Setor sucroenergético

Notícias

Em Congonhas, encontro com Ometto

No último evento da noite, divulgado não pela assessoria de campanha, mas pela de presidente da República, Dilma Rousseff encontrou-se em São Paulo com o presidente do Conselho de Administração da Cosan, Rubens Ometto.

A reunião, que durou 35 minutos e à qual a presidente chegou com 50 minutos de atraso, ocorreu na Sala das Autoridades do aeroporto de Congonhas, e foi anunciada como agenda de governo.

Com arrecadação menor do que em 2010, a campanha de Dilma Rousseff busca doações do empresariado, que por sua vez procura arrancar da presidente contrapartidas para apoiá-la financeiramente.

Maior produtora de etanol do mundo, a Cosan doou ao todo, há quatro anos, R$ 3,65 milhões ao diretório nacional do PT. A primeira contribuição, de R$ 500 mil, havia sido feita em 20 de agosto.

Na primeira parcial divulgada na semana passada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), referente a doações até 2 de agosto, o grupo não consta como financiador do PT. Mas doou R$ 3 milhões para o diretório nacional do PMDB e R$ 1 milhão para o do PSB, cujo candidato à Presidência é o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. No ano passado, Rubens Ometto teria procurado aproximação com Campos, depois de Dilma frustrá-lo em reunião em Brasília.

Ontem, enquanto aguardava a presidente Dilma Rousseff, o empresário Rubens Ometto confirmou que ainda não havia feito doações à campanha petista, mas não quis explicitar os motivos.

Em 2010, a Cosan doou R$ 1,1 milhão ao PSDB, cujo candidato era o ex-governador de São Paulo José Serra. E agora o diretório nacional tucano, como o do PT, ainda não recebeu.

A principal reivindicação de Ometto é uma política mais favorável ao setor de etanol, que enfrenta uma das crises mais graves de sua história. Entre as maiores queixas estão o controle de preço da gasolina feito pelo governo para segurar a inflação. Para que o preço do etanol seja mais competitivo, Ometto defende a retomada da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, a Cide, cuja alíquota sobre a gasolina foi reduzida a zero, em 2012.

Numa cerimônia em maio deste ano, em Nova York, onde recebeu prêmio de Homem do Ano, concedido pela Brazilian-American Chamber of Commerce, Ometto criticou a administração Dilma, ao considerá-la intervencionista.

Questionado pelo Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, se sua relação com Dilma está melhor, Rubens Ometto foi sucinto: "Somos profissionais", disse o empresário, enquanto tomava café e aguardava a presidente no pavilhão do aeroporto de Congonhas reservado a autoridades.

Ometto acrescentou que sua conversa com Dilma Rousseff teria a ver com demandas não só da Cosan, mas de outras empresas do setor de etanol. (Valor Econômico 12/08/2014)

 

Ipiranga contesta no Cade a fusão entre ALL e Rumo

A Ipiranga, empresa de distribuição de combustíveis do grupo Ultra, pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que imponha restrições à fusão entre a ALL e a Rumo. Em petição enviada ontem, a empresa alegou que a Cosan, dona da Rumo, terá o controle das ferrovias gerenciadas pela ALL e, com isso, poderá "discriminar rivais" em vários mercados.

"A operação tem o potencial de criar condições para que o grupo Cosan possa explorar a posição de monopólio garantida pela infraestrutura essencial - a ferrovia da ALL - para discriminar rivais", diz o documento assinado pelo advogado José Del Chiaro.

A Ipiranga qualificou a situação como preocupante no mercado de distribuição de combustíveis. O temor é o de que rivais, como a Raízen (joint venture de Cosan e Shell), sejam beneficiados através de condições mais vantajosas para uso dos vagões da ALL. Pede que todos os contratos de transporte de cargas na ferrovia da ALL, bem como aditamentos e rompimentos, sejam submetidos ao órgão antitruste. A Ipiranga pede ainda que não seja concedida preferência "na exploração de ativos logísticos pelos acionistas" da nova companhia, resultante da fusão.

A Cosan alegou ao Cade que não tem qualquer intenção de discriminar rivais no uso da ferrovia. Ao contrário, a companhia disse que tem todo o interesse em transportar o maior número de cargas, pois, dessa forma, será mais eficiente e conseguirá mais lucros. Mas, para a Ipiranga, é preciso garantir "expresso dever de transparência pela nova companhia" resultante da união entre ALL e Rumo. Neste sentido, a empresa quer que o Cade obrigue a divulgação de informações trimestrais sobre o volume e carga transportados pelos usuários dos trilhos da ALL.

A empresa também pede ao Cade que determine "clareza" à ALL-Rumo "no critério de definição de tarifas e condições de acesso à ferrovia". Por fim, requereu o "compartilhamento de informações com os usuários da ferrovia sobre investimentos de longo prazo em expansão da oferta de transporte".

Na petição que o Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, teve acesso, a Ipiranga avaliou que as salvaguardas propostas pela Cosan ao Cade para garantir a presença de concorrentes na ferrovia são insuficientes. Ao notificar a operação, em 21 de julho, a Cosan anunciou a criação de um Comitê para garantir o transporte de cargas por concorrentes na ferrovia da ALL. O órgão será composto por três a cinco membros independentes do conselho de administração da nova companhia, um dos quais a BNDESPar, subsidiária do BNDES (acionista de ALL). Qualquer manifestação negativa sobre futuras operações na ferrovia terá que ser aprovada por, no mínimo, 90% dos membros do conselho de administração, o que significa poder de veto para cada um dos sócios.

"A existência do Comitê de Assessoramento não elimina e nem mesmo mitiga os problemas concorrenciais", diz a petição da Ipiranga. "Por exemplo, prioridade de carga do grupo Cosan pode ser estabelecida e dificuldades à operação dos rivais podem ser impostas. Subsídios cruzados podem ser aplicados de modo a compensar eventuais perdas, discriminando concorrentes, sem qualquer diferenciação explícita das tarifas."

O documento mostra que a união ALL-Rumo não terá tramitação tranquila no Cade. Para entrar com a intervenção no órgão antitruste, a Ipiranga contratou Del Chiaro, considerado um dos maiores especialistas em impugnações no conselho. Procurado, ele disse que a Ipiranga não deve ser a única a intervir. "Na verdade, o número de impugnações deverá ser tão significativo quanto os possíveis impactos anticompetitivos decorrentes desta operação", afirmou. "É necessária uma análise cuidadosa do Cade."

Del Chiaro atuou pela Kraft, dona da Lacta, contra a compra da Garoto pela Nestlé e foi vitorioso no processo. O negócio foi bloqueado pelo Cade e a Nestlé teve que recorrer à Justiça, onde o caso está até hoje.

Procurados, advogados que representam a Cosan preferiram não se manifestar sobre o caso. (Valor Econômico 12/08/2014)

 

São Martinho aposta na alta do açúcar

Diante da convicção de que a real quebra da produção de açúcar nesta safra no Centro-Sul do Brasil ainda não está expressa nas cotações da commodity na bolsa de Nova York, o grupo sucroalcooleiro São Martinho deixou para vender a maior parte de sua produção de açúcar a partir do segundo trimestre do ciclo.

Até o fim dos primeiros três meses da safra, ou seja, até 30 de junho, a companhia havia fixado preços de 393 mil toneladas da commodity, o equivalente a apenas 47,3% de sua exposição líquida - total de vendas de açúcar menos o volume de cana comprado de fornecedores. Na mesma época de 2013, esse percentual era de 91% de sua exposição líquida.

Destacando que se trata de um retrato até 30 de junho, o presidente do grupo, Fábio Venturelli, afirma que ainda há uma certa desconfiança do mercado internacional em relação à safra brasileira. "Há esperança de que a produção da commodity vai surpreender favoravelmente aos que apostam na baixa dos preços", avalia o executivo.

Entretanto, sua visão é a de que, a partir do fim de agosto, o mercado vai começar a perceber a queda da produção e o impacto na moagem. A companhia, diz ele, continua acreditando que essa mudança de tendência está próxima. "Quando se olha a fotografia agora, com produtividade e teor de açúcar na cana elevados, o cenário é de 'céu de brigadeiro'. Mas, quando as usinas, que agora moem aceleradamente, forem colher em outubro, não vão encontrar cana. Aí virá a surpresa", avisa.

O volume de açúcar fixado até 30 de junho está com um preço médio equivalente a 44,46 centavos de real por libra-peso, resultado de uma combinação de preço médio de 18,30 centavos de dólar por libra-peso e de um hedge cambial ao dólar médio de R$ 2,43. Esse valor em reais já é 10% superior ao preço médio de 40,46 centavos de real por libra-peso registrado em todo o ciclo passado.

"O dólar foi determinante. No ciclo passado, nosso hedge cambial médio ficou na casa dos R$ 2,25", compara o diretor financeiro e de relações com investidores da São Martinho, Felipe Vicchiato.

A São Martinho, diz Venturelli, ainda não vai revisar sua projeção para o ciclo 2014/15, de moagem de 19,640 milhões de toneladas de cana, apesar da estiagem. "O clima na unidade de Goiás (Usina Boa Vista) tem sido muito favorável, o que tende a compensar possíveis perdas nas usinas paulistas", afirma.

No primeiro trimestre da safra, o volume de moagem e produtividade da companhia cresceu, em decorrência do grande volume de cana que ficou no campo do ano passado para este e da aquisição do controle da usina paulista Santa Cruz. Mas Venturelli reconhece que ao longo dos próximos trimestres o desempenho da planta tende a se estabilizar e até recuar. De abril a 30 de junho, a São Martinho processou 7,6 milhões de toneladas de cana, 37,8% acima de igual período da safra passada.

Em balanço divulgado ontem, o grupo informou um lucro líquido de R$ 60,7 milhões no primeiro trimestre, 75% mais que nos três meses encerrados em 30 de junho de 2013. Venturelli afirma que os resultados foram fortemente influenciados pela venda de energia elétrica e de etanol anidro (que é misturado à gasolina). No período, a receita líquida com a comercialização de eletricidade foi a R$ 50 milhões, ante os R$ 9 milhões obtidos um ano antes, e cerca de 10% da receita total do grupo no trimestre (R$ 511 milhões).

Houve um aumento no volume vendido e do preço médio, que avançou para R$ 256 por MWh, contra R$ 167 o MWh de um ano antes. "Vendemos 40 mil MWh no mercado spot (sem contrato), com preço médio de R$ 740 o MWh", detalhou o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia. Com isso, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ao valor justo dos ativos biológicos (canaviais) aumentou 7,3% no primeiro trimestre do ano, a R$ 227 milhões. Na mesma comparação, a margem Ebitda subiu 1,6 ponto percentual, a 44,4%.

A dívida líquida subiu 2,6%, para R$ 1,579 bilhão, equivalendo a 2,02 vezes o Ebitda. Com a aquisição do controle da Santa Cruz, concluída na sexta-feira passada, o endividamento líquido deverá subir para R$ 1,980 bilhão, ou 2,14 vezes o Ebitda. (Valor Econômico 12/08/2014)

 

Itochu desiste de parceria com a Bunge

O negócio de açúcar e etanol no Brasil não vem sendo, definitivamente, sinônimo de boas notícias para a multinacional americana Bunge. Depois de acumular prejuízos consecutivos com a operação e de ainda não ter encontrado uma solução "estratégica" para o negócio, a múlti terá agora que desembolsar recursos para comprar a participação que a sua sócia japonesa Itochu Corporation detém no negócio.

Insatisfeita com as incertezas de rentabilidade futura do negócio, a Itochu, que investiu de 2008 a 2011 US$ 160 milhões para obter 20% das duas usinas, decidiu vender sua participação no negócio. O pedido para aquisição pela Bunge da participação da japonesa nas usinas Santa Juliana, localizada em Minas Gerais, e na Pedro Afonso, localizada em Tocantins, está em análise no Cade.

A Bunge já detém 80% das duas unidades. "A consolidação do controle pela Bunge decorre da definição da sócia (Itochu) de se retirar do mercado de açúcar e bioenergia brasileiro em razão das incertezas de mercado atuais", informou a Bunge em requerimento ao Cade. No mesmo documento, a japonesa, que detém a participação via subsidiária JB Bioenergy, afirmou que sua decisão se baseia na falta de previsão quanto visão incerteza de rentabilidade futura trazida pelas políticas governamentais adotadas para combate à inflação. (Valor Econômico 12/08/2014)

 

Tereos tem prejuízo de R$$ 32 milhões no 1º tri da safra 2014/15

SÃO PAULO - A Tereos Internacional, grupo de origem francesa que tem operações de açúcar, etanol e amidos no Brasil, na Europa, na África e na Ásia, informou agora há pouco que teve no trimestre encerrado em 30 de junho, equivalente ao primeiro trimestre da safra 2014/15, um prejuízo líquido de R$ 32 milhões, ante o resultado líquido positivo de R$ 8 milhões obtido no mesmo trimestre do ciclo 2013/14. O prejuízo líquido atribuível aos acionistas da controladora foi de R$ 31,7 milhões, contra um lucro líquido de R$ 8,6 milhões em igual trimestre do ano passado.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da companhia caiu 17,4%, a R$ 173 milhões. Em comunicado, a empresa explicou que, ao excluir o feito contábil positivo sobre o primeiro trimestre do ciclo passado da controlada Guarani, o Ebitda permanece em linha com o ano anterior.

Conforme a empresa, o segmento de amidos e adoçantes apresentou uma “leve” melhora, mas o negócio de álcool na Europa foi impactada pelos menores preços de etanol e devido ao fato que todo o trigo processado pela unidade foi comprado a preço de mercado no trimestre. “As operações do Oceano Índico registraram estabilidade, enquanto a rentabilidade na África sofreu com o início tardio da safra e deterioração das condições de mercado”, informou a Tereos em nota.

A receita líquida da empresa recuou 5,4%, a R$ 1,805 bilhão na mesma comparação. A companhia informou ainda que em 30 de junho deste ano, sua dívida líquida (incluindo com partes relacionadas) era de R$ 4 bilhões, ante R$ 4,1 bilhões de um ano atrás e R$ 3,6 bilhões do trimestre anterior, encerrado em 31 de março de 2014. “O aumento da dívida líquida em relação ao trimestre anterior deve-se parcialmente à sazonalidade do capital de giro e ao aumento dos estoques na divisão de cana-de-açúcar, além do impacto cambial”, informou a Tereos.

A sucroalcooleira Guarani, controlada pela Tereos Internacional, registrou no primeiro trimestre da safra um Ebitda ajustado ao valor justo dos ativos biológicos (canaviais) de R$ 95 milhões, 24% abaixo do registrado em igual trimestre do ciclo anterior.

A empresa informou que houve aumento da moagem, aumento da receita com cogeração de energia, mas também retração no faturamento com açúcar, um produto importante para a companhia.

Houve um aumento de moagem de 18% para 7,1 milhões de toneladas (consolidação integral). Com produtividade agrícola e teor de açúcar mais alto, a empresa teve um aumento de 19% no volume de produto final em relação ao mesmo trimestre da safra anterior. (Valor Econômico 12/08/2014)

 

Operação Lava Jato

Registro o foco dos reflexos da crise do setor sucroenergético sobre os empregos e as atividades econômicas em Sertãozinho (SP) abordada na reportagem "Cidade que vive da cana sente efeitos da crise no setor" ("Mercado", 11/08/2014).

É uma contribuição isenta e transparente para o entendimento do que está acontecendo com uma atividade que movimenta US$ 100 milhões por ano e registrava o emprego direto de 1 (um) milhão de trabalhadores.

ARNALDO JARDIM, deputado federal pelo PPS (São Paulo - SP). (Folha de São Paulo 12/08/2014)

 

Dilemas em torno da alta da gasolina

Inflação desacelera em julho e abre espaço para o reajuste dos combustíveis ainda este ano, aliviando a pressão sobre o caixa da Petrobras. Mas a decisão está limitada pelas eleições e pelo impacto no IPCA.

O governo ainda não está convencido de que deve autorizar um aumento dos combustíveis antes das eleições. Contudo, só o fato de a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, terem sinalizado de que não manterão o preço da gasolina congelado até o fim do ano, já serviu para conter a crítica da oposição contra o aperto sobre o caixa da Petrobras. O desempenho da petroleira, cuja imagem está bastante arranhada, foi colocado no centro das discussões políticas.

Para aliviar as finanças da estatal, os especialistas apontam que a alta da gasolina deveria ser de 4% a 5%. Mas a dificuldade para o governo liberar o reajuste está no controle da inflação, pois cada ponto percentual de aumento no combustível representa um impacto de 0,04 ponto percentual no Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA). "Se o reajuste for de 5%, por exemplo, o reflexo será de 0,20 ponto percentual", explicou o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) André Braz.

Como o IPCA de julho deu uma trégua e ficou estável em 0,01%, é possível que exista um espaço para permitir a recomposição dos preços nas distribuidoras de combustíveis. Ontem, ao comentar o desempenho da empresa divulgado na semana passada, a presidente da Petrobras, Graça Foster, reafirmou que busca a convergência de preços para o alcance das metas de endividamento.

A estatal amargou no segundo trimestre do ano um prejuízo 55% maior na área de abastecimento, de R$ 3,9 bilhões, justamente devido à política do controle de preços, que mantém a defasagem nos valores de venda da Petrobras diante do que ela paga no mercado externo.

Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, o represamento dos ganhos da Petrobras já esteve acima de 16%. "Como o Banco Central (BC) vendeu dólar para segurar o câmbio, esse índice caiu para 9% porque o cálculo envolve o preço do petróleo no mercado internacional, e a variação cambial ajuda ou atrapalha as contas", destacou. Ainda assim, mesmo que o governo conceda até 5% de aumento, os preços continuarão um pouco defasados.

"Seria muito bom se o governo permitisse o reajuste. Mas acho difícil que faça isso antes das eleições porque a conta de luz está subindo muito e também pesa bastante na inflação. E, diferentemente dos combustíveis, a eletricidade não tem outra solução a não ser o repasse para a tarifa", analisou. Para o especialista, o caixa da Petrobras só sentiria uma melhora com alta de até 6% na gasolina. "A medida ajudaria ainda a dar competitividade ao etanol", completou.

O mercado, no entanto, quer mais do que só uma possibilidade de aumento da gasolina porque o IPCA abriu uma chance. "Os agentes estão muito desconfiados porque a política de reajustes precisa de previsibilidade. Não adianta apenas indicativos de só agir se a inflação permitir. Isso é política econômica e não política energética. O ideal seria uma fórmula ou regras claras de reajustes", destacou Pires, para quem o governo espera aliviar o caixa da Petrobras com mais produção de petróleo.

Peso no bolso

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que calcula o IPCA, a gasolina compromete 3,74% do orçamento familiar. "Isso significa que, para cada 1% de aumento, a gasolina impacta em 0,04 ponto percentual no IPCA. Se o reajuste for de 5%, por exemplo, o impacto será de 0,20 ponto percentual", alertou André Braz, economista da FGV. Conforme ele, o óleo diesel compromete fração bem menor do orçamento familiar, de 0,14%. "Com esse peso, para cada 1% de alta, o impacto será de 0,001 ponto percentual. Se o reajuste for de 5%, o índice subirá 0,005 ponto percentual", disse.

Tempo perdido

O desafio de reequilibrar as contas do setor de combustíveis do país fica maior à medida que o tempo passa. Na avaliação do professor Hernani Chaves, especialista da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o cerceamento dos preços já deveria ter sido corrigido. "Temos experiência de que essa política de controle não funciona. O problema é que, dificilmente, o governo vai dar aumento antes das eleições. De qualquer forma, nenhum dos três principais candidatos à Presidência comentou como fará para resolver o problema de caixa da Petrobras", alertou. (Correio Braziliense 12/08/2014)

 

SP: Venda suspeita de destilaria é alvo de ação na Justiça Usinas

Uma ação na Justiça pede a anulação da venda da Destilaria Fronteira, na cidade mineira, pelo Banco do Brasil ao grupo Vale do Ivaí, ocorrida há sete anos. A operação envolveu o perdão de R$ 351 milhões, dívida de crédito rural contraída pela usina nos anos 90. Três anos após a compra, em 2010, a usina encerrou as atividades, deixando para trás mais uma dívida, de R$ 35,4 milhões em impostos e 700 trabalhadores desempregados.

A ação é da massa falida da usina, cujo síndico . Levy Palhares de Santana, também acionou a Justiça para ter o retorno do que restou do patrimônio da destilaria, que inclui o parque industrial e 2,8 mil hectares em terras, tudo avaliado extrajudicialmente em R$ 40 milhões. “Queremos vender o maquinário e arrendar as terras para pagar os credores e encerrar essa história.” As dívidas atualizadas da usina são estimadas em R$ 80 milhões.

Na última sexta-feira, a juíza titular da 1ª Vara Cível de Frutal (MG), Gisa Carina Gadelha Sabino, e o promotor Renato Teixeira Rezende inspecionaram a usina no processo da massa falida. “Como a proprietária atual disse em audiência que a empresa está em atividade, viemos verificar, e constatamos que o parque industrial está inativo”, disse a juíza, que evitou dizer que medidas irão adotar em ambos os processos. “É um caso muito complexto, que demanda uma análise detalhada.”

O problema teve início nos anos 90, quando o então proprietário da destilaria, José Arlindo Passos Correa, contraiu empréstimos milionários no Banco do Brasil e ofereceu o patrimônio da usina como garantia. Nenhum centavo foi pago, o que gerou dezenas de processos judiciais que ainda estão em andamento. Em 2007, a dívida da usina com o banco chegava a R$ 354,5 milhões. Foi quando o BB tomou uma medida polêmica.

No dia 29 de agosto daquele ano, representantes do banco e do grupo paranaense Vale do Ivaí se reuniram em cartório de Ribeirão Preto e firmaram uma escritura pública de cessão de créditos, em que o BB cedia seu crédito ao grupo por 1% do seu valor, R$ 3,4 milhões. No mesmo dia, o gerente do banco Antonio Geraldo Perim e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Químicas de Fronteira, Nildomar Lázaro da Silva, se reuniram em assembleia em Frutal.

Alegando serem detentores de mais de dois terços dos créditos da massa, BB e sindicato cederam ao grupo Vale do Ivaí o patrimônio da usina, avaliado na época em R$ 25,4 milhões, em troca do pagamento de R$ 35,4 milhões em impostos e R$ 1,9 milhão em dívidas trabalhistas, em um prazo máximo de seis meses. O grupo também se comprometia a operar a usina por no mínimo sete safras. O passivo trabalhista foi quitado, mas o restante do acordo ficou apenas no papel.

Após três safras, em 2010, o grupo Vale do Ivaí foi vendido para o grupo indiano Renuka, que repassou a posse da destilaria para uma subsidiária recém-constituída, Destilaria Rio Grande, e encerrou as atividades não muito tempo depois. Em julho, o advogado José Roberto Falco; representante de uma ex-fornecedora de cana e de um ex-trabalhador da destilaria, credores na massa falida, ingressou com ação na 1ª Vara Cível de Frutal em que pede a anulação do acordo entre o Banco do Brasil e o grupo Vale do Ivaí e a condenação de ambos ao pagamento de R$ 63,7 milhões, referente ao que a usina deixou de lucrar no período em que ficou inativa. “A destilaria saiu de graça para a Ivaí”, diz o advogado.

Outro lado

Procurada, a assessoria do Banco do Brasil limitou-se a informar, por meio de nota, que ainda não foi notificada do processo em Frutal. O Diário contatou o coordenador do departamento jurídico do grupo Vale do Ivaí, Ricardo Firmino por e-mail e telefone na semana passada, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

Outros negócios são questionados

Negócio muito parecido com o da Destilaria Fronteira foi feito pelo também pelo Banco do Brasil com a Destilaria Água Limpa, de Monte Aprazível no mesmo ano de 2007. A usina, outra que pertenceu a José Arlindo Passos Correa, e foi dada em garantia para os empréstimos tomados por ele do banco no início dos anos 90. Uma auditoria do BB em 1995 puniu 7 dos 12 funcionários envolvidos nas operações de empréstimos com perda de cargos de confiança e advertência.

O Banco do Brasil tentou leiloar a usina em 2005, mas Correa conseguiu embargar a medida na Justiça. Dois anos depois, reuniram-se no 10º Tabelião de Notas da Capital José Joaquim Mendonça Rodrigues, representante da unidade regional de reestruturação sucroalcooleira do Banco do Brasil, e o diretor-superintendente do grupo Petribu, Jorge Cavalcanti de Petribu, que arrendou a Água Limpa desde 2003.

Ambos assinaram uma “escritura pública de cessão de direitos creditórios” pelo qual o banco cedeu todos os créditos a receber da Água Limpa para o grupo Petribu por R$ 15.228.191 (R$ 14.784.652 mais R$ 443.539 de honorários advocatícios) e liberou a penhora incidente sobre fazendas de São Paulo e Mato Grosso dadas em garantia do empréstimoes. Em troca, Petribu abriu mão de executar a dívida, na época avaliada em R$ 527 milhões - desse valor, o banco já havia recuperado R$ 8 milhões no início da década, ao arrematar em leilão fazendas em São Paulo e Mato Grosso dadas em garantia da dívida.

O acordo foi feito dentro da ação número 791, de 1995, que tramita na 1ª Vara Cível de Monte Aprazível. O Grupo Petribu utilizou o crédito de R$ 15,2 milhões cedido pelo banco para comprar o parque industrial da usina. O Ministério Público chegou a instaurar inquérito para apurar o negócio, mas as investigações foram arquivadas. (Diário Web 10/08/2014)

 

Indústria de máquinas aposta na armazenagem

Indústria de máquinas aposta na armazenagem MÁQUINAS AGRÍCOLAS- estruturas de armazenagem para os produtores.

Tratores e colheitadeiras são o negócio principal da multinacional Agco, mas o agronegócio exige hoje das empresas uma diversificação na oferta de produtos.

É o caminho que a Agco está tomando, segundo André Carioba, gerente-geral da empresa para a América do Sul.

O crescimento do grupo passa também pelo fornecimento de armazéns, plantadeiras, pulverizadores e sistemas de integração de tecnologia entre campo e máquinas.

Detentora de 47% nas vendas de tratores no Brasil e de 15% nas de colheitadeiras, a Agco investiu R$ 18 milhões na GSI, empresa especializada no fornecimento de estruturas de armazenagem para os produtores.

É um setor que pode dar um bom ritmo à empresa devido ao deficit nacional, diz Carioba. Ele acredita que em poucos anos a GSI aumentará a participação no mercado nacional, ocupando a segunda posição em fornecimentos de equipamentos nesse setor.

Martin Richenhagen, presidente da Agco Corporation --empresa que congrega Massey Ferguson, Valtra, GSI, Fendt e Challenger--, diz que o setor de máquinas agrícolas passa por turbulência, mas que o crescimento da população e, consequentemente, o de alimentos manterão a demanda aquecida nesse setor.

A Agco teve receitas de US$ 10,8 bilhões em 2013, e a América do Sul foi responsável por um quinto desse valor. Apesar dessa diversificação de produtos, a empresa quer avançar ainda mais nas vendas internas de tratores e de colheitadeiras.

Carioba acredita que, com a nova linha de colheitadeiras que está chegando, a Agco eleve dos atuais 15% para 25% a participação da empresa no mercado nacional.

Como conseguir esse salto em um mercado tão competitivo e visado por todas as empresas do setor? Fornecendo novas tecnologias que garantam ao produtor velocidade na colheita, maior capacidade de produção e treinamento dos técnicos da concessionárias. "Permitir ao produtor que ganhe mais produtividade", diz Carioba.

Apesar da queda nas vendas de implementos neste ano, o horizonte é muito bom para as indústrias, uma vez que o país deverá saltar dos atuais 200 milhões de toneladas anuais de grãos para próximo de 300 milhões em uma década, prevê ele. (Folha de São Paulo 12/08/2014)

 

ESALQ estabelece novas parcerias com instituições da Europa

Desenvolvimento de pesquisas em tecnologia de sementes é objetivo comum entre Brasil, Holanda e Inglaterra.

No período de 18 a 31 de julho de 2014, Silvio Moure Cicero e Francisco Guilhien Gomes Junior, professor e técnico, respectivamente, do Departamento de Produção Vegetal (LPV), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ) visitaram o Plant Research International, em Wageningen, na Holanda, e o Sir Peter Mansfield Magnetic Resonance Centre, em Nottingham, na Inglaterra, com intenção de firmar juntos novas parcerias no desenvolvimento de pesquisas envolvendo análise de imagens de sementes e plântulas.

As pesquisas envolvendo análise de imagens voltadas para tecnologia de sementes na ESALQ tiveram inicio em 1995, quando o professor Silvio Moure Cicero realizou um programa de Pós-doutorado no Plant Research International. Desde então, vários alunos de graduação e pós-graduação da ESALQ desenvolveram parte de suas pesquisas no centro holandês.

Por outro lado, considerado o centro mundial de desenvolvimento de técnicas de ressonância magnética, o Sir Peter Mansfield Magnetic Resonance Centre foi o pioneiro na realização de pesquisas envolvendo imagens por ressonância magnética, em meados da década de 1970. “O centro possui equipamentos de ressonância magnética de última geração, ainda inexistentes no Brasil, e os estudos são voltados basicamente na geração de imagens aplicadas em saúde humana”, comenta Cícero.

Segundo o docente, atualmente os alunos Nayara Roberto Gonçalves e Denis Santiago da Costa, do programa de pós-graduação em Fitotecnia, estão desenvolvendo parte de suas teses de doutorado no Plant Research International. “A pesquisa que está sendo iniciada por Nayara, por exemplo, envolve a utilização de técnicas de análises de imagens visando avaliar a morfologia interna de sementes de cebola e sua relação com o potencial fisiológico”, explica.

O docente afirma que este método é capaz de determinar a eficiência fotossintética de plântulas e plantas. “Pela primeira vez pretende-se relacionar o vigor das sementes com o desempenho das plântulas baseado na sua eficiência fotossintética. Esse objetivo só pode ser alcançado, hoje, por conta da utilização do CropReporter no desenvolvimento da pesquisa, equipamento desenvolvido pelo holandês Henk Jalink, da Planta Research International”, ressalta. “Nessa mesma linha, com a supervisão de Steven Groot, professor do Plant Research Internationl, Santiago da Costa está concluindo sua pesquisa visando avaliar o potencial da utilização da fluorescência de clorofila e raios X para determinação da qualidade de sementes de arroz”.

No Brasil

Desde março de 2013, estudos na área de análise de imagens de sementes com a utilização de microtomografia computadorizada de raios X e tomografia por ressonância magnética vem sendo conduzidos por meio de uma parceria entre a ESALQ, a Embrapa Instrumentação e o Instituto de Física de São Carlos da USP. Segundo Cicero, o projeto, que é coordenado por Francisco Guilhien Gomes Junior, conta com o apoio financeiro da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e visa adequar os procedimentos para avaliação da ocorrência de injúrias mecânicas em sementes de soja e milho, utilizando as referidas técnicas.

No Instituto de Física da USP, a pesquisa relacionada aos estudos de ressonância magnética é desenvolvida no Centro de Imagens e Espectroscopia In Vivo por Ressonância Magnética (CIERMag), liderado pelo professor Alberto Tannús. “Tannús também tem desenvolvido projetos em parceria com pesquisadores do Sir Peter Mansfield Magnetic Resonance Centre e da Faculdade de Física e Astronomia da Universidade de Nottingham , por meio do acordo Transatlantic, também financiado pela Fapesp”, explica.

Próximos passos

Cicero conta que, na reunião em que foram discutidos os novos programas de intercâmbio científico, foi programada para o próximo ano a ida de mais uma aluna de doutorado e dois pós-doutorandos sob sua orientação, ao Plant Research International. “Os alunos selecionados, serão os que desenvolvem temas de pesquisa também relacionados com técnicas de análise de imagens de sementes e plântulas de milho, brócolis e cenoura” (Brauil Agro 11//08/2014)

 

AGCO: não há planos para colheitadeiras de séries 9 e 10 no Brasil

O vice-presidente sênior e gerente geral da AGCO para América do Sul, André Carioba, informou nesta segunda-feira, 11, durante evento em São Paulo, que no curto prazo não existem planos para comercialização das colheitadeiras de sérias 9 e 10 no Brasil.

Esses equipamentos já são utilizados na Europa, enquanto por aqui as máquinas vão até a série 8.

Carioba frisou, ainda, que há espaço para crescimento de vendas de colheitadeiras no Brasil. Dados da AGCO mostram que no País há um desses equipamentos para cada 1.074 hectares, enquanto na União Europeia a relação é de uma máquina para 11 hectares. (Agência Estado 11/08/2014)

 

Próximo mandato deverá ter PIB fraco

Analistas preveem para os próximos 4 anos avanço inferior ao da última década e inflação acima da meta de 4,5%. Para economista, taxa de desemprego deve subir, resultado do baixo crescimento do PIB nos últimos anos.

Durante os próximos quatro anos, o Brasil deve crescer abaixo da média da última década, com inflação superior à meta de 4,5% e juros acima de 10%. O próximo presidente terminará o período de governo, no entanto, com números melhores do que os verificados em 2014.

Essas previsões fazem parte da pesquisa semanal Focus, do Banco Central, que reúne as projeções para a economia de cerca de cem analistas de instituições do setor público e privado.

Essas previsões olham, desde 2001, para um cenário de até quatro anos. Em seu relatório mais conhecido, o BC só divulga estimativa para o ano atual e o seguinte, mas as projeções de longo prazo podem ser obtidas no site da instituição.

Nesta segunda-feira (11), as projeções de crescimento para 2014 e 2015 foram reduzidas novamente, para 0,81% e 1,2% --uma semana antes, elas eram de, respectivamente, 0,86% e 1,50%.

No cenário traçado pela pesquisa, o próximo governo começa com algumas medidas impopulares que não constam no discurso dos principais candidatos.

Haveria forte reajuste de tarifas e preços controlados, de 7% no ano, e pequeno aumento da taxa básica de juros, dos atuais 11% para 12%.

Esses ajustes, segundo as previsões, não representam um choque capaz de derrubar rapidamente a inflação, com efeito recessivo sobre a atividade econômica.

Pelo contrário. A previsão é que a inflação fique em 2015 praticamente no mesmo patamar de 2014, ou seja, próxima do limite de 6,5%. o IPCA encerraria 2018 no meio do caminho entre esse teto e a meta de 4,5%, com a taxa básica de juros em 10%.

Os resultados sobre o crescimento da economia só apareceriam a partir de 2016, com números próximos de 3% até 2018. Esse valor é superior à média do governo atual (cerca de 2%), mas abaixo do verificado nos governos Lula (aproximadamente 4%).

"O próximo presidente terá de trabalhar com esse equilíbrio. Não almejar crescimento imediato, o que não é viável. E equilibrar ajustes para melhorar as perspectivas, mas sem jogar o país na recessão", diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil.

O economista, que está entre os que mais acertaram previsões no Focus em 2013, prevê aumento "moderado" de desemprego nos próximos anos, mas afirma que isso se deverá mais ao baixo crescimento dos últimos anos do que aos ajustes de 2015.

Walter Maciel, sócio-diretor da gestora de recursos Quest Investimentos, diz que as estimativas da empresa (similares à da média do Focus) consideram tanto uma política econômica que traga de volta a confiança e os investimentos como ações que continuem a levar o país para uma possível estagflação (inflação alta e PIB fraco).

Para ele, ajustes não tão grandes de juros e tarifas, como mostram as previsões, e a sinalização de uma política econômica de reformas para atrair investimentos são suficientes para acelerar o crescimento e reduzir a inflação (Folha de São Paulo 12/08/2014)

 

Ex-funcionários da Usina Maringá invadem área em Araraquara

Cerca de 150 família estão no local próximo ao Jardim das Hortênsias. Alguns trabalhadores alegam que estão com os pagamentos atrasados.

Cerca de 150 famílias invadiram nesta sexta-feira (8) uma área em Araraquara (SP), próxima ao Jardim das Hortênsias. A base do grupo é formada por ex-funcionários da Usina Maringá, que alegaram estar com os pagamentos atrasados desde novembro do ano passado. A empresa negou as pendências.

Alguns ex-funcionários fazem parte do grupo que em junho deste ano invadiu as terras da usina às margens da Rodovia Antonio Machado Sant’Anna (SP-225). A Prefeitura informou que o secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, José Carlos Porsani, esteve no local nesta sexta-feira para verificar a situação das famílias, mas que o problema deve ser resolvido com a usina.

A Usina Maringá informou que desconhece que os invasores sejam ex-funcionários. Segundo o departamento jurídico da empresa, as pendências dos trabalhadores já foram resolvidas na Justiça.

O trabalhador rural José da Silva gastava R$ 400 com aluguel, além de sustentar mais cinco pessoas . Ele contou que há seis meses não recebe seu salário e por isso a família dele terá que morar no terreno. "Não tenho dinheiro, não tenho terra, não tenho nada. Estou fazendo bicos para ter algum dinheiro", lamentou.

Um motorista, que não quis se identificar, sustentava uma neta e a mulher doente. Mas disse que sem o salário terá que mudar com a família para dois cômodos de um barraco de tábua no terreno invadido. Ele, que tem 56 anos, contou que já procurou outros trabalhos, mas não consegue porque não tem o ensino fundamental.

"Sou qualificado, tenho curso de coletivo, de carga perigosa. Todos os cursos que precisa, até de tratorista e não tenho emprego por causa da minha idade. É revoltante passar por isso", lamentou. (G1 08/08/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Forte elevação: As cotações do café arábica registraram alta expressiva na bolsa de Nova York ontem refletindo as incertezas sobre a safra no Brasil. Os contratos para entrega em dezembro fecharam com avanço de 830 pontos, a US$ 1,9335 por libra-peso. Após duas fortes quedas pressionadas por tensões geopolíticas, os fundos voltaram-se ontem aos fundamentos comprando lotes. Nesta semana, a colheita deve sofrer uma pausa com as chuvas previstas para São Paulo e Minas Gerais. Também teme-se o efeito da umidade neste momento no desenvolvimento das plantas e uma antecipação da florada. Além disso, o nível dos estoques brasileiros também está baixo. No mercado interno, o café de boa qualidade foi negociado entre R$ 420 e R$ 440 a saca de 60,5 kg, segundo o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Impulso técnico: Os preços do cacau atingiram uma nova máxima em três anos ontem sustentados por movimentos de fundos e pela demanda. Os contratos para entrega em dezembro, que passaram a ser os mais negociados na bolsa de Nova York, fecharam com alta de US$ 6, a US$ 3.221 a tonelada. Os fundos têm rolado posições, trocando os contratos para setembro por outros com prazos mais longos, elevando o volume total de lotes negociados. As compras da indústria também estão aquecidas. Ao mesmo tempo, Edo, o principal Estado produtor da Nigéria, deu início à colheita da safra principal, o que deve elevar a disponibilidade nas próximas semanas. No mercado doméstico, o cacau foi negociado em Ilhéus e Itabuna por R$ 110 a arroba na média, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Queda em Chicago: O mercado da soja operou diante de indicações mistas na bolsa de Chicago ontem, mas os lotes correspondentes à safra 2014/15 fecharam todos em queda. Os contratos para setembro encerraram com recuo de 5,25 centavos, a US$ 11,085 o bushel. Os lotes tiveram alta no começo da sessão diante de apostas diferentes dos investidores para as novas estimativas do USDA. Também houve influência do contrato de agosto, que subiu por causa da perspectiva de estoques apertados nos EUA até o fim da safra atual, em 31 de agosto. Porém, a avaliação de que o USDA elevará suas previsões para a produção dos EUA no próximo ciclo e para oferta global pressionaram as cotações no fim da sessão. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a soja em Paranaguá manteve-se em R$ 67,13 a saca.

Milho: Especulação com USDA: Na véspera da divulgação do relatório mensal do Departamento de Agricultura do país (USDA), os preços do milho voltaram a subir na bolsa de Chicago ontem. Os lotes para dezembro fecharam em alta de 4,75 centavos, a US$ 3,6825 o bushel. Os fundos cobriram posições vendidas temendo que as estimativas do órgão para a oferta sejam menores do que apostam os analistas. Acredita-se que o USDA elevará sua projeção para a produtividade nos EUA, já que o clima no cinturão do milho tem sido favorável às lavouras. Além disso, os agricultores do país também estão mais reticentes em comercializar a produção por causa dos baixos preços no mercado futuro. No mercado doméstico, o indicador Esalq/ BM&FBovespa registrou baixa de 0,04%, para R$ 23,21 a saca de 60 quilos. (Valor Econômico 12/08/2014)