AgResource (ARC) Mercosul, o mercado tem reagido com "otimismo abaixo das expectativas". Segundo a agência, os americanos têm exigido mais do que cedido. Para o Brasil, pouco mudou no cenário de longo prazo, e o país deve seguir como principal fornecedor para a China nos próximos meses. Os fundos especulativos mantêm a aposta na queda em Chicago. O indicador Esalq BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 82,60 a saca, baixa de 0,40%.

Trigo: Ajustes técnicos: Os preços futuros do trigo tiveram movimentos divergentes ontem nas bolsas dos EUA em meio a ajustes dos investidores, um dia após uma onda de otimismo tomar conta dos mercados de grãos. Em Chicago, os contratos para entrega em março subiram 1,25 centavo, a US$ 5,225 o bushel. A alta ocorreu na esteira dos demais grãos, que continuaram subindo ainda em meio às expectativas de retomada da demanda chinesa pelos produtos agrícolas dos EUA. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os contratos para o mesmo mês caíram 1,25 centavo, a US$ 5,0525 o bushel. Os investidores no mercado de trigo continuam atentos à concorrência forte da Rússia. No Brasil, o preço médio no Paraná ficou em R$ 831,46 a tonelada, baixa de 0,26%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 05/12/2018)