Setor sucroenergético

Notícias

Raízen se une à Femsa e traz marca Oxxo

Uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país, a Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, se associou à mexicana Femsa para explorar novas oportunidades no negócio de lojas de conveniência e de proximidade no Brasil. Pelo acordo assinado ontem, a engarrafadora e distribuidora da Coca-Cola terá uma participação de 50% na Raízen Conveniências, fatia pela qual pagará R$ 561 milhões. Ao mesmo tempo, trará para o país a bandeira Oxxo, líder na América Latina no seu segmento.

Parte dos recursos desembolsados pela Femsa ficará com a Raízen Combustíveis e outra parte será aportada na "nova" empresa, para fazer frente ao plano de negócios. "A empresa nasce capitalizada para os primeiros anos de operação", disse ao Valor o vice-presidente comercial da Raízen, Leonardo Pontes.

A joint venture contará com estrutura profissional e de governança corporativa próprias e os nomes para a presidência e diretoria financeira serão escolhidos em breve. Para a transação, foi atribuído à Raízen Conveniências um valor de empresa de R$ 1,122 bilhão, livre de dívida ou caixa.

Conforme o executivo, a parceria entre Raízen e Femsa é estratégica e complementar. Já há algum tempo, as duas companhias vinham conversando sem compromisso sobre características do negócio de varejo de conveniência e, nos últimos 12 meses, essas conversas ganharam tração. "Concluímos que há complementariedade", afirmou.

O objetivo da operação, que depende da aprovação de órgãos reguladores, é expandir o negócio de franquia de lojas de conveniência em postos de combustíveis sob a marca "Shell Select" e lojas de proximidade fora de postos de combustíveis sob a marca "Oxxo". Enquanto a expansão da Shell Select ganhará velocidade, as primeiras unidades Oxxo começarão a ser implementadas já no primeiro ano de operação da parceria. "No quinto ano, já teremos um número relevante de lojas Oxxo", disse Pontes.

Em nota publicada no exterior, a Femsa lembrou que a Raízen opera 6,2 mil postos no Brasil, sendo que mil deles tem as lojas Shell Select, franqueadas ou licenciadas para operadores independentes. Divisão de proximidade da Femsa, a Oxxo foi criada em 1978 e tem mais de 18 mil lojas na América Latina.

"Estamos olhando para o Brasil como um mercado atraente para o varejo de pequeno porte por um longo tempo. A transação anunciada hoje [ontem] combina o ativo certo e o parceiro certo para nós, com a estrutura certa e o momento certo", afirmou no comunicado Daniel Rodríguez Cofre, diretor-executivo da Femsa Comercio.

Segundo Pontes, o plano de negócios começou a ser estudado há cerca de seis meses e prevê crescimento agressivo nos próximos anos. Mais do que agregar vendas de combustíveis por meio das lojas de conveniência, estratégia que a Raízen poderia continuar a implementar individualmente, a parceria com a Femsa visa a explorar as novas tendências de consumo. "Pensamos nas grandes tendências, no adensamento urbano, na transformação dos hábitos de consumo. Vamos estar presentes em diversos formatos junto ao consumidor", explicou o executivo.

Detalhes do plano de negócio, como o número de lojas que serão abertas, não foram divulgados, mas a proposta é replicar no país o modelo das unidades Oxxo em outros países, com algumas adaptações ao consumidor local. (Valor Econômico 07/08/2019)

 

Cocamar oficializa parceria com a Cocal para reforma de lavouras de cana-de-açúcar

A Cocamar, cooperativa agroindustrial paranaense, e a Usina Cocal, por meio de sua unidade de Narandiba (SP), oficializaram uma parceria inédita em 1º de agosto.

Após conversações e estudos para a formatação de um projeto, o que demandou cerca de um ano, a cooperativa vai administrar a produção de soja na safra de verão 2019/20 e um programa de reforma de 5,1 mil hectares de áreas de canaviais no entorno da usina.

O cultivo de soja será conduzido por 20 produtores selecionados pela cooperativa, que vai fornecer os insumos, prestar orientação técnica personalizada durante todo o ciclo da cultura e receber a safra nas suas unidades em Iepê e Cruzália (SP).

Dirigentes de ambas as empresas parceiras já se reuniram com os 20 produtores em Narandiba, no Centro de Desenvolvimento Humano (CDH) da usina, para uma apresentação formal do projeto.

O vice-presidente da cooperativa, José Cícero Aderaldo, destacou que a parceria é uma oportunidade para o aumento de plantio de soja e a expansão dos negócios da cooperativa na região e, ainda, para produtores cooperados e familiares que precisam ampliar suas áreas.

“Nosso foco também, como organização cooperativista, é contribuir para o desenvolvimento regional”, disse Aderaldo, acrescentando estar confiante de que o projeto será bem-sucedido e vai crescer nos próximos anos.

Por sua vez, o diretor-superintendente do grupo Cocal, Paulo Adalberto Zanetti, lembrou que as tratativas com a Cocamar começaram após uma visita do gerente de negócios da cooperativa, Marco Antonio de Paula. “Percebemos que havia sinergia entre as partes e avançamos para a estruturação do projeto”, relata.

Ele afirmou estar na expectativa de que a parceria seja duradoura, ressaltando que a usina, especializada no plantio de cana, preferiu confiar o cultivo de soja para quem tem expertise no assunto.

Outra vantagem, segundo Zanetti, é que a Cocal, em vez de lidar com cada produtor de soja, estará tratando apenas com a Cocamar, responsável pelo arrendamento. A cooperativa designou para isso o engenheiro agrônomo César Gesualdo, coordenador de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

Meiosi e rotação de culturas

Do total de área arrendada, 4,1 mil hectares terão uso de meiosi (Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente), que permite acelerar a adoção de novas variedades mais produtivas e modernas, resultando em aumento de produtividade.

Gesualdo explica que foi efetuado o plantio de milheto em áreas de meiosi, para proteção do solo com palha, o que será dessecado quando completar 60 dias. Os mil hectares restantes vão ser cultivados com plantio direto em palha de cana.

Segundo o diretor agrícola da Cocal, Gilson Christofoli, dentro do sistema de meiosi é possível intercalar lavouras de interesses econômico e agronômico como a soja, reduzindo os custos de implantação do canavial e melhorando a produtividade por meio da rotação de cultura com o uso de uma leguminosa. Além disso, o sistema protege o solo contra erosão no período de renovação do canavial.

Arrendatários

Os produtores arrendatários representam sete municípios dos estados de São Paulo e do Paraná. Os irmãos Wanderlei e Waldenir Simeão Machado plantam 484 hectares na região de Assis (SP), onde são assistidos pela unidade da cooperativa em Cruzália.

Eles arrendaram 217,8 hectares das terras da Cocal e se dizem animados. “É uma oportunidade que não poderíamos deixar passar”, comentou Wanderlei, mencionando que eles já têm experiência com arrendamento.

Outro arrendatário é Aganmenon Paduan, de Centenário do Sul (PR), onde cultiva 309,7 hectares. “Peguei 70 alqueires [169,4 hectares], que ficam a 100 km de distância de minha cidade, ou seja, é relativamente perto e vale a pena”, citou. (Sistema Ocepar 07/08/2019)

 

Atvos, da Odebrecht, propõe corte de 46% da dívida

A Atvos, companhia de açúcar e álcool do grupo Odebrecht, entregou ontem na Justiça o plano de recuperação para reorganizar suas dívidas financeiras com bancos e investidores, que somam R$ 10,5 bilhões. Trata-se ainda de uma proposta, pois não foi negociada com os credores, mas é um termômetro da estrutura que o conglomerado deverá usar para a recuperação judicial da holding do conglomerado. Na empresa sucroalcooleira, a Odebrecht pretende cortar a dívida financeira total em 46%, para R$ 5,7 bilhões. Esse é o desenho inicial levado ao juiz do caso, na 1ª Vara de Falências de São Paulo, João de Oliveira Rodrigues Filho, que cuida de todo o grupo.

A dívida listada na Atvos é de R$ 15 bilhões, mas R$ 3,9 bilhões são com o próprio sistema Odebrecht, não serão negociados e não "votam" em assembleia de credores, e R$ 350 milhões são com fornecedores. Da dívida financeira, quase 80% pertencem ao BNDES e ao Banco do Brasil. Assim, o poder de decisão sobre o plano está nas mãos dessas instituições.

A Atvos possui nove usinas, que têm capacidade de processar até 37 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, o que a coloca como a segunda maior sucroalcooleira do país em capacidade instalada, atrás apenas da Raízen, joint venture entre Cosan e Shell. Porém, suas unidades têm operado com ociosidade de 27% e, na safra passada, a empresa foi a terceira em moagem. No último exercício, sua receita líquida ficou em R$ 4,3 bilhões, praticamente estável ante o ciclo anterior, enquanto o Ebitda caiu 5%, para R$ 1,5 bilhão.

O que a Atvos levou ao juiz prevê corte de 35% das dívidas com garantia real e de 75% das sem garantia. Os R$ 3,4 bilhões de dívida extraconcursal (que nem ficam habilitados para serem reestruturados na recuperação judicial) serão alvo de conversas privadas, mas não há intenção de redução de valores. A dívida remanescente terá prazo de 15 anos, com custo de 115% do CDI, cinco anos de carência para amortizações e três, para juros.

A dívida que for cortada será trocada por um instrumento de dívida ou de participação, sem prazo de quitação. A Atvos colocou no plano que os donos desses papéis ficarão com 70% dos dividendos. Apesar dessa previsão, também há intenção de que nos três primeiros anos um total de até R$ 100 milhões irriguem o sistema Odebrecht, desde que o caixa da companhia mantenha-se em pelo menos R$ 300 milhões.

Esse modelo, de corte da dívida com conversão em instrumento de participação em lucros, a Odebrecht pretende adotar também na holding, que tem R$ 65,5 bilhões a renegociar. As negociações, em ambos os casos, estão aos cuidados da RK Partners, de Ricardo Knoepfelmacher, e do escritório E. Munhoz Advogados.

Na holding, que é conhecida pela sigla ODB, o projeto é desenhar uma saída na qual cerca de R$ 20 bilhões sejam cortados dos compromissos financeiros, a exemplo do modelo de Atvos, e servidos por dividendos que subirem da própria sucroalcooleira, da construtora OEC e da Braskem. Essa estrutura, porém, tem desafios e requer uma negociação dura.

As ações da Braskem e seus dividendos estão integralmente já cedidos em garantia a cinco bancos e a Atvos tem 70% do capital também comprometido em alienações fiduciárias - 51% para credores do Peru e 20% para Lone Star. Para usar os dividendos de ambas é necessário negociar com os donos das alienações fiduciárias.

BNDES e Banco do Brasil têm demonstrado desconforto com a oferta da Atvos, pois alegam que a companhia está oferecendo algo que não mais detém. Mas a proposta não é muito diferente do que a empresa negociou privadamente antes da recuperação judicial.

A Atvos é a segunda empresa do conglomerado a ter um plano claro. Na construtora, houve até mesmo alinhamento com os credores sobre a dívida, para corte de 55% dos R$ 12 bilhões devido. Na OEC, as conversas foram privadas, visando uma recuperação extrajudicial. (Valor Econômico 07/08/2019)

 

Mix da cana para açúcar do CS atinge menor nível da história, diz FCStone

As usinas do centro-sul do Brasil devem alocar apenas 34,7% da safra atual de cana para a produção de açúcar, o menor nível de todos os tempos, enquanto destinam a maior parte da matéria-prima ao etanol, disse a consultoria INTL FCStone nesta terça-feira.

O mix de produção ao açúcar estimado ficou 0,5 ponto percentual abaixo da mínima anterior registrada na temporada passada e 2,4 pontos percentuais abaixo da previsão de maio, disse a INTL FCStone, já que as usinas favorecem o etanol devido a melhores retornos financeiros. (Reuters 06/08/2019)

 

Geração de energia "carbono zero" impulsiona projetos e pesquisas de forma sustentável

A produção de eletricidade com baixa emissão de gases de efeito estufa é o foco do Projeto Sucre, que será debatido durante a 27ª FENASUCRO & AGROCANA, e segue a tendência do mercado de biomassa.

A geração de energia "carbono zero" é um dos principais potenciais da matriz energética brasileira e ganha destaque por meio da produção limpa e renovável, feita a partir da biomassa advinda da moagem da cana-de-açúcar (bagaço e palha), de restos de madeira, biogás, carvão vegetal, casca de arroz, capim-elefante e outras biomassas.

De acordo com dados da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), a capacidade instalada, atualmente outorgada no país pela ANEEL, é de 169.664 MW, representando 9% da matriz elétrica do Brasil, ocupando a 4ª posição sendo superada somente pelas usinas de fonte hídrica, termelétricas a gás natural e eólicas.

A posição estratégica da bioenergia estimula o interesse do setor que busca informações e atualizações de plantas industriais. Neste sentido, a 27ª FENASUCRO & AGROCANA, que acontecerá de 20 a 23 de agosto, em Sertãozinho (SP), conta com o tema "Renovando seus negócios" e apresentará soluções e conteúdos voltados para o cenário da matriz bioenergética.

"Os anos de 2018 e 2019 vêm mostrando a relevância da bioenergia e, por isso, inúmeras empresas querem se relacionar e desenvolver produtos para esse setor", afirma Paulo Montabone, diretor da feira.

A entidade e os representantes do setor acreditam que por meio do RenovaBio (Política Nacional de Biocombustíveis), política criada para garantir o papel estratégico dos biocombustíveis e a segurança energética, a bioeletricidade sucroenergética para a rede tem potencial para crescer em quase 60% até 2030, saindo de 21,5 mil GWh, em 2018, para 34 mil GWh, em 2030.

A geração de bioeletricidade, em 2018, equivale ao consumo anual de 11,4 milhões de residências e evitou a emissão de 6,4 milhões de CO2, o que só pode ser possível com o cultivo de 45 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos.

"Existe um grande potencial a se trabalhar. Mesmo com o potencial de crescimento até 2030 utilizaremos apenas 20% da capacidade de produção. É o momento de modernização do setor elétrico e a bioeletricidade tem muita competitividade", afirma Zilmar José de Souza, gerente de bioeletricidade da UNICA.

Pesquisa e novas tecnologias

O potencial e as inovações no setor de geração de energia "carbono zero" envolvem a produção de pesquisas em busca de novas tecnologias como o Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity), realizado pelo Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (em inglês, Global Environment Facility – GEF) e em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Os aspectos do projeto, que tem como objetivo aumentar a produção de eletricidade com baixa emissão de gases de efeito estufa (GEE) na indústria de cana-de-açúcar, serão apresentados na 27ª edição da Fenasucro & Agrocana durante o IX Seminário de bioeletricidade, no dia 21 de agosto, a partir das 9h30, no auditório Fenasucro.

Na ocasião, o pesquisador Marcos Watanabe destacará a identificação e sugestão de soluções para transpor as barreiras tecnológicas, econômicas e agroambientais para o uso pleno e sistemático da palha da cana-de-açúcar para a produção de bioeletricidade.

"O uso da palha da cana-de-açúcar tem potencial para atender 100% da demanda residencial atual de todo o país", afirma Watanabe.

Setor se reúne em agosto

Todas as discussões que envolvem o setor sucroenergético e de bioenergia serão tratadas durante a 27ª FENASUCRO & AGROCANA, que acontecerá de 20 a 23 de agosto, em Sertãozinho (SP).

Realizado pelo CEISE Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis) e organizado pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, o evento reunirá empresários do Brasil e do exterior em busca de projetos e soluções focados nas oportunidades e perspectivas de negócios envolvendo a matriz energética sustentável. A Feira Internacional de Bioenergia também apresentará uma grade de eventos de conteúdo com a presença de representantes de diversas entidades, órgãos governamentais, universidades, empresas multinacionais, entre outros, que abordarão temas como RenovaBio, bioeletricidade, transporte e logística, mercado sucroalcooleiro e indústria 4.0. (FENASUCRO 06/08/2019)

 

Tereos vai moer 2 milhões de toneladas de cana a menos em 2019/20 por conta de geadas

Companhia também espera por uma redução nos estoques de etanol.

As sete usinas do Grupo Tereos vão perder em torno de 2 milhões de toneladas de cana, já contabilizadas, após as geadas de julho. Segundo a companhia, isso influenciará na produção de etanol justamente quando a safra entra em um declínio natural. Como consequência, a partir de setembro, a empresa deve ficar com estoques bem mais ajustados em relação ao mesmo período de 2018.

O cenário, porém, não deve ficar restrito à empresa. “O setor todo vai chegar ao último trimestre com estoques abaixo dos níveis ideais e, certamente, vamos para uma entressafra com etanol no limite”, confirmou o diretor da região Brasil do grupo francês, Jacyr da Costa Filho.

Ainda que as chuvas de 10 mm na região Noroeste de São Paulo, onde estão localizadas as unidades da Tereos, tenham sido consideradas razoáveis e benéficas para a época do ano – em contraste com a seca vista de maio ao final de setembro de 2018 –, as condições já estão dadas. Costa Filho trabalha com projeções de moagem de 19 a 20 milhões de toneladas de cana.

Deste volume de matéria-prima, 40% será direcionado para a produção de etanol. O resultado será uma produção entre 650 e 700 milhões de litros, entre hidratado e anidro.

Bolsa

O Grupo Tereos está se preparando para abrir o capital na Bolsa de Paris. Na França, a empresa, de viés cooperativista, atua em áreas semelhantes com outras biomassas.

No Brasil, a Tereos chegou a abrir o capital, mas fechou em 2016 devido à baixa liquidez de suas ações. O período era de avanço da crise setorial, com o congelamento dos preços da gasolina, o que tirava a rentabilidade do biocombustível.

Jacyr da Costa Filho, diretor da regional Brasil, diz não haver planos para a empresa retornar às negociações com ações na B3. (Money Times 06/08/2019)

 

China se prepara para adotar mistura de 10% de etanol na gasolina

Na linha de melhorar a qualidade do ar nas grandes cidades, a China está em fase de aprovação de uma nova lei que pode fazer a felicidade dos produtores de etanol pelo mundo inteiro: ela visa obrigar o uso de 10% de etanol misturado na gasolina do país.

Essa informação foi discutida na segunda-feira (5), em Pequim, com o secretário da agricultura paulista, Gustavo Junqueira, e com Marcello Ometto, da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), durante conversa que ambos tiveram com representantes da Anfavea local, a CAAM.

A intenção, inclusive, é de “estabelecer uma parceria Brasil-China para testar carros brasileiros flex fuel e também estudar a transferência de tecnologia de produção do etanol de cana e milho”, detalha Junqueira.

Ele lembra, também, que isso significa grande potencial de investimento no setor de cana de açúcar, aumento da produção de milho e recursos aplicados em novas destilarias de etanol de milho.

Se de fato a China adotar o padrão de 10% de etanol na gasolina, isso vai representar uma revolução no setor de biocombustíveis e no agronegócio brasileiro.

O Brasil produz e consome, atualmente, algo como 30 bilhões de litros de etanol por ano. Com 10% de mistura, a China responderia por uma demanda extra mundial de 15 bilhões de litros.

Por sua vez, na fabricação de veículos, o plano dos chineses, segundo os dois interlocutores, é dobrar o número de carros dos atuais 240 milhões para 500 milhões. E desses, segundo as informações recebidas, a indústria vai conseguir fabricar, contribuindo para a limpeza do ar, um limite de 30% de veículos elétricos. (O estado de São Paulo 07/08/2019)