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Precificação de carbono, a oportunidade à porta

Considerada como um tema etéreo demais por quem não está envolvido nos debates a seu respeito, a precificação de carbono está no centro de uma série de mudanças em curso no meio empresarial que devem se intensificar nos próximos anos. Apesar de ainda não existir um mecanismo global de precificação de carbono, formas de valoração vêm sendo testada no mundo todo, diante da certeza de que estamos caminhando inexoravelmente para uma economia de baixo carbono. O movimento que começou em 2005 com poucos países envolvidos no tema, ganhou consistência após o Acordo de Paris em 2015, e já é realidade em 45 jurisdições nacionais e 25 subnacionais, cobrindo 25% da emissão mundial e hoje se espalha pelas redes sociais, #putapriceoncarbon.

No mundo todo, cerca de 1500 empresas já vêm adotando um mecanismo de precificação interna, que é um preparo sobre como atuar no mercado global quando ele chegar e quanto ele vai custar para cada uma delas. A precificação voluntária permite também que recursos sejam alocados para tecnologia de baixo carbono, estimulando investimento em pesquisa e desenvolvimento. Além disso, a precificação possibilita que as companhias possam aprimorar processos de gestão de riscos financeiros relacionados às mudanças de clima, ajudando a identificar riscos e oportunidades de geração de receitas. O valor anual dessas emissões tributadas ou negociadas nos mercados regulados de carbono aumentou 6% em 2017, atingindo US$ 52 bilhões, frente a US$ 49 bilhões no ano anterior. A expectativa do relatório de tendências do Banco Mundial, é de que esse volume chegue a mais de US$ 700 bilhões.

Dessas empresas que estão se preparando e já precificam internamente o carbono, cerca de 50 estão no Brasil. Mesmo em pequeno número, o país vem tendo o melhor desempenho da indústria no preparo para este mercado entre os integrantes dos Brics, e é o que lidera hoje as expectativas globais para esse mercado, seja por ser detentor do petróleo pré-sal de um lado, seja por ter extensas florestas geradoras de crédito, de outro lado.

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) está fortemente empenhado nesse tema. No dia 19 de junho, juntamente com o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e com o Carbon Pricing Leadership Coalition (CPLC), do Banco Mundial, realizamos um intenso debate sobre o assunto entre lideranças internacionais, executivos de grandes empresas brasileiras e especialistas do setor. Em 2017, a Iniciativa Empresarial em Clima, que conta com participação do CEBDS, lançou a carta aberta "Setor Privado Apoia a Precificação de Carbono no Brasil", que defende o estabelecimento de um mecanismo de precificação adequado às características da economia e ao perfil de emissões de GEE do país. Vinte e seis empresas assinaram, se comprometeram e estão levando adiante seus preparativos para entrar nesse mercado. Mas há um caminho a ser percorrido até que essa realidade se torne viável e ele depende do Governo Federal: é preciso implementar e regulamentar esse mercado no Brasil.

Ter em seu portfólio o investimento em energia renovável traz um equilíbrio para as contas da empresa.

Em manchete neste jornal no mês de maio, vimos que novos investimentos na chamada economia verde, com destaque para energias renováveis têm potencial de impulsionar 24 milhões de novos postos de trabalho até 2030, segundo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), "Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo 2018". O estudo mapeou o potencial de geração de empregos no âmbito do Acordo de Paris e é taxativo: "a ação para limitar o aquecimento global a dois graus Celsius resultará numa criação de empregos muito maior do que o necessário para compensar as perdas de seis milhões de postos de trabalho em outros setores".

Já estamos vendo essa revolução prática acontecer entre as empresas petroleiras. Vislumbrando o consenso de que a emissão do carbono vai ter um custo cada vez maior nas próximas décadas, essas companhias estão se transformando, diversificando portfólio e até mudando de nome para abarcar um espectro mais amplo da cadeia de energia, incluindo renováveis em seu negócio. Plantas de energia solar e eólica já estão entre as aquisições das petroleiras na Europa. Entre nossas associadas, temos o exemplo da Shell, que detém 50% da Raízen, maior investimento da empresa no mundo em energia renovável.

Não é porque é simpático ao público, ou apenas porque estão preocupadas com o meio ambiente que essas empresas estão se movimentando, mas porque a precificação é um poderoso instrumento para dar agilidade e flexibilidade para que as metas do Acordo de Paris sejam cumpridas. Ter em seu portfólio o investimento em energia renovável, funciona como um hedge, traz um equilíbrio para as contas da empresa que tem eu seu core business atividades que serão precificadas. E as petroleiras estão fortemente nesse foco.

Há formas de valorar o carbono: tributos ou a criação do mercado, ou uma combinação dos dois. A primeira pode ser mais simples, mas a segunda garante a transparência necessária para fazer com que os recursos arrecadados com a precificação do carbono migrem diretamente para a energia renovável, de forma que a velha economia financie a nova, numa espécie de transição entre o ontem e o amanhã. E saber com que velocidade queremos chegar neste amanhã depende de decisões a serem tomadas agora. (Valor Econômico 13/07/2018)

 

Disputa sobre venda direta de etanol gera ‘guerra’ de audiências

O projeto de decreto legislativo aprovado em junho no Senado e que tramita na Câmara que permite às usinas venderem etanol hidratado diretamente aos postos tornou-se alvo de uma “guerra” de audiências públicas.

Um dia após a realização de uma audiência pública sobre o assunto na Comissão de Minas e Energia (CME) da Câmara, outra comissão da mesma casa aprovou nesta quinta-feira, 12, requerimento para a realização de outra audiência sobre o mesmo tema.

A audiência realizada ontem havia sido requerida pelos deputados Marcelo Squassoni (PRB-SP), Simão Sessim (PPRJ), Arnaldo Jardim (PPS-SP), Joaquim Passarinho (PSD-PA), e Luis Carlos Heinze (PP-RS).

Para a audiência de ontem foram convidados apenas agentes contrários ao projeto, o que despertou críticas de representantes do setor sucroalcooleiro do Nordeste, que defendem a comercialização direta.

Hoje, o deputado pernambucano João Fernando Coutinho (Pros-PE) conseguiu na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara a convocação de uma nova audiência pública sobre o tema, ainda sem data definida.

Para a nova audiência foram convidados defensores do projeto, como o do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) e a engenheira Magda Chambriard, ex-diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Também foram convidados representantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão que já recomendou a venda direta, e do Ministério da Fazenda.

Os únicos opositores à medida convidados para a nova audiência foram a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a Plural, associação que reúne as maiores distribuidoras. Ambas já participaram da audiência de ontem. (Valor Econômico 12/07/2018 às 20h: 00m)

 

Açúcar tem um dos anos mais amargos da história

A desaceleração do consumo e o aumento da produção vão fazer que açúcar tenha um dos piores desempenhos da história. Os estoques globais estão aumentando e quase prontos para quebrar um recorde.

Por um lado, consumidores cada vez mais cautelosos com o impacto do açúcar na saúde. Para piorar, empresas como a Del Monte Foods, fabricante de frutas em lata, e a Mondelez International, fabricante de doces, estão vendendo produtos feitos com menos açúcar. O consumo mundial ainda cresce, mas num ritmo muito abaixo do ideal para atender o mercado produtor. Nos últimos anos, a taxa de crescimento foi de 1,4%, abaixo dos quase 2% da última década. As informações são da consultoria Green Pool Commodity Specialists, com sede em Brisbane, Austrália.

A produção cresce na Índia, segundo maior produtor mundial e na Tailândia, que teve uma safra excecional neste ano. Os estoques mundiais devem subir ao máximo nesta temporada, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). As cotações da matéria-prima em Nova York caíram 25% em 2018. Essa é a maior perda no Bloomberg Commodity Index, que acompanha a cotação de 22 itens agrícolas. "A menos que haja uma questão climática, a situação não vai melhorar", diz Donald Selkin, estrategista-chefe de mercado da Newbridge Securities Corp, de Nova York. "Todo mundo está tentando acabar com produtos doces. Você vê isso em supermercados e mercearias. A demanda vai permanecer menor do que nos últimos anos. O preço está condenado a ficar baixo por um tempo", afirma.

Na segunda-feira (9), a cotação do açúcar bruto para entrega em outubro caiu 1%. E os investidores se preparam para mais quedas.

A produção global deve superar a demanda em 19,6 milhões de toneladas nos 12 meses completados em 30 de setembro, o maior excedente da história, segundo a consultoria Green Pool Commodity Specialists, em um relatório divulgado no fim de junho. O excesso seria mais que suficiente para atender a demanda anual da China, maior importador mundial.

Depois de um colheita recorde, a Índia está tentando aumentar as cotas de exportação para um recorde de 6 milhões de toneladas. A produção do país está estimada em até 32 milhões de toneladas, um aumento de 58% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, no Brasil, o aumento dos estoques de etanol e a queda dos preços dos biocombustíveis significam que os usineiros de cana poderiam processar mais.

É claro que as colheitas ainda podem quebrar, especialmente se o tempo piorar. As condições de seca afetaram as plantas no Centro-Sul do Brasil, a maior região produtora do mundo. O potencial para um padrão climático El Niño no final deste ano também pode significar alguns danos às culturas asiáticas.

Mas num mercado onde a demanda está diminuindo, pequenos choques de oferta podem ser absorvidos. Enquanto as preocupações com a saúde e os impostos sobre as bebidas açucaradas forem aumentando, o açúcar não terá muitas saídas. "Todos os elementos pessimistas que tinham fixado o preço do açúcarinicialmente ainda estão no lugar, e alguns são ainda piores", conta Frank Jenkins, presidente da JSG Commodities em South Norwalk, Connecticut. "Estamos vivendo um longo período com um excedente muito substancial. Estamos no quarto ou quinto estágio deste mercado de baixa", complementa. (The Washington Post 12/07/2018)

 

Açúcar: Superávit global

As previsões de superávit na oferta mundial de açúcar continuam pressionando as cotações da commodity na bolsa de Nova York.

Na quinta-feira, os contratos com vencimento em março fecharam a 11,84 centavos de dólar a libra-peso, queda de 19 pontos.

As estimativas para o excedente na safra 2018/19 vão de 7,2 milhões toneladas a 10,658 milhões de toneladas, mesmo com uma queda de 1,15% na produção do Brasil, maior produtor mundial.

As usinas do país têm priorizado a fabricação de etanol diante da alta dos preços dos combustíveis, tornando o mercado suscetível às variações na cotação do petróleo.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 55,64 a saca de 50 quilos, queda de 0,94%. (Valor Econômico 13/07/2018)

 

Açúcar bruto tem mínima de 2 meses e meio na ICE após onda de vendas no início do dia

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE caíram para uma mínima de 2 meses e meio nesta quinta-feira, pressionados por vendas especulativas no início do dia que levaram os preços a uma queda de 1,7 por cento nos sete primeiros minutos da sessão, em meio a persistentes receios sobre a abundância de oferta.

O contrato outubro do açúcar bruto encerrou em queda de 0,21 centavos de dólar, ou 1,9 por cento, a 11,08 centavos de dólar por libra-peso, depois de tocar a mínima desde o fim de abril, a 10,95 centavos de dólar.

Vendas especulativas nos primeiros sete minutos do pregão pressionaram os preços abaixo dos níveis de suporte técnico, a aproximadamente 11,12 centavos de dólar, o que acionou ordens automáticas de venda e atraiu novas vendas, disseram operadores.

O foco do mercado permaneceu na ampla oferta global, com operadores monitorando também o tempo seco no Brasil, que poderia limitar ainda mais a produção no país.

O prêmio do contrato spot do açúcar branco sobre o spot do açúcar bruto subiu para uma máxima de um ano, a 98,59 dólares.

O açúcar branco para outubro recuou 2,30 dólares, ou 0,7 por cento, para 329 dólares por tonelada. (Reuters 13/07/2018)

 

Etanol se confirma como combustível mais vantajoso neste ano

Preços favoráveis e produção em alta elevam demanda pelo álcool hidratado.

Este ano promete ser um bom período para o consumidor de etanol. A paridade de preço é bastante favorável nestes primeiros meses de safra, e o cenário não deverá ter alterações a curto prazo.

Com o retorno do superávit mundial do açúcar, os preços internacionais não estão favoráveis ao produto, e a safra brasileira de cana-de-açúcar será bem mais alcooleira do que foi em 2017.

Do início de abril ao fim de junho, 64,4% da cana moída foi para a produção de etanol. Em igual período do ano passado, o percentual era de 53%. Neste ano, de cada tonelada de cana processada, as usinas obtêm 49 litros de etanol, 29% mais do que em 2017.

O foco principal das usinas no etanol faz com que a oferta desse combustível aumente. Nos três primeiros meses da safra 2018/19, início de abril ao final de junho, a produção de etanol já soma 11,1 bilhões de litros, 45% mais do em igual período de 2017. O grande salto ocorre na produção de álcool hidratado, que é 76% maior neste ano.

A melhora na oferta provoca redução nos preços e atração maior pelo produto por parte dos consumidores. Nos cinco primeiros meses do ano, enquanto a venda de gasolina encolheu 11%, a de etanol hidratado aumentou 38%. Antonio de Pádua Rodrigues, diretor da Única (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), diz que o avanço do consumo do etanol hidratado vai inibir as importações de gasolina neste ano.

Oferta maior e preços menores do hidratado aumentam o interesse do consumidor. Conforme dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo), em seis estados a utilização de etanol é mais vantajosa do que a da gasolina.

Parece pouco, mas esses estados concentram a maior parte da frota nacional de veículos. A Unica calcula que 66% da frota de veículos esteja localizada em municípios cuja paridade entre o etanol hidratado e a gasolina é inferior a 73%. Ou seja, a utilização do etanol é mais vantajosa do que a da gasolina.

Em alguns municípios, como o de Franca (SP), o etanol hidratado chega a custar apenas 49% do valor da gasolina, segundo Padua. Nessa cidade, o preço do litro de álcool custa R$ 2,21 a menos do que o da gasolina.

Logística e tributação são determinantes para a perda de vantagem do etanol em relação à gasolina em várias regiões do país, segundo o diretor da Unica. Em alguns casos, como o da Amapá, o etanol chega a custar mais do que a gasolina.

Padua acredita que ainda há espaço para o aumento de consumo de etanol hidratado. A evolução de consumo deste combustível deverá ser de 15% nesta safra, em relação à anterior. Já o consumo de gasolina cairá e o de etanol anidro ficará estável.

Liderança dupla

 Brasil e os Estados Unidos produziram 119,5 milhões de toneladas de soja na safra 2017/18. Os dados são do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Liderança isolada

A partir da safra 2018/19, o Brasil assumirá a liderança mundial isolada. Nos cálculos do Usda, os brasileiros vão produzir 120,5 milhões de toneladas, e os norte-americanos, 117,3 milhões. É o que indicam os dados do órgão divulgados nesta quinta-feira (12). (Folha de São Paulo 13-07/2018)

 

No Senado, especialistas defendem RenovaBio e incentivo à produção de biocombustíveis

A produção de biocombustíveis contribui para reduzir a importação de combustíveis fósseis, conduz ao ganho de eficiência energética, permite a previsibilidade da demanda e gera emprego, avaliaram nesta quarta-feira (11) os participantes de audiência pública interativa sobre o RenovaBio, promovida pela Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC).

O programa, que se encontra em fase de regulamentação e terá início em 2020, reconhece o papel estratégico de todos os tipos de biocombustíveis na matriz energética brasileira, tendo em vista a segurança interna e a redução de emissão dos gases que contribuem para o aquecimento global.

Diretor da Secretaria de Mudança do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, José Domingos Gonzalez Miguez disse que a média de energia renovável na matriz mundial é de 13%, enquanto a do Brasil atinge 42%, contra a média de 6% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“Temos uma matriz energética extremamente renovável. Nós já somos baixo carbono. A estratégia do Brasil não é manter, mas ampliar. A gente propõe que a participação da energia renovável seja de 45%. O país vai crescer até 2030, a população vai subir na ordem de 28 milhões de pessoas”, afirmou.

Miguez disse ainda que os países promotores da Revolução Industrial, sobretudo o Reino Unido, são os maiores responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa.

“A evolução de nossas emissões é recente, começa com a industrialização, por volta de 1950. Nossa responsabilidade é pequena, e a contribuição é muito grande. Desde 2005, o país vem reduzindo as emissões. É importante a participação do RenovaBio, ver como vai ser feita a regulamentação, como fazer a transição gradual de olho nas condições de mercado para que não haja desabastecimento”, argumenta.

Mercado de carbono

Representante do Ministério de Minas e Energia, Miguel Ivan Lacerda de Oliveira apontou que a regulamentação do RenovaBio deve ser flexível para não prejudicar o setor. O programa prevê a emissão de título de comercialização de carbono, cuja comercialização ocorrerá via Bolsa de Valores.

“Se a gente tiver grande custo de transação ou burocracia no lançamento poderá ter um mercado menor do que a gente poderia ter. Estamos otimistas, mas sempre cuidadosos com o que precisa ser feito com o RenovaBio”. afirma.

Representante da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Augusto Boechat Morandi disse que as mudanças e incrementos tecnológicos mobilizam o mercado, favorecem a redução das emissões e promovem melhorias em toda a cadeia produtiva.

“Quanto maior a eficiência produtiva, menor a emissão de carbono. A mudança de uso da terra tem impacto nas emissões. O grande problema do uso da terra está no avanço de vegetação nativa. A expansão deve ser feita em pastos degradados. Isso garante a preservação. Ganhamos em produtividade e eficiência”, alega.

Poluição

Presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha lamentou os prejuízos causados pela poluição ambiental decorrente do uso de combustíveis fósseis.

“Mais pessoas morrem pela poluição do ar na Alemanha do que por acidentes de trânsito. Só não estamos em crise maior de energia e abastecimento porque estamos mergulhados em recessão”, afirmou.

Diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), José Mauro Ferreira Coelho disse que o mundo vive uma transição para a economia de baixo carbono, e que a volatilidade nos preços do petróleo, o advento de novas formas energéticas e ameaças geopolíticas contribuem para a adoção de biocombustíveis.

Subsídio ao diesel

Por sua vez, o diretor da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski acredita que o RenovaBio abre uma janela e oportunidades para o Brasil, que importa anualmente 15 bilhões de litros de diesel fóssil. Ele criticou o subsídio dado pelo governo a esse tipo de combustível, o qual poderia ser usado como incentivo à produção de biocombustíveis, que têm compromisso com a qualidade de vida da população e reduzem em mais de 70% a emissão de poluentes.

Representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Luciano Rodrigues disse que o RenovaBio cria uma diretriz mais clara sobre a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira, além de induzir a ganhos de eficiência.

Já o relator da comissão mista, o senador Jorge Viana (PT-AC) apontou que o Brasil ainda sofre com o desmatamento e está atrasado na recomposição de florestas, mas apontou avanços na questão energética.

“Tivemos grande progresso com energia eólica no Nordeste, andamos um pouco na energia solar. E não podemos ficar refém de óleo diesel e gasolina em um país continental como o nosso”, afirma. (Agência Senado 13/07/2018)

 

Receita global da Cargill sobe 5% em 2018 e chega a US$ 114,7

A Cargill, maior empresa do agronegócio mundial, anunciou nesta manhã lucro de US$ 3,1 bilhões no ano fiscal de 2018, uma alta de 9% que configura um de seus melhores desempenhos. A receita anual cresceu 5%, para US$ 114,7 milhões.

No quarto trimestre, a companhia americana registrou lucro líquido de US$ 711 milhões, mais que o dobro dos US$ 347 milhões do mesmo período do ano anterior, enquanto o faturamento cresceu 7%, para US$ 30,4 bilhões.

No ano, seu fluxo de caixa operacional registrou alta de 11%, para US$ 5,22 bilhões.

“O quarto trimestre também foi muito forte. A melhora dos resultados financeiros nos últimos dois anos é resultado de um esforço significativo de redefinir as operações da companhia”, afirmou, em nota. “Hoje operamos com mais agilidade e forte integração com as rápidas mudanças de necessidades dos clientes”.

Conforme a Cargill, os ganhos no segmento de Food Ingredients cresceram pelo terceiro ano consecutivo, com boa performance em cacau e chocolate, em óleos vegetais e açúcar. A divisão de originação e processamento de grãos também cresceu. Em comunicado, a Cargill diz ter excedido em 2018 tanto os resultados do quatro trimestre quanto do fechamento de 2017, na realidade, registrou o melhor resultado trimestral em sete anos, afirma. (Valor Econômico 12/07/2018 às 11h: 43m)

 

BNDES: R$ 20,4 bi para investimentos agrícolas no ano safra 2018/2019

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou que disponibilizará 20,4 bilhões de reais em investimentos para o ano safra 2018/19, o equivalente a 50 por cento do crédito direcionado ao setor.

Também serão disponibilizados 100 milhões de reais para financiamento de custeio, disse o BNDES em nota.

“São enquadrados como investimentos financiáveis a construção de armazéns com capacidade de até 6 mil toneladas nas propriedades dos pequenos e médios produtores rurais, a recuperação de reserva legal e de áreas de preservação permanente no âmbito do Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), a aquisição de matrizes e reprodutores com registro genealógico e aumento do limite de renda para enquadramento dos produtores no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural”, informou o banco de fomento. (Reuters 12/07/2018

 

Santander mira expansão em energias renováveis no Brasil

O Banco Santander quer ser um banco mais verde.

De financiamento de projetos de energia renovável a emissão de títulos verdes, o maior banco estrangeiro do Brasil está em busca de expansão em negócios de impacto sócio-ambiental, disse Jean Pierre Dupui, vice-presidente executivo da empresa, em entrevista em São Paulo.

O plano é aumentar em cerca de 20% a assessoria que oferece para financiamento de projetos (project finance, em inglês) de energias renováveis este ano em comparação com 2017, aproximadamente a mesma taxa de crescimento que o Santander registrou nos últimos anos, de acordo com Dupui. O banco também pretende aumentar em pelo menos 50% os empréstimos destinados a iniciativas ambientais, como fontes eficientes de energia e equipamentos para economizar água. Esses empréstimos cresceram 42% no ano passado, para R$ 1,7 bilhão, excluindo os grandes projetos de infraestrutura.

“Para os negócios de energia renovável, atuamos como um balcão único”, disse Dupui, explicando que os serviços do Santander incluem desde assessorar empresas em leilões de energia até financiar as transações resultantes.

Projetos recentes incluem assessoria à Enel SpA, a maior concessionária da Europa, em projetos de energia solar no Brasil.

Dupui também vê uma oportunidade nos títulos verdes (green bonds, em inglês), que apoiam a energia limpa e outras iniciativas sustentáveis. O Santander tem um pipeline de US$ 1 bilhão de empresas brasileiras que querem emitir esse tipo de dívida quando as condições do mercado melhorarem. Cerca de R$ 3,67 bilhões de títulos verdes foram emitidos de 2015, quando o primeiro título desse tipo foi emitido por empresa brasileira, até setembro do ano passado, segundo os dados mais recentes da Climate Bonds Initiative.

Iniciativa global

O Santander aderiu em junho a uma iniciativa global de 41 bancos que adotam ações voluntárias para enfrentar a mudança climática em seus negócios, a “Climate Action in Financial Institutions Initiative”, um movimento que Dupui disse que pode ajudar o banco a atrair linhas de crédito de bancos multilaterais para projetos sustentáveis no Brasil.

A iniciativa tenta aumentar a conscientização sobre o impacto da mudança climática nos negócios bancários e permitir que as empresas compartilhem as melhores práticas, disse Benoît Leguet, diretor-gerente do I4CE - Institute for Climate Economics, responsável pelo secretariado da iniciativa.

O banco tem uma meta global de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 9% entre 2016 e 2018, meta que a unidade brasileira já alcançou, segundo Karine Bueno, superintendente executiva de desenvolvimento sustentável do Santander. (Bloomberg 12/07/2018)