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Commodities Agrícolas

Açúcar: Na esteira do câmbio: As cotações do açúcar demerara subiram na sexta-feira na bolsa de Nova York, na contra-mão do movimento de queda do dólar ante o real. Os contratos para outubro subiram 25 pontos e fecharam a sessão a 12,43 centavos de dólar a libra-peso. Quando a moeda americana recua em relação ao real, as exportações do Brasil, maior produtor mundial da commodity, tendem a ser desestimuladas. Em relatório, a trading Sucden afirmou que o mercado está focado no potencial de redução do mix açucareiro para a safra 2019/20 no Brasil, diante do aumento na demanda por etanol (feito de cana-de-açúcar no país). A "pedra no sapato" das altas do açúcar, no entanto, é o recuo do petróleo, pontuou a trading. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal teve queda de 2,9%, para R$ 63,86 a saca.

Café: Impulso novo: A queda do dólar ante o real e o clima frio em regiões produtoras de café no Brasil deram novo impulso às cotações do arábica na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos para setembro subiram 240 pontos, a US$ 1,0710 a libra-peso. A valorização da moeda brasileira ante o dólar desestimula as exportações do Brasil. Em relatório, o analista Adam Tuiaana, da RJO Futures, disse que o câmbio colaborou para os contratos de julho subirem 38% em relação à "última grande venda de papéis", em 30 de abril. Os preços também têm subido desde que uma massa de ar frio chegou ao Brasil. Para o analista o nível de resistência deverá voltar a 0,99 centavos de dólar a libra-peso em breve, em função dos estoques elevados. O indicador Cepea/Esalq subiu 0,845, para R$ 417,80 no Brasil.

Algodão: Demanda enfraquecida: Com o cenário macroeconômico mais instável, os preços do algodão caíram na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os lotes para outubro recuaram 136 pontos, a 67,77 centavos de dólar a libra-peso. As tensões aumentaram no mercado financeiro com as investidas dos EUA contra o México. Em nota, o analista Keith Brown, da consultoria DTN, disse que, embora o país não seja grande importador de algodão dos EUA, é um "parceiro comercial importante". O dia também foi de divulgação de dados da indústria chinesa, e com o fraco desempenho de uma das maiores compradoras de algodão do mundo, acredita-se que a demanda pela pluma pode cair. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 93,47 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Milho: Tortilhas em jogo: Em meio às tensões comerciais entre EUA e México, as cotações do milho caíram na sexta-feira na bolsa de Chicago. Os contratos futuros com vencimento em setembro recuaram 9,25 centavos de dólar, para US$ 4,36 o bushel. O movimento se deu com os investidores cautelosos diante da decisão do presidente americano Donald Trump de taxar em 5% as importações mexicanas e promessa de subir a alíquota para 25% em outubro. Trump culpa o México pela entrada de imigrantes ilegais nos EUA. Mas, como o México é o maior importador de milho do país, o mercado teme que a decisão reduza as compras mexicanas, que somam cerca de 17 milhões de toneladas anuais. No mercado interno, o indicador Esalq/ BM&FBovespa para o grão subiu 0,5%, para R$ 38,56 a saca. (Valor Econômico 03/06/2019)