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Commodities Agrícolas

Café: Na corda bamba: Em movimento técnico e com uma pequena redução na perspectiva de produção no Brasil, apesar de se tratar de uma safra recorde para um ano de bienalidade negativa, os preços da variedade arábica subiram ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para julho subiram 35 pontos, a 91,65 centavos de dólar a libra-peso. Ao Valor, o analista Gil Barabach, da consultoria Safras & Mercado, disse que o movimento teve caráter técnico. "O mercado está confuso, tentando se afastar das mínimas", afirmou. Em relatório, a Conab projetou a safra 2018/19 de arábica em 36,98 milhões de sacas, na banda de baixo da faixa estabelecida em janeiro, que era de 36,12 milhões a 38,16 milhões de sacas. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para a espécie ficou em R$ 385,13 a saca, alta de 0,27%.

Algodão: Sem pressão: O alívio nas tensões do mercado colaborou para os preços do algodão subirem ontem na bolsa de Nova York. Os contratos mais negociados, para julho, subiram 45 pontos, a 66,80 centavos de dólar a libra-peso, enquanto a segunda posição ficou estável. Nesta semana, a consultoria Zaner Group havia indicado que o mercado temia que a China tivesse cancelado compras da pluma na semana encerrada em 9 de maio, diante do acirramento das disputas com os EUA, o que não se confirmou. Em nota, o analista Keith Brown, da consultoria DTN, afirmou que o mercado financeiro e o de grãos, que também esboçaram recuperação, deram o tom da alta. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 100,27 a arroba, segundo a associação de produtores, a Aiba.

Milho: Terreno seguro: O clima adverso para o plantio de milho nos EUA, que deve reduzir a oferta do cereal americano, impulsionou as cotações ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em setembro subiram 8,75 centavos de dólar e fecharam a US$ 3,87 o bushel. Em relatório, a ARC Mercosul informou que os solos das áreas produtoras dos EUA estão com bastante lama e que muitos agricultores já planejam aderir ao Programa de Prevenção de Plantio. Segundo a consultoria, a opção é viável economicamente. "Os contratos futuros de milho para dezembro em Chicago teriam de ultrapassar os US$ 4 por bushel para encorajar os produtores a se arriscarem a plantar ao invés de pedirem o subsídio", afirmou. No Brasil, o indicador Esalq/ BM&FBovespa para o grão subiu 1,81%, para R$ 34,25 a saca.

Trigo: Clima adverso: O risco climático para a produção de trigo contribuiu para os preços dispararem ontem na bolsa de Chicago, onde os lotes para setembro subiram 17,25 centavos de dólar, a US$ 4,735 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo mês tiveram alta de 14,75, a US$ 4,2775 por bushel. Ao Valor, o analista Tarso Veloso, da consultoria ARC Mercosul, disse que a previsão de chuvas intensas para a próxima semana ameaça as lavouras de trigo de inverno, principalmente em Kansas, importante área produtora. Para o analista Karl Setzer, da consultoria Agrivisor, o movimento se deu também com o clima seco na Austrália e Europa. No mercado interno, o preço apurado pelo Cepea/Esalq no Rio Grande do Sul ficou estável a R$ 804,64 por tonelada. (Valor Econômico 17/05/2019)