Setor sucroenergético

Notícias

Raízen vê nova safra de cana "um pouco melhor"; aponta maior consumo de combustíveis

O volume da nova safra de cana-de-açúcar do centro-sul do Brasil será um pouco maior que o registrado na temporada atual, em que usinas voltaram a sofrer os efeitos do tempo adverso e do envelhecimento dos canaviais, disse nesta quinta-feira o presidente da Raízen, maior produtora global de açúcar e etanol de cana.

“A safra deve ser um pouco melhor este ano porque o clima esteve um pouquinho melhor neste começo do ano, mas não será acima de 600 milhões de toneladas”, disse Luís Henrique Guimarães a jornalistas, após participar de seminário no Rio de Janeiro.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) apontou em dezembro que a próxima safra do centro-sul do Brasil (2019/20) teria um volume semelhante ao da atual, que será encerrada em março de 2019 com uma moagem de cerca de 570 milhões de toneladas.

O presidente da Raízen destacou que o consumo de etanol em 2019 vai depender das cotações do petróleo, da gasolina e do açúcar, que compete com o etanol pela mesma matéria-prima.

Guimarães ressaltou, contudo, que deverá haver uma expansão dos combustíveis do ciclo Otto (gasolina e etanol) este ano, em meio a uma esperada melhora na economia. A Raízen também figura como uma das mais distribuidoras de combustíveis do país.

Em 2018, de acordo com dados da agência reguladora ANP, o mercado de combustíveis, incluindo diesel e outros, ficou estagnado, com o consumo de gasolina caindo 13 por cento e o de etanol hidratado, mais competitivo, registrando um salto de 42 por cento.

“O ciclo Otto deve crescer (este ano). A gente vem de dois anos muitos ruins do consumo total de gasolina mais etanol, apesar do etanol ter crescido muito”, disse.

O presidente da Raízen demonstrou mais otimismo em relação às perspectivas para a economia brasileira, o que deve trazer reflexos positivos sobre a demanda por combustíveis.

“A gente entra no ano bem mais animado que no ano passado, com uma recuperação da economia, PIB crescendo, melhoria de renda do consumidor. O que determina o mercado é renda e crescimento”, disse ele, ressaltando que o otimismo também tem relação com a perspectiva de reforma da Previdência, além da regulamentação do programa RenovaBio. (Reuters 21/02/2019)

 

Biosev investe R$ 378 milhões; compra 73 colhedoras de cana e amplia moagem

A Biosev, uma das maiores do setor de açúcar e etanol no Brasil, controlada pela Louis Dreyfus, anunciou nesta quinta-feira investimento de cerca de 378 milhões de reais, em período que antecede o início da safra 2019/2020.

Os investimentos em melhorias para as operações agrícola e industrial, em todas as usinas da empresa, incluem a compra de 73 novas colhedoras e 33 caminhões, além da expansão da moagem e de unidades produtivas de etanol, segundo nota divulgada pela companhia.

“Estamos nos preparando para que possamos alcançar os melhores resultados durante a próxima safra, ganhando eficiência operacional para melhorar a geração de caixa”, disse o presidente-executivo, Juan José Blanchard.

A safra 2019/20 do centro-sul começa oficialmente em abril.

Os investimentos fazem parte do planejamento da empresa para a entressafra e estão alinhados com a estratégia de tornar a operação agroindustrial mais produtiva e rentável, destacou a Biosev.

Na indústria, os investimentos somaram mais de 270 milhões de reais distribuídos em oito plantas industriais.

Nas duas unidades no município de Rio Brilhante (MS), por exemplo, a capacidade de moagem somada foi ampliada em 3 mil toneladas por dia.

Além disso, em unidade sul-mato-grossense foi instalado um aparelho de destilação que permitirá uma produção adicional de 250 mil litros diários de etanol.

Outro ganho nas unidades de Mato Grosso do Sul foi o aumento da capacidade de estoque de melaço, que pode ser convertido em etanol em momentos oportunos, “flexibilizando o mix de produção conforme estratégia da companhia”.

Na unidade Vale do Rosário (em Morro Agudo, SP), disse a empresa, “as melhorias garantiram o aumento da capacidade de moagem em 1.000 toneladas por dia.

Na mesma unidade, houve a instalação de mais uma coluna na destilaria, que elevou a capacidade de produção de etanol anidro em 240 mil litros diários.

A unidade Santa Elisa (Sertãozinho, SP) também recebeu um aparelho novo em sua destilaria, com capacidade para produção de 600 mil litros por dia de etanol.

Na unidade Lagoa da Prata (MG) foram instalados sistemas de regeneração de caldo e vinhaça, que realizam trocas térmicas no processo, utilizando menos vapor – dessa forma é possível reduzir o uso de vapor da caldeira e economizar o bagaço, que pode ser direcionado para incremento na geração de energia.

A Biosev tem capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas de açúcar e 1,6 bilhão de litros de etanol, além de capacidade de cogeração para venda de 1.346 GWh de energia elétrica proveniente da biomassa.

O investimento foi anunciado após a Biosev ter reportado na semana passada prejuízo trimestral relacionado principalmente à desvalorização da moeda brasileira. (Reuters 22/02/2019)

 

Apesar do prejuízo do 4º tri, Bunge lucrou mais em 2018

A americana Bunge, uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, registrou prejuízo líquido de US$ 65 milhões no quarto trimestre de 2018, 8,3% maior que no mesmo período de 2017. Apesar desse resultado, a multinacional fechou o ano com lucro de US$ 267 milhões, 66,9% superior ao do exercício anterior.

A receita líquida dos três últimos meses de 2018 foi de US$ 11,543 bilhões, levemente abaixo da registrada no quarto trimestre de 2017 (US$ 11,605 bilhões). Com isso, a receita líquida da Bunge alcançou US$ 45,743 bilhões no ano passado, mesmo patamar de 2017.

"Embora 2018 tenha sido substancialmente melhor que 2017, não estamos satisfeitos com esses resultados e sabemos que a Bunge tem ativos e pessoas para gerar um melhor desempenho no futuro. Nos últimos meses, a empresa tomou várias medidas significativas e positivas para se reposicionar rumo a um crescimento sustentável, incluindo o anúncio de uma transição de liderança e o aprimoramento de sua equipe, renovando nossa diretoria e estabelecendo um comitê de revisão estratégica", afirmou, em nota, a presidente do conselho de administração da Bunge, Kathleen Hyle.

Ainda de acordo com a executiva, esse comitê está aprofundando uma revisão completa de todos os negócios da Bunge. "Ao mesmo tempo, estamos comprometidos em lidar com ativos de baixo desempenho como parte de nosso esforço para aumentar valor para os acionistas".

As vendas líquidas da divisão de agribusiness da companhia somaram US$ 8,114 bilhões de outubro a dezembro de 2018, avanço de 2,7% ante o mesmo período de 2017. Em todo o ano passado, o segmento agrícola gerou vendas de US$ 32,206 bilhões, alta de 1,5%. Já o lucro antes dos juros e tributos (Ebit) ficou em US$ 70 milhões no quarto trimestre do ano passado, alta de 27,3%, e em US$ 737 milhões em 2018 como um todo, um crescimento de 69%.

No último trimestre do ano, a divisão de agribusiness gerou Ebit de US$ 33 milhões, alta de 26,9%, e em todo o ano o Ebit acumulado do segmento ficou em US$ 645 milhões, 2,5 vezes maior que em 2017.

Em nota, a Bunge apontou que a divisão de agribusiness foi negativamente impactada pela redução no valor da soja brasileira no último trimestre do ano passado, já que fatores relacionados ao comércio e à demanda da China fizeram com que os preços convergissem para o nível de cotações das novas safras dos EUA.

Segundo a Bunge, a perda associada a essa queda de preços foi de cerca de US$ 125 milhões e impactou os resultados no comércio e distribuição de sementes oleaginosas e na originação de grãos. Segundo a companhia, o segmento de agribusiness gerou prejuízo líquido de US$ 58 milhões em 2018, ante perda de US$ 61 milhões no ano anterior.

Em nota, a Bunge apontou que, na área de oleaginosas, as margens estruturais de esmagamento de soja foram maiores no quarto trimestre nos Estados Unidos, na Europa, no Brasil e na Ásia, devido às condições de mercado mais favoráveis.

Os volumes totais de esmagamento de soja foram semelhantes aos registrados em 2017. Os resultados no processamento de sementes de "softs commodities" foram maiores, uma vez que as margens estruturais maiores na Europa mais do que compensaram as menores margens no Canadá.

Nos grãos, os resultados da originação caíram devido a margens e volumes estruturais menores, que foram impactados pela queda na demanda de soja da China. Os resultados no comércio e distribuição foram semelhantes aos de 2017.

Durante teleconferência com analistas, os executivos da empresa reforçaram que avaliam vender ou montar uma jointventure, que podem negociar ativos. "Tudo está sobre a mesa agora", disse Greg Heckman, CEO interino da múlti. Os ativos de açúcar estão à venda no Brasil. No ano passado, a Bunge tentou fazer a oferta pública inicial de ações (IPO), mas adiou o processo. (Valor Econômico 22/02/2018)

 

Altas na gasolina e economia impulsionam perspectivas para etanol perto de safra

Os crescentes preços da gasolina no Brasil e a melhora do panoramas econômico em 2019 estão impulsionando a perspectiva para a venda de etanol, e usinas podem mais uma vez se inclinar em direção ao biocombustível e para longe do açúcar, conforme a nova safra de cana se aproxima.

O etanol permanece mais atrativo no momento e as usinas provavelmente irão favorecer fortemente a produção do biocombustível, com a colheita de cana de 2019/20 da região centro-sul se iniciando em abril, de acordo com analistas e uma importante empresa do setor.

As usinas brasileiras usaram no ano passado apenas 35 por cento da cana para a produção de açúcar, mínima recorde.

O restante foi consumido pela produção de etanol, conforme as vendas do etanol hidratado, que compete com a gasolina nas bombas, avançaram 42 por cento, com as usinas buscando, ainda, escapar do baixo preço global do açúcar.

Uma repetição da situação em 2019, mesmo se não tão extrema como no último ano, pode dar mais força para uma mudança no mercado global do açúcar, de um excedente para um déficit.

A Petrobras aumentou os preços da gasolina nas refinarias diversas vezes nos últimos dias, como consequência dos valores mais altos do petróleo. Nesta semana, a gasolina atingiu seu maior valor desde novembro.

Esse movimento abre caminho para que os preços do etanol também aumentem, melhorando as margens de lucro das usinas.

Luís Henrique Guimarães, CEO da Raízen, maior produtora mundial de açúcar e líder da produção de etanol no Brasil, declarou nesta quinta-feira que a demanda por combustível no país deve crescer em 2019, pela primeira vez em três anos.

"Vemos uma recuperação da economia com o PIB crescendo, melhoria de renda do consumidor...A demanda por combustível deve crescer", ele disse, acrescentando que a empresa está otimista para o etanol em 2019.

Plinio Nastari, presidente da consultoria de açúcar e etanol Datagro, vê os retornos atuais das vendas de açúcar bruto ainda em torno de 1 dólar por libra-peso, abaixo do equivalente em preços do etanol.

"O açúcar teria de subir para um prêmio acima do etanol para levar as usinas a produzirem mais", declarou.

A corretora e consultoria INTL FCStone estima que os preços atuais do etanol em São Paulo, maior mercado de combustíveis do Brasil, estejam equivalentes a um hipotético preço de 14,39 dólares por libra-peso do açúcar, considerando os contratos futuros de Nova York.

João Botelho, analista de açúcar da FCStone, acredita que as usinas poderiam mudar levemente o mix em direção ao açúcar, devido à expectativa de um déficit no suprimento global do adoçante, mas ainda assim produziriam mais etanol do que açúcar quando o processamento de cana começar em abril. (Reuters 210/02/2019)

 

Leilão da Usina Guaxuma é suspenso a pedido de João Lyra

O desembargador Klever Rêgo Loureiro, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), determinou a suspensão do leilão da Usina Guaxuma, iniciado na última quarta (20). A decisão foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico desta quinta-feira (21).

A usina faz parte da Massa Falida da Laginha Agro Industrial, do Grupo João Lyra. A suspensão do leilão atendeu a pedido feito pelo próprio João Lyra, que explicou haver interesse no arrendamento da Guaxuma por parte da Usina Coruripe Açúcar e Álcool, Usina Caeté e Cooperativa de Colonização Agropecuária e Industrial Pindorama Ltda.

O industrial sustentou que essas empresas planejam cultivar cana e otimizar as áreas produtivas da usina, contribuindo para a criação de empregos e gerando riquezas para a região. Afirmou ainda que o arrendamento da Guaxuma seria a melhor opção para os credores da Massa Falida, tendo em vista a maximização dos ativos que ela geraria.

O desembargador Klever Loureiro deferiu o pedido de suspensão do leilão, a fim de que seja analisada a referida proposta de arrendamento.

“No caso ora em análise, claramente restaram comprovados, objetivamente, os requisitos 'fumus boni iuris' e o 'periculum in mora' a justificar o deferimento da medida ora pretendida, sobretudo quanto ao segundo requisito, eis que a demora na prestação jurisdicional poderá ocasionar grave dano ao impetrante, permitindo-se a alienação, medida extremada, quando seria possível o arrendamento, medida menos onerosa à massa falida”.

Leilão

O leilão dos imóveis rurais e do parque industrial da Usina Guaxuma teve início na tarde dessa quarta (20). Os imóveis e os equipamentos foram avaliados em R$ 667,2 milhões e em R$ 151,93 milhões, respectivamente.

Na primeira praça, que iria até 28 de fevereiro, os interessados precisariam dar lance mínimo de 49% do valor avaliado dos bens. Caso não houvesse comprador, seria aberta a segunda praça, com lance mínimo de 45% até o dia 12 de março.

A maior parte dos imóveis está localizada em Coruripe, mas há terras também em Campo Alegre, Teotônio Vilela e Junqueiro. Os terrenos somam 17 mil hectares.

Entre os equipamentos que iriam a leilão estavam balança rodoviária, ponte rolante, caldeira de alta pressão, distribuidor de bagaço, secador de açúcar, destilaria, gerador de energia e compressor de ar. (TJAL 21/02/2019)