Setor sucroenergético

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Syngenta aposta em consolidação do setor de cana no Brasil

'Em 2013 chegamos ao limite de nossa moagem. Não temos mais como atender qualquer aumento de demanda. Acho que devemos entrar muito rapidamente em uma nova onda de crescimento'. O setor sucroenergético brasileiro deve passar por um novo processo de consolidação. Em entrevista exclusiva ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o diretor global de cana-de-açúcar da Syngenta, Daniel Bachner, afirmou que pequenos e médios grupos tendem a ser incorporados por empresas maiores, em virtude das dificuldades financeiras.

'Em 2013 chegamos ao limite de nossa moagem. Não temos mais como atender qualquer aumento de demanda. Acho que devemos entrar muito rapidamente em uma nova onda de crescimento', disse ele.

Bachner destacou que o Brasil, hoje, poderia ter problemas sérios com uma eventual disparada do preço do petróleo e, consequentemente, da gasolina. Com muitos carros flex no mercado, o que ocorreria seria uma migração rápida para o etanol, mas o País não teria como atender esse aumento de demanda pelo biocombustível. 'Estamos sentados sobre uma bomba-relógio'.

O executivo avaliou, entretanto, que os produtores já 'mudaram a forma como eles pensam'. 'Não adianta ficar contando com os preços, se vai subir ou cair. Hoje eles buscam aumentar a produtividade e reduzir custos', disse. Uma das principais críticas do setor sucroalcooleiro diz respeito aos subsídios dados pelo governo à gasolina, os quais acabam retirando a competitividade do etanol.

Nova tecnologia

Bachner informou que a Syngenta já firmou um acordo de licenciamento com a canadense New Energy Farms para produzir gemas encapsuladas de cana-de-açúcar para plantio no Brasil, uma tecnologia denominada CEEDS. 'É como se você trouxesse uma semente de cana para ser plantada. Há múltiplas gemas dentro do encapsulamento', explicou. A gema, normalmente, fica em cada nó do colmo da cana e dali brota a nova planta.

Conforme ele, essa tecnologia visa a atender um plantio cada vez mais mecanizado no País. Segundo o executivo, a taxa de multiplicação da cana é mais elevada e o custo por tonelada, menor, quando comparado com as formas tradicionais de plantio, que utilizam mudas. Para a fabricação dessas 'sementes', serão usadas canas produzidas pela biofábrica da Syngenta em Itápolis (SP).

Ainda de acordo com Bachner, o produto precisa, inicialmente, de adaptações e deve ser lançado comercialmente na safra 2016/17, com mercado-alvo de aproximadamente 2 milhões de hectares plantados por ano no Brasil. Ainda não há informações sobre o preço da tecnologia, disse, complementando que, após a consolidação, ela poderá ser enviada a outros países, como México e Guatemala. 'Precisamos de soluções para o plantio comercial', concluiu. (Agência Estado 23/07/2,014 às 16h: 22m)

 

Crescem as apostas em alta de preços do açúcar

Muitos investidores de commodities estão mantendo suas apostas otimistas no açúcar, prevendo que a queda acentuada na produção do Brasil vai frear o crescimento da oferta mundial.

A seca que atingiu o país, o maior produtor de açúcar do mundo, no começo do ano, prejudicou as plantações de cana-de-açúcar, levando a cooperativa Copersucar SA a estimar que a produção de açúcar proveniente da principal região produtora do país, o Centro-Sul, vai diminuir em 6,7%, para 32 milhões de toneladas, em relação ao recorde atingido no ano passado. Seria o maior recuo anual desde 2000.

"O mercado vai ficar mais apertado de forma mais rápida do que qualquer um esteja disposto a considerar", diz Gillian Rutherford, diretor sênior da Pacific Investment Management Co., que administra US$ 25 bilhões em ativos de commodities. Os preços no mercado de futuros de açúcar subiram 3,4% até agora neste ano na bolsa americana de futuros ICE U.S.

Os períodos de declínio na produção do açúcar brasileiro contribuíram para elevar preços no passado. Em 2000, os produtores brasileiros, desencorajados por preços baixos, plantaram menos cana-de-açúcar, causando uma queda de 25% na produção do país. Os preços do açúcar no mercado mundial mais do que dobraram naquele ano.

Qualquer alta sustentada nos preços pode ser uma má notícia para os fabricantes de alimentos e restaurantes e, possivelmente, também para os consumidores, dizem analistas. Nos últimos anos, os preços do açúcar têm se mantido estáveis, o que ajudou as empresas a controlar custos. "Se a situação mudar, poderíamos ver algumas empresas onde isso poderia causar pequenos aumentos de preços", diz Will Slabaugh, analista do setor de restaurantes. (Valor Econômico 24/07/2014)

 

Açúcar: Brasil no foco: Os preços do açúcar recuaram pelo segundo dia seguido ontem na bolsa de Nova York, diante da expectativa de que o relatório que a União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Unica) divulgará hoje revele um novo volume substancial de cana colhida e açúcar produzido no Centro-Sul do Brasil. Os contratos do açúcar demerara para março fecharam em queda de 13 pontos, a 18,54 centavos de dólar por libra-peso. Acredita-se que o clima mais seco que o normal na região brasileira tenha mantido o ritmo da atividade igual ou até superior ao da segunda quinzena de junho, diz Ricardo Nogueira, da FCStone. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,47%, para R$ 46,55 a saca de 50 quilos, e passou a acumular queda de 4,84% no mês. (Valor Econômico 24/07/2014)

 

Bolsa cai com pesquisa que dá vantagem para Dilma

Índice recua 0,97%, com queda de estatais.

Influenciado por uma nova pesquisa eleitoral e pela queda das ações de estatais, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, interrompeu a sequência de três altas e recuou 0,97% nesta quarta (23), para 57.419 pontos.

As ações preferenciais da Petrobras, mais negociadas, perderam 3,75% e fecharam a R$ 20,26. As ordinárias (com direito a voto) caíram 2,41%, a R$ 19,01. A Eletrobras recuou 3,8%, para R$ 6,58.

Pesquisa do Ibope mostrou a presidente Dilma Rousseff (PT) vencendo o senador Aécio Neves (PSDB) por oito pontos percentuais em eventual segundo turno eleitoral.

"Como [a pesquisa] veio diferente do que esperavam, os investidores aproveitaram para realizar lucros" [vender ações cujo preço subira], disse Lucas Marins, da Ativa Corretora. O Ibovespa avançara 4,22% de sexta até terça. (Folha de São Paulo 24/07/2014)

 

Lula admite que há dificuldades no setor sucroenergético

'É preciso pensar setor de açúcar e álcool de maneira estratégica, pois temos de ter clareza que podemos estar passando por uma dificuldade no setor'.

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta quarta-feira, 23, que o setor sucroenergético passa por dificuldades no atual governo da presidente Dilma Rousseff e cobrou uma solução estratégica para a crise. 'É preciso pensar setor de açúcar e álcool de maneira estratégica, pois temos de ter clareza que podemos estar passando por uma dificuldade no setor', afirmou ele durante inauguração de uma unidade do Grupo Tereos, um dos maiores produtores de açúcar e etanol no País.

Lula evitou criticas incisivas à contestada política para o setor do governo Dilma, que tirou a competitividade do etanol por meio do controle do preço da gasolina. O ex-presidente lembrou que o setor sucroalcooleiro já atravessou vários momentos difíceis, principalmente até o início dos anos 2000, quando não havia demanda pelo etanol.

O ex-presidente, que irá comandar a campanha à reeleição de Dilma, citou o que ele classificou como 'uma revolução no setor sucroenergético', feita durante o seu governo, com o financiamento de dezenas de usinas para ampliar a oferta de etanol e o incentivo aos veículos flex, o que criou a demanda para o combustível de cana-de-açúcar.

Ao lado do hoje presidente do conselho deliberativo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e seu ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, Lula lembrou que ambos rebateram as críticas de países ricos à produção de etanol. 'O Roberto estava comigo quando na FAO pedimos para eles tirarem o dedo sujo de óleo do Brasil. Os países ricos queriam ainda abandonar metas de mistura, possivelmente com medo que Brasil e países africanos pudessem se a base dessa nova matriz', disse. 'Cabe a todos nós levantarmos a discussão e recuperarmos a performance do Brasil', concluiu. (Agência Estado 23/07/2,014 às 17h: 15m)

 

Preços baixos de açúcar e etanol frustram, diz presidente da Tereos

'Os fundamentos de produção estão no Brasil, mas os fatores mercadológicos causam desconforto e cautela'.

O diretor presidente do Grupo Tereos, Alexis Duval, afirmou nesta quarta-feira, 23, que o 'sentimento geral' da companhia com o setor sucroenergético no Brasil 'é de grande frustração'.

O cenário enfrentado no País é de preços baixos do açúcar e, principalmente, do etanol, combustível que enfrenta ainda a baixa competitividade com o controle governamental dos preços da gasolina.

'Não existe potencial para o setor como o do Brasil nas áreas agrícola e competitiva, mas estamos frustrados com os preços baixos do etanol', disse Duval, durante inauguração da planta de amido e xarope de milho da companhia, em Palmital (SP).

O executivo francês criticou ainda a logística para a exportação de açúcar a partir do Brasil, que torna o País menos competitivo em relação a outros concorrentes mundiais. 'Se não melhorar a logística, é difícil no curto prazo', afirmou.

Duval admitiu 'uma retração nos investimentos potenciais' no setor sucroenergético diante do cenário, principalmente em construções de novas usinas e grandes ampliações de unidades já existentes.

'O setor demanda investimento pesado e a situação potencial de preços baixos faz com que o nível (de investimento) seja menor que o do começo dos anos 2000', explicou. 'Isso tem de ser revertido, porque o potencial é grande e, no longo prazo, (o cenário) é positivo', completou.

Com sete usinas produtoras de açúcar, etanol e energia elétrica no Brasil, a companhia segue o plano de investimentos de US$ 500 milhões iniciado em 2010, de acordo com Duval.

Os investimentos priorizam, principalmente, a área agrícola, pequenas ampliações e a cogeração para a produção de energia elétrica. 'Os fundamentos de produção estão no Brasil, mas os fatores mercadológicos causam desconforto e cautela', ratificou Jacyr Costa - diretor da divisão Brasil do Grupo Tereos. (Agência Estado 23/07/2014 às 15h: 02m)

 

Tereos inaugura fábrica de processamento de milho em São Paulo

SÃO PAULO - O Grupo Tereos, controlador da sucroalcooleira Guarani e com receita líquida de 4,7 bilhões de euros em 2013/14, inaugurou hoje uma fábrica de processamento de milho em Palmital, no Estado de São Paulo. A unidade integra o plano iniciado em 2011 pela companhia — que é uma importante produtora de amidos da Europa — de investir 100 milhões de euros nesse segmento também no mercado brasileiro.

A nova unidade produz amidos e xaropes de milho e foi construída ao lado da planta de processamento de mandioca, adquirida pela Tereos em 2011.

A fábrica tem capacidade de processamento de 150 mil toneladas de milho por ano e capacidade de processamento de 150 mil toneladas de mandioca anuais.

Segundo a empresa, o amido de milho e seus derivados são utilizados em larga escala pelas indústrias de alimentos, papel e papelão ondulado e nutrição animal. O amido de mandioca é utilizado, principalmente, em alimentos e aplicações industriais.

A Tereos opera 42 unidades industriais em quatro continentes. No Brasil, o grupo atua no processamento de cana-de-açúcar e no processamento de milho e de mandioca para a produção de açúcar, etanol, energia, amido e derivados de amido. (Valor Econômico 24/07/2014)

 

Tereos fortalece sua atuação em amidos

Com investimentos de € 50 milhões, o Grupo Tereos, que no Brasil detém usinas de cana e produção de amidos, inaugurou ontem a primeira fase de sua primeira fábrica de processamento de milho do país. A unidade, localizada em Palmital, interior de São Paulo, vai processar 150 mil toneladas do grão por ano e dará condições para o grupo reforçar a disputa por uma fatia do mercado de amidos e derivados no país.

A fábrica foi instalada ao lado da planta de produção de amidos a partir de mandioca, cujo controle (70%) foi adquirido pelo grupo em 2011 da paulista Halotek-Fadel - também com capacidade para 150 mil toneladas anuais.

O diretor da unidade de Palmital, o francês Phillippe Roux, afirmou que o projeto, que deverá consumir mais € 50 milhões nos próximos anos, prevê a duplicação da fábrica de milho e a ampliação da linha de produtos. "O portfólio de amidos do grupo Tereos é de cerca de mil itens diferentes. Nessa primeira etapa, estamos produzindo apenas 50 deles em Palmital", justifica Roux.

Ainda não há data definida para a conclusão do projeto, esclarece o diretor da divisão Brasil do grupo Tereos, Jacyr Costa Filho. Será determinante na tomada de decisão, segundo ele, o comportamento do mercado. "Os amidos não são commodities. Você conquista cliente por cliente e cada um deles demanda um produto diferente, com uma especificação", explica.

O grupo Tereos, que registrou receita líquida de € 4,7 bilhões em 2013/14, não divulga sua expectativa de faturamento de curto prazo com o complexo de Palmital. Mas projeta que o montante vai alcançar R$ 350 milhões por ano quando a unidade de milho estiver operando com o dobro da capacidade atual.

O complexo de Palmital responde por 10% da capacidade de processamento de amidos que o grupo Tereos tem na Europa, onde ocupa o terceiro lugar nesse segmento. Roux explica que o município paulista é estratégico para a empresa, pois está tem a um raio de 100 quilômetros de uma oferta de mandioca superior a 800 mil toneladas anuais.

Além disso, explica o diretor da unidade, está na rota de escoamento de milho de Mato Grosso para os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). "Isso nos permite aproveitar as melhores oportunidades de preços do grão. Distribuímos nossa compra de milho entre Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de São Paulo", destaca o diretor da unidade.

A companhia também vem se posicionando nesse mercado na Ásia. Em julho de 2012, anunciou a criação de uma joint venture com a multinacional de Cingapura Wilmar na construção de uma unidade de amidos na China.

Em abril de 2013, ampliou a parceria no mercado chinês com a Wilmar, ao comprar conjuntamente uma fábrica de amidos à base de milho. Em janeiro deste ano, anunciou uma parceria com a FKS, um dos principais grupos agroindustriais da Indonésia, com o qual comprou 50% da Redwood, única produtora de amidos do país asiático. (Valor Econômico 24/07/2014)

 

Recuo do milho nos EUA afeta resultado global da Syngenta

A suíça Syngenta, uma das mais importantes companhias de sementes e defensivos agrícolas do mundo, anunciou ontem que registrou lucro líquido global de US$ 1,39 bilhão no primeiro semestre de 2014, 1% menor que no mesmo período do ano passado. Já a receita da múlti cresceu também 1% na comparação, para US$ 8,51 bilhões.

Em comunicado que acompanhou a divulgação do balanço, o CEO da Syngenta, Mike Mack, diz que as condições climáticas adversas na América do Norte, que retardaram o plantio de milho, combinadas à redução na área de cultivo do cereal nos EUA, impactaram o segmento de proteção de cultivos da empresa. Mas, segundo ele, "o crescimento nas demais regiões foi robusto". No trimestre encerrado em 30 de junho, as vendas da Syngenta somaram US$ 3,83 bilhões, patamar semelhante ao do mesmo período do ano passado.

Mack disse esperar uma elevação de 6% nas vendas integradas da múlti no ano. O CEO prevê uma aceleração da comercialização no segundo semestre, puxada pela América Latina. De janeiro a junho deste ano, o desempenho da companhia na região melhorou, apesar da seca no Brasil e na Argentina, que reduziu as vendas de herbicidas seletivos. De acordo com a empresa, o ataque da lagarta helicoverpa contribuiu para uma elevação "significativa" nas vendas de inseticidas no Brasil, onde a comercialização de fungicidas também aumentou "acentuadamente".

É também no Brasil onde a Syngenta renovou suas apostas no segmento de cana-de-açúcar. Ontem, a múlti anunciou que integrará uma nova tecnologia à sua plataforma Plene, que oferece soluções para o plantio de cana-de-açúcar. A tecnologia, chamada Ceeds, foi desenvolvida em parceria com a canadense New Energy Farms e permite a produção de Plene em escala comercial. A expectativa é que a comercialização tenha início em 2017, com um mercado-alvo de cerca de 2 milhões de hectares plantados por ano no Brasil.

O Plene foi lançado em 2010, mas retirado de circulação em 2012 por problemas técnicos. Consistia no plantio de uma espécie de "semente" (gema única) de cana - uma quebra de paradigma do segmento sucroalcooleiro, que normalmente usa parte da lavoura do vegetal para produzir mudas. No fim do ano passado, a empresa voltou à carga e lançou o Plene Evolve e o Plene PB, utilizados para a produção de viveiros e preenchimento de falhas nas lavouras. A tecnologia Ceeds é complementar a essas duas, de acordo com a Syngenta.

Também ontem, a multinacional americana Dow Chemical reportou que sua divisão agrícola atingiu vendas recordes de US$ 1,9 bilhão no segundo trimestre de 2014, um incremento de 3% ante o mesmo período de 2013.

No acumulado do primeiro semestre, a receita do segmento alcançou US$ 4 bilhões, 1,8% mais que entre janeiro e junho do ano passado - e também um recorde para o período. O faturamento total da companhia química ficou em US$ 29,37 bilhões no primeiro semestre; o lucro líquido atingiu US$ 2,02 bilhões.

Na terça-feira passada, a também americana DuPont divulgou que seu braço agrícola registrou queda de 11,1% no lucro operacional durante o segundo trimestre deste ano, ante o mesmo intervalo de 2013, a US$ 836 milhões. Apesar dos ganhos mais modestos, a receita líquida da divisão totalizou US$ 3,615 bilhões, nível próximo ao do mesmo período do ano passado. (Valor Econômico 24/07/2014)

 

Expansão da matriz energética com base em fontes limpas, o desafio brasileiro

O consumo de energia elétrica no Brasil deverá crescer 4,3% por ano, em média, nos próximos dez anos (2014-2023), atingindo 781,7 TWh em2023, em oposição aos atuais 514 TWh. É o que indica a projeção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), divulgada este ano. Diante desse cenário, o questionamento a ser feito é: haverá geração suficiente para toda essa demanda? Segundo a EPE, até 2023, a capacidade instalada no Sistema Interligado Nacional deverá crescer 53%, um aumento de120 mil MW para 183 mil MW. A geração hidrelétrica continuará sendo a principal opção brasileira para fazer frente ao aumento do consumo de energia no país, a despeito dos fortes impactos ambientais, da dependência dos ciclos da chuva e dos elevados custos de transmissão até os centros consumidores.

Mesmo assim, sozinha, ela não será suficiente. E, para piorar, a segunda fonte da matriz energética nacional são as termelétricas, sabidamente mais sujas e poluentes que energia das hidrelétricas, especialmente as movidas a carvão mineral. Ambientalistas alertam que os prejuízos causados ao meio ambiente pela ampliação da geração de energia por meio de hidrelétricas e termelétricas poderão comprometer o plano de mitigação e adaptação do setor de energia às mudanças do clima, conforme estabelecido no Decreto 7.390/10. A meta para o setor energético é de não ultrapassar o patamar de 680 milhões de toneladas de CO2 de emissões absolutas até o fim de 2020. E surge mais uma dúvida: conseguiremos alcançar essa meta priorizando as termelétricas?

Diante das dúvidas que se ampliam,quero chamar a atenção para uma importante alternativa que, neste momento, começa a ser percebida pelo governo federal: a geração de energia limpa a partir do tratamento e reciclagem dos resíduos sólidos da agroindústria brasileira, por meio da biodigestão, em especial do setor sucroenergético. Anualmente, são produzidos no Brasil cerca de 450 milhões de toneladas de resíduos de cana-de-açúcar, que ainda são subutilizados. Não há outro país no mundo que se equipare ao Brasil no que diz respeito ao potencial para geração de energia a partir de resíduos da cana-de-açúcar. Por suas condições naturais, suas vastas plantações de cana, suas mais de 400 usinas de açúcare etanol e, certamente, devido aos avanços técnicos e tecnológicos relacionados ao setor sucroenergético, somos o único país do globo onde a totalidade dos resíduos da cana-de-açúcar pode gerar energia equivalente à produzida pela Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Sim, isso já faz parte da realidade brasileira e é nesse sentido que acreditamos que o Brasil venha a se tornar uma referência para o mundo em geração de energia limpa, verde e renovável. Longe de ser a única solução para qualquer crise energética do país, o processamento dos resíduos da cana para produção de biogás e posterior geração de energia elétrica é certamente uma alternativa que tende a ter grande impacto para o setor energético. Ainda timidamente, se compararmos com outras fontes energéticas, o governo brasileiro demonstra reconhecimento desse potencial por meio do lançamento de programas de incentivo ao desenvolvimento científico e tecnológico na área de produção de biogás. Ele começa a se dar conta do retorno e do impacto a curto, médio e longo prazos do investimento nas energias verdes. É preciso que o setor produtivo também se dê conta disso e some esforços para que todos façam frente à necessidade crescente de energia em nosso país.

Evaldo Fabian é engenheiro e diretor da GEO Energética. (Brasil Econômico 24/07/2014)

 

Etanol de milho é alternativa de renda e energia no Centro-Oeste

Produção na entressafra da cana vem se mostrando uma oportunidade rentável para produtores e usinas da região.

Em meados de 2011, a equipe da Usina Usimat, em Campos de Julio (MT), buscava alternativas para baixar os custos de produção do etanol e melhorar a rentabilidade. Depois de muita pesquisa, a empresa decidiu investir na produção de etanol de cereais na entressafra da cana-de-açúcar. "Já tínhamos visto usinas produzindo etanol de milho nos Estados Unidos, Argentina e Paraguai e decidimos iniciar os testes por aqui", revela Sérgio Barbieri, diretor da empresa.

Com a iniciativa, a usina que funcionava 210 dias por ano produzindo etanol de cana, se transformou em uma das primeiras usinas flex do país e passou a operar em média 340 dias por ano. "Foi a grande virada. Tornamo-nos mais competitivos e conseguimos diluir os custos", explica.

A produção de etanol de milho tem se mostrado uma realidade promissora no Centro-Oeste do Brasil. A safra de grãos na região vem batendo recorde ano após ano, enquanto os preços caem por conta da grande oferta e do baixo consumo doméstico. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a safra 2013/2014 da região já alcançou 80,1 milhões de toneladas, ante 78,2 milhões de toneladas da safra 2012/2013.

"Em momentos em que há excedente da safra de grãos, a produção do etanol de milho se torna uma oportunidade rentável para as usinas e os produtores", afirma Roberto Hollanda Filho, presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul (Biosul). Hollanda explica que pode se tornar um jogo de ganha-ganha para o setor, por ser um empreendimento de oportunidade. "A usina aproveita o bom momento do mercado, o produtor o excedente com preços melhores e temos maior oferta de etanol".

Produto complementar

Apesar das vantagens na entressafra canavieira, Celso Junqueira Franco, presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), enfatiza que o etanol de milho é complementar. Produzir a partir de cereais só é viável na entressafra da cana, desde que haja excedente de grãos e os preços estejam baixos. "Não é viável construir uma usina apenas para produzir etanol de milho, é algo sazonal, que vai acontecer dependendo do volume da safra, das condições do mercado e do preço dos grãos".

Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) concorda. Para ele, a produção do etanol de milho é um nicho de mercado. "É bom para o produtor de grãos e para o usineiro, mas jamais vai resolver o problema do etanol no país", pondera. "Precisamos de uma política de previsibilidade no que se refere aos preços e que valorize o produto que não polui." Para ele, a volta da cobrança da Cide sobre a gasolina seria uma solução para equilibrar o mercado.

Cana x milho

Segundo Rubens Augusto de Miranda, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, a produção do etanol de milho no Centro-Oeste só é viável quando os preços da saca atingem no máximo R$ 18. "O Mato Grosso é o único estado onde os preços sistematicamente ficam abaixo desse limite. Nos três principais estados produtores de cana-de-açúcar, São Paulo, Goiás e Minas Gerais, os preços médios ficam sempre acima dos R$18".

Outro fator que faz com que a cana ainda seja a melhor opção para o longo prazo está no custo do processamento dentro da usina. Silvia Belém, pesquisadora da Embrapa Agroenergia explica que a produção de etanol de milho tem algumas etapas a mais, que tornam o custo mais elevado. "Por outro lado, esse custo é compensando com a produção maior de etanol por tonelada de milho", diz.

Na Usimat, a previsão é de que entre abril e meados de novembro sejam processadas 810 mil toneladas de cana, que irão produzir algo em torno de 65,7 milhões de litros de etanol. Finalizada a moagem, no período em que a usina ficaria ociosa, será a vez dos cereais: 113 mil toneladas, produzindo cerca de 43 milhões de litros do biocombustível e 21,5 toneladas de DDG – farelo usado para ração animal. A produção do combustível a partir de cereais tem sido uma alternativa para os produtores no entorno da usina. Todo o volume processado pela Usimat é adquirido na região, sob um contrato de garantia de preço. "Estamos incentivando o plantio, pois garantimos a remuneração de até 85% do valor do milho", diz Sérgio Barbieri.

Apesar das iniciativas, o futuro do setor sucroenergético é incerto. "Precisamos da sinalização de um cenário e de medidas de longo prazo. É preciso decisões claras sobre como vai ficar o preço da gasolina que hoje é instrumento de contenção da inflação", diz Hollanda. Desafios não faltam. "O etanol de segunda geração também pode sepultar a necessidade de uma alternativa para complementar a cana", diz Miranda. Ele revela ainda que nos Estados Unidos, o reinado do etanol de milho está ameaçado com a descoberta do gás de xisto, mais barato, menos poluente e com reserva abundante. "A próxima década será crucial para saber se o etanol continuará sendo um combustível viável em escala mundial, ou se ficará relegado a localidades específicas". (Globo Rural 24/07/2014 às 16h: 16m)

 

Gasolina mais barata ameaça custo da nafta

Petrobras tem transformado nafta nacional em combustível e importado matéria-prima da indústria petroquímica. Indústria diz que operação pode encarecer o produto em até 10% e ter reflexos em outros setores.

Mais um setor corre o risco de ser prejudicado pela política do governo Dilma de subsidiar os preços da gasolina: a petroquímica.

Para reduzir a importação de gasolina, a Petrobras está utilizando nafta produzida localmente para fabricar o combustível e importando mais nafta para abastecer a indústria petroquímica. A operação pode encarecer os custos da nafta em de 5% a 10%.

Para a Petrobras, é melhor importar nafta do que gasolina, porque, no primeiro caso, o produto segue os preços internacionais.

Já no caso da gasolina, os preços internos são mais baixos que os do produto importado, gerando perdas para a estatal.

Nafta e gasolina são produtos muito parecidos. A Petrobras está misturando nafta com álcool para fabricar a gasolina. O resultado é o mesmo para o consumidor.

O problema é que acaba faltando nafta produzida localmente para a petroquímica e a saída é importar.

A indústria teme que a alta da nafta provoque um efeito em cadeia nos custos: compostos petroquímicos são matéria-prima para vários setores, como plástico, brinquedos e químicos.

De acordo com estudo da consultoria Maxiquim, a mais conceituada do setor, a nafta importada vai responder por 70% do produto utilizado no Brasil neste ano --30% importados pela Braskem, central que concentra quase toda a produção petroquímica, e 40% pela própria Petrobras.

No ano passado,a nafta importada já representou 63% do insumo utilizado no país. Em 2000, esse porcentual estava em 30%. O crescimento da importação acelerou a partir de 2008, após medidas do governo de estímulo à compra de carros, o que elevou o consumo de gasolina.

"O setor petroquímico está sendo prejudicado em um momento crucial da sua competitividade, quando perde investimentos para os Estados Unidos, que possui um custo de produção mais baixo por causa do gás de xisto", diz João Luiz Zuñeda, sócio da Maxiquim.

Queda de braço

O aumento das importações de nafta gerou uma queda de braço entre a Petrobras e a Braskem. As duas gigantes estão renegociando os preços da nafta e não conseguem chegar a um acordo. O contrato, que é de longo prazo, expira em agosto.

Segundo apurou a Folha, a Petrobras quer repassar os custos logísticos da importação da nafta para o preço, o que significaria um reajuste de 5% a 10%.

A Braskem não concorda e diz que o contrato já é referenciado nos preços europeus, que são os mais altos do mundo.

Os números da briga são superlativos. A Braskem compra cerca de R$ 14 bilhões em nafta da Petrobras. Um reajuste de 5% significa R$ 700 milhões a mais.

A Braskem informou que está "empenhada em contratar uma solução com a Petrobras para o fornecimento de nafta, que garanta a competitividade da indústria química e petroquímica brasileira".

A Petrobras não comentou. A estatal é sócia da Braskem, com 36% do capital. O outro sócio é o grupo Odebrecht. (Folha de São Paulo 24/07/2014)

 

Cai renda de produtores na União Europeia

Após três anos de aumento de renda, os produtores da Europa já começam a sentir no bolso o novo cenário de queda no setor agropecuário, uma tendência que pode se estender também para outras parte do mundo, inclusive para o Brasil.

Em 2013, a renda média dos produtores da União Europeia, incluídos os 28 países do bloco, recuou 1,3%. Essa queda ocorre porque houve uma desaceleração de 0,9% na força de trabalho e de 2,1% no rendimento agrícola.

O valor bruto da produção do bloco permaneceu inalterado, mas os preços tiveram queda real de 3,7%.

Os dados são do Eurostat, que reafirma o cenário atual de valorização das proteínas e de queda nos preços dos cereais, após a recomposição mundial dos estoques.

Um dos destaques dos dados do Eurostat (o IBGE do bloco) é a importância que o Brasil tem na composição dos alimentos dos europeus, tanto no fornecimento de proteínas como no de grãos.

O valor da produção europeia cresceu 1,5% no setor de animais, com aumento real de 1,6% nos preços. Já no setor de grãos, o volume produzido teve evolução de 2,7%, mas com redução média de 1,1% no valor da produção. O preço dos cereais teve queda de 14%, enquanto o das oleaginosas subiu 15%.

Os dados do Eurostat apontam produção de 302 milhões de toneladas de cereais. Desse volume, 45% são produção de trigo.

Já produção de sementes oleaginosas subiu para 29,8 milhões, 20,5 milhões vindas de colza, segundo o Eurostat.

A economia europeia deu os primeiros sinais de recuperação no ano passado, e as exportações subiram para US$ 373 bilhões, com saldo de US$ 57 bilhões. Enquanto as exportações do bloco cresceram 4%, as importações recuaram 2% no período.

O Brasil foi o país que mais forneceu produtos agropecuários para a União Europeia no ano passado, participando com 13% das importações do bloco. Na lista das importações dos europeus estiveram soja, óleo vegetais, café e alimentos para animais.

O Brasil está, também, na ponta da lista dos fornecedores de carne de frango. A produção do bloco atingiu 12,7 milhões de toneladas, 1% mais. Já as importações desse tipo de carne feitas pelos europeus cresceram 3,4%. (Folha de São Paulo 24/07/2014)

 

Camil emitiu R$ 200 milhões em debêntures não conversíveis em ações

SÃO PAULO - A brasileira Camil Alimentos, a maior beneficiadora de alimentos da América Latina com faturamento de R$ 3,5 bilhões, tornou público hoje que emitiu este ano R$ 200 milhões em debêntures não conversíveis em ações. A operação foi aprovada no seu conselho de administração em 3 de julho deste ano, mas a data da emissão é anterior à da reunião que a aprovou (15 de março de 2014).

Os títulos vencem em cinco anos, ou seja, em 15 de março de 2019. A emissão foi realizada em série única (200 debêntures, cada uma no valor de R$ 1 milhão). A taxa de remuneração da debênture será de 100% do DI, acrescida “exponencialmente” de um spread de 1,30% ao ano.

Trata-se da quarta emissão de debêntures feita pela companhia, que tem como sócio a Gávea Investimentos — por meio do Fundo de Investimentos em Participações Camil, gerido pela Gávea com participação acionária de 31,75% do capital social da Camil.

A Camil teve no exercício encerrado em 28 de fevereiro deste ano um lucro líquido de R$ 124,2 milhões, 8,8% menor do que os R$ 136,5 milhões obtidos em 2013. O resultado da empresa, que detém marcas de arroz, açúcar e pescados, foi penalizado no ano-fiscal por uma despesa financeira 49% maior, de R$ 185,4 milhões, enquanto a receita financeira cresceu 15%, para R$ 65,8 milhões.

A empresa detém onze unidades de beneficiamento de grãos no Brasil, dez no Uruguai, três no Chile , duas no Peru e uma na Argentina, além de três plantas de processamento de pescados e seis plantas de processamento de açúcar, sendo três próprias e três subcontratadas, localizadas no Brasil. (Valor Econômico  23/07/2014 às 12h: 47m)

 

Risco do Brasil descola do de emergentes

Inflação alta e PIB fraco estão levando investidores estrangeiros a terem percepção pior do país, diz banco JPMorgan. Diferentemente de países como México, a percepção de risco do Brasil não voltou ao nível do início de 2013.

A combinação de inflação elevada e crescimento econômico fraco, com risco de recessão, está afetando a percepção de investidores estrangeiros sobre o Brasil.

Análise feita por economistas do banco americano JPMorgan mostra que o Brasil está sendo mais mal avaliado, em comparação a outros países, desde que passou a turbulência acionada pela retirada dos estímulos do banco central dos EUA, em 2013.

Para Júlio Callegari, diretor-executivo da gestora do JPMorgan, isso tem relação com a "relativa estagflação" pela qual passa o país, ou seja, atividade estagnada com inflação alta.

Em apresentação a clientes, o economista ressaltou que o crescimento anêmico do Brasil "não é pontual". É resultado de uma atividade industrial parada desde a crise global de 2009.

"O quadro agora se agravou. Não só a gente não crescia, mas agora a gente vê uma certa contração [da economia]", disse.

Segundo ele, o primeiro semestre foi "ruim" e o segundo foi piorado, em junho, com os feriados da Copa.

"Isso reforçou a tendência de queda da produção industrial, que deve ter levado a uma contração do PIB no segundo trimestre, com o risco de uma recessão", afirmou.

Além disso, diz ele, a inflação tem se mostrado "teimosa e resistente", apesar do represamento de preços administrados, como combustíveis e tarifas de ônibus.

"O mercado espera uma normalização da inflação, para 6% [hoje, ela está em 6,51% em 12 meses]. Mas ainda assim, para um país que não registra crescimento relevante, é preocupante", afirmou.

O JPMorgan administra US$ 1,7 trilhão em investimentos. No Brasil, são R$ 20 bilhões sob sua gestão.

A análise do banco de que o mercado está de mau humor com o Brasil se baseia na avaliação do risco-país, medido pelo CDS (Credit Default Swaps), um seguro contra calote que tem cotação negociada no mercado financeiro.

Passado o susto inicial com a mudança da economia global e a provável migração de recursos para os EUA, na esteira da recuperação americana, os investidores voltaram aos emergentes, atrás de retornos mais polpudos.

Também retornaram ao Brasil, com aplicações tanto em títulos quanto em ações.

Mas o risco de aplicar no país ficou mais alto. Segundo o JPMorgan, o Brasil não recuperou o mesmo patamar de risco que havia antes da turbulência. México, Colômbia e até a Itália, que tem uma dívida pública bem maior do que a brasileira, viram seu risco recuar aos níveis de 2013. No Brasil e na Rússia, ele permaneceu mais alto.

Na Rússia, houve questões geopolíticas, em razão da crise militar com a Ucrânia. No Brasil, os fatores são locais.

Além da economia, entra na conta o risco eleitoral. Para Callegari, a disputa está acirrada, e o resultado, imprevisível, apesar de o mercado "ver com bons olhos a eleição da oposição".

"Qualquer recuperação da candidatura de Dilma durante a campanha pode voltar a trazer estresse para o mercado", observa, acrescentando que a proteção à oscilação política está em aplicações ligadas ao dólar e à inflação. (Folha de São Paulo 24/07/2014)

 

Novos combustíveis para as locomotivas

Gás natural e biodiesel tendem a ganhar espaço na indústria ferroviária.

O uso exclusivo de diesel como combustível para locomotivas de carga está dando lugar a outras fontes de energia, mais limpas e baratas. Entre elas destaca-se o gás natural liquefeito. Segundo um relatório divulgado este ano pela Energy Information Administration (EIA), do governo dos Estados Unidos, “o grande potencial de economia de custos com a transição do diesel para o gás natural desperta o interesse prioritário na indústria ferroviária e entre observadores e analistas”. Há quem acredite que essa mudança será equivalente à ocorrida durante os anos 1940 e 1950, quando o diesel expulsou do cenário as locomotivas a vapor.

Segundo o economista Nicholas Chase, da EIA, a redução de custos será de US$ 1,5 milhão por locomotiva, uma quantia muito vantajosa, mesmo considerando-se que cada máquina custará US$ 1 milhão a mais do que as locomotivas a diesel. No Brasil, a GE Transportation vem desenvolvendo testes para o uso de gás natural em suas locomotivas. Paralelamente, a partir deste ano, todas as locomotivas produzidas pela empresa no Brasil já estão aptas a operar com até 25% de biodiesel.

O transporte ferroviário, entre os de carga, já é o meio terrestre que menos consome combustível. E o biodiesel é a terceira maior fonte de energia no Brasil, reduzindo a necessidade de importação de combustível. Segundo previsões, até 2020 passará a ser a segunda fonte mais importante no país – tanto por seu impacto na redução de emissões de gases de efeito estufa quanto pela provável redução de custos aos clientes que utilizam o transporte ferroviário de cargas (Época Negócios, 23/7/14)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Brasil no foco: Os preços do açúcar recuaram pelo segundo dia seguido ontem na bolsa de Nova York, diante da expectativa de que o relatório que a União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Unica) divulgará hoje revele um novo volume substancial de cana colhida e açúcar produzido no Centro-Sul do Brasil. Os contratos do açúcar demerara para março fecharam em queda de 13 pontos, a 18,54 centavos de dólar por libra-peso. Acredita-se que o clima mais seco que o normal na região brasileira tenha mantido o ritmo da atividade igual ou até superior ao da segunda quinzena de junho, diz Ricardo Nogueira, da FCStone. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,47%, para R$ 46,55 a saca de 50 quilos, e passou a acumular queda de 4,84% no mês.

Cacau: Teto em três anos: Os preços do cacau dispararam ontem na bolsa de Nova York e marcaram a quinta sessão de altas consecutivas. Os lotes para dezembro fecharam com recuo de US$ 23, a US$ 3.131 a tonelada. Após um processamento de cacau excepcional no segundo trimestre na América do Norte e na Ásia, o mercado entra agora em uma época em que a atividade se aquece, já que as indústrias começaram a se preparar para abastecer o varejo à espera do aumento do consumo de chocolate no inverno no Hemisfério Norte. Dessa forma, esperam-se mais compras de cacau por parte das indústrias a partir de agora. No mercado interno, os preços em Ilhéus/Itabuna variaram entre R$ 104 e R$ 109 a arroba, mesma faixa observada na terça-feira, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Laranja: Tempestade amena: Os temores de que uma tempestade prejudicasse os pomares da Flórida foram afastados, ao menos temporariamente, e as cotações do suco de laranja caíram ontem em Nova York. Os lotes do produto concentrado e congelado (FCOJ) fecharam em baixa de 70 pontos, a US$ 1,544 a libra-peso. Ontem, a agência meteorológica dos Estados Unidos rebaixou uma "depressão tropical" que ocorre no Oceano Atlântico a "onda tropical" e indicou que o fenômeno deverá continuar a perder força hoje. Temia-se antes que o sistema pudesse prejudicar as árvores de citrus na Flórida, já combalidas pela doença fúngica conhecida como greening. No mercado spot paulista, a laranja para a indústria caiu 3,19%, para R$ 10 a caixa de 40,8 quilos, conforme o Cepea/Esalq.

Soja: Correção técnica: Em dia de correção técnica, os preços soja fecharam em alta ontem na bolsa de Chicago, depois de quatro quedas seguidas. Os lotes da oleaginosa para entrega em setembro fecharam com elevação de 16,75 centavos, a US$ 11,0175 o bushel. Analistas consideram que ainda há um "prêmio" climático nas negociações da soja, uma vez que as lavouras dos EUA entrarão em fase reprodutiva em agosto - e, portanto, estarão mais sensíveis a intempéries. Nos últimos dias, o cinturão produtivo do Meio-Oeste americano não viu chuvas, mas a empresa de meteorologia DTN prevê que as temperaturas vão cair e as chuvas deverão voltar nos próximos dias na região. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a soja em Paranaguá (PR) subiu 0,78%, para R$ 65,57 a saca de 60 quilos. (Valor Econômico 24/07/2014)