Macroeconomia e mercado

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Commodities Agrícolas

Café: Maré de baixas: O cenário macroeconômico instável colaborou para a queda das cotações do café na bolsa de Nova York ontem. Os contratos do arábica para dezembro recuaram 250 pontos, a US$ 1,0080 por libra-peso. A queda nos contratos de segunda posição foi de 5,62% em julho, de acordo com o Valor Data. O discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, indicando que só fará novas reduções de juros diante de uma "piora severa das condições econômicas" fez o dólar subir, o que pressiona os preços das commodities. Além do ambiente macroeconômico, os investidores precificaram o clima e a safra brasileira. Uma pressão adicional poderá vir das exportações do país, que somaram 2,8 milhões de sacas em julho. No Brasil, o indicador de café arábica Cepea/Esalq ficou em R$ 400,70, retração de 0,46%.

Algodão: Pesadelo: Os preços do algodão começaram o mês de agosto com uma queda expressiva, diante da notícia de que os EUA vão aplicar novas tarifas ao comércio com a China e também, do cenário de melhora nas condições das lavouras dos EUA e dos estoques mundiais robustos, que já vinham pressionando as cotações na bolsa de Nova York. Ontem, os lotes de algodão para dezembro caíram 147 pontos, a 62,37 centavos de dólar a libra-peso. Presidente da trading U.S. Commodities, Don Roose disse à agência Bloomberg que "já havia um prelúdio de que as coisas não iam bem entre EUA e China". Com as novas tarifas, o sonho de um acordo comercial ficou ainda mais distante. No Brasil, o preço da pluma com pagamento em oito dias apurado pelo Cepea/Esalq caiu 0,11%, para R$ 250,37 a libra-peso.

Soja: De mãos atadas: Diante da imposição de novas tarifas dos EUA a produtos da China e da possível retaliação do país asiático, a soja caiu ontem em Chicago. Os lotes para setembro recuaram 16,25 centavos de dólar, a US$ 8,5275 o bushel. Pelo Twitter, o presidente americano anunciou quase na reta final do pregão que irá impor tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões em bens chineses. Essas tarifas não incluem os US$ 250 bilhões já tarifados em 25%. Ao Valor, o analista Karl Setzer, da consultoria Agrivisor disse que o episódio "diminui as esperanças de que a guerra comercial chegue ao fim". Quanto a retaliações, ele foi breve: "A China já parou de comprar produtos dos EUA, e talvez não tenham muito o que fazer". O indicador Cepea/Esalq da soja no Paraná ficou em R$ 72,91, com valorização de 0,77%.

Trigo: Avalanche de motivos: Na esteira do câmbio e em meio à queda na demanda por trigo, sem falar nas tensões macro, as cotações do cereal recuaram ontem. Em Chicago, os lotes de trigo para dezembro caíram 7,5 centavos de dólar, a US$ 4,025 o bushel. Enquanto em Kansas, onde é negociado o produto de maior qualidade, os papéis de mesmo vencimento recuaram 7,25 centavos, a US$ 4,3325 o bushel. O movimento acompanhou a alta do dólar ante uma cesta de moedas, que reduz a competitividade do cereal americano, e teve influencia do desempenho das vendas americanas. Na semana de 19 a 25 de julho, o saldo líquido ficou em 383,1 mil toneladas. Reforçou a queda a tensão entre EUA e China. No mercado interno, o preço apurado pelo Cepea/Esalq no Paraná ficou estável, a R$ 869,66 a tonelada. (Valor Econômico 02/08/2019)