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Commodities Agrícolas

Açúcar: No rastro do dólar: Pelo segundo pregão consecutivo, a alta do dólar derrubou o açúcar demerara na bolsa de Nova York. Ontem, os lotes do adoçante com vencimento em julho recuaram 2 pontos, encerrando o pregão a 12,36 centavos de dólar a libra-peso. O fortalecimento da moeda dos Estados Unidos estimula as vendas dos produtores do Brasil, maior exportador global da commodity. Afora o câmbio, a maior produção indiana de açúcar também vem atuando como um fator de pressão sobre as cotações. Na quarta-feira, a Associação Indiana de Usinas de Açúcar informou que a produção do país está 6,9% maior na safra 2018/19. Os indianos são os maiores produtores mundiais de açúcar. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou ontem em R$ 67,33 por saca, uma valorização de quase 0,8%.

Soja: Fôlego chinês: Notícias de que a China acertou a compra de novos volumes de soja americana deram um fôlego de última hora para as cotações da oleaginosa na bolsa de Chicago. Ontem, os contratos com vencimento em maio subiram 0,5 centavo de dólar, a US$ 9,025 o bushel. De acordo com a consultoria ARC Mercosul, estatais chinesas compraram 500 mil toneladas de soja dos EUA. A informação sobre as compras mudou a direção das cotações, que recuaram durante a maior parte do pregão devido às vendas externas americanas abaixo do esperado. Segundo o USDA, as vendas ao exterior na semana até 28 de fevereiro somaram 311 mil toneladas, ante uma expectativa de mais de 600 mil toneladas. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para a soja em Paranaguá subiu 1,02%, para R$ 78,94 por saca.

Milho: Pressão cambial: A valorização do dólar frente às principais divisas, associada às vendas dos fundos especulativos, continuou a pressionar o milho ontem na bolsa de Chicago. Os contratos para entrega em maio fecharam a US$ 3,6525 por bushel, retração de 7,25 centavos de dólar. A continuidade do movimento de alta do dólar ajuda a pressionar as cotações porque reduz a competitividade do cereal americano, o que pode forçar os produtores dos Estados Unidos a reduzir os preços. Para a consultoria ARC Mercosul, na falta de detalhes sobre o acordo entre EUA e China, as cotações são pressionadas pelos fundos especulativos, que mantém uma enorme posição vendida para os grãos negociados em Chicago. No Brasil, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho subiu 0,65%, a R$ 42,11 por saca.

Cacau: Demanda instável: Os preços do cacau recuaram ontem na bolsa de Nova York, devolvendo parte dos ganhos de quarta-feira. Os papéis da amêndoa com vencimento em maio tiveram queda US$ 63, encerrando a sessão a US$ 2.182 por tonelada. Do lado da demanda, a redução nas projeções do Banco Central Europeu para o crescimento da economia europeia e para a inflação representou um baque. A Europa consome em torno de um terço da produção mundial de cacau. Segundo Thomas Hartmann, diretor da TH Consultoria, os preços vem oscilando, desde julho do último ano, na faixa de US$ 2.000 a US$ 2.400 a tonelada. No mercado interno, o preço do cacau ficou ontem em R$ 147 por arroba em Ilhéus, de acordo com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia. (Valor Econômico 08/03/2019)