Setor sucroenergético

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Usina Itajobi, de SP, pede recuperação judicial

A Usina Itajobi Açúcar e Álcool, localizada no município paulista de Marapoama, próximo a Catanduva, entrou ontem com pedido de recuperação judicial. O processo corre na Comarca de Itajobi e será analisado pela juíza Marina Miranda Belotti Hasmann.
Com dívida ao redor de R$ 230 milhões, a empresa, que começou a operar em 1982, alega que a crise enfrentada pelo segmento de açúcar e etanol entre 2007 e 2010 foi o principal fator gerador da incapacidade de horar os compromissos financeiros. A usina fatura atualmente R$ 270 milhões por ano.
Segundo o advogado responsável pela recuperação judicial, Julio Mandel, do escritório Mandel Associados, a maior parte da dívida é com os bancos Santander (R$ 50 milhões), BBM (R$ 26 milhões) e BTG Pactual (R$ 23 milhões). "O que antecipou o pedido [de recuperação] foi a postura do banco BTG, que não quis alongar a dívida e parou de negociar", afirmou Mandel ao Valor.
Ele explica que ainda não foi possível organizar uma lista detalhada de credores. Assim, não há dados de qual o valor da dívida que tem garantia real e quanto não tem. Foi pedido um prazo adicional de 15 dias para anexar os documentos com mais informações ao processo. A consultoria Exm Partners está assessorando a Itajobi na negociação das dívidas.
O pedido de recuperação inclui, além dos negócios da Usina Itajobi Açúcar e Álcool, os da Pastoril São Pedro, da AMSV Administração e Participações e da FCA Administração e Participações - encarregadas da gestão do patrimônio imobiliário do grupo. Todas são controladas por Mário Salles Vanni e Leda Zancaner Salles. O pedido de recuperação afirma que as empresas estão "sob único controle e sob a mesma estrutura societária".
O pedido de recuperação, conta o advogado do caso, vem como forma de reestruturação financeira. Contudo, a venda da usina sucoralcooleira não está descartada. "É bem-vinda", disse o advogado.
Atualmente, a capacidade de produção da Itajobi é de 14 mil sacas de açúcar para exportação (VHP) por dia e de 560 litros diários de etanol. De acordo com o último balanço disponibilizado no "Diário Oficial de São Paulo", a usina apresentou lucro líquido de R$ 1,7 milhão no exercício fiscal encerrado em março de 2017, uma recuperação ante o prejuízo líquido de R$ 14,1 milhões de um ano antes. Ao fim do ano fiscal 2016/17, o faturamento da usina somava R$ 246,4 milhões, avanço de 9% ante a temporada 2015/16. (Valor Econômico 12/04/2019)
 

Usina Comanche será leiloada para pagamento de créditos trabalhistas

Complexo industrial pode receber lances a partir de R$ 55.395.160,00 até o dia 24 de abril.
A Vara do Trabalho de Ourinhos determinou o leilão do complexo industrial e dos bens móveis da Usina Comanche para pagamento de créditos trabalhistas. O leilão está disponível até o dia 24 de abril, por meio da plataforma MaisAtivo Judicial.
Os lotes são compostos pelo parque fabril, localizado em Canitar (SP), e diversos outros itens, como móveis de escritório, eletrônicos, eletrodomésticos, máquinas, equipamentos industriais e veículos.
O valor inicial é de 60% do valor da avaliação, ou seja, R$55.395.160, podendo ser apresentada proposta para aquisição em prestações, com entrada mínima de 25% do valor e o saldo em até 30 parcelas corrigidas monetariamente pelo índice IPCA-E.
O leilão, bem como o acesso a todas as informações dos lotes, será realizado pelo site www.canaljudicial.com.br, ou presencialmente, no dia do encerramento, no Fórum do Trabalho de Bauru, na Rua Antônio Cintra Junior, Nº 3-11. O leiloeiro oficial responsável é Julio Abdo Costa Calil, número Jucesp 813.
SERVIÇO
Leilão da Usina Comanche
Data e horário: 24 de abril, às 13h
Leiloeiro oficial: Julio Abdo Costa Calil
Link para lances e acesso ao edital: https://bit.ly/2CZoIuB (Assessoria de Comunicação, 10/4/19)
 

Unica defende linhas de crédito para o setor sucroenergético em audiência no Senado

Em audiência pública realizada na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, o diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão, solicitou apoio do Legislativo a pautas do setor sucroenergético, como a transformação do ProRenova em um programa permanente.
De acordo com o executivo, a condição atual dos canaviais da região Centro-Sul indica que 35% da área de cana-de-açúcar disponível para colheita apresenta mais de cinco anos de idade, com enorme prejuízo a produtividade agrícola do setor.
“Nosso pleito aqui é tornar o ProRenova um programa permanente. Que ele tenha condições previsíveis ao longo dos anos, de forma que as usinas possam se programar adequadamente para a renovação de seus canaviais. Além disso, seria importante que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pudesse disponibilizar volumes suficientes para suprir o déficit anual de R$ 4 bilhões, o que permitiria uma renovação adicional de 500 mil hectares”, explicou o representante da Unica.
Segundo Leão, esse incremento contribuiria para o atendimento às demandas previstas no programa RenovaBio para os próximos anos.
Crédito
A audiência pública foi requerida pelo senador Luis Carlos Heinze, com o objetivo de discutir com as entidades que representam os produtores rurais e o governo federal, questões relacionadas ao crédito rural e ao seguro agrícola “Estamos juntos com os agricultores brasileiros e queremos ouvir os pleitos do setor e discutir melhores condições sobre o volume de crédito rural, taxas de juros e volumes de recurso para subvenção”, disse Heinze.
Para Eduardo Leão, linhas de financiamento para apoio a estocagem de etanol, que é produzido pelas usinas em oito meses, mas comercializado ao longo do ano todo, são de extrema importância. “O produtor de etanol é o único responsável pelo carregamento desse estoque na cadeia produtiva. Essa linha daria melhores condições para distribuir a oferta ao longo do ano, a custos mais razoáveis”, disse.
Durante a reunião, a ex-ministra da agricultura e senadora, Kátia Abreu, ressaltou que o Brasil saiu da posição de importador de alimentos e se transformou no “maior exportador de quase todos os produtos mais importantes no mundo, como a soja, carne bovina e o frango”.
O representante da Unica ressaltou que o açúcar também é um desses gigantes e, para que ele continue nesse patamar, alguns pleitos do setor precisam ser discutidos, como a inclusão da cana-de-açúcar no Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), além de uma linha de financiamento para construção de armazéns que não seja restrita aos produtores de grãos.
“Pelo fato de não ser possível estocar cana, a expansão dos armazéns de açúcar permitiria melhores oportunidades de negócios a essa commodity, benefício que seria automaticamente repassado aos fornecedores de cana, por meio do Consecana”, explicou Leão.
Também participaram da audiência pública: a presidente da comissão, senadora Soraya Thronicke; o secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Eduardo Sampaio Marques; o subsecretário de política agrícola e meio ambiente do Ministério da Economia, Rogério Boueri Miranda; o superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Bruno Barcelos Lucchi; o consultor de crédito rural da Organização das Cooperativas Brasileiras, Ademiro Vian; o vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul, Alexandre Velho; e o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja, Bartolomeu Braz Pereira. (Unica 12/04/2019)
 

Açúcar: Dólar e petróleo

Com a alta do dólar ante o real e a desvalorização do petróleo, os preços do açúcar demerara caíram ontem na bolsa de Nova York.
Os lotes para julho recuaram 16 pontos, fechando a 12,82 centavos de dólar por libra-peso.
O movimento se deu em meio à alta da moeda americana, que estimula as exportações do Brasil, maior produtor mundial da commodity, e tende a elevar a oferta no mercado.
A queda nos preços do petróleo também contribuiu para a queda nas cotações do adoçante.
Quando o preço do fóssil cai, o etanol (feito de cana no Brasil) perde competitividade e a tendência é que seja dada prioridade à produção de açúcar em lugar do biocombustível.
No Brasil, o indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal registrou alta de 0,81%, para R$ 67,41 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 12/04/2019)
 

Atvos prevê moagem de 27 mi t de cana em 2019/20 e espera renegociação de dívidas

A Atvos, braço sucroenergético do Grupo Odebrecht, prevê moagem de 27 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em suas oito usinas na safra 2019/2020, iniciada oficialmente no em 1º de abril. Se confirmado, o volume será pouco mais de 1% superior ao de 26,7 milhões de toneladas do fechamento da safra 2018/2019.
O volume estimado para ser processado corresponde, no entanto, a 75% da capacidade de moagem das usinas da Atvos, de 36 milhões de toneladas.
“Manter nossa produção neste patamar é fundamental para a geração de caixa que necessitamos para seguirmos nossos investimentos e criarmos condições para atingir nossa maturidade operacional”, informou Alexandre Perazzo, vice-presidente de finanças e relações com investidores da empresa.
Com dívidas estimadas em R$ 12 bilhões, a Atvos informou que confia na conclusão do processo de renegociação com os credores para seguir seu plano de longo prazo no setor sucroenergético.
“O equilíbrio financeiro é fundamental para continuarmos nossa trajetória de crescimento e fazermos frente às oportunidades projetadas para os próximos anos, com o objetivo de acelerar a execução dos planos de investimento, permitindo a expansão agrícola, ganhos de produtividade e liquidez para otimização do capital de giro”, completou Perazzo.
Segundo maior produtora de etanol no País, a Atvos projeta produção de 2,1 bilhões de litros do biocombustível no período atual, ante 2,08 bilhões de litros em 2018/2019. O volume da safra passada foi 3% superior ao da 2017/2018 e foi o recorde da companhia.
Já a produção de açúcar da Atvos deve somar 237 mil de toneladas em 2019/20, alta de 11,8% sobre as 212 mil toneladas produzidas do adoçante na safra passada.
Da cana moída em 2018/19 pela Atvos, 70% foram de lavouras próprias e 30% de fornecedores. Entre áreas próprias e de parceiros, a empresa encerrou a safra com plantio de 71 mil hectares, 83% em renovação de lavouras.
A companhia ratificou também a expectativa de investimentos de R$ 600 milhões em renovação e expansão de canaviais, equipamentos agrícolas e aprimoramentos industriais para 2019/20, conforme adiantou em agosto do passado a Coluna do Broadcast Agro. (Reuters 12/04/2019)
 

Bayer obtém aprovação do Cade para nova empresa; quer ser líder digital do agronegócio

A Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a criação de uma joint venture no Brasil entre a Bayer e a Bravium, hoje responsável pelo gerenciamento da Rede AgroServices, plataforma digital da própria Bayer que funciona como um programa de fidelidade.
Com o acordo, aprovado sem restrições pelo Cade, segundo publicação no Diário Oficial nesta quinta-feira, a Bravium deixará de ser uma prestadora de serviço para a Bayer, enquanto a joint venture garantirá uma relação mais direta entre as duas empresas, buscando a liderança digital do agronegócio.
Na Rede AgroServices, fundada em 2015, com quase 170 mil agricultores cadastrados no país, os produtores podem acumular pontos quando compram produtos da Bayer, podendo trocá-los por produtos e serviços, nos moldes de um programa de milhagem.
A Bayer, líder no setor de pesticidas agrícolas no Brasil, não revelou a participação que terá na nova companhia ou investimentos.
Segundo nota da Bayer, a nova companhia pretende ser a nova líder digital do agronegócio brasileiro, combinando a oferta de serviços nos canais digitais e um programa de fidelidade.
A Bayer, que atua em saúde e agricultura no Brasil, afirmou ainda que a criação de nova empresa viabiliza um modelo de gestão mais flexível e independente, alinhado às necessidades do setor de serviços e focado em gerar inovação para o setor do agronegócio como um todo.
"O modelo de negócio visa criar valor para toda a cadeia, oferecendo diversas vantagens e novas oportunidades para os parceiros comerciais e clientes". (Reuters 11/04/2019)
 

Brasil deve colher 677 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2019, diz IBGE

O Brasil deve colher 677 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2019, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de março, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O montante representa um crescimento de 1,8% em relação ao previsto no mês anterior.
Segundo o IBGE, o retorno das chuvas em algumas regiões tem proporcionado a recuperação dos canaviais, principalmente daqueles que serão colhidos no terço final da safra, o que resultou numa melhora esperada de 2,3% no rendimento médio das lavouras.
São Paulo aumentou sua estimativa de produção em 2,0%, refletindo o crescimento da produtividade que tem sido favorecida pelo clima e pela adoção de novas técnicas, como o revezamento de culturas, com o milho, que acaba protegendo o solo no período de renovação do canavial.
Na região Centro-Oeste, Mato Grosso espera uma produção 3,6% maior, enquanto Goiás teve elevação de 5,0%, respectivamente. Em relação a 2018, a estimativa da produção nacional de cana-de-açúcar apresenta crescimento de 0,4% em 2019. (Reuters 12/04/2019)
 

Em recuperação, Heringer propõe pagar 20% de dívidas e vender 7 unidades

A Fertilizantes Heringer propôs, em seu plano de recuperação judicial, pagar 20 por cento das dívidas junto à maioria de seus credores e levantar no mínimo 375 milhões de reais com a venda de sete unidades misturadoras no país.
Uma das mais tradicionais do setor no Brasil, a empresa teve seu pedido de recuperação judicial protocolado e aceito em fevereiro. No total, cerca de 2 bilhões de reais em créditos a credores foram arrolados no processo.
Apresentado na véspera, o plano de recuperação da companhia, que ainda precisará ser votado em assembleia, oferece pagamento de 20 por cento de 1,7 bilhão de reais em dívidas com os credores quirografários, com carência de dois anos para início dos desembolsos. A classe é a que possui mais valores a receber.
Os mesmos termos foram propostos para os credores quirografários MPE, compostos por micro e pequenas e empresas e com dívidas de 10,5 milhões de reais.
Já credores com garantia real tendem a receber 60 por cento do valor das dívidas (271,4 milhões de reais), também com carência de dois anos, enquanto a classe trabalhista, 100 por cento do crédito (29,1 milhões) e pagamento em parcela única no 5º dia útil do 12º mês após a eventual homologação do plano.
Em paralelo, a Fertilizantes Heringer propôs a alienação de sete unidades produtivas, localizadas em Uberaba (MG), Rosário do Catete (SE), Três Corações (MG), Dourados (MS), Rio Verde (GO), Porto Alegre (RS) e Rio Grande (RS).
Pelos valores mínimos propostos, a empresa pretende levantar 375 milhões de reais com essas vendas.
"O presente plano tem por objetivo reestruturar a Heringer, para que a mesma supere sua momentânea dificuldade econômico-financeira, dando continuidade aos negócios, mantendo-se como importante Empresa do Estado de São Paulo e do Brasil", afirma o documento submetido na véspera à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A Reuters revelou ainda em janeiro que a empresa trabalhava em uma reestruturação para lidar com dívidas elevadas.
Após entrar em recuperação judicial, a Fertilizantes Heringer, fundada na década de 1960 em Manhuaçu (MG), hibernou algumas unidades e passou a operar com capacidade de 2,9 milhões de toneladas ao ano, de um total instalado de 6,2 milhões.
Pelos dados apresentados no plano de recuperação, a Fertilizantes Heringer registrou receita líquida em 2018 de 3,68 bilhões de reais, queda de 23 por cento ante 2017, enquanto o lucro bruto recuou quase 60 por cento, a 185,9 milhões de reais.
Entre as razões para o atual momento de dificuldades, a Fertilizantes Heringer citou a "estagnação da economia brasileira", "incertezas políticas", "concorrência das multinacionais", "greve dos caminhoneiros e aumento do custo do frete", "aumento do preço dos insumos e fretes", "perda de margem com vendas antecipadas", entre outros. (Reuters 11/04/2019)
 

Etanol de milho pode corresponder a 50% da produção no Mato Grosso em 2020

A partir de 2020 deverá ser possível ver um equilíbrio entre a produção de etanol de cana-de-açúcar e milho em Mato Grosso, ou seja, cada cultura será responsável por 50% do biocombustível produzido nas usinas no estado. A previsão é do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool-MT).
Mato Grosso produz, atualmente, 1,85 bilhão de litros de biocombustível por ano, contando com 11 indústrias instaladas, que utilizam como matéria-prima cana-de-açúcar e milho. Além disso, duas plantas devem ser inauguradas no segundo semestre de 2019 e ao menos outros dois projetos começam a ser construídos neste ano.
A expectativa é que o estado atinja a marca de 5 bilhões de litros de etanol em cinco anos. O volume deve ser alcançado pela grande oferta de milho no estado, bem como pelo incentivo criado pelo RenovaBio. Por enquanto, de acordo com o Sindalcool-MT, entre 60% e 70% da produção ainda é oriunda da cana-de-açúcar.
Para a safra 2019/2020, conforme o diretor-executivo do Sindacool-MT, Jorge dos Santos, com a entrada da operação das usinas previstas para o segundo semestre a produção total de etanol pode atingir algo em torno de 2,3 bilhões e 2,5 bilhões de litros. A safra considera o período de 1º de abril a 31 de março.
“A partir de 2020 se poderá ver um equilibro na produção de etanol de 50% de cana-de-açúcar e 50% de milho diante a entrada de novas usinas”, diz Santos.
Das 11 usinas ativas, somente a FS Bioenergia, em Lucas do Rio Verde, utiliza apenas o milho como matriz energética. Entretanto, estão previstas para iniciar as operações outras três usinas no segundo semestre de 2019: a segunda unidade da FS Bioenergia, em Sorriso; a Inpasa, em Sinop; e a Etamil, em Campo Novo do Parecis.
Além disso, a FS Bioenergia anunciou que iniciará em breve as obras de uma unidade em Nova Mutum e que já conta com projetos para Primavera do Leste e Campo Novo do Parecis. Há ainda o projeto Ethanol Bioenergia, também em Nova Mutum, do grupo mato-grossense O+ Participações em conjunto com a paraguaia Inpasa.
Alternativa para o produtor
De acordo com o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Ricardo Tomczyk, em entrevista ao Mato Grosso Agro, o uso do milho para a produção de etanol é uma alternativa a mais de comercialização para o produtor rural mato-grossense.
“Temos a criação de uma demanda de milho que não existia em Mato Grosso. É uma demanda crescente que tem garantido estabilidade de preço em algumas praças aqui do estado. Nós tínhamos uma oscilação muito grande de valor da saca do milho entre uma safra e outra e algumas praças onde essas plantas grandes estão locadas já há estimativa de estabilização do preço durante o ano”, disse.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revelam para a safra 2018/19 um volume estimado de 31,943 milhões de toneladas de soja para o estado e de 28,782 milhões de toneladas de milho 2ª safra. Ao se verificar os volumes produzidos no ciclo 2016/17 se vê uma aproximação cada vez maior, uma vez que naquele ciclo 31,271 milhões de toneladas em soja foram colhidas e em milho 30,451 milhões de toneladas, ou seja, uma diferença de apenas 820 mil toneladas.
Ao ser questionado quanto a possível superação da produção do milho ante da soja o presidente da Unem afirma que isso pode ocorrer em cerca de cinco anos. “As produções já estão bastante parecidas e a estabilização dessa demanda com certeza é um incentivo a mais para a produção do milho”.
Valor ao consumidor
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro do etanol nos postos de combustíveis de Mato Grosso é o mais barato do país. Levantamento realizado em 160 postos no estado entre 31 de março e 06 de abril revela um valor médio de R$ 2,611 o litro, seguido de Goiás a R$ 2,731 e São Paulo de R$ 2,764. A maior média encontrada foi no Rio Grande do Sul a R$ 4,107 o litro.
Apesar disso, o consumidor do estado ainda acha o etanol “caro” por existirem diversas usinas produtoras do biocombustível e não haver mais entressafra na produção devido ao uso do milho.
“É uma soma de fatores para isso. O milho, por exemplo, é uma commodity internacional. Ele varia de acordo com o mercado. Os custos da cana-de-açúcar são cada vez mais altos e por isso ela não tem crescido. O óleo diesel que varia. Eu costumo dizer que o custo é sempre a soma destes pequenos detalhes”, explica Jorge dos Santos. (Mato Grosso Agro 11/04/2019)
 

Seca na Índia e aumento de consumo de etanol no Brasil elevam preço do açúcar

A natureza se uniu ao petróleo para elevar os preços do açúcar. A seca na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, fez com que a produção no estado de Maharashtra, que abriga a emblemática capital comercial do país, Mumbai, e a cidade cinematográfica Bollywood, quase atingisse as mínimas de três anos.
Isso animou a perspectiva para os preços do adoçante, principalmente por causa da restrição de oferta no Brasil, maior produtor, onde um maior volume de cana está sendo destinado à fabricação de etanol devido à disparada no petróleo.
As usinas de cana-de-açúcar locais estão focando mais na indústria energética do que nos alimentos, uma estratégia que está dando resultado graças ao poderoso rali do petróleo neste ano. Na atual safra, menos de 39% da cana triturada no Brasil deve ser destinada à fabricação de açúcar, pois o etanol continua atraindo a produção, segundo uma reportagem veiculada no mês passado pela Platts, agência de notícias de negócios do S&P Global.
A combinação destes fatores permitiu que o açúcar em bruto tivesse o melhor desempenho entre as commodities agrícolas. Os futuros de açúcar negociados em Nova York se valorizaram mais de 6% no acumulado do ano, contra um aumento de menos de 1% no cacau e uma desvalorização de quase 8% no café e 13% no suco de laranja.
Nos últimos dois anos, os futuros de açúcar em Nova York despencaram quase 40% por causa do excesso de oferta.
No fechamento de terça-feira, a 12,77 centavos por libra, os futuros de açúcar com vencimento em maio na ICE Futures, de Nova York, ainda recebiam recomendação de “Forte Compra” dos analistas técnicos do Investing.com. A resistência imediata para o contrato estava fixada a 13 centavos. Se chegar a esse nível, ele pode ter a chance de testar novamente a máxima de 2019 de 13,50 centavos, atingida em 17 de fevereiro.
A Bloomberg informou que o prolongado clima seco em Maharashtra, na Índia, estava afetando os canaviais do estado, podendo provocar uma queda de 25% na produção em relação ao ano passado, a qual atingiria apenas 8 milhões de toneladas no ano iniciado em 1 de outubro. Essa seria a maior queda desde 2016/17, quando a produção despencou quase pela metade.
A perspectiva se baseia nas estimativas da Skymet Weather Services, que prevê uma monção mais seca do que o normal para o país neste ano, o que afetaria os cultivos. Isso pode trazer um pouco de alívio a países produtores como a Austrália e o Brasil, que reclamaram junto à Organização Mundial do Comércio que os subsídios e o excesso de exportação da Índia estavam comprimindo os preços globais.
Apesar dos aspectos técnicos e dos fundamentos na Índia e no Brasil, alguns analistas, como Jack Scoville, do Price Futures Group, em Chicago, pediram cautela na hora de comprar essa disparada do açúcar. “Os fundamentos ainda sugerem que as grandes ofertas e a elevada produção na Ásia também ajudarão a colocar em xeque os ralis”, afirmou Scoville, citando a maior produção na Tailândia e no Paquistão, entre outros aspectos.
Mas ele reconhece que o Brasil tem usado uma parcela maior das suas lavouras de cana para produzir etanol em vez de açúcar, e que o clima no maior país produtor ficou mais seco do que o ideal. Nos últimos cinco anos, o direcionamento da cana para o açúcar no Brasil foi, em média, equivalente a 44% da moagem.
Mas a disparada do petróleo neste ano, que fez o West Texas Intermediate, dos EUA, subir 41% e o Brent, referência global, 31%, inclinou a balança ainda mais para lado do etanol.

A Platts afirmou que os preços do etanol brasileiro mantiveram um prêmio maior em relação às cotações do açúcar doméstico, atraindo mais produção de cana para esse fim. O aumento no consumo de combustível acima do esperado no Brasil, por sua vez, estava impulsionando ainda mais a produção de etanol. (Investing.com 11/04/2019)