Setor sucroenergético

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Agenda política de hoje

A presidente Dilma Rousseff se reúne hoje com Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do Conselho de Administração do Grupo Cosan, dos segmentos de energia e infraestrutura. (Correio Braziliense 11/08/2014)

 

Açúcar: Leve recuperação

Após atingirem o menor patamar em quase seis meses, os preços do açúcar demerara subiram na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos do produto com vencimento em março de 2015 fecharam com valorização de 8 pontos, cotados a 17,78 centavos de dólar por libra-peso. O movimento, porém, foi apenas técnico, uma vez que a colheita no Centro-Sul do Brasil continua avançada e a demanda ainda não esboça reação. Na semana encerrada no dia 5, os fundos passaram de uma posição líquida comprada (à espera de uma alta nos preços) de 19.115 contratos para uma posição líquida vendida de apenas 38 contratos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve queda de 0,33%, para R$ 45,40 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 11/08/2014)

 

Em crise, setor de etanol faz propostas a candidatos

A crise do etanol entrou na agenda dos três principais candidatos à Presidência da República. Em documento entregue a Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), os usineiros afirmam que "o setor sucroalcooleiro vive a maior crise de sua história".

Nos bastidores, os empresários estão divididos entre os que defendem apoio em bloco a Aécio Neves e rompimento com Dilma e o grupo de "pragmáticos" que prefere manter um pé em cada canoa e fazer doações para as três candidaturas. O setor floresceu durante a gestão Lula, mas a crise recente se tornou um dos maiores passivos do governo Dilma. Desde 2008, mais de 60 usinas foram fechadas e 60 mil empregos, eliminados. (Valor Econômico 11/08/20154)

 

Subsídio à gasolina é um dos desafios para as usinas

A paralisação das atividades de usinas em São Paulo e em outros Estados é fruto da mudança de perspectivas no setor após a crise de 2008.

No governo Lula, que liderou campanha para incentivar o uso do etanol, o setor sucroalcooleiro viveu o momento alto do combustível.

O objetivo das medidas era diminuir a dependência do petróleo e reduzir a emissão de gases poluentes.

Impulsionado pelo futuro promissor, o setor investiu milhões de reais em dezenas de novas usinas. No entanto, a crise financeira (e a alta dos juros de empréstimos), as dificuldades climáticas e, recentemente, os subsídios para baixar o preço da gasolina afetaram os planos.

"A perda de competitividade do etanol reduz a perspectiva de retorno e isso inibe investimentos", diz Elizabeth Farina, presidente da Unica.

Além disso, o outro produto que segura a rentabilidade do ramo, o açúcar, não passa por bons momentos.

"Muitos países estão aumentando a produção para se tornarem autossuficientes. Isso faz o preço cair", diz Tatiana Gonçalves, gerente comercial da empresa NexSteppe na América do Sul. (Folha de São Paulo 11/08/2014)

 

Agricultura foge à regra e elimina vaga com carteira

Setor agropecuário foi o único no país com saldo negativo de contratações com carteira assinada entre 2007 e 2013.

Maior complexidade dos equipamentos agrícolas exige mais capacitação dos funcionários e faz subir a sua remuneração.

O setor agropecuário foi o único que demitiu mais do que contratou funcionários com carteira assinada entre 2007 e 2013.

O saldo de vagas geradas na agricultura, na pecuária e na pesca ficou negativo em 15,7 mil no período, mostram números levantados pela Folha nas bases de dados do Ministério do Trabalho.

A mecanização agrícola e a crise vivida pelo setor de açúcar e etanol são as principais causas dessa tendência de eliminação de vagas.

Só o setor sucroalcooleiro eliminou mais de 50 mil vagas no período. A agropecuária e culturas como as do café e de árvores frutíferas também demitiram mais do que contrataram.

Essa tendência foi apenas em parte compensada pela maior quantidade de trabalhadores em áreas como a da mecanização agrícola (como operadores de colheitadeiras) e a avicultura.

NOVO PERFIL

A mudança do perfil do trabalhador do setor ocorre há décadas. No país, a produção de máquinas agrícolas começaram nos anos 1960 --e eram usadas na cultura de grãos.

Mas, nos últimos dez anos, elas intensificaram sua presença nos plantios de café, cana e laranja, que resistiam à colheita mecanizada porque os equipamentos para esses cultivos eram lentos e caros.

Com o avanço da tecnologia, a troca de trabalhadores por máquinas já atinge todos os segmentos agrícolas.

A mecanização é impulsionada pela busca por maior eficiência. "Na hora de investir, o produtor vai pensar no máximo de mecanização para aumentar a produtividade", diz José Hausknecht, sócio da consultoria MB Agro.

Mas a falta de mão de obra especializada e o aumento do custo do trabalho também impulsionam a mecanização.

Segundo empresários do setor, a migração do campo para a cidade e a perda de trabalhadores para setores como construção civil acentuaram a dificuldade de encontrar mão de obra para operar máquinas avançadas.

"No Centro-Oeste e em outros Estados próximos, a escassez é grande. Disputa-se um operador com o setor de serviços", diz o diretor de marketing para América Latina da fabricante de equipamentos Case IH, Rafael Miotto.

A capacitação requisitada dos trabalhadores tem acompanhado a evolução dos equipamentos. Isso vem elevando as remunerações. Um operador de trator pode chegar a ganhar R$ 10 mil por mês.

O preço de tratores e colheitadeiras também contribui para a preocupação com a formação.

"Uma máquina de R$ 1 milhão substitui de 400 a 500 pessoas. Você não vai colocar qualquer um para operá-la", diz Daniel Carrara, secretário-executivo do Senar (Serviço de Aprendizagem Rural).

Com obstáculos para encontrar empregados qualificados, as empresas realizam seus próprios cursos. Entidades agrícolas também têm projetos, como o Renovação, parceria entre a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), organizações e companhias da cadeia produtiva.

A modernização do agronegócio contribui para a demanda por serviços como pesquisa e desenvolvimento.

Segundo o economista Jorge Arbache, da Universidade de Brasília (UnB) e do BNDES, a tendência é positiva, pois incentiva o aumento do emprego qualificado.

Se, por um lado, o cenário beneficia o trabalhador com mais conhecimento, por outro, prejudica os empregados de posto mais baixo, principalmente os que forem demitidos a partir de agora.

Diferentemente dos que foram substituídos por máquinas nos últimos anos e migraram para outros setores, quem sair neste momento terá que lidar com a desaceleração do mercado de trabalho. Para Hausknecht, da MB Agro, será possível ver impacto até então menos evidente da mecanização. "É uma oferta que vai fazer falta." (Folha de São Paulo 11/08/2014)

 

Cidade que vive da cana sente efeitos de crise no setor

Em Sertãozinho (SP), município rodeado de canaviais, indústria e comércio sofrem com paralisação de usinas.

Secretaria local diz que demissões não seguem ciclo do cultivo e já prevê êxodo de trabalhadores.

A usina Albertina, em Sertãozinho (a 333 km de São Paulo), está deserta. As casas que abrigavam funcionários foram abandonadas.

Os bancos da capela da usina, onde antes ocorriam missas semanais, hoje estão desalinhados, assim como os negócios do setor.

Uma das unidades de processamento de cana-de-açúcar da região, a usina está fechada desde 2012 --uma das que sucumbiram aos problemas de preços e de liquidez que se seguiram à crise global.

Outras 43 usinas suspenderam suas operações no país desde 2010, dispensando milhares de trabalhadores. A alteração no cenário afetou a indústria e o comércio de cidades que vivem em razão da monocultura da cana.

Em Sertãozinho, com 118 mil habitantes, o saldo de vagas fechadas foi de 655 em junho, metade delas na indústria. Fábricas que produzem caldeiras e reformam máquinas das usinas empregam 10 mil trabalhadores.

O sindicato dos metalúrgicos do município estima que cem desligamentos ocorram por semana.

O comércio também perde com a crise. As lojas do centro da cidade estão vazias. Para estancar o prejuízo, promoções são feitas desde o início do ano, sem resultado.

O impacto e a abrangência dos desligamentos preocupam. Segundo dados de junho, 1.181 mais postos de trabalho foram abertos que fechados em Sertãozinho nos 12 meses anteriores.

"As contratações [para a nova safra] deveriam ter começado em abril", diz Carlos Liboni, secretário de Indústria e Comércio da cidade.

O desemprego não atinge só funções simples, como cortadores de cana, mas também cargos na indústria. Daniel Moraes Filho, 64, era gerente comercial de uma fábrica e perdeu o emprego em maio.

Ele trabalhava no setor havia 30 anos. Na sala de sua casa, diz estar "meio sem rumo": "Não sei o que fazer. É uma situação traumática".

Sem vagas em outros áreas, afetadas pela crise da cana, os trabalhadores podem começar a deixar a cidade. O operador de máquinas Manuel Souza, demitido em março, já cogita retornar à Bahia, de onde saiu há 30 anos. (Folha de São Paulo 11/08/2014)

 

Em 6 ano cana perde 300 mil empregos

Mapeamento indica fechamento de quase 50 usinas e mostra redução da massa salarial em 56,8% desde 2008. Efeitos são sentidos em outros setores da economia; fluxo de passageiros cai 9% no aeroporto de Ribeirão.

O setor sucroalcooleiro perdeu quase 300 mil empregos no país desde o início da crise na economia global, no segundo semestre de 2008.

Nos últimos seis anos, o setor fechou quase 50 usinas e a massa salarial foi reduzida em 56,8%, passando de US$ 9,5 bilhões, em 2008/09, para US$ 4,1 bilhões, em 2013/2014.

Os dados estão num mapeamento do setor sucroenergético, apoiado por Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Orplana (entidade de plantadores de cana) e Ceise-BR (indústrias).

O estudo, feito com o objetivo de traçar um diagnóstico desde que se iniciou a maior crise do setor, mostra que apesar dos problemas o mercado sucroalcooleiro respondeu por quase 2% do PIB nacional de 2013, estimado em US$ 43,36 bilhões.

Mas poderia ser maior, segundo o setor, se o governo tivesse dado suporte para que as indústrias superassem os momentos de dificuldade.

A avaliação é de Marcos Fava Neves, docente da FEA-RP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto), da USP, que conduziu o estudo. Segundo ele, o PIB do setor poderia ser 40% maior e atingir cerca de US$ 60 bilhões.

Na região de Ribeirão, polo sucroalcooleiro do Estado, os efeitos são devastadores. De acordo com economistas e especialistas, os indicadores econômicos de 2014 já são os piores da história.

A criação de empregos no primeiro semestre na região foi a menor dos últimos cinco anos, só atrás de 2009.

As dez cidades mais populosas criaram 19.082 vagas, ante as 21.400 de 2013.

Segundo a indústria, o resultado ruim tem ligação direta com a crise no setor, assim como a queda na movimentação do aeroporto Leite Lopes, de 9% no período.

"É uma miopia impressionante. Um setor que tem o respeito mundial não é reconhecido como deveria no Brasil. Nos EUA, a agência de proteção ambiental exige o uso do etanol, o que não temos aqui", disse Fava Neves.

O estudo aponta que o que se viu "foi uma completa descontinuidade da política de estímulo ao etanol".

O levantamento aponta ainda que dez usinas poderão encerrar as atividades na atual safra canavieira.

GASOLINA

Entre os problemas apontados no estudo e que precisam de solução a partir de políticas públicas está a manutenção do preço da gasolina, considerado um dos principais entraves para o etanol.

Para evitar alta maior da inflação, a Petrobras vende a gasolina a preço mais baixo que o necessário para cobrir custos com o petróleo que importa. Com isso, o etanol perde competitividade.

Eduardo Leão, diretor-executivo da Unica, disse que o setor foi corroído também pela desoneração tributária da gasolina, que baixou ainda mais os preços --contendo as altas do etanol.

"O governo não reconhece os benefícios do etanol, o que é um erro. São vantagens que não são refletidas no preço. É bom para a saúde pública e para o ambiente [à medida que polui menos]", afirmou.

Para governo, é preciso dobrar álcool produzido

O governo federal estima que em 2022 o país precisará produzir 54,5 bilhões de litros de etanol, o dobro do que as usinas produziram no ano passado: 27,3 bilhões de litros.

A projeção foi feita por Cid Jorge Caldas, do departamento de cana e agroenergia, ligado ao Ministério da Agricultura.

Os números foram divulgados durante palestra em Sertãozinho, polo produtor de máquinas para usinas e que vive a maior crise da história.

A cidade tinha 15 mil trabalhadores nos anos 1990 nas indústrias, mas hoje conta com 10 mil. Se tivesse crescido o esperado, teria 20 mil funcionários, segundo o Ceise-Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis).

"O governo acredita no setor, mas ajuda até onde dá", disse Caldas, se referindo ao fato de que a iniciativa privada precisa se adaptar e buscar soluções --com fusões, tecnologia e produtividade.
Ele disse que a União contribui e citou recursos do BNDES: dos R$ 4 bilhões disponíveis, só a metade foi usada em 2013. (Folha de São Paulo 11/08/2014)

 

São Martinho conclui aquisição do controle da Santa Cruz

SÃO PAULO - A sucroalcooleira São Martinho informou que concluiu a operação de aquisição de 92,14% do controle acionário na Santa Cruz Açúcar e Álcool. A operação, que havia sido anunciada em fato relevante em 5 de maio, foi aprovada em 23 de julho pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), e fechada hoje com a Luiz Ometto Participações S.A. (LOP) e demais acionistas controladores pessoas físicas (PFs) da Santa Cruz.

Dessa forma, o grupo São Martinho adquiriu da LOP e das pessoas físicas sócias uma participação societária adicional na Santa Cruz por R$ 315,8 milhões, passando dos atuais 36,09% para 92,14% do capital social da Santa Cruz. A São Martinho alienou a totalidade de suas ações da Agro Pecuária Boa Vista para a LOP por R$ 195,9 milhões. A companhia informou ainda que celebrou um contrato de arrendamento de cana de açúcar entre a Santa Cruz e a Agropecuária Boa Vista por um período de 20 anos. (Valor Econômico 11/08/2014)

 

Dilma é a candidata com mais doações de empresas do agronegócio

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, recebeu até agora mais doações de campanha de empresas ligadas ao agronegócio do que seus concorrentes Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) juntos.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Dilma arrecadou R$ 6,35 milhões de empresas do setor. Os recursos levantados por Aécio e Campos somam R$ 7 milhões em doações. A maior doação recebida pela comitê de campanha da presidente e a direção nacional do PT foi da JBS (R$ 5 milhões), que tem o BNDES entre seus acionistas. Em seguida aparece a Seara (R$ 1 milhão), Laticínios Bela Vista Ltda. (R$ 350 mil), Agropecuária Nova Guaxupé Ltda (R$ 15 mil) e Fazenda Lua Nova Ltda (R$ 15 mil).

O candidato do PSDB, Aécio Neves, recebeu duas doações no valor de R$ 5 milhões da JBS direto para seu comitê de campanha. O ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) recebeu R$ 2 milhões repassados por empresas do agronegócio. A lista de doadores inclui JBS e Coopersucar - ambas repassaram R$ 1 milhão. (Agência Estado 08/08/2014)

 

Pressão menor nos preços segura inflação

Os alimentos estão em queda, tanto no atacado como no varejo. O IGP-DI da FGV registrou recuo de 2,81% nos preços no atacado no mês passado. No mesmo período, o IPCA do IBGE apontou retração de 0,15% nos preços dos alimentos pagos pelos consumidores. (Folha de São Paulo 09/08/2014)

 

TST não reconhece horas extras com base em dados de GPS

SÃO PAULO - Decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) acatou recurso da Gafor S/A negando o direito de um motorista de receber horas extras calculadas com base nos dados do GPS do carreteiro. O relator do recurso, ministro Caputo Bastos, afastou a utilização do rastreador como meio de controle de jornada de trabalho.

Por unanimidade, a 5ª Turma seguiu o voto do relator, que concluiu que a finalidade do GPS, no caso, é localizar a carga transportada, e não registrar a quantidade de horas trabalhadas.

O motorista carreteiro foi contratado pela Gafor para prestar serviços à Cosan Combustíveis e Lubrificantes S/A de transporte de combustível líquido para postos da rede Esso. Afirmou que a jornada era de 12 horas, de segunda-feira a domingo, e que era comum dormir na cabine do caminhão, pois era obrigado a vigiá-lo quando estava carregado.

A prestação de serviço era controlada por GPS, que registrava entradas, saídas e paradas em locais definidos pela empresa.

A primeira instância entendeu configurado o controle de jornada prefixada, com a programação do início e do término das viagens e o estabelecimento de rota. A empresa foi condenada a pagar horas extras com base na jornada de 12 horas, com acréscimo de oito horas diárias nos períodos em que dormiu na cabine do caminhão. A sentença foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 3ª Região (MG).

A empresa recorreu ao TST. Para o ministro relator Caputo Bastos, não havia provas de que a Gafor pudesse controlar a jornada pelo GPS. O aparelho seria equivalente ao tacógrafo, que, segundo a Orientação Jurisprudencial nº 332 da Subseção 1 Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do TST, não serve para controlar a jornada sem a existência de outros elementos. (Valor Econômico 08/08/2014 às 12h: 36m)

 

Usineiros em crise dividem-se na sucessão

A crise do etanol entrou com alarde na agenda dos três principais candidatos à Presidência da República, nas eleições de outubro. Em documento entregue a Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), os usineiros afirmam que "o setor sucroalcooleiro vive a maior crise de sua história". Nos bastidores, os empresários estão divididos entre os que defendem o apoio em bloco do setor a Aécio Neves e o rompimento com o governo e sua candidata, de um lado, e os chamados de "pragmáticos", grupo que prefere manter um pé em cada canoa e fazer doações para as campanhas dos três candidatos, como aconteceu nas eleições 2010.

A crise já estava instalada, na eleição passada, mas os usineiros da cana ainda viviam uma espécie de lua de mel com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que os chamava de "heróis nacionais e mundiais". Graças a essa relação o setor deu mais dinheiro para Dilma (algo em torno de R$ 10 milhões), do que a soma com a qual contribuiu com José Serra (PSDB) e Marina Silva (Rede Sustentabilidade), hoje companheira de chapa de Eduardo Campos (PSB), à época candidata pelo PV.

No momento, os usineiros mais antigos, liderados pela Copersucar, defendem que sejam fechadas as torneiras para a campanha de Dilma; do outro lado estão grupos que atenderam à convocação de Lula para investir no etanol, muito embora, entre eles, também possam ser vistos sobrenomes tradicionais, como os Ometto, mas associado a grupos como a Cosan e a Shell.

A relação de Dilma com os usineiros é complicada desde o tempo da presidente no Ministério das Minas e Energia. À certa altura, Dilma chegou a se considerar "traída" por projeções não cumpridas pelos industriais. A União da Indústria da Cana e do Açucar (Unica) inclusive mexeu em sua direção, na tentativa de restabelecer o diálogo com a presidente. Sem êxito. A entidade também promoveu um evento para ouvir os candidatos sobre a crise. Aécio e Eduardo foram, Dilma cancelou de véspera sua participação.

Recentemente, Dilma retomou contatos com os empresários. Há pouco cerca de 15 dias recebeu Marcelo Odebrecht, que tenta se firmar como um interlocutor com a presidente, e, segundo apurou o Valor, também manteve contato com os Ometto. Hoje, Dilma deve se encontrar em São Paulo com Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do Conselho de Administração do Grupo Cosan.

O ponto nevrálgico da crise é o preço da gasolina nos postos de combustível. O etanol só é competitivo quando seu preço equivale a até 70% do valor da gasolina, este virtualmente congelado pelo governo, para manter a inflação sob controle. A defasagem do preço da gasolina hoje é estimada em cerca de 20%.

"Se a situação permanecer incerta e sem perspectivas claras de melhora, será inevitável uma avaliação da continuidade dos investimentos e da operação de algumas unidades", informou a Odebrecht ao Valor. O grupo possui 9 unidades em operação, com capacidade instalada de moagem de 35,4 milhões de toneladas de cana. Há outras, inclusive multinacionais, de sobreaviso. "Que mercado é esse em que a presidente usa a caneta onde tem interesse para fazer voto?", questiona o empresário Jairo Menesis Balbo, de uma das mais tradicionais famílias no ramo da cana.

A extensão da crise está dimensionada no documento "Projeto AGORA - Agroindústria e Meio Ambiente", encaminhado pela Unica aos candidatos São mais de 60 usina fechadas, desde 2008, e de 60 mil empregos queimados no setor produtivo. Num momento em que o país vive um regime de pleno emprego, só nos primeiros seis meses deste ano o setor sucroalcooleiro registrou uma queda de um terço no número de contratações formais, segundo dados do Ministério do Trabalho. Na indústria de bens de capital, fornecedora das usinas, mais de 50 mil postos de trabalho foram comprometidos. É de 50% a queda no faturamento das empresas de bens de capital voltadas para a indústria canavieira, desde 2010.

O preço da gasolina é conjuntura. Os produtores atribuem a crise à falta de previsibilidade das políticas governamentais. Há dez anos eles foram convocados por Lula a investir no etanol e responderam à demanda do presidente. Entre 2004 e 2010, mais de 100 novas plantas industriais foram construídas, levando o número de unidades produtoras a superar o número de 400 empresas. "Apenas os investimentos industriais realizados para a ampliação da capacidade produtiva, desde 2004, são estimados em mais de US$ 30 bilhões".

Desde o início da campanha não há uma semana em que os candidatos não sejam indagados sobre o tema.

Tradicional produtor na região de Sertãozinho, no Nordeste de São Paulo, o centro nervoso da produção de etanol no país, o usineiro Jairo Menesis Balbo resume as aflições do setor: "A gente não quer subsídio. O que a gente deseja é que o governo determine que políticas vai adotar para a matriz energética brasileira", diz. "Se a intenção do governo for manter tudo como está não tem problema, vamos partir para outra coisa, vamos plantar abobrinha".

A crise do etanol, sem dúvida, é um dos maiores passivos que Dilma deixará para o sucessor ou para encaminhar em eventual segundo mandato. A presidente é alvo da ira dos usineiros, mas crise tem outros ingredientes além do preço da gasolina. A crise financeira mundial de 2008, por exemplo, pegou o setor alavancado - para atender à convocação de Lula, que para combater os efeitos da mesma crise, a "marolinha", concedeu uma série de incentivos para a compra e o uso do automóvel que só jogaram contra o etanol e os usineiros.

"A dívida líquida média das empresas do setor supera seu faturamento bruto anual e quase 15% da receita está comprometida com os juros", diz o documento da Unica. "Um quarto da receita, para 20% das usinas ativas, é utilizada para o pagamento do serviço da dívida".

Mudanças na legislação melhoraram as condições de trabalho e reduziram a agressão ao meio ambiente, mas também aumentaram os custos dos usineiros, apesar da onda de demissões. Mais de 90% da colheita, em São Paulo, já é mecanizada.

"Hoje o bóia-fria está escasso, a cana tomou conta do lugar", diz José Adilson dos Santos, sem esconder certa nostalgia: ele é filho de um bóia-fria que chegou a Sertãozinho vindo de Minas Gerais e trabalhou em uma das usinas de Balbo, primeiro como "podão" - como se chama o facão para o corte da cana e também o trabalhador que o utiliza - e por fim como ensacador de açucar. Santos se criou numa colônia, as vilas de casas e barracões que as usinas mantinham para abrigar seus trabalhadores e boóias-frias, virtualmente extintas. Estudou, formou-se em direito e atualmente é subprefeito de Cruz das Posses, distrito de Sertãozinho, a "capital mundial do setor sucroalcoleiro". Era em Cruz das Posses que chegavam levas de boias-frias vindas de Minas e do Nordeste. A crise fechou quatro usinas ao redor do distrito, desempregando cerca de 2.000 pessoas- sem falar dos "podões" que aos poucos deixaram de chegar.

Gente como Wanderlei Mariano dos Santos, que deixou Minas Gerais em 1982, "uma época boa de serviço", em direção a Sertãozinho. Wanderlei trabalhou durante 25 anos na usina Albertina, uma das quatro fechadas, ao redor de Cruz das Posses - cerca de 700 empregados chegaram e deram com as portas fechadas. Só conseguiram sacar o FGTS. A usina está liquidação extrajudicial. Isso foi em 2012. Desde então Wanderlei vive de bicos. Não consegue trabalho nem na lavoura porque não está habilitado a manusear uma colhedeira. "Para cortar cana vai precisar de faculdade", diz Wanderlei, desolado.

Wanderlei é um dos cinco ou seis desempregados que diariamente batem às portas de José Adilson dos Santos para saber das oportunidades de trabalho. Já foi pior e a Prefeitura de Sertãozinho até o ano passado manteve uma frente de trabalho para o pessoal dispensado pelas usinas. A frente foi desativada. A modorra toma conta do lugar e o movimento do mercadinho Ceribelli e Bernazani, onde os "podões" e trabalhadores da usina costumavam comprar mantimentos, caiu pela metade. "O que me afetou muito foi a Albertina", diz um dos sócios do estabelecimento, José Ceribelli

Há não mais de dois anos, Ceriberlli vendia "três dúzias de podão por mês". Neste ano, apenas três. O mundo do boia-fria agora é residual. Mas nele também já não cabe um proprietário como João Palmieri, dono de quatro alqueires encravados em meio às terras de uma das usinas de Balbo - eram 12 alqueires quando o pai morreu e a terra foi dividida entre três filhos. De origem italiana, como Jairo Balbo, com quem viveu a infância nas colônias, Palmieri sabe que mais dia, menos dia terá de passar a terra adiante, pois ficou muito pequena para ser viável.

No documento aos presidenciáveis, os produtores registram que os "municípios canavieiros registram queda de arrecadação, com forte deterioração nos segmentos de comércio e serviços". Sertãozinho é exemplo perfeito e acabado. Em 2012, a participação do município na arrecadação de ICMS do Estado era de 0,41%; hoje é de 0,33%. Há sete anos, o município era a quarta cidade do país em qualidade de vida, segundo o índice Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) de desenvolvimento municipal. Caiu para o ducentésimo lugar em 2010 e nunca mais recuperou uma posição de destaque. "Antes, a população até esquecia do prefeito. Agora o poder público é pressionado, o cara o perdeu o plano de saúde, tirou o filho da escola particular", diz o prefeito Zezinho Gimenez (PSDB).

"O etanol tem uma bela história no Brasil", diz a presidente da Unica, Elizabeth Farina, lembrando-se de que foi a primeira a produção organizada do Brasil depois do Descobrimento. Mas só a partir do choque do petróleo, nos anos 70, que o álcool passou a ser visto como solução para amenizar o impacto da elevação do preço internacional de petróleo na balança comercial e nos rumos da economia brasileira.

É a época do primeiro carro movido a álcool, quando o consumidor era refém compulsório do combustível. O carro a álcool perdeu a reputação, principalmente crises de oferta - este é um dos motivos pelos quais os postos de combustível exibem hoje a palavra etanol. O carro flex devolveu a autonomia ao consumidor. Em 11 anos, mudou o perfil da frota nacional - 90% dos carros nacionais vendidos são flex, e o estoque gira em torno dos 77% do total. "Essa frota é um grande ativo do Brasil e da indústria do etanol", diz Elizabeth.

Após dois anos de baixa, a fabricação de etanol reagiu em 2013 e atingiu os níveis históricos alcançados entre 2008 e 2010, quando foram registradas as maiores produções, com 27,27 bilhões de litros. Mas o consumo, que em 2009 chegou a 30% do total de combustível vendido no país, hoje está em 16%. A safra de cana-de-açucar também cresceu e deve chegar a 597,1 milhões de toneladas. Mas, segundo a Unica, esse crescimento deve-se a um regime de chuvas propício ao cultivo, aumento da produtividade e renovação de canavias. "Não é uma tendência para os próximos anos, ocorre concomitantemente à deterioração da saúde financeira do setor".

No documento aos presidenciáveis, os produtores destacam a questão ambiental. Desde o primeiro Proálcool, o país deixou de usar cerca de 350 bilhões de litros de gasolina, o equivalente a US$ 42 bilhões. Diz também que se o país voltasse a usar etanol na proporção de agosto de 2009 - o pico do produto na matriz energética -, haveria uma redução de 505 mortes e de 226 admissões hospitalares por ano, devido a redução da emissão de gases - algo em torno de US$ 30 milhões a menos de custo para o sistema público de saúde. "É poluição de hoje, não do ano 2050", diz Elizabeth Farina.

A produção de energia elétrica a partir do bagaço da cana é que ajuda o setor a atravessar a crise. Em 2013, a oferta de bioeletricidade representou uma economia de 7% da água dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste. Também no ano passado a energia vendida à rede respondeu por 12% do consumo residencial total do país, "o equivalente ao abastecimento de oitos milhõs de moradia". Nas usinas, já representa entre 3% e 4% do faturamento bruto.

Além da cana-de-açúcar ou de sobrenomes italianos, Balbo, Palmieri, Ceribelli e os dois Santos de Cruzes da Posse têm outra coisa em comum: todos acreditam que a eleição será um ponto de mutação para a indústria do etanol. Apesar dos resultados recentes de safra, ninguém acha que o pior já passou. Como diz Adilson dos Santos: "O pior paira". (Valor Econômico 11/08/2014)

 

Mãos à obra no campo

Em encontro com empresários, candidatos da oposição prometem fortalecer o Ministério da Agricultura, enquanto Dilma Rousseff faz balanço das Ações do governo.

O agronegócio produz 23% do PIB brasileiro e, no primeiro semestre deste ano, foi responsável por 44% de todas as exportações do País, nada menos do que US$ 49,7 bilhões, segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Ainda assim, os empresários do setor, que nos últimos anos vem crescendo bem acima da média da economia, estão descontentes com o tratamento que recebem do Planalto. Querem ser ouvidos na nomeação do ministro da Agricultura e, mais ainda, reivindicam uma pasta forte, que participe de assuntos como a demarcação de terras indígenas e tenha prevalência nos embates com a área ambiental do governo.

Pela primeira vez numa eleição, a CNA conseguiu reunir, no mesmo dia, os três principais candidatos à Presidência. Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) participaram de encontro com cerca de 600 empresários do agronegócio na quarta-feira 6, em Brasília. Em 2010, apenas o candidato tucano, José Serra, aceitou o convite dos ruralistas. O entusiasmo dos empresários do setor, que lotaram o auditório da CNA, pode ser medido pelos aplausos que cada candidato recebeu.

Tanto Aécio quanto Campos foram interrompidos várias vezes durante o discurso, especialmente quando faziam críticas à política atual ou prometiam mudanças. Ao final, o candidato tucano ainda foi ovacionado, em pé. A presidenta Dilma, a última a falar, fez um balanço de suas ações em prol do agronegócio nos últimos anos e apresentou números do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Não detalhou nenhuma proposta, nem fez questão de ser simpática – como havia sido na semana anterior, em fala aos industriais –, e encerrou o discurso sem ocupar todo o tempo disponível.

Foi aplaudida brevemente, apenas de forma protocolar. Com um discurso conciliador, prometendo diálogo, Campos conseguiu reduzir a resistência dos ruralistas à sua vice, Marina Silva, que foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula e angariou o ódio dos produtores rurais por sua postura de proteção ambiental. Ao responder a uma pergunta sobre o Ministério do Trabalho que incluía uma crítica a Marina, o pessebista defendeu a companheira, argumentando que foi necessário ser mais radical no início para consolidar o Ministério do Meio Ambiente e que agora o momento é outro.

"Vamos fortalecer o Ministério da Agricultura e tirá-lo do balcão político", afirmou. E agradou. "Eduardo surpreendeu os produtores rurais", disse João Martins da Silva Junior, presidente da CNA. "Eles ainda ficam muito preocupados com a interferência de Marina, mas o discurso foi muito bom." Mas se Eduardo Campos teve que enfrentar a barreira inicial da desconfiança, Aécio Neves já subiu ao palco como o candidato preferido do agronegócio. Vários empresários avaliaram suas propostas como as mais consistentes.

O tucano prometeu criar um Superministério da Agricultura, com poder para conversar em pé de igualdade com as pastas da Fazenda e do Planejamento. Disse ainda que vai dar um choque de infraestrutura no País e ampliar a cobertura do seguro rural dos atuais 9% para 60% da área plantada. "O Superministério da Agricultura será estratégico para o destravamento da infraestrutura", afirmou. Assim como Campos, Aécio prometeu ajudar o setor de etanol, que vive uma crise com o controle de preços da gasolina pelo governo.

De acordo com a CNA, 44 usinas foram fechadas nos últimos cinco anos, o equivalente a 10% do total, e outras 12 podem parar de moer cana na safra 2014/2015. Apesar da crise, o setor faturou R$ 70 bilhões no ano passado, com exportações de US$ 15 bilhões. Dilma lembrou que o governo vem ampliando o volume de recursos para o financiamento da safra, além do subsídio ao seguro rural. Ela lembrou que a ampliação de armazéns, pedida pelos empresários, já teve R$ 3,5 bilhões liberados nos últimos dois anos. "Aprovamos o Código Florestal e hoje temos uma legislação que garante a segurança jurídica", afirmou.

Para os empresários, faltou detalhamento do que Dilma faria num segundo mandato. "Ela fica o tempo todo fazendo menção às suas conquistas", disse Haroldo Rodrigues da Cunha, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). "Mas não é esse o sentimento que temos no campo", disse. Elizabeth Farina, presidenta da Unica, entidade que reúne os produtores de açúcar e álcool, lamentou que Dilma não tenha mencionado o etanol. "Ficou devendo propostas." O que o agronegócio busca, no próximo governo, é uma influência proporcional à sua importância econômica. (Isto é Dinheiro 09/08/2014)

 

Dilma diz que alta no preço de combustível é "possível"

O MINISTRO DA FAZENDA já havia afirmado semana passada que governo federal deve manter comportamento de corrigir a gasolina todos os anos.

Perguntada ontem se a queda de 25% no lucro da Petrobras no primeiro semestre poderia forçar um aumento no preço dos combustíveis em breve, a presidente Dilma Rousseff afirmou que é "possível", mas que não poderia fazer uma avaliação precisa sobre isso neste momento sem ter conhecimento de todos os dados.

– No futuro pode ser que tenha aumento. Não estou dizendo que vai ter ou não vai ter, só que é possível. Não é minha competência decidir sobre isso – comentou.

Na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que em todos os anos houve correção nos preços da gasolina e que o comportamento do governo é continuar com reajustes normais, mas negou que haverá "tarifaço" após as eleições de outubro. Para o mercado, ficou mais claro que o governo vai reajustar a gasolina até o fim do ano, mas somente depois do pleito.

PREOCUPAÇÃO COM CAMPANHA ELEITORAL

A última vez que houve reajuste de preços dos combustíveis foi em novembro do ano passado, quando a Petrobras foi autorizada a aumentar em 4% a gasolina e em 8% o diesel, nas refinarias. A própria Dilma também sinalizou na semana passada a possibilidade de elevar para 27,5% a mistura do etanol na gasolina, medida que poderá ajudar a conter a pressão de alta para o consumidor final.

Com o risco da ameaça de tarifaço comprometer a campanha à reeleição, o governo saiu a campo e começou a sinalizar um cronograma gradual de aumento dos preços administrados para um eventual segundo mandato de Dilma. A estratégia visa afastar o fantasma de que o governo promoverá um choque nos preços.

O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, por exemplo, divulgou calendário com o impacto na conta de luz das duas operações de crédito às distribuidoras que somam R$ 17,8 bilhões. O cronograma prevê alta de 2,6% em 2015, de 5,6% em 2016 e de 1,4% em 2017. Os valores já levam em consideração o efeito da renovação de concessões de usinas hidrelétricas. (Zero Hora 11/08/2014)

 

Petrobras no centro do debate

Aécio e Eduardo cobram investigação rigorosa sobre os problemas na estatal, e Dilma classifica crise de "factoide político".

A crise política da Petrobras virou ontem instrumento de ataque eleitoral para os três principais candidatos à Presidência da República. Enquanto a presidente Dilma Rousseff (PT) classificou as denúncias envolvendo a empresa como "factoide político", Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) cobraram investigação rigorosa.

Dilma passou o dia em Brasília e, no fim da tarde, deu uma entrevista coletiva no Palácio do Alvorada. Questionada sobre o efeito da crise política no desempenho da Petrobras, ela disse que não se deve "misturar eleição com a maior empresa de petróleo do país". "Isso não é correto. Não mostra nenhuma maturidade", disse. "Acho fundamental que, na eleição, haja a maior e mais livre discussão. Agora, utilizar qualquer factoide político para comprometer uma grande empresa e sua direção é muito perigoso", acrescentou a petista.

Na semana passada, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar se a presidente da Petrobras, Graça Foster, omitiu do Senado informações sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, e a existência de contratos entre a empresa e um grupo do marido dela.

Sobre o mesmo tema, Eduardo Campos defendeu ontem a criação de uma "força-tarefa para uma intensa investigação". "Depois do que aconteceu na Comissão de Inquérito no Senado, é fundamental que instituições, como a Polícia Federal, a Justiça e o Ministério Público, investiguem tudo para esclarecer o que vem acontecendo na Petrobras", afirmou, em evento de campanha em Cabo de Santo Agostinho (PE).

"Não podemos omitir do Brasil o que houve com a maior empresa brasileira, que perdeu metade de seu valor de mercado, multiplicou sua dívida em quatro vezes, levando empresas a fecharem as portas e a demissões nos setores de petróleo, offshore, gás e na indústria naval", completou Eduardo. Segundo denúncia da oposição, a empresa do marido de Graça, Colin Foster, tem 43 contratos com a Petrobras, embora ela tenha negado a existência desses vínculos em depoimento no Senado em maio.

Doleiro

Já Aécio cobrou apuração sobre o esquema de propina montado por Alberto Youssef, relatado pela ex-contadora do doleiro Meire Bomfim Poza à revista Veja. Segundo ela, "malas de dinheiro" saíam de empreiteiras e chegavam a políticos. Youssef foi preso na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que também respingou na Petrobras. O ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa foi preso na ação e é acusado de participar do esquema do doleiro.

"Vamos aguardar que as investigações ocorram e que, se as denúncias forem comprovadas, haja punição exemplar", disse Aécio. Ele passou o dia no Rio de Janeiro. O tucano buscou o filho Bernardo, que estava internado havia 65 dias, depois de ter nascido prematuro. Sobre o uso de computadores do Palácio do Planalto para alterar biografias de jornalistas, Aécio disse que "acabam ultrapassando todos os limites e começam a querer ser donos da biografia de todo mundo". Na coletiva de ontem, Dilma não comentou o assunto.

Aécio e o PSDB foram atacados por Dilma na entrevista. Questionada sobre a promessa de campanha do tucano de criar um Superministério da Infraestrutura, unindo as pastas de Transportes e Minas e Energia, ela disse que os tucanos já tentaram acabar com a última. "Fui a primeira ministra de Minas e Energia depois do governo Fernando Henrique Cardoso. Eles (integrantes do PSDB) estavam fazendo processo de tornar aquele ministério mínimo. Ao que levou isso? Ao maior racionamento da história deste país, em 2000 e 2001. Havia 25 ou 26 motoristas e três engenheiros (na pasta)." Dilma defendeu a manutenção da atual Esplanada. "Acho que esse formato responde ao momento histórico do Brasil."

"Acho fundamental que, na eleição, haja a maior e mais livre discussão. Agora, utilizar qualquer factoide político para comprometer uma grande empresa e sua direção é muito perigoso"
Dilma Rousseff, presidente da República, sobre a crise na Petrobras. (Correio Braziliense 11/082014)

 

Produção de cana 2% menor em Minas Gerais

A produção de cana-de-açúcar em Minas Gerais ficará 2% inferior na safra atual, com a moagem de 59,5 milhões de toneladas, o que quer dizer que 86,7 mil toneladas deixarão de ser processadas. A queda está diretamente ligada à estiagem atípica e ao fechamento de duas usinas em Minas Gerais. Os dados constam do 2º Levantamento da Safra Brasileira de Cana-de-Açúcar, elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Os números divulgados estão bem próximos dos da primeira estimativa divulgada pela Conab em abril, que previa uma produção de cana-de-açúcar 2,7% menor na safra 2014/15, com o esmagamento de 59,1 milhões de toneladas.

De acordo com o presidente executivo da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, os dados da Conab retratam bem a situação mineira. "A seca prejudicou o rendimento da cana-de-açúcar e, além disso, nesta safra duas usinas deixaram de moer, o que impacta a capacidade de produção", disse Campos.

Segundo dados da Conab, a área destinada ao cultivo de cana em Minas Gerais é de 800,9 mil hectares, o que representa um incremento de 2,7% sobre o espaço utilizado na safra passada, que era de 779,8 mil hectares.

A produtividade obtida na atual temporada apresentou queda em relação à safra passada, com decréscimo de 4,6% na média, retraindo de 77,9 toneladas por hectare para 74,3 toneladas por hectare. As condições climáticas, principalmente a falta de chuvas no final do ano passado e início deste ano, impactaram diretamente o desenvolvimento da cultura, tanto na fase de rebrota quanto de crescimento. No primeiro levantamento, a queda esperada na produtividade era de 3,8%.

Da produção total de cana-de-açúcar, 25,6 milhões de toneladas serão destinadas à produção de açúcar, volume 4,23% inferior aos 26,8 milhões de toneladas esmagadas na safra anterior. Com a queda no volume de cana, a produção de açúcar ficará 2,54% menor, o que representa 86,7 mil toneladas a menos. A produção estimada para Minas Gerais é de 3,32 milhões de toneladas, frente às 3,41 milhões de toneladas fabricadas anteriormente.

O restante da cana, 33,8 milhões de toneladas, será destinada à fabricação de etanol, uma pequena variação negativa de 0,25% frente ao volume moído em 2013/14, que somou 33,9 milhões de toneladas. A expectativa é fabricar 2,67 bilhões de litros, o que, se alcançado, será 1,49% maior que os 2,63 bilhões de litros gerados no ano passado.

No caso do etanol hidratado, a produção foi estimada em 1,45 bilhão de litros, volume praticamente estável na comparação com o período anterior, com queda de apenas 0,38%. Ao todo, serão esmagadas 18 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, montante 2% menor que o utilizado na safra passada.

Para a produção de etanol anidro serão utilizadas 15,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 1,84% superior aos 15,4 milhões de toneladas da última safra. A expectativa é fabricar 1,21 bilhão de litros, 3,81% ou 44,6 milhões de litros a mais que os 1,17 bilhão de litros registrados na safra passada.

Mistura

De acordo com Campos, a expectativa do setor é que o governo aprove, ainda neste ano, o aumento do percentual de etanol anidro na gasolina, hoje fixado entre 18% e 25%, para o teto de 27,5%. Caso aprovado pelo governo federal, a medida favorecerá o aumento da produção de etanol anidro já na próxima safra. Na última terça-feira, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 647/14 que autoriza o governo a elevar o volume de etanol anidro presente na gasolina. A MP ainda precisa passar pelo crivo do Senado e, posteriormente, ir à sanção do governo federal.

"A aprovação da MP na Câmara é o primeiro passo para que o aumento do etanol na gasolina possa ser sancionado. Também está em andamento estudo técnico que mostrará se o aumento da mistura impactará ou não o desempenho da frota nacional. O setor sucroalcooleiro está otimista em relação aos resultados dos testes e, também, em relação à aprovação do aumento por parte do governo federal. Acreditamos que a decisão acontecerá entre setembro e outubro e, caso aprovada, as usinas mineiras estarão prontas para fabricar maior volume de anidro já em 2015. Essa aprovação é fundamental para a recuperação do setor", afirma Campos. (Diário do Comércio 08/08/2014)

 

Petróleo sobe após Obama autorizar ataques ao Iraque

Objetivo da medida é retardar o avanço dos militantes islâmicos, que desde junho invadiram regiões no norte e no oeste iraquiano.

Os contratos futuros de petróleo operam em alta, após o presidente do Estados Unido, Barack Obama, autorizar ataques aéreos norte-americanos no Iraque. Segundo Obama, a medida tem como objetivo retardar o avanço dos militantes extremistas islâmicos, que desde junho invadiram diversas regiões no norte e no oeste iraquiano.

"Neste momento, a reação do mercado diz respeito a como o mercado responde normalmente quando há notícia de primeira página de tensões geopolíticas. Este é um comportamento tradicional", disse o economista Barnabas Gan, em OCBC Bank.

A geopolítica está de volta à agenda não só por causa do Iraque, mas devido à concentração de tropas russas na fronteira com a Ucrânia, a violência na Líbia e uma rejeição das últimas propostas de cessar-fogo no conflito entre Israel e Palestina.

Contudo, os fundamentos apontam para um mercado amplamente suprido, disse a JBC Energy.

"Embora a situação no lado geopolítico pareça estar cheia de instabilidade, no plano econômico, sinais positivos dos EUA e das economias europeias estão reforçando as expectativas de uma melhoria no crescimento econômico global este ano", escreveram em uma nota a clientes.

Aceleração do crescimento nos EUA, uma recuperação gradual na Europa e uma estabilização na China levam a uma perspectiva sobre a economia global que é positiva no curto prazo, segundo a JBC, "com os países desenvolvidos estimulando o crescimento, enquanto os riscos de baixa parecem estar contidos no momento".

Às 9h (de Brasília), o petróleo Brent com entrega em setembro subia 0,61% a US$ 106,07 por Barril. Na Nymex, o contrato de petróleo para setembro avançava 0,39%, para US$ 97,72 por barril. (Dow Jones Newswires 08/08/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Leve recuperação: Após atingirem o menor patamar em quase seis meses, os preços do açúcar demerara subiram na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos do produto com vencimento em março de 2015 fecharam com valorização de 8 pontos, cotados a 17,78 centavos de dólar por libra-peso. O movimento, porém, foi apenas técnico, uma vez que a colheita no Centro-Sul do Brasil continua avançada e a demanda ainda não esboça reação. Na semana encerrada no dia 5, os fundos passaram de uma posição líquida comprada (à espera de uma alta nos preços) de 19.115 contratos para uma posição líquida vendida de apenas 38 contratos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve queda de 0,33%, para R$ 45,40 a saca de 50 quilos.

Café: Liquidação de posições: As cotações do café arábica recuaram pelo segundo dia seguido na bolsa de Nova York na sexta-feira com mais liquidação de posições. Os lotes do grão para entrega em dezembro encerraram a sessão com recuo de 310 pontos, cotados a US$ 1,8505 por libra-peso. Parte dos fundos tem se desfeito de papéis de curto prazo em troca de contratos com vencimentos mais longos. Outra parte tem buscado embolsar os resultados obtidos no recente movimento de alta. Segundo analistas, a tendência é da valorização dos contratos. Na semana até o dia 5, os fundos especulativos aumentaram sua posição líquida comprada na bolsa de Nova York em 11,3%. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o arábica caiu 3,85%, para R$ 416,91 a saca de 60 quilos.

Algodão: À espera do USDA: Os investidores do mercado do algodão se animaram na bolsa de Nova York na sexta-feira, em meio ao menor patamar de preços em cerca de quatro anos. Os contratos da pluma com vencimento em dezembro fecharam com avanço de 19 pontos, a 64,21 centavos de dólar por libra-peso. O mercado têm recuado há semanas diante da percepção de que a China deve reduzir suas compras de algodão no mercado internacional na temporada 2014/15 por causa de seus elevados estoques. Os traders aguardam agora o próximo relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado amanhã, para se reposicionarem. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,1%, para R$ 1,6551 a libra-peso.

Milho: Chuvas nos EUA: O mercado do milho voltou a se concentrar no quadro climático dos EUA e os preços registrar recuo expressivo na sexta-feira em Chicago, já que a redução das tensões entre Rússia e Ucrânia diminuiu o ímpeto "altista" que contaminou as negociações ao longo da semana. Os contratos do grão para entrega em dezembro fecharam com queda de 7,75 centavos, a US$ 3,635 o bushel. A empresa de meteorologia DTN previa pancadas de chuva e tempestades nessa semana no cinturão produtor do Meio-Oeste americano, ainda em meio a baixas temperaturas. Os traders também buscaram se posicionar à espera dos dados do USDA, que divulgará seu relatório mensal amanhã, 12. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa recuou 0,81%, para R$ 23,22 a saca de 60 quilos. (Valor Econômico 11/08/2014)