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Commodities Agrícolas

Açúcar: Aversão ao risco: Os futuros do açúcar sofreram pressão ontem na bolsa de Nova York ante as oscilações nos mercados financeiros e novas perspectivas baixistas por parte da oferta da Índia. Lotes para março caíram 17 pontos, a 12,86 centavos de dólar a libra-peso. Com o acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, uma onda de aversão ao risco fez o dólar disparar ante várias moedas, entre elas o real. Isso costuma pressionar o açúcar, já que desestimula as exportações brasileiras. O petróleo também teve forte baixa. No lado dos fundamentos, as chuvas acima da média na Índia em julho podem levar a revisões nas projeções para a próxima safra da Índia. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo registrou alta de 1,52%, para R$ 59,40 a saca de 50 quilos.

Café: Oferta que não acaba: As novas projeções de oferta elevada de café e a alta do dólar levaram os preços do arábica a caírem ontem na bolsa de Nova York. Os contratos do grão para dezembro fecharam a 99,15 centavos de dólar por libra-peso, queda de 255 pontos. A Organização Internacional do Café (OIC) ampliou a projeção de excedente para a safra internacional 2018/19 para 3,9 milhões de sacas de 60 quilos, ante as 3,1 milhões de sacas estimadas anteriormente. Além disso, a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) informou que produção de janeiro a julho do país ficou em 7,9 milhões de sacas de 60 quilos, alta anual de 5,4%. Outra pressão veio da valorização do dólar ante a onda de aversão ao risco nos mercados. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para o arábica caiu 1,09%, a R$ 402,81 a saca.

Cacau: Questão de déficit: O déficit menor que o esperado na safra 2019/20 continuou a pressionar os contratos futuros de cacau na bolsa de Nova York. Ontem, os lotes com entrega para dezembro recuaram US$ 15, para US$ 2.346 a tonelada. Recentemente, o banco Citigroup até manteve a projeção para o déficit da amêndoa em 90 mil toneladas na atual safra. No entanto, se o clima continuar favorecendo a produção no oeste no África, sobretudo na Costa do Marfim - o maior produtor da amêndoa do mundo -, esse déficit pode cair para algo entre 50 mil toneladas e 75 mil toneladas. Segundo a consultoria Barchart, essa perspectiva continua a pesar sobre os preços. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio do cacau ficou ontem em R$ 151 por arroba, alta de 1,75%, de acordo com a Central Nacional de Produtores.

Milho: De olho no clima: Depois de iniciar o pregão em baixa em reação ao recrudescimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, os preços futuros do milho reverteram a tendência inicial e encerraram o pregão em alta na bolsa de Chicago. Os lotes do cereal com vencimento em dezembro subiram 5,52 centavos de dólar, cotados a US$ 4,1475 por bushel. Depois do fechamento da bolsa, o Departamento de Agricultura dos EUA atualizou os dados de desenvolvimento da safra de milho do país. Devido ao atraso no plantio, apenas 10% das plantações estavam em condições excelentes, ante 21% no mesmo período da temporada passada. Por sua vez, 10% da área estava em condições ruins, ante 7% um ano antes. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou estável ontem, a R$ 35,95 por saca. (Valor Econômico 06/08/2019)