Setor sucroenergético

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Raízen estaria deixando Consecana de lado e não comoditizaria mais preço da cana

A Raízen está a caminho de transformar o perfil da sua cadeia de suprimento e gerar um racha entre as indústrias de açúcar e álcool. Não é de hoje que a maior companhia global de sucroenergia pensa em dar mais peso à cana de fornecedores no total de sua moagem, mas o processo começa a ganhar contornos cada vez mais acelerados, especialmente porque o grupo Cosan-Shell não está mais disposto a priorizar os contratos pelo Consecana.

Ao menos três fontes com trânsito no colegiado que precifica a matéria-prima, e próximas da indústria, e que acompanharam o impasse recente quando do endurecimento em relação à reforma do modelo proposto pela Orplana (a entidade que rege as associações regionais do Centro-Sul), confirmaram ao Notícias Agrícola que a Raízen vai partir para negociações caso a caso. Em última instância, o setor pode entrar numa fase de mercado livre.

A decisão teria sido tomada mais firmemente quando um grupo de usinas nem quiseram discutir a proposta da Orplana, que olha pela meritocracia ao invés do preço comoditizado, e a Raízen optou pela composição desse novo processo. “Dito isto, significa que já houve um racha entre as usinas, e se a Raízen levar em frente esse processo o racha se aprofundará, porque certamente outros grupos terão que aderir mesmo em regiões onde não há muita concorrência pela cana”, avaliou uma das fontes.

Primeiro, pela pressão que vai existir em suas respectivas cadeias de suprimentos, mais ainda onde nas unidades com menor volume de cana própria; depois, porque o ganho de escala e margem do maior grupo mundial de cana/açúcar/etanol vai mudar o jeito das usinas operarem; boa parte com dívidas sendo carregadas por muitos anos à frente, e CNPJs mudarão de donos.

Dona de 61 milhões de toneladas na safra passada, e a caminho de 63-67 na 18/19, se fosse um país, a companhia seria o segundo maior produtor do mundo, depois do Brasil, a Raízen, por meio de sua assessoria de comunicação, mandou dizer que não faria comentários. Para um dos empresários ouvidos, não é de se estranhar, porque além de fazer parte na União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), o sistema que deverá acelerar daqui por diante “já causava estranheza no setor desde 2011, quando o grupo já começou a apontar que pretendia fazer crescer o montante de cana de terceiros, para 50%”.

Traumas

Pelo Consecana ‘seco’, como rege os contratos, não há espaço para valorar a matéria-prima pela qualidade, menor teor de impurezas minerais, entrega, enfim, eficiência. “Eles até podem manter o Consecana como referência, mas bonificar de acordo com uma régua que está sendo estudada internamente”, afirmou um terceiro interlocutor, da região central de São Paulo. Em última instância, até mesmo um outro indicador de referência poderia ser adotado.

Nessa rota de buscar uma cana melhor e diminuir seus custos de arrendamento, neste caso aumentando a participação de terceiros, haverá traumas entre os produtores, sem dúvida, concordam as fontes. O mais direto seria a Raízen começar a não renovar os contratos “com os pequenos e médios mais ineficientes”, na medida em que fossem vencendo, escolhendo estrategicamente as regiões onde não haveria uma falta de matéria-prima até que novos fornecedores assumissem. São 26 unidades espalhadas no Centro-Sul.

O segundo seria eleger “franqueados”, grandes produtores que arrendariam desses outros fornecedores, com compensações financeiras maiores que justificassem essa operação de “troca de mãos dos contratos”. A outra situação é a que está mais em tela e já em andamento: a Raízen já estaria repassando suas áreas para os grandes.

“Mas não tenha dúvida que vai haver uma depuração, infelizmente com um custo até social, porém a verdade é que não haverá lugar para todos em um mercado com margens cada vez mais estreitas”, comentou uma dos entrevistados por Notícias Agrícolas.

Consecana

O Conselho de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo foi criado em 1998 e a sua metodologia de calculo de remuneração deveria premiar 60% da matéria-prima.

Desde então, a cana “é outra cana”. O fim da queima deixa a cana com um teor de fibra mais alto e que na “sua regressão linear suspeita-se que não está sendo bem representada”, explica tecnicamente uma das fontes.

Também, por exemplo, hoje não se destina aos produtores o valor do ganho com o bagaço na geração de bionenergia, quando, lá atrás, só existia cana e muito menos etanol que hoje. Os custos adicionais das lavouras também não são acompanhados pela metodologia atual.

Se algumas dessas variáveis não estavam previstas na formação do ATR, estava prevista, sim, a necessidade de revisões que fossem se adequando ao tempo, e isso deveria ser de 5 em 5 anos. E há sete não ocorre.

Para um dos empresários ouvidos nesta reportagem, mesmo que o sistema do Consecana fosse reformado, não conseguiria mais se alinhar às necessidades dos produtores. E daí que a Raízen viu também, segundo ele, que não adianta muito para ela, enquanto maior player mundial, ganhar em produtividade mantendo o regime de contrato atual.

Vale dizer, que, guardadas algumas particularidades, o que a companhia agora estaria começando a agir está de certa forma alinhada ao que a Orplana chegou a propor, com a diferença de que esta gostaria de ver mantidos os contratos. Eduardo Romão, presidente da Orplana, foi procurado, aceitou falar do tema, mas em viagem não conseguimos depois contato telefônico. (Notícias Agrícolas 17/04/2018)

 

Açúcar: Mínima renovada

Os contratos futuros de açúcar renovaram sua cotação mínima do ano na bolsa de Nova York ontem, pressionados pelas previsões de ampla oferta mundial da commodity.

Os papéis com vencimento em julho fecharam a 11,82 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 35 pontos.

Segundo análise da Archer Consulting, em apenas 7,5% dos pregões dos últimos dez anos a commodity ficou cotada abaixo dos 12 centavos de dólar a libra-peso como ontem.

Diante disso, alguns analistas, como a Zaner Group, alertam para uma possível cobertura de posições vendidas dos fundos diante de uma safra mais alcooleira no Brasil.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 55,27 a saca de 50 quilos, alta de 0,36%. (Valor Econômico 18/04/2018)

 

Falta de chuva prejudica desenvolvimento da cana em São Paulo

A presença de uma frente fria sobre o norte da Região Sudeste mantém muitas áreas de instabilidade sobre o centro-norte do Brasil. Com isso, a terça-feira (17) deverá ser marcada por pancadas de chuva em grande parte das regiões produtoras do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia, Espírito Santo e sul da Bahia.

A chuva na metade norte do país, está possibilitando a manutenção dos bons níveis de umidade do solo, garantindo excelentes condições de desenvolvimento das lavouras de 2ª safra. No entanto, em regiões como o Maranhão e o Piauí, a chuva vem atrapalhando o andamento da colheita de soja e ocasiona percentuais elevados de grãos ardidos.

No centro-sul do país, devido a presença de uma massa de ar polar que além de deixar as temperaturas mínimas mais baixas, impede a formação de nuvens de chuva, deixando o tempo aberto e sem instabilidade. Apesar desse tempo seco e frio, a chuva registrada nos últimos dias elevou os níveis de água do solo, garantindo boas condições ao desenvolvimento das lavouras de milho, feijão, algodão, cana-de-açúcar e café

No estado de São Paulo não houve registros de chuva de volumes relevantes e com isso, abre-se uma janela de mais de 15 dias sem registros de precipitações significativas sobre as principais regiões produtoras do estado. Com isso, a situação agrava as condições das lavouras, principalmente para os grãos e a cana de açúcar. A única vantagem desse tempo seco é para os produtores que estão em processo de colheita.

Fase de colheita

Nesta semana, a tendência é que ainda venham ocorrer algumas pancadas irregulares de chuva sobre o centro-norte do Brasil. Mas a previsão para a semana que vem é de que não ocorra chuva nas áreas produtoras de milho, algodão e feijão. Para os produtores que estão em fase de colheita, a ausência de chuva permitirá que eles avancem sem grandes transtornos.

Na Região Sul, incluindo o sul do Mato Grosso do Sul, a semana é de tempo aberto e sem chuva. Somente na sexta-feira (20) é que o avanço de uma nova frente fria pelo Rio Grande do Sul irá modificar o tempo, levando novamente chuva para grande parte da Região. Assim como ocorreu no último final de semana, a previsão é que esse sistema avance pela Região Sul, levando chuva a grande parte do país no começo da semana que vem. (CLIMATEMPO 17/04/2018)

 

Agronegócio é terreno fértil para expansão do setor

As principais cooperativas de crédito do país encontraram no agronegócio um terreno fértil para a expansão de seus negócios, ao mesmo tempo em que produtores e agroindústrias, sobretudo de polos precariamente atendidos por bancos tradicionais, têm recorrido cada vez mais a elas para financiarem suas atividades.

Para Sicoob e Sicredi, sistemas que juntos reúnem 7,5 milhões de cooperados e quase R$ 170 bilhões em ativos, o sucesso dessa parceria está sendo construído não só por taxas mais vantajosas oferecidas em algumas operações ou pelo fato de seus lucros serem distribuídos aos associados, mas também pela "cumplicidade" entre as partes.

Para os dois sistemas, o agronegócio já representa pelo menos 20% de carteiras de crédito que somam mais de R$ 80 bilhões, e é o setor que mais vem crescendo. "Os dois segmentos mais fortes são agronegócio e crédito consignado. E, com a tendência de aumento da produção agrícola brasileira, estamos ampliando nossas operações no campo de forma acelerada", afirma Emerson Ferrari, diretor-executivo da Sicoob do Paraná.

Principal braço do Sicoob, a "singular" Norte do Paraná atua em uma área formada por 46 municípios e tem mais de 30 mil associados. Sua carteira de empréstimos alcança R$ 480 milhões e os ativos chegam a R$ 850 milhões. No agronegócio, atende agroindústrias e produtores (vinculados ou não a cooperativas agropecuárias), entre os produtores, a participação de agricultores e pecuaristas é dividida em parte iguais, com valores médios de operações entre R$ 350 mil a R$ 400 mil.

Rafael de Giovani Netto, presidente da Sicoob Norte do Paraná, realça que o braço começou a atuar no agronegócio há cerca de três anos e quer aproveitar a retomada da economia brasileira para fincar de vez suas bases no setor. "Observamos nos últimos três anos uma importante queda da inadimplência no setor, motivada por boas safras e também pela queda da taxa básica de juros".

Para ele, a queda da Selic, apesar de reduzir a rentabilidade das operações financeiras do Sicoob, melhora a liquidez do mercado como um todo e abre novas possibilidades de negócios. No campo, lembra, não é possível melhorar as condições para empréstimos de crédito rural com juros controlados, mas em operações com juros livres, que estão em expansão, é possível reduzir taxas e atrair novos associados.

Nesse processo, a abertura de agências em polos de produção agropecuária onde os bancos tradicionais não estão presentes começa a fazer diferença. Hoje, a Sicoob Norte do Paraná conta com 25 agências físicas, e o objetivo é chegar a 40 até o fim de 2019. E agências totalmente digitais estão sendo implantadas para facilitar o acesso aos "rincões".

A capilaridade também é um dos trunfos da Sicredi União PR/SP, uma das 117 cooperativas singulares do sistema Sicredi. O braço conta com 76 agências em uma área de atuação que envolve 165 mil associados espalhados por 110 municípios, e quer abrir mais 12 em 2018. Com a ajuda do agronegócio, afirma Gilberto Paulo Rauber, assessor de negócios da Sicredi União PR/SP, o objetivo é encerrar 2020 com 300 mil associados e 110 agências, inclusive digitais como a recém-inaugurada em Cafeara (PR), onde não há nenhuma agência física.

Segundo Rauber, a carteira de crédito rural da singular vem crescendo 25% ao ano e chega a R$ 760 milhões - R$ 600 milhões em operações de custeio e comercialização e R$ 160 milhões em linhas de longo prazo (sete a 12 anos) com recursos do BNDES. O forte no agronegócio, para a Sicredi União PR/SP, são as operações com produtores de grãos, cana e hortifrútis, além dos pecuaristas. "A carteira é bastante pulverizada, o que dilui riscos. Aqui não tem entressafra", diz. (Valor Econômico 18/04/2018)

 

Etanol cai 21% nas usinas de SP em três semanas, mas bombas não acompanham

O período coincide com o início oficial da nova safra no centro-sul do Brasil.

Os preços do etanol hidratado acumularam queda de mais de 20% nas últimas três semanas nas usinas de São Paulo, principal produtor nacional, mas nos postos de combustíveis do Estado a retração é praticamente nula, de acordo com dados da consultoria Datagro e da agência reguladora ANP.

O período coincide com o início oficial da nova safra no centro-sul do Brasil, com crescente produção de etanol na região.

"A cadeia de comercialização não está transmitindo (ao consumidor) essa queda (no produtor)", resumiu o presidente da Datagro, Plinio Nastari.

Conforme monitoramento da Datagro ao qual a Reuters teve acesso, o litro do hidratado, usado diretamente nos tanques de veículos flex, cedeu para 1,522 real na segunda-feira nas usinas paulistas, queda de 21% nos últimos 20 dias.

Nas bombas dos postos de São Paulo, porém, a cotação está em R$ 2,848 por litro, recuo de apenas 0,9% no mesmo período, conforme pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

"O que deveria estar acontecendo é a queda de preço ao produtor ser transmitida ao consumidor, e a relação de preço entre hidratado e gasolina ter diminuído. Isso geraria um consumo ainda maior para o hidratado", avaliou.

A paridade entre as cotações do hidratado e da gasolina C, seu concorrente direto, está atualmente em 71,1% no Estado de São Paulo, acima dos 70% a partir dos quais abastecer com álcool é considerado vantajoso, dada a diferença de desempenho entre os dois produtos.

Nastari evitou comentar quais as razões por trás do não repasse aos consumidores.

Segundo a Datagro, em virtude da necessidade das usinas de cana de recompor o fluxo de caixa em meio ao quadro baixista no mercado de açúcar, muitas foram levadas a antecipar o início das operações a fim de aproveitar os preços ainda atrativos do etanol no início do mês de março, o que acabou por pressionar fortemente os preços no começo da safra.

EXPECTATIVA

Para o diretor da comercializadora Bioagência, Tarcilo Rodrigues, a ponta final da cadeia deve observar cotações mais baixas para o etanol nos próximos dias.

Isso porque, segundo ele, parte do varejo ainda estava realizando estoques adquiridos a valores mais altos e, por isso, segurou o máximo que pôde os preços do biocombustível nas bombas para não arcar com eventuais prejuízos."Esse é um momento cruel para as distribuidoras", disse, referindo-se ao sazonal período de forte queda nos preços do etanol nas usinas, típico de início de safras.

O sócio-executivo da GO Associados Fernando Marcato concorda. "Eles veem até quanto faz sentido baixar (o preço do etanol) nas bombas para manter a margem", comentou.

Rodrigues, da Bioagência, afirmou ainda que os preços firmes da gasolina, acima de R$ 4, contribuem para a manutenção do hidratado. Os valores do derivado de petróleo têm se mantido firmes na esteira de valores altos também nas refinarias da Petrobras.

Nesta terça-feira, a estatal elevou a cotação do combustível fóssil para uma nova máxima dentro da era de reajustes diários. A nova sistemática de formação de preços da companhia, em vigor desde julho do ano passado, busca seguir as oscilações nos mercados internacionais de petróleo e gasolina, de modo que os combustíveis vendidos pela empresa mantenham alguma paridade ante o exterior.

Nos últimos dias, as cotações nas refinarias vêm renovando máximas à medida que os valores internacionais do petróleo têm se fortalecido.

Procurada pela Reuters, a Plural, associação que responde pelas distribuidoras de combustíveis, citou a "alta carga tributária" que incide sobre os produtos como fator responsável pelas cotações elevadas nas bombas.

Já a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) não respondeu de imediato a um pedido de comentário. (Folha de São Paulo 17/04/2018 às 16h: 29m)

 

Cargill deve manter divisão de açúcar, mas aposta é no etanol de milho

Gigante americana de grãos investirá cerca de R$ 400 milhões no Brasil este ano. ‘Eleição não muda planos da Cargill’, diz presidente da empresa no País.

A multinacional americana Cargill vai manter os planos de investimentos no Brasil, apesar das incertezas em relação à corrida eleitoral deste ano. O grupo planeja investir cerca de R$ 400 milhões, sobretudo em logística e na expansão da fábrica de amido em Uberlândia (MG), diz Luiz Pretti, presidente da múlti no País. “O Brasil é o mercado que recebe mais aportes da Cargill fora dos Estados Unidos e continua estratégico para o grupo, independentemente do cenário político”.

No setor de açúcar e etanol, a companhia tomou a decisão de adquirir 100% do controle da Cevasa, unidade sucroalcooleira que tinha em sociedade com a Canagril, que reúne fornecedores de cana. Dessa forma, a multinacional vai manter essa divisão negócios por pelo menos dois anos.

Ao lado de concorrentes globais, como ADM, Bunge e Dreyfus, a Cargill também entrou na produção de açúcar e etanol, mas não foi tão bem-sucedida. Agora, a grande aposta da companhia é na produção de etanol a partir do milho, com a SJC Bioenergia.

Uma das maiores exportadoras do País, a companhia registrou no ano passado receita líquida de R$ 35 bilhões, aumento de 6% sobre o ano anterior. O lucro líquido ficou em R$ 593 milhões, recuo de 16% sobre 2016. A queda do resultado, segundo o executivo, reflete justamente os gargalos da agricultura da “porteira para fora”.

“O País teve uma safra agrícola excepcional em 2017, com o agronegócio respondendo por quase 25% do PIB nacional. Mas o problema é o escoamento dessa produção. Os cerca de 90 quilômetros sem asfalto da BR 163 trazem um problema para as tradings que escoam pelo Arco Norte do País”, diz.

Outros investimentos

Com 22 fábricas, sobretudo para esmagamento de grãos e presença em seis portos, a multinacional deverá fazer mais aportes em barcaças este ano, uma aposta clara em hidrovia como opção aos caminhões. Em 2017, uma parte dos investimentos da companhia foi para a aquisição de 20 barcaças que saem pela rota fluvial no rio Tapajós para evitar a BR 163. Outros cerca de R$ 100 milhões deverão ser colocados no Terminal de Exportador de Santos (TES), da qual possui 40% em uma parceria com a concorrente Dreyfus.

Além disso, a gigante global de commodities agrícolas vê espaço para expansão em infraestrutura ferroviária. Por exemplo, a múlti aguarda as definições de investidores para o projeto da Ferrogrão, que já teve audiência pública e está sendo conduzido pelo consórcio da EDLP, projeto que pode receber mais de R$ 12 bilhões em aportes.

Os investimentos como um todo do grupo, no ano passado, ficaram em R$ 793 milhões, valor maior que o previsto inicialmente. “Nos últimos sete anos, a Cargill colocou US$ 1,5 bilhão no País. Quando se fala em Brasil, tem de pensar no longo prazo.”

Segundo Pretti, os acionistas da companhia tentam entender este momento de incertezas no Brasil. “Nós acreditamos nas instituições do País. Não há preocupação, a não ser que mudem as regras do jogo. Sob o ponto de vista macroeconômico, o mercado externo está sendo muito generoso com o Brasil.”

Três perguntas

A Cargill vai manter os investimentos no Brasil, mesmo com as incertezas políticas deste ano?

Há muito que se fazer no Brasil. O País é estratégico para o agronegócio, independentemente do cenário político. Não é frase feita. O País responde por 9% da produção mundial de alimentos.

A corrida eleitoral ainda está indefinida e temos um ex-presidente preso...

O que me preocupa, na verdade, são os extremos. A radicalização é ruim. Estamos muito intolerantes. Os acionistas da Cargill em Minneapolis (EUA) dizem que veem um momento de indefinição, mas acreditam no amadurecimento do País. Acreditamos nas instituições e vamos manter nossos investimentos. A menos que mudem as regras do jogo.

Há um movimento de consolidação das tradings globais. Há notícias de que a Bunge pode ser comprada e há avanços de grupos asiáticos em grãos. Como a Cargill está neste cenário?

As margens das tradings são apertadas e a Cargill sempre foi muito espartana. Não vejo um eventual movimento de consolidação de forma negativa. (O Estado de São Paulo 18/04/2018)