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Odebrecht Agro terá 'injeção' de até R$ 1,5 bi

A Odebrecht Agroindustrial, braço sucroalcooleiro do grupo Odebrecht, convocará este mês seus acionistas, entre os quais a BNDESPar, para realizar um aumento privado de capital. A meta é captar R$ 1,5 bilhão entre os sócios. O grupo Odebrecht, que detém 56% de participação no negócio, já se comprometeu a aportar R$ 820 milhões, afirmou ao Valor o presidente da Odebrecht Agroindustrial, Luiz Mendonça.

O aumento de capital é o segundo passo anunciado neste ano pela Odebrecht Agro para equacionar sua estrutura de capital e garantir investimentos nesta e nas próximas duas safras. A primeira medida foi a venda dos ativos de cogeração, por R$ 3,7 bilhões, à Odebrecht Energia Renovável, subsidiária criada pelo grupo para investir em energia limpa. Até 31 de março, essa alienação de ativos significou uma desalavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) da ordem de R$ 1,1 bilhão - R$ 478 milhões via transferência de dívida e R$ 628 milhões em caixa.

Até março de 2015, vão entrar no caixa os R$ 2,6 bilhões restantes dessa operação. "Considerando o aumento de capital do grupo Odebrecht, de R$ 820 milhões, teremos uma redução (pro-forma) de cerca de R$ 3,5 bilhões na nossa dívida líquida", afirmou Mendonça. Em 31 de março deste ano, a Odebrecht Agroindustrial informava um endividamento líquido de R$ 10,8 bilhões e uma receita líquida de R$ 2,6 bilhões.

Os recursos - tanto os provenientes da venda da cogeração quanto os do aumento de capital - vão garantir os investimentos de R$ 2,3 bilhões já aprovados pelo conselho da empresa para o triênio que começou nesta safra 2014/15, explica o executivo. O orçamento prevê injetar R$ 900 milhões em 2014/15 (basicamente plantio de cana-de-açúcar), R$ 700 milhões em 2015/16 e outros R$ 700 milhões em 2016/17. "Obviamente, se houver melhora do cenário para o etanol, podemos acelerar os investimentos. Se o quadro piorar, podemos questionar alguns deles", observou Mendonça.

Nas nove usinas que detém - em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás - a Odebrecht Agroindustrial deverá processar nesta temporada 2014/15 em torno de 27 milhões de toneladas de cana, 20% acima das 22,5 milhões de toneladas de 2013/14. Em duas safras, até 2016/17, a empresa pretende atingir a moagem de 32 milhões de toneladas.

O presidente da companhia preferiu não comentar sua expectativa quanto à postura dos demais acionistas da Odebrecht Agro sobre o aumento de capital. "Eles vão se manifestar na AGE [Assembleia Geral Extraordinária]. Todos têm sua estrutura de governança interna. Não tenho um guidance a anunciar sobre essa questão", disse Mendonça.

Com uma fatia de 14,4% da Odebrecht Agroindustrial, a BNDESPar, se participar integralmente da chamada de capital, terá de injetar cerca de R$ 210 milhões. Já o fundo Ashmore, com 13,1%, teria que colocar em torno de R$ 189 milhões para não ter sua participação no negócio diluída. A Tarpon Investimentos, com 2,4%, teria que aumentar seu capital em aproximadamente R$ 34,6 milhões.

Se a captação atingir R$ 1,5 bilhão, a estrutura de capital da Odebrecht Agroindustrial passará a ser composta por 15% de equity (capital dos sócios) e 85% de dívida, ante uma proporção atual de 2% e 98%, respectivamente, explicou o vice-presidente de Finanças da companhia sucroalcooleira, Alexandre Perazzo.

Esse plano estratégico, que culminou na venda da cogeração e agora na capitalização de R$ 820 milhões, já vinha sendo desenhado pelo grupo há alguns meses, disse Mendonça. Segundo ele, a companhia segue "realista" no curto prazo, mas otimista nas perspectivas de rentabilidade do etanol no longo prazo. Questionado sobre se a empresa espera um reajuste dos preços da gasolina após as eleições, Mendonça se limitou a dizer que em algum momento o Brasil terá que corrigir esse rumo. "Essa correção está cada vez mais próxima".

A companhia também espera que a capitalização seja uma aliada na renegociação já iniciada com os bancos credores. Além do alongamento dos vencimentos, a empresa busca uma redução do custo da dívida. Em 31 de março deste ano, o endividamento bancário de curto prazo da companhia sucroalcooleira era de R$ 5,275 bilhões. Mendonça informou que cerca de metade desse montante já foi alongado com os bancos. "Temos compromisso dos nossos credores de seguir com essa renegociação. O ideal é ter, no máximo, 20% dos vencimentos no curto prazo", afirmou Mendonça. (Valor Econômico 06/08/2014)

 

Açúcar: Baixa demanda

Os preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York caíram pela quarta sessão consecutiva ontem.

Os lotes para março de 2015 fecharam com recuo de 16 pontos, a 17,97 centavos de dólar por libra-peso. As previsões climáticas para o Centro-Sul indicam que o tempo deve continuar seco nos próximos dias, o que favorece o avanço da colheita de cana.

Os compradores, ainda com estoques bem abastecidos, preferem evitar realizar negócios no mercado futuro. A baixa demanda tem aberto espaço para sucessivas desvalorizações dos contratos.

Há temores, porém, de um atraso do início da safra na Índia por causa de um impasse entre produtores e usinas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo recuou 0,04%, para R$ 45,80 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 06/08/2014)

 

Comissão aprova aumento da “banda” da mistura de etanol na gasolina

BRASÍLIA - A comissão especial criada no Congresso para tratar da Medida Provisória 647, que prevê o aumento do percentual de mistura de biodiesel no diesel vendido no país, aprovou nesta terça-feira a elevação da ‘banda’ de mistura de etanol anidro na gasolina de entre 18% e 25% para entre 20% e 27,5%. A novidade consta em relatório apresentado pelo deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP) e precisa ser votada na Câmara e no Senado.

O texto original da MP, encaminhada pelo governo ao Congresso no fim de maio, não previa qualquer alteração da mistura do etanol na gasolina. O objetivo do Planalto com a medida, de elevar a proporção de biodiesel no diesel de 5% para 7%, também foi aprovada pela comissão formada por deputados e senadores.

Pressionado pelo setor produtivo, o governo vem testando os motores dos veículos que rodam apenas com gasolina para checar a viabilidade técnica de elevar a mistura de etanol anidro no combustível fóssil de 25% para 27,5%. Segundo a indústria automobilística, esse aumento pode comprometer o desempenho de automóveis.

Mesmo a Unica, entidade que representa usinas sucroalcooleiras do Centro-Sul do país, já não conta mais com a possibilidade de a elevação da mistura sair neste ano, por conta do calendário mais curto do Legislativo e da falta de consenso dentro do governo a respeito.

“Até o setor de etanol certamente ficará surpreso com a aprovação de hoje”, disse Jardim ao Valor.

Sobre o biodiesel, a comissão especial também aprovou uma alteração na MP. Pelo texto original, a mistura de biodiesel aumentaria de 5% para 6% em 1º de julho — a elevação está em vigor — e passaria para 7% em 1º de novembro. E previa que, em casos como a quebra da safra de soja, matéria-prima mais utilizada para a produção de biodiesel no país, o governo poderia reduzir o percentual para 5%. A comissão, entretanto, aprovou hoje a limitação desse piso em 6%. (Valor Econômico 05/08/2014 às 20h: 11m)

 

Mantega indica que haverá reajuste nos preços da gasolina neste ano

"Todos os anos tem correção do preço da gasolina. Uns mais, outros menos, todos os anos têm correção. Não houve nenhum ano em que que não teve aumento da gasolina. Essa é a regra".

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira (5) que em todos os anos houve correção nos preços da gasolina e que o comportamento do governo é continuar com reajustes normais, mas negou que haverá "tarifaço" após as eleições de outubro.

"Todos os anos tem correção do preço da gasolina. Uns mais, outros menos, todos os anos têm correção. Não houve nenhum ano em que que não teve aumento da gasolina. Essa é a regra", afirmou o ministro em entrevista à agência de notícias Reuters.

"Quando ocorrerá o aumento, essa é decisão que mexe com o mercado, com ações, não se comenta. É questão das empresas responsáveis", afirmou o ministro, que também é presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

Mantega deu a declaração ao ser questionado se, com a desaceleração da inflação mais para o fim deste semestre, haveria espaço para ajustes nos preços administrados.  "Nosso comportamento é continuar com reajustes normais (da gasolina), sem tarifaço", afirmou o ministro.

A diretoria da Petrobras tem pleiteado ao governo reajuste dos preços dos combustíveis para reduzir a defasagem dos valores cobrados no Brasil em relação aos do exterior, algo que afeta as finanças da companhia.

A gasolina tem um peso importante no IPCA, índice que baliza a meta de inflação do governo. A meta é de 4,5% ao ano, com margem de tolerância de dois pontos para mais ou para menos.

Com o IPCA em 12 meses acima do teto da meta atualmente, o governo tem menos espaço para elevar preços administrados como os dos combustíveis.

A última vez em que houve reajuste nos preços da gasolina foi em novembro do ano passado, quando a Petrobras anunciou aumento médio de 4% na gasolina e de 8% no diesel, nas refinarias (nas bombas, diretamente para o consumidor, o reajuste podia ser outro). Na época, especialistas calcularam que a alta da gasolina ao consumidor final seria de cerca de 3%. (Reuters 05/0/2014 às 18h: 06m)

 

Setor de etanol precisa de previsibilidade para poder competir

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse nesta segunda-feira que pretende manter uma previsibilidade no mercado de etanol, inclusive discutindo uma política de preços mínimos, para garantir a competitividade do biocombustível.

"O etanol sofre hoje com uma concorrência desleal da própria Petrobras, então a previsibilidade é a regra número um do nosso governo", disse o candidato a jornalistas depois de participar do 13º Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo.

Ele acrescentou que, caso eleito, irá discutir uma política de preços mínimos para que oetanol possa resgatar sua capacidade de competição, lembrando que nos últimos anos mais de 40 usinas foram fechadas e cerca de 20 estão em processo de liquidação judicial.

Aécio afirmou que o Brasil está na contramão de outras economias porque "subsidia combustíveis fósseis, o que nenhum país do mundo faz", mas não deu detalhes sobre seus planos para a precificação do petróleo e dos combustíveis como gasolina e diesel no mercado interno, que afetam a competitividade do etanol.

Aécio, que não fez apresentação durante o congresso, disse aos jornalistas que o problema do agronegócio brasileiro começa da porteira para fora, porque é onde faltam rodovias, ferrovias, hidrovias e portos competitivos.

"O que nós temos de fazer é declarar guerra ao ´custo Brasil´, com a simplificação do sistema tributário, com regras claras que permitam o retorno dos investimentos. E precisamos de segurança jurídica em todos os setores", disse. (Reuters 04/08/2014)

 

Etanol em SP custa menos da metade da gasolina

Em 37 dos 40 postos pesquisados pelo DIÁRIO, preço do álcool estava mais vantajoso.

Apesar de o setor usineiro estar atravessando uma aguda crise, com demissões em massa, o etanol continua sendo a opção mais econômica na hora de abastecer o carro. Nesta segunda-feira (4), o DIÁRIO pesquisou o preço do álcool e da gasolina em 40 postos de combustíveis espalhados pelas cinco regiões da cidade e encontrou uma diferença de preço na qual o litro do etanol chegava a custar menos da metade do da gasolina. Enquanto em um posto na Freguesia do Ó, Zona Norte, o litro do álcool custava R$ 1,649, em outro, na Zona Oeste, o da gasolina saía por R$ 3,399.

Na ponta do lápis

A desenhista industrial Cleide Perez Jacomini, de 55 anos, é exemplo de quem quase sempre abastece o carro com etanol. Para calcular qual o combustível mais barato, ela não dispensa uma conta na ponta do lápis. “Eu encho o tanque de etanol em um posto e marco quantos quilômetros andei. Depois, quando abasteço em outro posto, faço o mesmo cálculo para saber se a procedência do etanol é boa”, disse.

De todos os estabelecimentos pesquisados, somente em três compensava abastacer com gasolina. Para saber se vale a pena encher o taque com etanol, divida o preço dele pelo valor do litro da gasolina. Se o resultado for igual ou menor a 0.7, o álcool é a melhor opção. (DCI 05/08/2014)

 

Cosan declara força maior para alguns clientes de açúcar

A Cosan, maior produtora de açúcar do Brasil, declarou força maior para alguns clientes depois que um incêndio destruiu armazém no porto de Santos, informou a companhia nesta terça-feira.

A medida foi preventiva, enquanto a empresa avalia os estragos causados pelo fogo, que começou no domingo à tarde e controlado pelos bombeiros na segunda.

Algumas entregas podem sofrer atrasos, disse a Cosan por meio da assessoria de imprensa. A empresa não informou quantos clientes foram afetados.

Um dos dois terminais operados pela Rumo, divisão de logística da Cosan, não foi afetado pelo incêndio, e pelo menos um berço no segundo terminal, o terminal 19, retomou operações na segunda-feira.

A Cosan ainda avalia se algum volume das 15 mil toneladas de açúcar do armazém 10, destruído pelo fogo, pode ser recuperado. A empresa ainda não estimou uma data para o início do trabalho de reconstrução do armazém, disse a assessoria.

O mercado de açúcar minimizou o incêndio, com operadores citando danos de pequenas proporções e pouca demanda urgente por açúcar brasileiro. (Reuters 05/08/2014)

 

MS: Tecnologia da usina “flex” é estudada nos EUA

A usina de etanol de milho e DDG a ser implantada em Chapadão do Sul, da Bio Urja Trading, terá um diferencial.

O empreendimento será destinado exclusivamente a produção de etanol de milho, diferente das chamadas “flex” que existem no país, que produzem o etanol de milho experimental partir de uma usina de cana de açúcar. Em Chapadão do Sul a tecnologia empregada vem sendo desenvolvida e estudada nos EUA em parceria com a universidade de Iowa.

Técnicos da empresa promoveram encontro na semana passada na cidade quando explicaram como serão desenvolvidos as ações operacionais e, também, as compensações pelo impacto ambiental que será causado.

Segundo eles, a operação se resume em receber o milho que contém 8% de proteína, fazer o processo de fermentação onde é retirado todo o amido e posteriormente produzir o etanol. Sem a presença do amido, o milho passar a conter 30% de proteína, tornando-se assim o DDG que será comercializado pela empresa.

Além disso a empresa pretende também fazer a produção de biomassa, que poderá utilizar da palha da cana de açúcar, do capim brachiaria e eventualmente da palha do milho, que segundo estudos hoje já já se consegue ser extraída até 15% do total sem prejuízo a lavoura ou a produção.

A empresa não tem a intenção de uma verticalização, uma vez que segundo seu diretor, Marcos Machado, a indústria trabalhará com parceiros, segmentos como a logística e os produtores de milho serão grandes beneficiados com a instalação da usina.

Segundo o prefeito Dr. Felipe, "uma indústria deste porte vai exigir muito da cidade, tornando Chapadão do Sul um centro de tecnologia e de produção", (Correio do Estado 05/08/2014)

 

Quatro temas econômicos que devem dominar a eleição presidencial

Não é a toa que o slogan que ajudou a alçar Bill Clinton à Casa Branca nos anos 90 se popularizou também fora dos EUA: "É a economia, estúpido!" resume uma dinâmica que há décadas tem definido corridas eleitorais pelo planeta – e as eleições brasileiras de outubro não parecem ser uma exceção.

"Especialmente em um cenário de desaceleração econômica, como o do Brasil hoje, o eleitor tende a votar com o bolso", diz Carlos Melo, cientista político do Insper.

"Ele está mais preocupado com sua renda e emprego do que, por exemplo, com casos de corrupção."

Segundo Renato Perissinotto, cientista político da Universidade Federal do Paraná, a economia terá um lugar central no debate eleitoral brasileiro "porque o desempenho do governo nessa área, sobretudo no último ano, tem sido muito ruim".

"Trata-se de um cenário que, para muitos, é o pior dos mundos, pois conjuga inflação crescente e baixo crescimento econômico", diz Perissinotto. "A oposição não tem nenhuma proposta alternativa claramente delineada, mas encontra-se na posição confortável de poder atacar os pontos negativos do desempenho do governo nesse campo."

Faltando dois meses para o primeiro turno, temas econômicos parecem ter dominado o discurso dos presidenciáveis.

Os principais candidatos da oposição, Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB, atribuem o baixo crescimento a políticas equivocadas adotadas pelo governo.

"O que me preocupa são os 7% de inflação e 1% de crescimento que serão deixados para nós se formos eleitos", disse Aécio, traçando um paralelo entre os indicadores econômicos e a derrota por 7 a 1 para a Alemanha.

Já o governo atribui as análises negativas a um "pessimismo inadmissível" de fundo eleitoral e chama a atenção para a força do mercado de trabalho e o crescimento da renda dos trabalhadores.

"O mesmo pessimismo da Copa está se dando agora com a economia, mas é ainda mais grave porque a economia é feita de expectativas", disse a presidente Dilma Rousseff.

Para identificar quais temas da agenda econômica serão chave na eleição e entender as estratégias do governo e da oposição nessa área, a BBC consultou economistas e cientistas políticos. O resultado é este:

Se a desaceleração é um dos pontos fracos do governo, os níveis de desemprego são um trunfo.

"No que diz respeito ao mercado de trabalho, Dilma foi melhor até que Lula", opina Biancarelli, da Unicamp. "Nos últimos anos, o desemprego caiu para patamares historicamente baixos, e a renda dos trabalhadores continuou a crescer."

Segundo o IBGE (PNAD Contínua), o desemprego chegou a 7,1% no primeiro trimestre. O resultado é maior que os 6,2% do trimestre anterior, mas menor que os 8% do mesmo período de 2013 (comparação que evita sazonalidades).

Por outro lado, o ritmo de criação de postos de trabalho formais caiu, como aponta o Ministério de Trabalho.

A oposição provavelmente ressaltará a fragilidade desse cenário, argumentando que, sem crescimento, uma hora ou outra o dinamismo do mercado de trabalho acabará abalado.

"Já o discurso governista deve ser o de que um eventual governo de oposição deve colocar esses ganhos em risco, impondo ao país um ajuste ortodoxo brusco", diz Castelar. (BBC Brasil 05/08/2014)

 

Funcionários de usina e destilaria têm reajuste

Após negociação da campanha salarial dos trabalhadores do setor do álcool/etanol foram fechados os acordos coletivos 2014/2015 na Usina Iacanga, de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) e na Destilaria Grizzo, de Jaú (50 quilômetros de Bauru).

Os trabalhadores das duas empresas conquistaram 7% de reajuste salarial, o que representa um aumento real de 1,18% pois a inflação do período foi de 5,82%, frisa Edson Dias Bicalho, presidente do Sindicato dos Químicos de Bauru e Região. As informações são da assessoria.

Com o reajuste, o piso salarial dos trabalhadores da Usina Iacanga subiu para R$ 1.036,38. O vale-alimentação teve um reajuste de 10%, o que eleva em 50% o valor do benefício, que passou de R$ 80,00 para R$ 120,00. Já o piso salarial dos funcionários da Destilaria Grizzo, com o reajuste, passou para R$ 1.228,00 e o cartão-alimentação foi para R$ 130,00. A PLR (Participação nos Lucros e Resultados) na empresa subiu para R$ 5,4 mil.

Mesmo índice

Bicalho, que coordenou a campanha salarial nas duas empresas, ressalta a conquista. “É o melhor índice de reajuste do setor do álcool/etanol do Estado de São Paulo nesta campanha salarial. Conseguimos aumento real, pois a inflação do período foi de 5,82%”, frisou. O Sindicato dos Químicos de Bauru e Região segue aguardando propostas da campanha salarial das demais usinas de sua área de atuação.

“A nossa expectativa é fechar todos os acordos coletivos na casa dos 7% de reajuste salarial”, completa Bicalho. A data-base dos trabalhadores nas indústrias de fabricação do álcool e etanol é 1º de maio (JCNet 05/08/2014)

 

Juros em alta e demanda fraca limitam resultado da ALL

Enquanto prepara sua fusão com a Rumo (do grupo Cosan), a América Latina Logística (ALL) vem enfrentando um cenário de pressão neste ano, com juros em alta. No segundo trimestre, se somou a esse fator uma demanda por transporte mais fraca que a inicialmente esperada pela companhia. Como resultado, a ALL registrou um lucro líquido de R$ 93,8 milhões no segundo trimestre de 2014. O número representa uma reversão do prejuízo contábil registrado um ano antes (de R$ 74,4 milhões), mas ficou abaixo do esperado por analistas.

O lucro representa ainda uma queda de 45% em relação ao resultado ajustado de um ano antes (no segundo trimestre de 2013, a empresa havia registrado um impacto não recorrente pela perda dos ativos de concessão na Argentina).

Segundo a própria ALL, os resultados operacionais sofreram o impacto de uma demanda chinesa por commodities em baixa. Isso reduziu a procura por transportes nas ferrovias e, em consequência, os preços de frete cobrados pela companhia.

A receita líquida da ALL foi de R$ 1,07 bilhão no período, um aumento de 4,1% em relação a um ano antes. O Ebitda ficou em R$ 579, aumento de 0,2% contra um ano antes.

O volume da ALL em operações ferroviárias aumentou apenas 0,9% contra um ano antes, para 11.370 milhões de TKU (toneladas por quilômetro útil). Já as commodities agrícolas caíram 0,1%, para 8.720 TKU.

Mas a maior "vilã" do balanço foi a parte financeira, na visão da companhia. A perda nesse item subiu 38%, para R$ 346 milhões. Segundo a ALL, esse crescimento foi impulsionado, principalmente, pelo aumento dos juros, que impactam o Certificado de Depósito Interbancário (CDI). "Você tem um crescimento de 50% do CDI, é um impacto grande", diz Rodrigo Campos, diretor financeiro da ALL.

Os investimentos nas operações ferroviárias foram de R$ 261,2 milhões no segundo trimestre. Segundo a empresa, os aportes resultaram, principalmente, dos investimentos para a duplicação do trecho ferroviário de Campinas a Santos, em São Paulo. As obras têm previsão de conclusão para março de 2015 e a operação para o mês seguinte.

A companhia espera números melhores no resto do ano. "Enquanto no segundo trimestre não tivemos a demanda imaginada, no segundo semestre estamos mais otimistas. Tem uma safra de milho vindo, cargas de açúcar do Paraná... E você também tem um cenário operacional melhor [do que no ano passado]", diz Campos.

Segundo ele, o incêndio do fim de semana registrado no porto de Santos não vai afetar a operação da companhia. "No ano passado houve várias ocorrências. Teve um acidente e dois incêndios. O que ocorreu agora foi muito restrito a operações rodoviárias", afirma o diretor.

No ano passado, a ALL chegou a mencionar em diferentes ocasiões que analisava a entrada no setor portuário para que os problemas operacionais diminuíssem o impacto em sua operação. Agora, esses planos ficam à espera de uma definição com a Rumo.

Atualmente, há um time de transição que analisa a futura operação da companhia a ser formada - além dos portos, é avaliada a atuação da companhia em novas ferrovias. A equipe trabalha paralelamente ao trâmite existente no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que tem um prazo de 11 meses para aprovar ou não a fusão das empresas. (Valor Econômico 06/08/2014)

 

Lucro global da ADM aumentou 139% no 2º trimestre

A americana ADM, uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, encerrou o segundo trimestre deste ano com lucro líquido global de US$ 533 milhões, 139% superior ao registrado em igual intervalo de 2013. Em comunicado, a multinacional informou que o aumento refletiu sobretudo ganhos obtidos com a forte demanda por etanol nos EUA e com a recuperação das exportações de grãos do país. A aquecida demanda por derivados de soja também colaborou.

Na área de oleaginosas, puxada pela soja, o lucro operacional da companhia alcançou US$ 327 milhões de abril a junho, 1,9% mais que no mesmo período do ano passado. O processamento de milho, inclusive para etanol, gerou lucro operacional de US$ 347 milhões, alta de 55,6% na mesma comparação. Esses resultados foram beneficiados pela queda das cotações dos grãos, como milho e soja, que reduziu o custo do processamento. Essa retração dos preços colaborou, porém, para a queda de 4,6% do valor das vendas mundiais da ADM no segundo trimestre, para US$ 21,494 bilhões.

Em todo o primeiro semestre, quando o lucro líquido da companhia atingiu US$ 800 milhões, 62,6% mais que de janeiro a junho do ano passado, as vendas da múlti chegaram a US$ 42,190 bilhões, queda de 4,7% na mesma comparação. No intervalo, pesou nesse resultado uma retração de 14,4% nas exportações da ADM a partir do Brasil, um de seus principais polos de originação de grãos. Conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), esses embarques renderam US$ 2,1 bilhões.

No início de junho, a empresa lançou em Campo Grande (MS) a pedra fundamental de seu mais importante projeto de 2014 no mundo. Com aportes que deverão somar US$ 250 milhões, a ADM começou a construir uma fábrica de proteínas de soja que será sua segunda unidade do gênero - nos EUA já há uma em operação. "Cerca de 60% do nosso capital de crescimento tem sido aplicado fora dos EUA, com grande destaque para emergentes. E o Brasil é um dos poucos países do mundo onde há grande oferta para originação e um mercado consumidor expressivo", afirmou ao Valor Juan Luciano, presidente da ADM, durante o lançamento da pedra fundamental. (Valor Econômico 06/08/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Baixa demanda: Os preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York caíram pela quarta sessão consecutiva ontem. Os lotes para março de 2015 fecharam com recuo de 16 pontos, a 17,97 centavos de dólar por libra-peso. As previsões climáticas para o Centro-Sul indicam que o tempo deve continuar seco nos próximos dias, o que favorece o avanço da colheita de cana. Os compradores, ainda com estoques bem abastecidos, preferem evitar realizar negócios no mercado futuro. A baixa demanda tem aberto espaço para sucessivas desvalorizações dos contratos. Há temores, porém, de um atraso do início da safra na Índia por causa de um impasse entre produtores e usinas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo recuou 0,04%, para R$ 45,80 a saca de 50 quilos.

Soja: Condições estáveis: A manutenção das boas condições das lavouras de soja nos EUA, mesmo após uma semana de escassez de chuvas no cinturão produtor, provocou o recuo das cotações da oleaginosa em Chicago ontem. Os lotes com entrega em setembro fecharam em queda de 13,75 centavos, a US$ 10,815 o bushel. Na segunda-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) manteve 71% dos plantios classificados em situação boa a excelente, o que surpreendeu os analistas. Com previsões de precipitações para áreas do Meio-Oeste americano nesta semana, crescem as perspectivas de bom desenvolvimento das plantações nos próximos dias. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a soja em Paranaguá registrou baixa de 1,15%, para R$ 66,08 a saca de 60 quilos.

Milho: Previsão de chuva: A previsão de clima mais úmido esta semana no cinturão produtor dos EUA pressionou as cotações do milho ontem na bolsa de Chicago. Os contratos para dezembro fecharam em queda de 2 centavos, a US$ 3,6725 o bushel. A agência de meteorologia DTN prevê que as partes oeste e central do Meio-Oeste americano terão chuvas fortes nos próximos dias, o que deve adicionar boa dose de umidade às áreas plantadas. Na semana passada, houve uma leve piora na qualidade das lavouras do país, por causa da falta de chuvas. Ontem, a Informa Economics revisou para baixo sua projeção para a safra de milho dos EUA, para 355,30 milhões de toneladas em 2014/15. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de 60 quilos do grão apresentou baixa de 0,7%, a R$ 22,72.

Trigo: Reação da demanda: O trigo registrou ontem a quinta sessão consecutiva de valorização, com a perspectiva de que a demanda internacional deve se voltar aos EUA. Na bolsa de Chicago, os contratos do cereal com vencimento em dezembro fecharam com alta de 8,25 centavos, a US$ 5,7275 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os papéis com o mesmo vencimento encerraram a sessão com elevação de 5,50 centavos, a US$ 6,56 o bushel. As chuvas que têm caído em áreas produtoras na Europa, principalmente na Alemanha, França e Polônia, devem prejudicar a qualidade do trigo, e os consumidores internacionais já se voltam à oferta americana. No mercado interno, o preço médio do cereal no Paraná apurado pelo Cepea/Esalq caiu 1,06%, para R$ 614,29 a tonelada. (Valor Econômico 06/08/2014)