Setor sucroenergético

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Usinas de SP não poderão mais queimar palha da cana-de-açúcar no campo

A partir de janeiro, as usinas de São Paulo não vão mais queimar a palha da cana-de-açúcar. É uma medida boa para o meio ambiente, que tem consequências diretas para quem vive do corte manual.

Foram dez anos de adaptação para acabar de vez com a chuva de cinzas que sufocou o interior de São Paulo por décadas. Tudo ficava coberto pela queima da palha da cana. Um acordo entre usinas e governo estadual põe fim às queimadas. Colheita agora só com máquinas. Só nesse período de adequação, a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo estima que 65 milhões de toneladas de poluentes já deixaram de ser lançadas no meio ambiente.

A máquina, é claro, aumentou a produtividade nos canaviais paulistas. Hoje, uma máquina colhe em média 40 toneladas de cana por hora. Isso equivale ao resultado do trabalho de pelo menos dez homens. Mas, para essa tecnologia entrar em campo, foi preciso investir em treinamento. Foi aí que a vida da turma começou a mudar.

Desde 2007, o setor profissionalizou 400 mil cortadores de cana. Mas, para a maioria, o fim das queimadas trouxe um pesadelo. “Para mim, ia continuar a mesma coisa, aí depois foi falando que ia acabar a queima de cana, foi diminuindo um pouco e agora que diminuiu mesmo”, disse o trabalhador rural Sebastião Antônio dos Santos.

A cidade de Guariba, que chegava a receber 9.500 trabalhadores durante a safra, hoje recebe cerca de 150. “Muito desemprego, muitas pessoas até passando necessidade e outros que voltaram para os seus estados e não puderam voltar mais para São Paulo por falta de emprego”, afirmou o presidente do Sindicato dos Empregados Rurais, Wilson Rodrigues da Silva.

Quem conseguiu trocar o facão pelos botões de uma máquina moderna, hoje vive bem melhor. “Foi ótimo”, diz o operador de máquina Cleber Gustavo Pavão. Se ele pensa em voltar para o corte da cana? “Não é bom não. É bom evoluir, para frente, melhorar as coisas”, responde. Cleber. (Jornal Nacional edição de 12/12/2017)

 

CMA aprova mudanças no projeto que permite plantio de cana na Amazônica Legal

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado Federal aprovou uma emenda de Plenário ao projeto que trata do plantio de cana de açúcar nas áreas degradadas da Amazônia Legal (PLS 626/2011). O texto descreve que as áreas onde o plantio será permitido são as que estavam desmatadas até o dia 31 de janeiro de 2010.

Para considerar a área como adequada ao plantio da cana, a proposta vai considerar a declaração do órgão estadual competente, como as secretarias de Agricultura ou de Meio Ambiente. Pelo texto original, o plantio ocorreria “preferencialmente” nas áreas degradadas.

A emenda de Plenário do senador Cristovam Buarque (PPS-DF) altera o texto para que o plantio possa ocorrer “somente” nessas áreas. Ou seja, o plantio ficará restrito somente às áreas degradadas ou de pastagem de baixa produtividade.

Relator da matéria na comissão, o senador Roberto Muniz (PP-BA) lembrou que o texto passou por diversas comissões do Senado - Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e Defesa do Consumidor (CTFC) e, ao receber emenda em Plenário, por requerimento do senador Cristovam, ela também passou pelas mesmas comissões.

O objetivo da emenda é evitar mais desmatamento na Amazônica Legal para o avanço da cultura de cana de açúcar. Com a aprovação da CMA, o projeto volta para o Plenário do Senado. (Agência Senado 13/12/2017)

 

Açúcar: Foco no superávit

Mesmo diante dos sinais de uma safra menos açucareira no Brasil em 2018/19 em consequência da recente alta do petróleo, o açúcar demerara segue pressionado pelas previsões para a produção na Índia e Europa.

Os contratos de açúcar com vencimento em maio fecharam ontem a 13,69 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York, recuo de 18 pontos.

"A produção do Brasil deve cair, mas o mercado parece estar mais focado na forte produção da Europa e da Índia", disse o Zaner Group em nota no início do pregão.

As previsões de superávit na oferta mundial de açúcar em 2017/18 vão de 5 milhões a 10 milhões de toneladas.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 68,68 a saca de 50 quilos, queda de 0,82%. (Valor Econômico 13/12/2017)

 

Odebrecht Agroindustrial muda nome para Atvos e fala em novos investimentos

A Odebrecht Agroindustrial, braço sucroenergético do conglomerado empresarial brasileiro, anunciou nesta terça-feira que passará a se chamar Atvos, ao mesmo tempo em que planeja novos investimento no setor.

Um dos maiores grupos de cana-de-açúcar do Brasil, com capacidade instalada para processar 36 milhões de toneladas por safra, a agora denominada Atvos surgiu há 10 anos e possui usinas nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

"O mundo vive um cenário de muitas oportunidades relacionadas à matriz energética limpa e à economia de baixo carbono, o que aumenta o protagonismo do Brasil e da cadeia produtiva nacional", avaliou o presidente da Atvos, Luiz de Mendonça, em comunicado.

A empresa tem capacidade para produzir 3 bilhões de litros de etanol, 700 mil toneladas de açúcar e cogerar 3,1 mil GWh de energia elétrica por temporada safra.

Sem detalhar os investimentos futuros, a Atvos afirmou que deste o início de suas operações, há dez anos, investiu cerca de 12 bilhões de reais.

A mudança de nome ocorre após um período de dificuldades para a empresa, que no ano passado chegou a ser sondada pela Glencore, interessada em algumas de suas usinas.

 

BNDES empresta R$ 135 milhões à sucroalcooleira São Martinho

O conselho de administração do grupo São Martinho, um dos maiores produtores de açúcar e etanol do país, autorizou a contratação de um empréstimo de até R$ 135 milhões junto ao BNDES. O financiamento terá prazo de até 12 anos.

Segundo o diretor financeiro da companhia, Felipe Vicchiato, o empréstimo “refere-se principalmente a desembolsos já realizados pela São Martinho no projeto de ampliação de moagem da Usina Santa Cruz”, localizada em Américo Brasiliense (SP).

A expansão começou a ser realizada no ano passado, quando foi orçada em R$ 44 milhões. Com o aporte, a unidade passou a ter uma capacidade de moagem de cana de 5,6 milhões de toneladas, ante 5,2 milhões de toneladas anteriormente. O investimento também aumentou o potencial açucareiro do “mix” de produção.

A reunião também autorizou a outorga de garantias em favor da Usina Boa Vista (UBV), para que ela contrate um financiamento junto ao BNDES de até R$ 35 milhões. Foi autorizada ainda a substituição das garantias dos contratos vigentes firmados com o banco estatal. (Valor Econômico 12/12/2017 às 18h: 37m)

 

Setor sucroenergético celebra aprovação do RenovaBio

O setor sucroenergético comemorou a aprovação no Senado, nesta terça-feira (12), do projeto do RenovaBio, que prevê a descarbonização do transporte.

O projeto de lei 160/2017, da Câmara, agora, aguarda sanção do presidente da República, Michel Temer. Entre os objetivos do projeto, alvo de lobby do setor sucroenergético, estão valorizar os biocombustíveis nacionais e garantir previsibilidade de investimentos.

Na última semana, a Secretaria da Agricultura de São Paulo enviou carta aos senadores pedindo a votação em caráter de urgência. O Estado responde por mais de 50% da produção brasileira de cana.

"Será importante para balizar o mercado de biocombustíveis", afirmou Jacyr da Silva Costa Filho, diretor da região Brasil da Tereos.

O Renovabio tem expectativa de que seja implantado a partir da safra de cana 2019/20. Se sancionado sem vetos por Temer, o programa prevê um prazo de seis meses para definição de metas que, quando definidas, precisarão de outros 18 meses para a criação da legislação exigida.

"Vamos imaginar que comece em 2020. A meta que vai ter para 2025 é que vai dar uma noção clara de como é que vai crescer essa oferta de etanol para esse período", afirmou Antonio Pádua Rodrigues, diretor-técnico da Unica.

O Renovabio envolve duas metas, nacional (induzir a redução competitiva e eficiente da intensidade de carbono da matriz de combustíveis) e individual (distribuidoras de combustíveis deverão comprar créditos de carbono emitidos pelos produtores de biocombustíveis).

Por meio de sua assessoria, a presidente da Unica, Elizabeth Farina, afirmou que a aprovação representa o entendimento da necessidade de o país "estabelecer uma política moderna, capaz de trazer benefícios ao meio ambiente e à melhoria da saúde das pessoas". (Folha de São Paulo 12/12/2017 às 19h: 13m)

 

Safra 17/18 no centro-sul deve fechar com estoque de etanol até 21% menor, diz Job

O Centro-Sul do Brasil deverá fechar a safra de cana 2017/18, em 31 de março, com estoques de etanol até 21 por cento menores na comparação anual, reflexo do consumo aquecido nos últimos meses, projetou nesta terça-feira a Job Economia e Planejamento.

De acordo com a consultoria, as reservas totais de álcool ficarão entre 1,5 bilhão e 1,6 bilhão de litros, o equivalente a não mais que 20 dias de consumo. Em 31 de março deste ano, os estoques estavam na casa de 1,9 bilhão de litros, suficientes para mais de 30 dias de demanda.

O nível das reservas ao término da safra é um importante indicativo de como podem se comportar os preços e as importações do biocombustível na virada de temporadas, uma vez que a moagem de cana, e consequentemente a produção de etanol, só engrena a partir de abril ou maio no centro-sul do Brasil, maior player global do setor sucroenergético.

Neste ano, a fabricação de etanol disparou ao longo do segundo semestre graças à maior demanda pelo produto, cuja competitividade ante à gasolina melhorou após altas tributárias superiores para o derivado de petróleo.

Em novembro, as vendas totais de etanol por unidades produtoras do centro-sul cresceram 19 por cento na comparação com igual mês do ano passado, para 2,3 bilhões de litros, conforme a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

“As usinas estão com um estímulo à venda de etanol desde agosto e devem produzir mais que o previsto. Em contrapartida, a comercialização, o abastecimento do mercado interno também ficará acima do esperado”, disse à Reuters o sócio-diretor da Job, Julio Maria Borges.

Essa alteração de cenário nos últimos meses levou a consultoria a elevar sua projeção para a produção de etanol no centro-sul em 2017/18 para 25,26 bilhões de litros, de 24,25 bilhões de litros considerados em abril.

A moagem de cana, contudo, foi mantida pela Job em 593 milhões de toneladas, volume que, segundo Borges, deverá ser alcançado até março graças à antecipação dos trabalhos da safra seguinte.

Açúcar

A Job prevê que os estoques de açúcar em 31 de março de 2018 também fiquem aquém dos observados há um ano, em torno de 190 mil toneladas, ou 15 dias de consumo - há um ano, eram suficientes para 25 dias de abastecimento.

“A exportação de açúcar está maior que a prevista e a produção deve ficar abaixo do esperado, de modo que os estoques serão menores na entressafra”, afirmou o sócio-diretor da consultoria.

Com efeito, a mudança de mix de produção em favor do etanol levou o setor a apostar em uma produção menor de açúcar neste ciclo. A própria Job, por exemplo, cortou sua projeção para 36 milhões de toneladas, de 36,6 milhões de toneladas no início da safra.

Já as exportações estavam no acumulado do ano até novembro 2,3 por cento acima das observadas em igual período de 2016, com muitas usinas tirando proveito de preços atrativos no passado para cumprir contratos agora, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). (Reuters 12/12/2017)

 

Acordo entre Mercosul e União Europeia fica adiado para 2018

O adiamento é um revés para a intenção dos presidentes Maurício Macri e Michel Temer, que esperavam anunciar a decisão ainda este ano em seus países e, assim, faturar politicamente.

A União Europeia indicou ao Mercosul que não há mais tempo suficiente para assinar o pré-acordo comercial entre os dois blocos em 2017. A afirmação foi uma resposta ao esforço do bloco sul-americano que tentava destravar as negociações na Argentina. Agora, eventual assinatura só acontecerá a partir do início de 2018.

O recado que frustrou as expectativas de brasileiros e argentinos foi dado em uma reunião entre os chanceleres e ministros de Comércio do Mercosul com os comissários europeus que negociam a criação de uma área de livre comércio com 800 milhões de habitantes. Aos sul-americanos, europeus disseram que poderiam chegar ao pré-acordo “no início de 2018, mas sem prazo exato”.

A afirmação frustrou a iniciativa do Mercosul que, no esforço de tentar chegar ao acordo, indicou à UE quais novas concessões poderão ser feitas caso europeus apresentem proposta melhorada. Segundo a fonte ligada aos sul-americanos, a reação dos negociadores Cecilia Malmström, comissária responsável pelo comércio da UE, e Phil Hogan, da área agrícola, foi positiva, mas eles informaram que não havia tempo para consultar as autoridades em Bruxelas e ainda elaborar uma contraproposta este ano.

Entre diplomatas sul-americanos, o clima é de resignação. O tom é muito diferente da euforia recente. Até a semana passada, negociadores previam assinatura do pré-acordo em Buenos Aires nesta quarta-feira, 13, em paralelo à reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC). No domingo, 10, o grupo reconheceu que não seria possível e, sob a liderança brasileira, passou a prever 21 de dezembro, quando haverá reunião de cúpula do Mercosul em Brasília.

O adiamento é um revés político para Macri, que queria assinar o documento na capital argentina esta semana, e também para Temer, que passou a contar com a possibilidade de o ato ocorrer em Brasília nos próximos dias. Ambos encaram a assinatura do pré-acordo como um símbolo da nova agenda econômica de reformas e abertura das duas maiores economias da América do Sul.

O clima de frustração do Mercosul foi reforçado pela falta de avanço na prometida aproximação com outros dois parceiros comerciais: Coreia do Sul e Canadá. Com os coreanos, não foi possível anunciar o início das tratativas por uma área de livre comércio porque o parlamento do país asiático ainda não aprovou o pedido. Com os canadenses, também não foi possível avançar porque o governo local não concluiu o processo de consulta à sociedade sobre o tema.

Azeite e uísque

Antes do novo adiamento, o Mercosul havia indicado novos produtos que poderão entrar no livre comércio com a Europa: azeite de oliva e uísque. Havia forte resistência de argentinos e paraguaios, respectivamente, que queriam proteger esses setores. Assim, o bloco elevou de 89% para 90% do comércio com a UE que passaria a ter tarifa zero de importação – exatamente o pedido de Bruxelas.

Além disso, o grupo indicou aos europeus que poderia reduzir amarras e liberar totalmente o comércio de 60% dos produtos em dez anos. Antes, o Mercosul oferecia tarifa zero em uma década para 54% das mercadorias. (O Estado de São Paulo 12/12/2017)

 

Etanol vale a pena em poucos carros do Brasil

Além da diferença de preço do etanol ante o da gasolina, é preciso considerar o rendimento do veículo para saber qual combustível é mais interessante.

Em 12 meses, o preço do litro da gasolina subiu mais de 20%, embora a inflação esteja sob controle. Diante das oscilações no valor do combustível mineral, o etanol voltou a ser uma alternativa que, dependendo do caso, é interessante para quem tem carro com motor flexível. Mas nem sempre o derivado da cana-de-açúcar compensa.

Para saber qual opção vale a pena, o consumidor se acostumou a utilizar um cálculo simples: dividir o preço do litro do etanol pelo do da gasolina. Se o resultado for inferior a 0,7, o indicado é o combustível vegetal. Caso contrário, é o derivado de petróleo que vale a pena.

No entanto, há um cálculo que pouca gente leva em consideração. Nos veículos flexíveis há grandes variações na relação entre o consumo de etanol e gasolina. Por isso, para alguns carros, mesmo que o resultado da divisão de preços seja inferior a 0,7, usar etanol não compensa.

Para saber se o carro tem bom rendimento com etanol, é preciso fazer um cálculo utilizando dados de consumo. Basta dividir a média obtida com o uso do combustível vegetal pelo equivalente quando se usa gasolina.

Utilizamos os números divulgados pelo Conpet, programa do Inmetro que classifica a eficiência energética dos motores de veículos, para averiguar quais carros flexíveis à venda no Brasil têm melhor e pior rendimento quando abastecidos apenas com etanol. A constatação é que só compensa utilizar etanol se o resultado for igual ou maior que 0,7.

A maioria dos veículos oferecidos no mercado ficou na média. Assim, com base nos preços médios do litro do etanol e da gasolina divulgados pela Agência Nacional de Petróleo (respectivamente de R$ 2,715 e R$ 3,90), quem roda cerca de 1.000 km por mês terá o mesmo gasto, independentemente do combustível escolhido.

A dica é: quem quer autonomia, viaja muito e não pode ficar parando para abastecer, por exemplo, deve abastecer com gasolina. O etanol é ideal para quem roda na cidade. Além de ser menos poluente, deixa o carro mais esperto em saídas de semáforo e subidas.

O grupo de carros que vão melhor com etanol em vez de gasolina é restrito. O campeão é o Hyundai HB20 1.6 com câmbio automático. Depois vêm o Kia Picanto, o Fiat Uno 1.3 e o VW Fox 1.6 (todos com transmissão manual), entre outros.

O modelo que apresenta o pior rendimento quando abastecido com etanol em vez de gasolina é a Chevrolet S10 com motor 2.5 e câmbio manual.

Calculamos quanto os donos do hatch e da picape que rodam 1.000 km por mês gastarão se abastecerem seus carros apenas com gasolina e com etanol. (O Estado de São Paulo 12/12/2017)