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Vai sobrar açúcar no Brasil

Mercados internacionais super estocados e preço em queda fizeram as exportações caírem 14% de janeiro a maio.

Queda de 40% em menos de três anos: essa é a desvalorização do preço do açúcar no mercado internacional desde 2011. Soma-se a isso países compradores super estocados e está formado o cenário que as usinas brasileiras vivem na safra atual: queda nas exportações, crescimento da estocagem e aumento do endividamento. Não por acaso, de janeiro a maio deste ano o volume de açúcar exportado pelo Brasil teve uma queda de 14% em relação a igual período do ano passado, para 8,25 milhões de toneladas. Em 2013, as vendas externas foram de 9,6 milhões de toneladas de janeiro a maio. Segundo o presidente da Datagro, Plinio Nastari, mais do que o preço, foi a queda da demanda externa que derrubou as exportações brasileiras. Ele diz que o escoamento de produção está mais fraco do que estava no ano passado, especialmente por conta de estoques elevados na Ásia, como a Tailândia, cuja safra está adiantada em relação a 2013. A safra da Tailândia está adiantada em relação ao ano passado, o que aumenta a concorrência como produto nacional. "Além disso, a China tem muito açúcar disponível, daí a queda nas vendas.

“Outros compradores, entretanto, mantêm os embarques, mas não o suficiente para ampliar ou segurar as exportações no nível de 2013", conta Nastari. Opinião semelhante temo analista Mauricio Muruci, da consultoria Safras & Mercado. Ele explica que, além da super estocagem, a previsão é de queda na demanda, pois a recuperação de EUA e União Europeia está demorando mais do que o previsto. "E mesmo a China, embora continue crescendo, vem desacelerando a expansão do PIB, o que significa menor demanda", afirma. Além disso, diz Muruci, o preço do açúcar em Nova York (que dita os preços internacionais) vem desacelerando fortemente nos últimos três anos, passou de US$ 0,28 por libra peso (cerca de 450 gramas) em 2011, para US$ 0,17, em média, este ano. "No curto prazo, a tendência é que os preços continuem caindo, pois não estamos nem no meio da safra. A projeção é que os preços só melhorem a partir de dezembro, já que, por conta da estiagem do início do ano, pode haver uma antecipação do fim da colheita para novembro.

“Aí, sim, poderá ocorrer uma recuperação", explica. Diretor da União das indústrias de cana-de-açúcar (Unica), Antonio Padua Rodrigues diz que outro agravante para as exportações é que as tradings, responsáveis pela compra da produção das usinas de pequeno e médio porte e assim, pelas exportações, estão preferindo comprar de regiões mais próximas do mercado consumidor, especialmente da Ásia, por questões de logística. Por conta disso, a Unica estima que neste ano o Brasil deixe de exportar 10% do que exportou no ano passado, o que representa menos 2 milhões de toneladas. "Isso se deve à queda nas exportações e também à quebra da safra por conta da estiagem na região Centro-Sul, principal produtora de cana."

Ainda assim, a Conab calcula que a produção de açúcar deverá ter um aumento de 4,17% na safra 2014/2015, para 39,4 milhões de toneladas. A ampliação se deve especialmente pelo aumento da área plantada em 3,6%, já que a seca diminuiu a produtividade da cana de 74,7 toneladas por hectare, na safra 2012/2013, para 73,769 k/h na atual. A explicação para esse aumento de área plantada, apesar dos preços em queda, é que a remuneração do açúcar ainda é melhor do que a do etanol. Segundo Muruci, da Safras & Negócios, em junho a remuneração do açúcar estava 17% acima da remuneração do etanol. "Apesar de todo o cenário de queda de preço internacional, o produtor ainda ganha mais produzindo açúcar do que etanol.

“Mas o problema está no preço do etanol, já que o produtor não pode repassar o aumento de custos ao consumidor, sob o risco de perder ainda mais competitividade em relação à gasolina". Ele lembra que, para ser competitivo, o etanol deve custar até 70% do preço da gasolina. Assim, a tendência é que o endividamento das usinas aumente ainda mais. Estimativas apontam que as empresas iniciaram a safra atual com R$ 65 bilhões de dívidas. Sem fôlego para ampliar investimentos, a projeção é sombria para as pequenas e médias empresas nacionais, que representam 15% das usinas em operação. No médio prazo, elas podem interromper as operações, a exemplo das 58 usinas da região Centro-Sul que fecharam as portas desde 2007 até agora, segundo a Única. (Brasil Econômico 30/07/2014)

 

Rodrigues tenta aproximar usinas e governo

Há cerca de dois meses à frente da presidência do conselho deliberativo da Unica, entidade que representa uma fatia majoritária da produção de açúcar e etanol do país, o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, diz que não é romântico a ponto de achar que todas as demandas das usinas de cana serão atendidas agora que ele está do lado dos empresários do setor.

Mas reconhece que sua reputação como liderança do agronegócio já ajudou. "As discussões com a área técnica do governo federal já vinham sendo conduzidas de forma muito competente pela Beth [Farina, presidente-executiva da Unica], mas havia algumas resistências no governo. Acredito que o Mercadante [Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil] 'azeitou' essa relação", diz.

Em entrevista ao Valor no escritório na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, onde coordena o Centro de Agronegócio da instituição, Rodrigues lembra que um dia depois de assumir o conselho da Unica, ligou para o titular da Casa Civil para agendar uma conversa. "No dia seguinte estava em Brasília em reunião com o Mercadante. Fiz críticas ao governo. Não dá para entender como conseguiram destruir um setor [o sucroalcooleiro] e a Petrobras em um tiro só. Me sinto mal, pois é um governo [do PT] do qual eu participei", afirma Rodrigues, que foi ministro da Agricultura na gestão Lula.

Ele acredita que o atual governo deve tomar alguma posição para mudar o cenário perverso em que se encontra o etanol, de custos altos e preços limitados à cotação da gasolina. "Este ano tem eleição, o que leva à revisão dos próprios procedimentos do presidente da República", afirma.

O objetivo pode até não ser beneficiar o etanol, mas deve gerar esse efeito indireto. "A presidente Dilma ama muito mais a Petrobras do que as usinas de etanol, e a estatal não vai aguentar muito mais tempo desse jeito [com defasagem da gasolina em relação às cotações internacionais do petróleo]", afirma.

Questionado se um novo governo seria mais benéfico para as usinas, Rodrigues reconhece que os dois candidatos (Eduardo Campos e Aécio Neves) estão defendendo "vigorosamente a agroenergia". "Mas vai saber? O discurso é muito melhor do que o do atual governo, não obstante a posição do Mercadante estar sendo de maior proatividade".

Mas Rodrigues não tem dúvidas de que se, em vez de Dilma, seu antecessor estivesse na presidência, o cenário para o biocombustível teria sido diferente. "O Lula é uma figura interessante. Ele capta as coisas. Intui os processos rapidamente. Ele percebeu o papel global que o Brasil exerceria com a agroenergia e, por isso, apoiou muito o setor no seu governo", diz o ex-ministro.

Ele não acredita que Dilma "tenha raiva" do setor, como muitos apostam. Talvez "implicância com algumas pessoas do setor". Mas o que determinou mesmo a escolha da presidente, diz Rodrigues, foi a decisão de combater a inflação por meio do controle do preço dos combustíveis.

Uma série de demandas das usinas caminha, sem solução, desde o primeiro ano do governo Dilma, há quase quatro anos. Muitas delas incompatíveis com a atual política do Planalto de controlar o dragão da inflação. A indústria de etanol quer a volta da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) na gasolina - o tributo foi retirado há dois anos, para amortizar o aumento do combustível fóssil na refinaria. Quer ainda o fim do controle de preços de combustíveis no país e, o mais elementar, a definição do papel do etanol e da eletricidade de biomassa na matriz energética.

Mais recentemente, tem-se falado sobre a possibilidade de elevar o percentual de mistura do anidro na gasolina, hoje em 25%. A demanda vem sendo considerada factível, pois num único tiro, aumentaria a demanda por etanol e aliviaria o caixa da Petrobras, que precisaria importar menos gasolina - operação que a estatal realiza com prejuízo. "Mas essa história não terá impacto este ano. Estudos ainda estão sendo feitos. Além disso, a seca está reduzindo a produção da cana neste ciclo".

Como é de conhecimento de muitos no segmento sucroalcooleiro, Rodrigues já foi fornecedor de cana-de-açúcar em São Paulo - há 17 anos, transferiu suas terras aos filhos. "Já briguei muito com usineiro. Sempre foi uma relação difícil", diz referindo-se às discussões que resultaram mais tarde no pagamento ao fornecedor pelo teor de açúcar na cana, método em vigor até hoje, na cana e não pelo peso.

No auge dessas discussões, nos idos de 1976, muitos, lembra Rodrigues, temiam até pela sua vida. Mas o setor era muito diferente do que é hoje, observa ele. "Está mais concentrado, com presença de grandes grupos internacionais e nacionais."

A atual configuração fez as usinas menores, sem ligação com nenhum grande player, se sentirem sem liderança dentro da Unica. Esse quadro, potencializado pela crise no setor, afugentou antigos associados, que resolveram se desligar da entidade.

Para reverter o quadro, a Unica reduziu o valor das contribuições associativas e evitou a saída de empresas que sinalizavam deixar a entidade, como o grupo Nardini, e ganhou a adesão de outras, como a Alto Alegre. Ambos passaram a ter assento no conselho. "Outros grupos devem retornar. Muitos estão conversando comigo", afirma Rodrigues.

Conhecido pelo perfil conciliador, Rodrigues também tem a missão na Unica de diversificar seguidores. "Querem essa visão de cadeia produtiva. Estamos todos integrados: usinas, setor de equipamentos, pesquisa, comercialização", resume. (Valor Econômico 30/07/2014)

 

Na contramão do mundo

Enquanto os preços da gasolina, diesel e do gás de cozinha continuam sem reajustes, a Petrobras autorizou 4,8% de reajuste no preço do gás natural de janeiro até agora. Mais uma vez, o governo está na contramão. Por quê?

Assim, com o tratamento diferenciado para o gás natural (afinal, a gasolina e o diesel estão com seus preços travados) o governo tira a competitividade da energia que mais cresce no mundo em termos de consumo.

O que resolveria o problema da Petrobras seria reajustar a gasolina e o diesel, que significam 60% da receita da empresa.

Enfim, o correto seria que todos os combustíveis seguissem o preço do mercado internacional. (Lauro Jardim - Veja.com 29/07/2014)

 

Mercado diverge sobre volume de produção de açúcar no Centro-Sul

A estiagem, que deu pouca trégua aos canaviais do Centro-Sul neste ano, quebrou a produtividade da cana, mas elevou o teor de açúcar (o chamado ATR) na matéria-prima. A condição amplia a divergência do mercado sobre o tamanho da produção de açúcar na região neste ciclo 2014/15. Isso porque a moagem está acelerada e a cana que está sendo colhida apresenta níveis altos de ATR, o que diminui a flexibilidade das usinas. O resultado é que, mesmo querendo fazer mais etanol, são 'obrigadas' a fabricar mais açúcar.

Essa constatação balizou a revisão feita ontem pela consultoria FG Agro, que reduziu a estimativa de moagem de cana no Centro-Sul, mas elevou a projeção para a produção de açúcar. O novo número é de 33,4 milhões de toneladas, 1,8% acima das 32,8 milhões de toneladas de açúcar estimadas em março. Para a moagem de cana, a consultoria reduziu para 577 milhões a previsão inicial de 592 milhões de toneladas.

Há, no entanto, uma ressalva, diz o sócio da consultoria, com sede em Ribeirão Preto (SP), Willian Hernandes. "Se as usinas resolverem daqui em diante desacelerar o ritmo de moagem, o mix para açúcar pode recuar e a produção ir a 32,5 milhões de toneladas".

Hernandes explica que para manter sua previsão de oferta de cana no patamar superior a 570 milhões de toneladas - enquanto boa parte do mercado considera que a safra ficará entre 550 milhões e 560 milhões -, a FG Agro considerou uma área de expansão de cana de 4,5%, entre janeiro e março de 2013, que está se refletindo na área de corte deste ciclo 2014/15.

"As usinas que compõem a nossa amostra aumentaram área em 12% no período. Mesmo considerando que todo o restante do setor não expandiu nada, a taxa média fica em 4,5%", explica. Houve ainda, diz, uma menor área de reforma de canavial, o que naturalmente aumentou a cana disponível para corte.

Já a trading britânica Czarnikow revisou para baixo sua estimativa para a produção de açúcar na região. Na visão da trading, a produção será de 31,7 milhões de toneladas, queda de 4,5% em relação às 33,2 milhões previstas em abril.

Em um levantamento de campo que percorreu cerca de 2 mil quilômetros de canaviais em quatro Estados - São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás -, a Czarnikow identificou que a seca não atingiu todas as regiões de forma homogênea, explica a gerente de análise de mercado da trading, Ana Carolina Ferraz. Ela afirma que as mais prejudicadas foram Piracicaba e Araçatuba, ambas em São Paulo, e o sudoeste de Minas Gerais, onde há indicação de queda de até 30% na produtividade.

A previsão da Czarnikow, lembra Ana Carolina, considera um clima "normal" daqui em diante, ou seja, sem El Niño, que anteciparia chuvas, atrapalhando a moagem. "A cada dia de chuva, perde-se moagem de 3 milhões de toneladas. Além disso, segundo ela, se chover daqui em diante, pode haver um efeito ainda mais prejudicial à cana, na medida que tende a reduzir o ATR. (Valor Econômico 30/07/2014)

 

Demanda de máquinas é afetada por queda de commodities, diz AGCO

A fabricante de equipamento agrícola AGCO está sentindo o impacto da queda dos preços de commodities. 'A demanda global está diminuindo em relação a 2013 e deve haver queda em todos os grandes mercados agrícolas', disse a companhia.

Agricultores devem reduzir suas compras de equipamentos, com a queda dos preços de grãos e a consequente diminuição de renda. Por conta disso, a AGCO também está reduzindo custos de curto prazo.

A AGCO registrou um lucro líquido de US$ 168,2 milhões (US$ 1,77 por ação) no segundo trimestre deste ano, queda de 21% em relação aos US$ 213,7 milhões (US$ 2,15 por ação) reportados no mesmo período do ano passado.

Já a receita atingiu US$ 2,75 bilhões, queda de aproximadamente 10% na comparação com os US$ 3 bilhões reportados no segundo trimestre de 2013. A América do Norte teve retração de 13% nas vendas, para US$ 686,2 milhões. A América do Sul, a região da Ásia e do Pacífico e da Europa, África e Oriente Médio também registram recuo. (Dow Jones Newswires 29/07/2014)

 

Usinas ampliam oferta de etanol hidratado no mercado spot

SÃO PAULO: A necessidade das usinas de “fazerem caixa” para arcar com os pagamentos típicos de início de mês pressionaram as cotações do etanol hidratado (que abastece diretamente os veículos flexfuel), de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Na semana passada, o indicador Cepea/Esalq para o preço médio do etanol hidratado no mercado spot paulista registrou queda de 2,5%, a R$ 1,2055 por litro. No mesmo período, o etanol anidro (que é misturado à gasolina) ficou praticamente estável - leve queda de 0,1%, a R$ 1,3650 por litro, de acordo com o levantamento do Cepea.

Na avaliação de fontes de mercado consultadas pelo Cepea, a queda dos preços do etanol hidratado poderia ser ainda maior se as chuvas não tivessem interrompido a colheita de cana-de-açúcar e reduzido o ritmo de moagem em algumas regiões do Centro-Sul do país. (Valor Econômico 29/07/2014 às 12h: 17m)

 

E2G: CTC dá início à operação da Planta de Demonstração

Em construção desde agosto de 2013, a Planta de Demonstração de Etanol de Segunda Geração do CTC – Centro de Tecnologia Canavieira já entrou em operação. “Nesta fase, ela está sendo comissionada e nos próximos meses começam os testes de produção do etanol celulósico”, explica Robson Freitas, diretor de Etanol de Segunda Geração do CTC.

A planta tem por objetivo demonstrar a investidores, acionistas e clientes o potencial da tecnologia que pode representar um aumento da produção de etanol de até 50%, sem aumentar a área plantada de cana-de-açúcar.

O processo do CTC conta com quatro etapas (pré-tratamento, hidrólise enzimática, fermentação e destilação). Segundo Freitas, o grande diferencial é que apenas o projeto do CTC garante uma integração completa com o parque industrial já existente atualmente nas usinas, o que reduz o investimento. “Dessa forma, quem já faz etanol de primeira geração poderá escolher entre aumentar sua produção de etanol, fazer mais açúcar ou ainda produzir energia elétrica, dependendo da demanda do setor”.

Instalada na Usina São Manoel, a planta possui uma capacidade de processamento de 100 toneladas por dia de biomassa e recebeu investimentos da ordem de R$ 80 milhões. A expectativa é que justamente testar todos os processos para que a tecnologia se torne comercial em 2016/2017. “O importante é a capacidade de entregar mais etanol a um custo igual ou inferior ao atual”, finaliza o executivo. (Brasil Agro 30/07/2014)

 

PV - Agricultura orgânica e etanol

Em questões práticas, na agricultura o PV se declara "decididamente favorável à transição para o estilo orgânico" e que "tem sua preferência pela agricultura familiar, pela pequena e média propriedade, pois são as modalidades que podem evoluir com mais rapidez para sustentabilidade", mas avisa que ""não se recusa a dialogar a este respeito com ninguém".

O documento destaca que "mesmo tendo sido derrotado na última votação do atual Código Florestal no congresso nacional", o partido não vai "desistir do direito de procurar melhorá-lo em novas rodadas legislativas".

O partido critica o "uso de agrotóxicos que prejudiquem a biodiversidade, a saúde dos trabalhadores do campo e a saúde dos consumidores em geral", e o "uso em excesso de nitrogênio e fósforo em fertilizantes". O programa defende, no entanto, a expansão da monocultura de cana-de-açúcar para produção de etanol. "O maior programa de energia renovável do mundo, que é o uso do Etanol, deve ser apoiado e não estrangulado como está sendo", diz o texto. (OECO.ORG.BR 29/07/2014)

 

Commodities Agrícolas

Laranja: Clima não assusta: Os preços do suco de laranja na bolsa de Nova York recuaram ontem, apesar de uma nova ameaça de temporais na Flórida. Os contratos do produto concentrado e congelado para entrega em novembro fecharam em queda de 290 pontos, a US$ 1,4805 a libra-peso. O Serviço Meteorológico Nacional dos EUA indicou que há 70% de chances de formação de um ciclone tropical até quinta-feira na costa leste do país. Esses alertas costumam impulsionar o preço do suco, mas desta vez a previsão não alterou as negociações, ainda reflexo da baixa demanda americana. A elevação do dólar por conta das incertezas geopolíticas e em relação à economia dos EUA também pressionou as cotações. No mercado spot paulista, a caixa de laranja para a indústria manteve-se em R$ 10,08, segundo Cepea/Esalq.

Algodão: Boa safra: Os contratos futuros do algodão recuaram na bolsa de Nova York diante da melhora na qualidade das lavouras nos Estados Unidos. Os lotes com vencimento em dezembro fecharam em baixa de 1,32%, ou 87 pontos, a 65,01 centavos de dólar por libra-peso. Até domingo, 54% das áreas plantadas no país estavam em condições boas a excelentes - melhora de 2 pontos percentuais ante a semana anterior. O dado foi divulgado pelo Departamento de Agricultura americano (USDA) após o fechamento do pregão de segunda-feira. As condições favoráveis das lavouras indicam que os produtores poderão obter bons rendimentos no ano-safra 2014/15. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a fibra com pagamento em oito dias recuou 0,99%, para R$ 1,7343 a libra-peso.

Soja: Águas de agosto: As cotações da soja na bolsa de Chicago tiveram forte queda ontem diante de novas previsões climáticas para agosto. Os lotes do grão para setembro fecharam com recuo de 15,50 centavos, a US$ 11,215 o bushel. Novos mapas meteorológicos apontaram para a possibilidade de chuvas nas primeiras duas semanas de agosto no oeste e sudoeste do cinturão, segundo Giovani Damiano, da consultoria FCStone. O sinal é bem recebido pelos produtores, já que a fase de enchimento das vagens das plantas ocorre no próximo mês, e a umidade é fundamental para o bom desenvolvimento dessa etapa. Segundo analistas, serão necessárias uma a duas precipitações para garantir um bom rendimento. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca no Paraná subiu 0,33%, para R$ 63,95.

Trigo: Oferta confortável: O mercado do trigo registrou recuos significativos ontem nas bolsas dos EUA ainda sob pressão da perspectiva de oferta confortável nos principais polos produtores. Na bolsa de Chicago, os contratos para dezembro fecharam com queda de 14 centavos, a US$ 5,4375 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os papéis com vencimento em dezembro fecharam com queda de 12 centavos, a US$ 6,2825 o bushel. Os produtores dos EUA continuam colhendo a safra de inverno, que coincide com a entrada da produção de Rússia e Ucrânia. Apesar do conflito geopolítico, o ritmo da colheita segue acelerado na região. No mercado interno, o preço médio do trigo no Rio Grande do Sul, calculado pelo Cepea/Esalq, recuou 0,42%, para R$ 519,05 por tonelada. (Valor Econômico 30/07/2014)