Setor sucroenergético

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Cosan Logística pede registro de companhia aberta na CVM

A Cosan Logística, empresa de serviços de transporte e logística da Cosan, pediu registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), conforme informações disponibilizadas no site da autarquia.

Em fevereiro, a Cosan anunciou a criação da Cosan Logística como empresa responsável pelo investimento na Rumo Logística, seu braço de logística. A investida seguiu divulgação de proposta de incorporação da ALL pela Rumo. (Reuters 30/07/2014)

 

Renuka renegocia dívidas de R$ 1,5 bilhão

A Renuka do Brasil, empresa com duas usinas de cana-de-açúcar em São Paulo, contratou assessoria financeira e jurídica para renegociar seus débitos com credores. Ao fim da safra 2013/14, em 31 de março deste ano, a dívida bancária das duas unidades paulistas da empresa, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars era de R$ 1,465 bilhão, superior à receita obtida no mesmo ciclo (R$ 1,046 bilhão).

Trata-se da terceira renegociação da Renuka do Brasil desde que a companhia indiana adquiriu o controle do negócio, em meados de 2009, do grupo Equipav, do ramo de construção. A nova rodada se tornou necessária porque, além de ter um endividamento elevado, o canavial das usinas paulistas da empresa, localizadas na região oeste do Estado, padecem mais uma vez com uma forte estiagem, o que deverá reduzir a moagem, conforme fontes da área.

A estimativa inicial da Renuka do Brasil era moer 10,5 milhões de toneladas de cana na safra 2014/15 nas duas unidades, ante as 8,9 milhões de toneladas processadas na temporada anterior, a 2013/14. Mas agora, afirmam as fontes, a companhia deverá apenas repetir o desempenho da temporada passada ou até moer menos, em torno de 8,5 milhões.

Os principais bancos credores da companhia - Bradesco, Santander, Votorantim, Banco do Brasil e Itaú - já começaram a conversar com os assessores contratados pela Renuka - Galeazzi & Associados e os advogados Joel Thomaz Bastos e Ricardo Sanches, do escritório Dias Carneiro. A expectativa dos credores é que os termos de um novo acordo sejam fechados em cerca de 30 dias.

O Valor apurou que representantes da trading Wilmar - que entrou no bloco de controle da Shree Renuka Sugars este ano - também participam das reuniões com os bancos. A diretriz da sócia de Cingapura é que o novo acordo seja "exequível", ou seja, compatível com o fluxo de caixa operacional das usinas.

Em balanço divulgado ontem, a Renuka do Brasil informou que teve prejuízo líquido de R$ 306,8 milhões na safra 2013/14, ante resultado líquido também negativo de R$ 281,4 milhões no exercício anterior. A companhia foi penalizada por uma despesa financeira 22,8% maior no período, de R$ 307,8 milhões.

Os credores também compartilham a visão de que a combinação de perda de produtividade agrícola por causa da seca e preços baixos de açúcar e etanol tende a piorar o resultado da Renuka do Brasil neste ciclo 2014/15. Por isso, dizem fontes, os bancos até consideram conceder nesse acordo um período de carência para retomada dos pagamentos.

No entanto, é possível que os sócios tenham que fazer um aporte no negócio para dar segurança aos credores de que o capital de giro para a continuidade das operações estará assegurado. Espera-se também que, com a renegociação, outros bancos voltem a conceder crédito de curto prazo para a companhia. Os executivos da indiana não foram encontrados para comentar o assunto.

Somando-se as usinas de São Paulo, do Paraná (Renuka Vale do Ivaí) e da Índia, a Shree Renuka Sugars, que tem capital aberto na bolsa de Mumbai, opera 11 unidades com capacidade total de moagem de 20,7 milhões de toneladas de cana anuais e duas refinarias de açúcar na Índia. (Valor Econômico 31/07/2014)

 

Renuka do Brasil tem prejuízo de R$ 306,8 milhões na safra 2013/14

SÃO PAULO - A Renuka do Brasil, empresa sucroalcooleira controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, informou que teve no exercício encerrado em 31 de março deste ano, período equivalente à safra 2013/14, um prejuízo líquido R$ 306,8 milhões, ante a perda líquida de R$ 281,4 milhões registrada no exercício anterior.

A empresa, que tem duas usinas de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, foi penalizada por uma despesa financeira 22,8% maior no ciclo, de R$ 307,8 milhões.

O prejuízo operacional antes do resultado financeiro foi de R$ 15,4 milhões em 2013/14, ante a perda operacional de R$ 92,6 milhões do exercício anterior.

A receita líquida cresceu 20,3%, a R$ 1,046 bilhão. No mesmo período, o custo dos produtos vendidos e serviços prestados cresceram menos — 16,8%, a R$ 977,9 milhões. As despesas administrativas e gerais caíram 16%, a R$ 44,2 milhões e as com vendas, recuaram 2,18%, a R$ 67,2 milhões.

A dívida da empresa com empréstimos e financiamentos caiu 2,65% no exercício, a R$ 1,465 bilhão, sendo R$ 310,5 milhões com vencimento em menos de um ano e, o restante, com prazo de vencimento mais longo.

A empresa informou ainda endividamento com partes relacionadas de R$ 269 milhões, 21,7% maior do que os R$ 221,8 milhões de 31 de março de 2013.

As duas usinas da Renuka do Brasil processaram em 2013/14 8,9 milhões de toneladas de cana. O grupo indiano também controla duas outras usinas no Brasil, localizadas no Paraná, que estão sob o guarda-chuva de outra empresa, a Renuka Vale do Ivaí. (Valor Econômico 30/07/2014 às 20h: 00m)

 

Exportações de etanol recuam mais de 30% em 2014

Etanol de cana perde competitividade em relação ao etanol de milho, produzido nos Estados Unidos.

O etanol brasileiro não consegue competir com o combustível que é produzido nos Estados Unidos. Apesar da queda das vendas externas, o aumento do consumo interno e a diminuição da oferta este ano, devem fazer com que os preços subam.

A perda de competitividade do etanol feito com a cana-de-açúcar, em relação ao etanol de milho, ajuda a explicar a queda das exportações do produto brasileiro. Os preços do milho caem com a previsão de safra de mais de 350 milhões de toneladas do cereal nas lavouras americanas.

– Nós deixamos de vender ao mercado americano, mas outros mercados estão sendo ocupados pelo etanol americano neste momento. Mercados tradicionais do Brasil, as nossas exportações foram reduzidas para os Estados Unidos e para estes outros mercados – diz Tarcilo Rodrigues, analista de mercado.

A queda das exportações de etanol vem sendo compensada pelo aumento das vendas no mercado interno, que cresceram 12% nos seis primeiros meses do ano. O aumento de consumo acontece tanto para o etanol anidro, quanto para o hidratado. A oferta do combustível é maior, por enquanto, porque a moagem de cana este ano está superior na comparação com o mesmo período de 2013. O acumulado até junho é cerca de 10% maior, com mais de 200 milhões de toneladas de cana.

– Dá a impressão ao mercado, que nós temos mais cana este ano, o que não é verdade. No ano passado, nós produzimos 595 milhões de toneladas no Centro-Sul. Este ano, a gente deve chegar em 560, e algumas empresas, inclusive, trabalham com o número de 550 milhões – afirma Arnaldo Luiz Corrêa, gestor de riscos de commodities agrícolas.

Por causa da seca, a colheita da cana está acelerada, mas a estiagem diminuiu a produção dos canaviais e os preços do etanol caíram com o aumento de oferta dos últimos meses.

– Os preços estabilizam agora, talvez mais 30 dias estáveis e comece uma ligeira subida para ir ajustando os estoques disponíveis, até que se encontre a próxima safra – projeta Rodrigues.

Mesmo com aumento de preços, os especialistas criticam o controle do valor da gasolina que limita os ganhos do etanol. O setor sucroenergético enfrenta crise com o fechamento de usinas e o alto endividamento das empresas que tentam se manter.

– O setor deve hoje quase 60 bilhões de reais, é uma dívida enorme. Muito em função da promessa de expansão – pontua Corrêa. (Canal Rural 30/07/2014 às 19h: 20m)

 

Unica avalia como "positivas" críticas de Aécio à política do governo para etanol

Aécio Neves: "Talvez uma das faces mais perversas da incapacidade do governo de estabelecer prioridades se dá no setor de etanol".

O ataque do candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, à política do governo Dilma Rousseff para o setor produtivo de etanol foi visto como positivo pela presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina. O presidenciável tucano participou mais cedo de sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). "Eu achei que o fato dele (Aécio) de mencionar explicitamente o etanol foi positivo", afirmou a executiva ao Broadcast.

Em seu discurso, Aécio criticou a política do governo para o setor de energia e combustíveis, como a contenção do preço da gasolina, que prejudica o crescimento da indústria do etanol. Segundo ele, o setor sucroalcooleiro vive uma "desorganização que atinge toda a cadeia". "Talvez uma das faces mais perversas da incapacidade do governo de estabelecer prioridades se dá no setor de etanol", disse.

Sobre o setor de energia, o senador tucano chamou de "nociva" a intervenção do governo com o novo marco regulatório vigente desde 2013. "O retrato mais nocivo (da ação estatal na economia) talvez tenha sido a intervenção do setor elétrico, uma opção errada", disse.

Elizabeth evitou polemizar politicamente as declarações de Aécio, mas ressaltou que "o etanol faz parte dessa matriz energética e sofre com a política para o setor".

A presidente da UNICA afirma que o setor sucroalcooleiro espera uma sinalização do governo sobre o aumento do porcentual de etanol na gasolina para que o segmento se planeje para ciclo produtivo da cana em 2015. A mistura é atualmente de 25% de álcool anidro sobre o combustível.

A elevação da mistura é alvo de uma comissão interministerial, empresários e o Inmetro, que faz testes técnicos sobre o impacto do aumento nos motores de veículos apenas a gasolina. Segundo Elizabeth, um estudo deve ficar pronto até o final de outubro. "O setor tem condição de atender a demanda (do aumento da mistura)", indicou. (Agência Estado 30/07/2014 às 16h: 58m)

 

Senador critica preço da gasolina no governo Dilma

Ao ser abordado sobre a situação dos produtores de cana da Zona da Mata, no jantar-debate do grupo Lide-Pernambuco, o senador Armando Monteiro Neto, do PTB, candidato ao governo do Estado pelas oposições, em aliança com o PT, acabou criticando indiretamente a política energética do governo Dilma, ao reclamar do fim da Cide e da política de preços para o etanol pela Petrobras.

“Várias unidades fecharam na Zona da Mata. O setor de etanol (álcool) sofre no Brasil inteiro. Os problemas são causados pela compressão do preço da gasolina, contido em níveis inferiores prejudica o etanol (o preço do produto é atrelado ao da gasolina). Não temos reajustes realistas e acabou-se com a Cide. Eu defendo subsídios sociais, mais aqui no Nordeste do que no Sul, pois temos menos mecanização e condições topográficas adversas. Seria melhor do que programas sociais”, disse Armando Monteiro.

Sabe quem concorda com ele?

Nesta quarta, em evento na CNI, por coincidência, o candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB) criticou a política de congelamentos dos preços da gasolina, praticada pelo governo Dilma Rousseff. Segundo ele, tanto o combustível quanto a energia estão com preços represados por razões eleitorais, já que um aumento teria impacto na inflação e efeitos negativos à campanha de reeleição da presidente.

“Acho que o governo atual está segurando até outubro [OS PREÇOS]“, afirmou durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (30) na CNI (Confederação Nacional da Indústria). “A Petrobras precisa ser respeitada em seu planejamento. Precisa de uma política de preços definida, que não possa ser objeto da interferência do Estado”, disse.

No evento do Lide, nesta segunda-feira, aparentemente buscou fugir da defesa intransigente do setor.

“Não dá para reativar algo que seja antieconômico. Tem que ver se faz sentido, do contrário, é o modelo paternalista que está condenado a não se sustentar”, observou. (Boa Informação 30/07/2014)

 

Usineiros e produtores enfrentam uma das piores crises da cana

Mais de 40 usinas interromperam as atividades nos últimos anos. Só nesta safra, 12 já fecharam as portas.

Usineiros e produtores de cana estão enfrentando uma das piores crises no setor. Mais de 40 usinas interromperam as atividades nos últimos anos, só nesta safra, 12 fecharam as portas.

Há mais de 50 anos, a família de José Saulo Padovese trabalha no cultivo de cana, em Jaú, no interior de São Paulo. O negócio vinha sendo passado de pai para filho, mas está ameaçado. O preço do produto não acompanhou o aumento dos custos de produção. “Há cinco anos, não temos reajuste, enquanto os insumos e os produtos todos subiram muito”, diz o produtor.

O agricultor quer parar de vender a cana para as usinas e investir na própria fazenda.

Em todo o Brasil há 70 mil produtores de cana. Eles se uniram aos donos de usinas para pedir ao governo mudanças no setor, entre elas, o aumento na mistura de etanol na gasolina de 25% para 27,5%, mais incentivo para a produção de bioenergia nas usinas e menos impostos para o etanol.

O Brasil tem 389 usinas de produção de açúcar e etanol, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar. Doze não vão operar este ano e desde 2008, 44 já deixaram de operar.

Uma delas fica em Presidente Alves, no interior de São Paulo. A empresa tem dívidas de mais de R$ 60 milhões e fez um acordo na Justiça para pagar os credores. Marcos Alves de Souza é advogado do comitê que representa 1,5 mil produtores de cana. Segundo ele, desde setembro do ano passado, ninguém recebeu um tostão.

Outra usina, em Espírito Santo do Turvo, também parou a produção. A empresa demitiu mil cortadores de cana.

Muitas famílias tiveram que se mudar em busca de novos trabalhos na região, como Jaqueline de Andrade, que conseguiu emprego na prefeitura. Durante cinco anos, ela trabalhou na usina e ainda tem esperança de receber cerca de R$ 10 mil.

Em Brasília, Cid Caldas, coordenador de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, falou sobre o assunto

Assista a íntegra da matéria em:

http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2014/07/usineiros-e-produtores-enfrentam-uma-das-piores-crises-canavieiras.html. (Globo Rural 30/07/2014)

 

Braço agrícola da FMC registra alta de 20% nas vendas no 2º trimestre

SÃO PAULO - A divisão agrícola da multinacional americana FMC registrou um crescimento de 20% em sua receita no segundo trimestre de 2014, ante o mesmo período do ano passado, para US$ 531,2 milhões. O lucro das operações continuadas antes de impostos, totalizaram US$ 130,7 milhões, alta de 4,8% na mesma comparação.

Em comunicado que acompanhou o balanço, divulgado nesta quarta-feira, a FMC disse que o aumento na receita foi impulsionado pela maior demanda por herbicidas tanto na América do Norte quanto na Europa. “Esses ganhos foram parcialmente contrabalançados por vendas menores de inseticidas na América do Norte e pela contínua redução da demanda no setor de cana-de-açúcar no Brasil”, afirmou.

No acumulado do primeiro semestre de 2014, o lucro das operações continuadas antes de impostos do braço agrícola caiu 13%, a US$ 250,8 milhões. Já a receita alcançou US$ 998,1 milhões, 6,4% acima de janeiro a junho do ano passado. As vendas totais da companhia no período somaram US$ 1,93 bilhão. 

A FMC espera que a introdução de novos produtos na América Latina e ganhos de participação de mercado em algodão e soja sejam os motores para o aumento da receita e do lucro de sua operação agrícola no segundo semestre de 2014. (Valor Econômico 30/07/2014 às 18h: 56m)

 

Campos defende regras claras para reajuste de preços da Petrobras

O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, defendeu nesta quarta-feira que a política de reajuste de preços de combustíveis precisa ter “regras claras”.

Campos, que está em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, defendeu após encontro com empresários que essas regras levem em conta não apenas um planejamento geral da política energética nacional, mas também o planejamento específico da Petrobras, além de considerar também a competitividade do etanol.

“O que a Petrobras precisa é ser respeitada no seu planejamento”, disse Campos a jornalistas, após apresentação na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

“Vamos ter uma regra clara, uma regra para o reajuste dos combustíveis”, afirmou o candidato, ex-governador de Pernambuco.

O último reajuste dos preços de gasolina e diesel nas refinarias aplicado pela Petrobras ocorreu no final do ano passado. A estatal tem sido criticada por não informar detalhes e prazos sobre a questão de preços.

Também participam do evento da CNI nesta quarta o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, e a presidente Dilma Rousseff (PT), que tentará a reeleição em outubro. (Reuters 30/07/2014)

 

Crédito e câmbio também preocupam produtor

Um dos problemas com os quais os produtores terão de lidar é a queda dos preços das commodities. Praticamente já assimilaram essa provável desvalorização, que ainda depende do desenvolvimento das lavouras nos EUA.

Mas há outras dificuldades que devem ser consideradas e podem afetar o bolso do agricultor, segundo Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio).

Entre elas estão câmbio, crédito e juros. A queda dos preços está praticamente assimilada pelo mercado, devido à recomposição da produção mundial e dos estoques.

A soja, que era negociada a US$ 15,50 por bushel há um ano, está em US$ 12,20 em Chicago. No mesmo período, o milho caiu de US$ 4,96 para US$ 3,62 por bushel.

Um outro problema que pode afetar a renda do produtor é o desempenho da economia mundial. Uma recuperação norte-americana vai levar mais dinheiro para os Estados Unidos, provocando uma redução no Brasil.

Os bancos fornecedores de crédito podem começar a colocar travas ao fornecimento de dinheiro ao campo. Sem crédito, não haverá novos investimentos, diz Carvalho.

Um dos pontos positivos para o setor agropecuário poderá ser o câmbio. Se o valor da moeda norte-americana for a R$ 2,45, como se prevê, poderá favorecer exportações e melhorar a renda no campo. Caso contrário, o país perde competitividade e exporta menos, derrubando ainda mais os preços internos de alguns produtos.

Para discutir os entraves ao agronegócio e a importância do setor na economia brasileira, a Abag reunirá representantes da agropecuária na próxima segunda-feira (4), em São Paulo. (Folha de São Paulo 31/07/2014)

 

SRB cobra maior integração do governo com produtor rural

O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Junqueira, cobrou, em palestra no Circuito Expocorte, em Campo Grande (MS), uma maior integração do governo brasileiro com o produtor rural.

A integração, segundo ele, seria feita com a apresentação de programas de longo prazo para que o produtor possa se planejar. 'Tudo que foi feito na agricultura e pecuária brasileira foi feito à margem do Estado', disse ele. 'O único investimento feito pelo governo foi disponibilizar recursos financeiros, já que os recursos para o plano safra saíram de R$ 40 bilhões para R$ 156 bilhões desde 2003'.

Segundo o presidente da SRB, os gargalos logísticos e os problemas persistentes de sanidade mostram que a agropecuária brasileira é tratada de maneira amadora. 'É preciso de um projeto de longo prazo e não ser reativo ao processo', concluiu. (Agência Estado 30/07/2014)

 

Segunda geração de sementes beneficia lavouras no Cone Sul

Há duas décadas, a ciência surpreendeu os agricultores com a introdução de sementes transgênicas que proporcionam lavouras resistentes a herbicidas. Passado o tempo, a biotecnologia ainda é motivo de polêmica - escassez da oferta de sementes tradicionais e monopólio de grandes empresas são algumas delas -, mas a inovação dá um passo à frente com uma nova geração de sementes e expansão nas lavouras. No período de 20 anos, a área com culturas transgênicas subiu de 1,7 milhão de hectares para 175,2 milhões de hectares nos principais países produtores. "É a prova da eficiência e aceitação da tecnologia pelos produtores", diz Adriana Brondani, diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).

Há 18 anos, a Monsanto é a líder desse segmento de biotecnologia, desde que a soja Roundup Ready (RR), tolerante ao herbicida glifosato, foi colocada no mercado. Em 2013, a companhia de Saint Louis (EUA) alcançou US$ 14,9 bilhões em vendas, dos quais 70% correspondem à divisão de sementes e genômicas. "A empresa investe de 10% a 12% de seu faturamento global (US$ 14,9 bilhões em 2013) em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na área de biotecnologia", informa Geraldo Berger, diretor de regulamentação da Monsanto no Brasil. O país é o segundo maior mercado para a multinacional americana.

Ao fazer um balanço sobre a entrada dos transgênicos no campo, Berger comenta que a tecnologia comprovou sua relevância nos países onde a agricultura tem importância econômica. "Agora é o momento da segunda geração dessa tecnologia, com sementes que agrupam o maior número de características genéticas novas", diz. O diretor exemplifica com a nova soja da Monsanto, a Intacta RR2 PRO, disponível nesta safra, a 2013/14. A nova semente combina a segunda geração da tecnologia Roundup Ready (RR2) - uma versão mais produtiva da semente tolerante ao herbicida glifosato - e a tecnologia Bt, que oferece resistência a alguns tipos de lagarta, um problema típico das lavouras brasileiras. Berger informa que inicialmente a variedade foi aprovada para o mercado brasileiro, mas a semente também será adotada pelos países do Cone Sul (Argentina, Uruguai e Paraguai), que sofrem com a incidência da praga.

"Vários setores passaram a compreender os transgênicos, que deixaram de estar no centro da discussão como no passado", acredita Cristhiane Bothona, gerente de assuntos regulatórios da Syngenta no Brasil. A múlti de origem suíça tem cinco tecnologias transgênicas ligadas ao milho cultivado no país. Conforme Bothona, a companhia destina US$ 1,4 bilhão (equivalente a 10% de seu faturamento) na área de P&D.

Para a próxima safra, a 2015/16, a Basf pretende colocar no mercado brasileiro a soja "Cultivance", um transgênico resistente a herbicida desenvolvido em parceria com a Embrapa - empresa com quem mantém acordos de cooperação nas áreas de defensivos biológicos e absorção de nutrientes. Nos Estados Unidos, e com a Monsanto, a companhia alemã se prepara para lançar a primeira variedade geneticamente modificada de milho tolerante à seca.

O produto é fruto de um acordo das áreas de P&D firmado em 2007, com o objetivo de desenvolver tecnologias nas áreas de tolerância à estiagem com investimentos conjuntos da ordem de US$ 2,5 bilhões. "Trata-se de uma nova era da transgenia, com empresas buscando acelerar o desenvolvimento de produtos", diz Luiz Carlos Louzano, gerente de biotecnologia da Basf para o Brasil. Segundo ele, a companhia investe globalmente €180 milhões por ano apenas na área de biotecnologia.

Porém, não são apenas na soja, no milho e no algodão que residem os projetos. O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), uma das poucas companhias do mundo dedicadas a pesquisar cana-de-açúcar - controlada pelas gigantes do segmento sucroalcooleiro Copersucar e (Cosan / Shell) - investiu R$ 40 milhões em três novos laboratórios de biotecnologia, que agora passam a ser cinco no total. Uma das metas é acelerar o desenvolvimento de variedades de cana geneticamente modificada, além da produção do etanol celulósico, feito a partir da palha da cana. O investimento vai permitir estender características transgênicas para até 12 variedades, entre elas, a cana resistente à broca, que causa pesados danos à cultura, a ser lançada em 2017, e outras duas tolerantes à seca e com maior teor de açúcar.

No começo do ano, a FuturaGene, empresa de biotecnologia que pertence a Suzano Papel e Celulose, submeteu à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) pedido de aprovação do plantio e uso comercial de eucalipto transgênico. A nova planta tem condições de produzir 20% mais madeira e o primeiro corte poderá ser feito aos cinco anos e meio de idade. O eucalipto convencional gera 45 metros cúbicos por hectare e está pronto para ser cortado aos sete anos de idade.

Segundo Eugênio Ullian, vice-presidente para assuntos regulatórios da FuturaGene, não é possível traçar um prazo para o cultivo comercial. "O processo está nas mãos da CTNBio", diz. Assim que a atividade for aprovada, a empresa pretende dar início aos plantios do eucalipto geneticamente modificado em São Paulo, para depois ser levado para a Bahia e o Maranhão, onde a empresa mantém plantações. (Valor Econômico 31/07/2014)

 

Brasil quer liderar rota de biocombustíveis avançados

Mais competitivo produtor de etanol do mundo, o Brasil lidera uma série de iniciativas de pesquisa e desenvolvimento sobre biocombustíveis que poderão representar um novo patamar de produtividade no cenário mundial de energia. O etanol celulósico, chamado de segunda geração e cujo processo de produção está baseado em enzimas e no uso de bagaço e palha para produção de combustível, será essencial para que o país possa acompanhar o aumento da demanda de combustíveis.

Em 2012, o país registrou um déficit de 4,6 bilhões de litros no etanol hidratado. Esse déficit poderá aumentar quase cinco vezes até o fim da década, diante do consumo em ascensão e de estagnação da produção atual por conta da política de combustíveis do governo, que tem evitado reajustes no preço da gasolina.

Um dos principais investimentos no mundo na nova rota tecnológica de produção de etanol de segunda geração está sendo feito no Brasil pela GranBio. A usina Bioflex 1, localizada em São Miguel dos Campos, em Alagoas, com capacidade para 82 milhões de litros anuais, está em fase de testes, que devem terminar em breve. A planta deve alcançar plena capacidade dentro de um ano, como previsto originalmente, afirma Alan Hiltner, vice-presidente Executivo da GranBio. A ideia é explorar tanto a demanda interna quanto externa do biocombustível.

A GranBio mantém o plano de investir R$ 4 bilhões em dez anos, o que contempla a construção e inauguração de dez plantas nesse período, entre usinas de segunda geração, unidades bioquímicas e biorrefinarias. "Temos a visão de produzir um bilhão de litros de etanol de segunda geração e um milhão de toneladas de açúcar para bioquímicos também nos próximos 10 anos", diz Hiltner. "Isso será possível com a adoção de parcerias e modelos associativos com usinas de primeira geração, além de estrutura de capital dimensionada para cada projeto", destaca. O executivo afirma que a localização das próximas plantas industriais e os investimentos ainda estão sendo definidos.

Os investimentos ocorrem pelas oportunidades existentes. "O potencial brasileiro na produção deste biocombustível é muito grande, principalmente porque aqui temos a fonte de biomassa mais competitiva do mundo, a cana-de-açúcar. Ao utilizar palha e bagaço como matéria-prima, ampliamos em aproximadamente 50% por hectare a capacidade atual da produção de etanol, sem a necessidade de ampliar a área planta de canavial. Com os avanços em tecnologia e acesso à biomassa dedicada ao açúcar de celulose, conseguiremos uma maior produção de etanol segunda geração. Assim, será possível dobrar a capacidade de produção em 20 a 30 anos", diz.

Outra vertente de pesquisa está sendo conduzida pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), iniciativa do Ministério de Ciência e Tecnologia e instalado em Campinas, que está analisando propostas de pesquisas a serem realizadas em sua Planta Piloto para Desenvolvimento de Processos, criada para estudos de escalonamento de tecnologias voltadas à produção de etanol celulósico e outros compostos a partir de biomassas. Ela possui seis diferentes módulos para testar experimentos, em escala semi-industrial, nas áreas de pré-tratamento, produção de enzimas, hidrólise de biomassa, fermentação alcoólica e bioprocessos em geral. A ideia é que processos possam ser concebidos em uma escala maior que em laboratórios menores e quase em escala pré-comercial, o que poderia reduzir o tempo de lançamento das inovações.

Comprometida com uma meta de crescimento neutro nas emissões de carbono até 2020 e em reduzir em 50% as emissões de dióxido de carbono sobre os níveis verificados em 2005 até 2050, a indústria de aviação mundial tem buscado o uso de combustíveis renováveis. Hoje o segmento responde por 2% das emissões de poluentes globais, fatia que pode crescer para 3% até 2030, segundo estudo da Fapesp e da Unicamp, lançado ano passado sobre o tema. Além do apelo sustentável, o uso de biocombustíveis reduziria o peso dos combustíveis fósseis nas planilhas de custo das aéreas, cujas despesas com compra de querosene de aviação chegam a representar 40% dos custos totais.

Exemplo nesse sentido é uma recente parceria firmada pela Gol e Amyris - companhia americana de biotecnologia que tem uma usina em Brotas, no interior paulista - para uso de um combustível renovável de aviação. A novidade poderá ser usada nos voos internacionais da empresa brasileira dos Estados Unidos para o Brasil. Pelo acordo, a Gol se compromete a usar uma mistura de até 10% do combustível renovável nas rotas em sua frota de Boeing 737.

Trata-se de uma mistura de bioquerosene, feita a partir de açúcares de biomassa, com querosene convencional, o farnesane, que, quando produzido sustentavelmente, pode reduzir em até 80% as emissões de poluentes globais em relação ao uso de outros combustíveis fósseis. Apoiada pela Boeing, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e outros parceiros, a Amyris está trabalhando para trazer este novo combustível renovável para as companhias aéreas comerciais. Além de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, estudos mostraram que o farnesane reduz as emissões de partículas em 3%, diminuindo a poluição perto de aeroportos e principais áreas metropolitanas. O combustível, feito no Brasil a partir da cana, pode ser até 30% mais eficiente no uso da terra em relação a outros combustíveis renováveis e pode ser até 70% mais eficiente. (Valor Econômico 31/07/2014)

 

Cosan Logística pede registro de companhia aberta na CVM

A Cosan Logística, empresa de serviços de transporte e logística da Cosan, pediu registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), conforme informações disponibilizadas no site da autarquia.

Em fevereiro, a Cosan anunciou a criação da Cosan Logística como empresa responsável pelo investimento na Rumo Logística, seu braço de logística. A investida seguiu divulgação de proposta de incorporação da ALL pela Rumo. (Reuters 30/07/2014)

 

Renuka renegocia dívidas de R$ 1,5 bilhão

A Renuka do Brasil, empresa com duas usinas de cana-de-açúcar em São Paulo, contratou assessoria financeira e jurídica para renegociar seus débitos com credores. Ao fim da safra 2013/14, em 31 de março deste ano, a dívida bancária das duas unidades paulistas da empresa, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars era de R$ 1,465 bilhão, superior à receita obtida no mesmo ciclo (R$ 1,046 bilhão).

Trata-se da terceira renegociação da Renuka do Brasil desde que a companhia indiana adquiriu o controle do negócio, em meados de 2009, do grupo Equipav, do ramo de construção. A nova rodada se tornou necessária porque, além de ter um endividamento elevado, o canavial das usinas paulistas da empresa, localizadas na região oeste do Estado, padecem mais uma vez com uma forte estiagem, o que deverá reduzir a moagem, conforme fontes da área.

A estimativa inicial da Renuka do Brasil era moer 10,5 milhões de toneladas de cana na safra 2014/15 nas duas unidades, ante as 8,9 milhões de toneladas processadas na temporada anterior, a 2013/14. Mas agora, afirmam as fontes, a companhia deverá apenas repetir o desempenho da temporada passada ou até moer menos, em torno de 8,5 milhões.

Os principais bancos credores da companhia - Bradesco, Santander, Votorantim, Banco do Brasil e Itaú - já começaram a conversar com os assessores contratados pela Renuka - Galeazzi & Associados e os advogados Joel Thomaz Bastos e Ricardo Sanches, do escritório Dias Carneiro. A expectativa dos credores é que os termos de um novo acordo sejam fechados em cerca de 30 dias.

O Valor apurou que representantes da trading Wilmar - que entrou no bloco de controle da Shree Renuka Sugars este ano - também participam das reuniões com os bancos. A diretriz da sócia de Cingapura é que o novo acordo seja "exequível", ou seja, compatível com o fluxo de caixa operacional das usinas.

Em balanço divulgado ontem, a Renuka do Brasil informou que teve prejuízo líquido de R$ 306,8 milhões na safra 2013/14, ante resultado líquido também negativo de R$ 281,4 milhões no exercício anterior. A companhia foi penalizada por uma despesa financeira 22,8% maior no período, de R$ 307,8 milhões.

Os credores também compartilham a visão de que a combinação de perda de produtividade agrícola por causa da seca e preços baixos de açúcar e etanol tende a piorar o resultado da Renuka do Brasil neste ciclo 2014/15. Por isso, dizem fontes, os bancos até consideram conceder nesse acordo um período de carência para retomada dos pagamentos.

No entanto, é possível que os sócios tenham que fazer um aporte no negócio para dar segurança aos credores de que o capital de giro para a continuidade das operações estará assegurado. Espera-se também que, com a renegociação, outros bancos voltem a conceder crédito de curto prazo para a companhia. Os executivos da indiana não foram encontrados para comentar o assunto.

Somando-se as usinas de São Paulo, do Paraná (Renuka Vale do Ivaí) e da Índia, a Shree Renuka Sugars, que tem capital aberto na bolsa de Mumbai, opera 11 unidades com capacidade total de moagem de 20,7 milhões de toneladas de cana anuais e duas refinarias de açúcar na Índia. (Valor Econômico 31/07/2014)

 

Renuka do Brasil tem prejuízo de R$ 306,8 milhões na safra 2013/14

SÃO PAULO - A Renuka do Brasil, empresa sucroalcooleira controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, informou que teve no exercício encerrado em 31 de março deste ano, período equivalente à safra 2013/14, um prejuízo líquido R$ 306,8 milhões, ante a perda líquida de R$ 281,4 milhões registrada no exercício anterior.

A empresa, que tem duas usinas de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, foi penalizada por uma despesa financeira 22,8% maior no ciclo, de R$ 307,8 milhões.

O prejuízo operacional antes do resultado financeiro foi de R$ 15,4 milhões em 2013/14, ante a perda operacional de R$ 92,6 milhões do exercício anterior.

A receita líquida cresceu 20,3%, a R$ 1,046 bilhão. No mesmo período, o custo dos produtos vendidos e serviços prestados cresceram menos — 16,8%, a R$ 977,9 milhões. As despesas administrativas e gerais caíram 16%, a R$ 44,2 milhões e as com vendas, recuaram 2,18%, a R$ 67,2 milhões.

A dívida da empresa com empréstimos e financiamentos caiu 2,65% no exercício, a R$ 1,465 bilhão, sendo R$ 310,5 milhões com vencimento em menos de um ano e, o restante, com prazo de vencimento mais longo.

A empresa informou ainda endividamento com partes relacionadas de R$ 269 milhões, 21,7% maior do que os R$ 221,8 milhões de 31 de março de 2013.

As duas usinas da Renuka do Brasil processaram em 2013/14 8,9 milhões de toneladas de cana. O grupo indiano também controla duas outras usinas no Brasil, localizadas no Paraná, que estão sob o guarda-chuva de outra empresa, a Renuka Vale do Ivaí. (Valor Econômico 30/07/2014 às 20h: 00m)

 

Exportações de etanol recuam mais de 30% em 2014

Etanol de cana perde competitividade em relação ao etanol de milho, produzido nos Estados Unidos.

O etanol brasileiro não consegue competir com o combustível que é produzido nos Estados Unidos. Apesar da queda das vendas externas, o aumento do consumo interno e a diminuição da oferta este ano, devem fazer com que os preços subam.

A perda de competitividade do etanol feito com a cana-de-açúcar, em relação ao etanol de milho, ajuda a explicar a queda das exportações do produto brasileiro. Os preços do milho caem com a previsão de safra de mais de 350 milhões de toneladas do cereal nas lavouras americanas.

– Nós deixamos de vender ao mercado americano, mas outros mercados estão sendo ocupados pelo etanol americano neste momento. Mercados tradicionais do Brasil, as nossas exportações foram reduzidas para os Estados Unidos e para estes outros mercados – diz Tarcilo Rodrigues, analista de mercado.

A queda das exportações de etanol vem sendo compensada pelo aumento das vendas no mercado interno, que cresceram 12% nos seis primeiros meses do ano. O aumento de consumo acontece tanto para o etanol anidro, quanto para o hidratado. A oferta do combustível é maior, por enquanto, porque a moagem de cana este ano está superior na comparação com o mesmo período de 2013. O acumulado até junho é cerca de 10% maior, com mais de 200 milhões de toneladas de cana.

– Dá a impressão ao mercado, que nós temos mais cana este ano, o que não é verdade. No ano passado, nós produzimos 595 milhões de toneladas no Centro-Sul. Este ano, a gente deve chegar em 560, e algumas empresas, inclusive, trabalham com o número de 550 milhões – afirma Arnaldo Luiz Corrêa, gestor de riscos de commodities agrícolas.

Por causa da seca, a colheita da cana está acelerada, mas a estiagem diminuiu a produção dos canaviais e os preços do etanol caíram com o aumento de oferta dos últimos meses.

– Os preços estabilizam agora, talvez mais 30 dias estáveis e comece uma ligeira subida para ir ajustando os estoques disponíveis, até que se encontre a próxima safra – projeta Rodrigues.

Mesmo com aumento de preços, os especialistas criticam o controle do valor da gasolina que limita os ganhos do etanol. O setor sucroenergético enfrenta crise com o fechamento de usinas e o alto endividamento das empresas que tentam se manter.

– O setor deve hoje quase 60 bilhões de reais, é uma dívida enorme. Muito em função da promessa de expansão – pontua Corrêa. (Canal Rural 30/07/2014 às 19h: 20m)

 

Unica avalia como "positivas" críticas de Aécio à política do governo para etanol

Aécio Neves: "Talvez uma das faces mais perversas da incapacidade do governo de estabelecer prioridades se dá no setor de etanol".

O ataque do candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, à política do governo Dilma Rousseff para o setor produtivo de etanol foi visto como positivo pela presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina. O presidenciável tucano participou mais cedo de sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). "Eu achei que o fato dele (Aécio) de mencionar explicitamente o etanol foi positivo", afirmou a executiva ao Broadcast.

Em seu discurso, Aécio criticou a política do governo para o setor de energia e combustíveis, como a contenção do preço da gasolina, que prejudica o crescimento da indústria do etanol. Segundo ele, o setor sucroalcooleiro vive uma "desorganização que atinge toda a cadeia". "Talvez uma das faces mais perversas da incapacidade do governo de estabelecer prioridades se dá no setor de etanol", disse.

Sobre o setor de energia, o senador tucano chamou de "nociva" a intervenção do governo com o novo marco regulatório vigente desde 2013. "O retrato mais nocivo (da ação estatal na economia) talvez tenha sido a intervenção do setor elétrico, uma opção errada", disse.

Elizabeth evitou polemizar politicamente as declarações de Aécio, mas ressaltou que "o etanol faz parte dessa matriz energética e sofre com a política para o setor".

A presidente da UNICA afirma que o setor sucroalcooleiro espera uma sinalização do governo sobre o aumento do porcentual de etanol na gasolina para que o segmento se planeje para ciclo produtivo da cana em 2015. A mistura é atualmente de 25% de álcool anidro sobre o combustível.

A elevação da mistura é alvo de uma comissão interministerial, empresários e o Inmetro, que faz testes técnicos sobre o impacto do aumento nos motores de veículos apenas a gasolina. Segundo Elizabeth, um estudo deve ficar pronto até o final de outubro. "O setor tem condição de atender a demanda (do aumento da mistura)", indicou. (Agência Estado 30/07/2014 às 16h: 58m)

 

Senador critica preço da gasolina no governo Dilma

Ao ser abordado sobre a situação dos produtores de cana da Zona da Mata, no jantar-debate do grupo Lide-Pernambuco, o senador Armando Monteiro Neto, do PTB, candidato ao governo do Estado pelas oposições, em aliança com o PT, acabou criticando indiretamente a política energética do governo Dilma, ao reclamar do fim da Cide e da política de preços para o etanol pela Petrobras.

“Várias unidades fecharam na Zona da Mata. O setor de etanol (álcool) sofre no Brasil inteiro. Os problemas são causados pela compressão do preço da gasolina, contido em níveis inferiores prejudica o etanol (o preço do produto é atrelado ao da gasolina). Não temos reajustes realistas e acabou-se com a Cide. Eu defendo subsídios sociais, mais aqui no Nordeste do que no Sul, pois temos menos mecanização e condições topográficas adversas. Seria melhor do que programas sociais”, disse Armando Monteiro.

Sabe quem concorda com ele?

Nesta quarta, em evento na CNI, por coincidência, o candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB) criticou a política de congelamentos dos preços da gasolina, praticada pelo governo Dilma Rousseff. Segundo ele, tanto o combustível quanto a energia estão com preços represados por razões eleitorais, já que um aumento teria impacto na inflação e efeitos negativos à campanha de reeleição da presidente.

“Acho que o governo atual está segurando até outubro [OS PREÇOS]“, afirmou durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (30) na CNI (Confederação Nacional da Indústria). “A Petrobras precisa ser respeitada em seu planejamento. Precisa de uma política de preços definida, que não possa ser objeto da interferência do Estado”, disse.

No evento do Lide, nesta segunda-feira, aparentemente buscou fugir da defesa intransigente do setor.

“Não dá para reativar algo que seja antieconômico. Tem que ver se faz sentido, do contrário, é o modelo paternalista que está condenado a não se sustentar”, observou. (Boa Informação 30/07/2014)

 

Usineiros e produtores enfrentam uma das piores crises da cana

Mais de 40 usinas interromperam as atividades nos últimos anos. Só nesta safra, 12 já fecharam as portas.

Usineiros e produtores de cana estão enfrentando uma das piores crises no setor. Mais de 40 usinas interromperam as atividades nos últimos anos, só nesta safra, 12 fecharam as portas.

Há mais de 50 anos, a família de José Saulo Padovese trabalha no cultivo de cana, em Jaú, no interior de São Paulo. O negócio vinha sendo passado de pai para filho, mas está ameaçado. O preço do produto não acompanhou o aumento dos custos de produção. “Há cinco anos, não temos reajuste, enquanto os insumos e os produtos todos subiram muito”, diz o produtor.

O agricultor quer parar de vender a cana para as usinas e investir na própria fazenda.

Em todo o Brasil há 70 mil produtores de cana. Eles se uniram aos donos de usinas para pedir ao governo mudanças no setor, entre elas, o aumento na mistura de etanol na gasolina de 25% para 27,5%, mais incentivo para a produção de bioenergia nas usinas e menos impostos para o etanol.

O Brasil tem 389 usinas de produção de açúcar e etanol, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar. Doze não vão operar este ano e desde 2008, 44 já deixaram de operar.

Uma delas fica em Presidente Alves, no interior de São Paulo. A empresa tem dívidas de mais de R$ 60 milhões e fez um acordo na Justiça para pagar os credores. Marcos Alves de Souza é advogado do comitê que representa 1,5 mil produtores de cana. Segundo ele, desde setembro do ano passado, ninguém recebeu um tostão.

Outra usina, em Espírito Santo do Turvo, também parou a produção. A empresa demitiu mil cortadores de cana.

Muitas famílias tiveram que se mudar em busca de novos trabalhos na região, como Jaqueline de Andrade, que conseguiu emprego na prefeitura. Durante cinco anos, ela trabalhou na usina e ainda tem esperança de receber cerca de R$ 10 mil.

Em Brasília, Cid Caldas, coordenador de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, falou sobre o assunto

Assista a íntegra da matéria em:

http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2014/07/usineiros-e-produtores-enfrentam-uma-das-piores-crises-canavieiras.html. (Globo Rural 30/07/2014)

 

Braço agrícola da FMC registra alta de 20% nas vendas no 2º trimestre

SÃO PAULO - A divisão agrícola da multinacional americana FMC registrou um crescimento de 20% em sua receita no segundo trimestre de 2014, ante o mesmo período do ano passado, para US$ 531,2 milhões. O lucro das operações continuadas antes de impostos, totalizaram US$ 130,7 milhões, alta de 4,8% na mesma comparação.

Em comunicado que acompanhou o balanço, divulgado nesta quarta-feira, a FMC disse que o aumento na receita foi impulsionado pela maior demanda por herbicidas tanto na América do Norte quanto na Europa. “Esses ganhos foram parcialmente contrabalançados por vendas menores de inseticidas na América do Norte e pela contínua redução da demanda no setor de cana-de-açúcar no Brasil”, afirmou.

No acumulado do primeiro semestre de 2014, o lucro das operações continuadas antes de impostos do braço agrícola caiu 13%, a US$ 250,8 milhões. Já a receita alcançou US$ 998,1 milhões, 6,4% acima de janeiro a junho do ano passado. As vendas totais da companhia no período somaram US$ 1,93 bilhão. 

A FMC espera que a introdução de novos produtos na América Latina e ganhos de participação de mercado em algodão e soja sejam os motores para o aumento da receita e do lucro de sua operação agrícola no segundo semestre de 2014. (Valor Econômico 30/07/2014 às 18h: 56m)

 

Campos defende regras claras para reajuste de preços da Petrobras

O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, defendeu nesta quarta-feira que a política de reajuste de preços de combustíveis precisa ter “regras claras”.

Campos, que está em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, defendeu após encontro com empresários que essas regras levem em conta não apenas um planejamento geral da política energética nacional, mas também o planejamento específico da Petrobras, além de considerar também a competitividade do etanol.

“O que a Petrobras precisa é ser respeitada no seu planejamento”, disse Campos a jornalistas, após apresentação na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

“Vamos ter uma regra clara, uma regra para o reajuste dos combustíveis”, afirmou o candidato, ex-governador de Pernambuco.

O último reajuste dos preços de gasolina e diesel nas refinarias aplicado pela Petrobras ocorreu no final do ano passado. A estatal tem sido criticada por não informar detalhes e prazos sobre a questão de preços.

Também participam do evento da CNI nesta quarta o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, e a presidente Dilma Rousseff (PT), que tentará a reeleição em outubro. (Reuters 30/07/2014)

 

Crédito e câmbio também preocupam produtor

Um dos problemas com os quais os produtores terão de lidar é a queda dos preços das commodities. Praticamente já assimilaram essa provável desvalorização, que ainda depende do desenvolvimento das lavouras nos EUA.

Mas há outras dificuldades que devem ser consideradas e podem afetar o bolso do agricultor, segundo Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio).

Entre elas estão câmbio, crédito e juros. A queda dos preços está praticamente assimilada pelo mercado, devido à recomposição da produção mundial e dos estoques.

A soja, que era negociada a US$ 15,50 por bushel há um ano, está em US$ 12,20 em Chicago. No mesmo período, o milho caiu de US$ 4,96 para US$ 3,62 por bushel.

Um outro problema que pode afetar a renda do produtor é o desempenho da economia mundial. Uma recuperação norte-americana vai levar mais dinheiro para os Estados Unidos, provocando uma redução no Brasil.

Os bancos fornecedores de crédito podem começar a colocar travas ao fornecimento de dinheiro ao campo. Sem crédito, não haverá novos investimentos, diz Carvalho.

Um dos pontos positivos para o setor agropecuário poderá ser o câmbio. Se o valor da moeda norte-americana for a R$ 2,45, como se prevê, poderá favorecer exportações e melhorar a renda no campo. Caso contrário, o país perde competitividade e exporta menos, derrubando ainda mais os preços internos de alguns produtos.

Para discutir os entraves ao agronegócio e a importância do setor na economia brasileira, a Abag reunirá representantes da agropecuária na próxima segunda-feira (4), em São Paulo. (Folha de São Paulo 31/07/2014)

 

SRB cobra maior integração do governo com produtor rural

O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Junqueira, cobrou, em palestra no Circuito Expocorte, em Campo Grande (MS), uma maior integração do governo brasileiro com o produtor rural.

A integração, segundo ele, seria feita com a apresentação de programas de longo prazo para que o produtor possa se planejar. 'Tudo que foi feito na agricultura e pecuária brasileira foi feito à margem do Estado', disse ele. 'O único investimento feito pelo governo foi disponibilizar recursos financeiros, já que os recursos para o plano safra saíram de R$ 40 bilhões para R$ 156 bilhões desde 2003'.

Segundo o presidente da SRB, os gargalos logísticos e os problemas persistentes de sanidade mostram que a agropecuária brasileira é tratada de maneira amadora. 'É preciso de um projeto de longo prazo e não ser reativo ao processo', concluiu. (Agência Estado 30/07/2014)

 

Segunda geração de sementes beneficia lavouras no Cone Sul

Há duas décadas, a ciência surpreendeu os agricultores com a introdução de sementes transgênicas que proporcionam lavouras resistentes a herbicidas. Passado o tempo, a biotecnologia ainda é motivo de polêmica - escassez da oferta de sementes tradicionais e monopólio de grandes empresas são algumas delas -, mas a inovação dá um passo à frente com uma nova geração de sementes e expansão nas lavouras. No período de 20 anos, a área com culturas transgênicas subiu de 1,7 milhão de hectares para 175,2 milhões de hectares nos principais países produtores. "É a prova da eficiência e aceitação da tecnologia pelos produtores", diz Adriana Brondani, diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).

Há 18 anos, a Monsanto é a líder desse segmento de biotecnologia, desde que a soja Roundup Ready (RR), tolerante ao herbicida glifosato, foi colocada no mercado. Em 2013, a companhia de Saint Louis (EUA) alcançou US$ 14,9 bilhões em vendas, dos quais 70% correspondem à divisão de sementes e genômicas. "A empresa investe de 10% a 12% de seu faturamento global (US$ 14,9 bilhões em 2013) em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na área de biotecnologia", informa Geraldo Berger, diretor de regulamentação da Monsanto no Brasil. O país é o segundo maior mercado para a multinacional americana.

Ao fazer um balanço sobre a entrada dos transgênicos no campo, Berger comenta que a tecnologia comprovou sua relevância nos países onde a agricultura tem importância econômica. "Agora é o momento da segunda geração dessa tecnologia, com sementes que agrupam o maior número de características genéticas novas", diz. O diretor exemplifica com a nova soja da Monsanto, a Intacta RR2 PRO, disponível nesta safra, a 2013/14. A nova semente combina a segunda geração da tecnologia Roundup Ready (RR2) - uma versão mais produtiva da semente tolerante ao herbicida glifosato - e a tecnologia Bt, que oferece resistência a alguns tipos de lagarta, um problema típico das lavouras brasileiras. Berger informa que inicialmente a variedade foi aprovada para o mercado brasileiro, mas a semente também será adotada pelos países do Cone Sul (Argentina, Uruguai e Paraguai), que sofrem com a incidência da praga.

"Vários setores passaram a compreender os transgênicos, que deixaram de estar no centro da discussão como no passado", acredita Cristhiane Bothona, gerente de assuntos regulatórios da Syngenta no Brasil. A múlti de origem suíça tem cinco tecnologias transgênicas ligadas ao milho cultivado no país. Conforme Bothona, a companhia destina US$ 1,4 bilhão (equivalente a 10% de seu faturamento) na área de P&D.

Para a próxima safra, a 2015/16, a Basf pretende colocar no mercado brasileiro a soja "Cultivance", um transgênico resistente a herbicida desenvolvido em parceria com a Embrapa - empresa com quem mantém acordos de cooperação nas áreas de defensivos biológicos e absorção de nutrientes. Nos Estados Unidos, e com a Monsanto, a companhia alemã se prepara para lançar a primeira variedade geneticamente modificada de milho tolerante à seca.

O produto é fruto de um acordo das áreas de P&D firmado em 2007, com o objetivo de desenvolver tecnologias nas áreas de tolerância à estiagem com investimentos conjuntos da ordem de US$ 2,5 bilhões. "Trata-se de uma nova era da transgenia, com empresas buscando acelerar o desenvolvimento de produtos", diz Luiz Carlos Louzano, gerente de biotecnologia da Basf para o Brasil. Segundo ele, a companhia investe globalmente €180 milhões por ano apenas na área de biotecnologia.

Porém, não são apenas na soja, no milho e no algodão que residem os projetos. O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), uma das poucas companhias do mundo dedicadas a pesquisar cana-de-açúcar - controlada pelas gigantes do segmento sucroalcooleiro Copersucar e (Cosan / Shell) - investiu R$ 40 milhões em três novos laboratórios de biotecnologia, que agora passam a ser cinco no total. Uma das metas é acelerar o desenvolvimento de variedades de cana geneticamente modificada, além da produção do etanol celulósico, feito a partir da palha da cana. O investimento vai permitir estender características transgênicas para até 12 variedades, entre elas, a cana resistente à broca, que causa pesados danos à cultura, a ser lançada em 2017, e outras duas tolerantes à seca e com maior teor de açúcar.

No começo do ano, a FuturaGene, empresa de biotecnologia que pertence a Suzano Papel e Celulose, submeteu à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) pedido de aprovação do plantio e uso comercial de eucalipto transgênico. A nova planta tem condições de produzir 20% mais madeira e o primeiro corte poderá ser feito aos cinco anos e meio de idade. O eucalipto convencional gera 45 metros cúbicos por hectare e está pronto para ser cortado aos sete anos de idade.

Segundo Eugênio Ullian, vice-presidente para assuntos regulatórios da FuturaGene, não é possível traçar um prazo para o cultivo comercial. "O processo está nas mãos da CTNBio", diz. Assim que a atividade for aprovada, a empresa pretende dar início aos plantios do eucalipto geneticamente modificado em São Paulo, para depois ser levado para a Bahia e o Maranhão, onde a empresa mantém plantações. (Valor Econômico 31/07/2014)

 

Brasil quer liderar rota de biocombustíveis avançados

Mais competitivo produtor de etanol do mundo, o Brasil lidera uma série de iniciativas de pesquisa e desenvolvimento sobre biocombustíveis que poderão representar um novo patamar de produtividade no cenário mundial de energia. O etanol celulósico, chamado de segunda geração e cujo processo de produção está baseado em enzimas e no uso de bagaço e palha para produção de combustível, será essencial para que o país possa acompanhar o aumento da demanda de combustíveis.

Em 2012, o país registrou um déficit de 4,6 bilhões de litros no etanol hidratado. Esse déficit poderá aumentar quase cinco vezes até o fim da década, diante do consumo em ascensão e de estagnação da produção atual por conta da política de combustíveis do governo, que tem evitado reajustes no preço da gasolina.

Um dos principais investimentos no mundo na nova rota tecnológica de produção de etanol de segunda geração está sendo feito no Brasil pela GranBio. A usina Bioflex 1, localizada em São Miguel dos Campos, em Alagoas, com capacidade para 82 milhões de litros anuais, está em fase de testes, que devem terminar em breve. A planta deve alcançar plena capacidade dentro de um ano, como previsto originalmente, afirma Alan Hiltner, vice-presidente Executivo da GranBio. A ideia é explorar tanto a demanda interna quanto externa do biocombustível.

A GranBio mantém o plano de investir R$ 4 bilhões em dez anos, o que contempla a construção e inauguração de dez plantas nesse período, entre usinas de segunda geração, unidades bioquímicas e biorrefinarias. "Temos a visão de produzir um bilhão de litros de etanol de segunda geração e um milhão de toneladas de açúcar para bioquímicos também nos próximos 10 anos", diz Hiltner. "Isso será possível com a adoção de parcerias e modelos associativos com usinas de primeira geração, além de estrutura de capital dimensionada para cada projeto", destaca. O executivo afirma que a localização das próximas plantas industriais e os investimentos ainda estão sendo definidos.

Os investimentos ocorrem pelas oportunidades existentes. "O potencial brasileiro na produção deste biocombustível é muito grande, principalmente porque aqui temos a fonte de biomassa mais competitiva do mundo, a cana-de-açúcar. Ao utilizar palha e bagaço como matéria-prima, ampliamos em aproximadamente 50% por hectare a capacidade atual da produção de etanol, sem a necessidade de ampliar a área planta de canavial. Com os avanços em tecnologia e acesso à biomassa dedicada ao açúcar de celulose, conseguiremos uma maior produção de etanol segunda geração. Assim, será possível dobrar a capacidade de produção em 20 a 30 anos", diz.

Outra vertente de pesquisa está sendo conduzida pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), iniciativa do Ministério de Ciência e Tecnologia e instalado em Campinas, que está analisando propostas de pesquisas a serem realizadas em sua Planta Piloto para Desenvolvimento de Processos, criada para estudos de escalonamento de tecnologias voltadas à produção de etanol celulósico e outros compostos a partir de biomassas. Ela possui seis diferentes módulos para testar experimentos, em escala semi-industrial, nas áreas de pré-tratamento, produção de enzimas, hidrólise de biomassa, fermentação alcoólica e bioprocessos em geral. A ideia é que processos possam ser concebidos em uma escala maior que em laboratórios menores e quase em escala pré-comercial, o que poderia reduzir o tempo de lançamento das inovações.

Comprometida com uma meta de crescimento neutro nas emissões de carbono até 2020 e em reduzir em 50% as emissões de dióxido de carbono sobre os níveis verificados em 2005 até 2050, a indústria de aviação mundial tem buscado o uso de combustíveis renováveis. Hoje o segmento responde por 2% das emissões de poluentes globais, fatia que pode crescer para 3% até 2030, segundo estudo da Fapesp e da Unicamp, lançado ano passado sobre o tema. Além do apelo sustentável, o uso de biocombustíveis reduziria o peso dos combustíveis fósseis nas planilhas de custo das aéreas, cujas despesas com compra de querosene de aviação chegam a representar 40% dos custos totais.

Exemplo nesse sentido é uma recente parceria firmada pela Gol e Amyris - companhia americana de biotecnologia que tem uma usina em Brotas, no interior paulista - para uso de um combustível renovável de aviação. A novidade poderá ser usada nos voos internacionais da empresa brasileira dos Estados Unidos para o Brasil. Pelo acordo, a Gol se compromete a usar uma mistura de até 10% do combustível renovável nas rotas em sua frota de Boeing 737.

Trata-se de uma mistura de bioquerosene, feita a partir de açúcares de biomassa, com querosene convencional, o farnesane, que, quando produzido sustentavelmente, pode reduzir em até 80% as emissões de poluentes globais em relação ao uso de outros combustíveis fósseis. Apoiada pela Boeing, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e outros parceiros, a Amyris está trabalhando para trazer este novo combustível renovável para as companhias aéreas comerciais. Além de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, estudos mostraram que o farnesane reduz as emissões de partículas em 3%, diminuindo a poluição perto de aeroportos e principais áreas metropolitanas. O combustível, feito no Brasil a partir da cana, pode ser até 30% mais eficiente no uso da terra em relação a outros combustíveis renováveis e pode ser até 70% mais eficiente. (Valor Econômico 31/07/2014)