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Guarani prevê alta da gasolina e amplia seu estoque de etanol

O diretor da divisão Brasil do grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, acredita que os preços do etanol vão subir no país e trazer efeitos positivos também para o açúcar em 2014/15. No trimestre encerrado em 30 de junho, o primeiro da atual safra canavieira e de seu exercício, a Guarani, empresa sucroalcooleira controlada pela Tereos Internacional, elevou em 50% seus estoques de etanol na comparação com o mesmo intervalo do ciclo passado, de olho no potencial de aumento do preço do biocombustível.

"Acreditamos que haverá um reajuste no preço da gasolina, o que trará reflexo direto para o etanol. Além disso, a entressafra será mais prolongada, o que tende a contribuir para elevar os preços do biocombustível".

Os estoques de etanol da Guarani atingiram 115 milhões de litros no primeiro trimestre da safra, com valor contábil de R$ 117,1 milhões - 32% de etanol anidro, que é misturado à gasolina. Os estoques de açúcar também cresceram e totalizaram 248 mil toneladas, 27% acima de igual trimestre do ciclo 2013/14. "As cotações do açúcar tendem a ser beneficiadas pela alta do etanol. Mas temos que acompanhar a safra na Tailândia e os estoques na China".

A estratégia de carregar mais estoques, porém, teve impacto nos resultados da companhia. Nos três primeiros meses da safra, a Guarani teve lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ao valor justo dos ativos biológicos (canaviais) de R$ 95 milhões, 24% abaixo do registrado em igual trimestre do ciclo anterior. "Moemos cana bisada (que sobrou no campo do ano passado para este) o que eleva o custo com tratos culturais e com arrendamento", explicou.

A Tereos Internacional teve no primeiro trimestre prejuízo líquido de R$ 32 milhões, reflexo, segundo a empresa, de razões contábeis. (Valor Econômico 13/08/2014)

 

Safra de cana-de-açúcar deve encolher 14%

Estimativa leva em conta a seca; impacto no mercado doméstico de etanol levará meses.

A quebra da safra 2014-2015 de cana-de-açúcar na região centro-sul do país pode chegar a 14% sobre a safra anterior, avalia o diretor técnico da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar), Antonio de Padua Rodrigues.

Até o dia 1º, a baixa agrícola chegava a 7% por causa, sobretudo, do clima.

O impacto na produção de etanol, porém, não deve chegar ao mercado interno nos próximos meses, segundo a entidade. Já as exportações devem cair dos 2,3 bilhões de litros obtidos no ano passado para 1,2 bilhão em 2014.

"Encontramos um preço melhor no mercado interno", afirma Rodrigues.

No primeiro semestre, as exportações foram 299 milhões de litros inferiores ao mesmo período de 2013, uma redução de US$ 250 milhões nos embarques, diz o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

A produção da safra de 2013-2014, atualizada, foi de 597 milhões de toneladas. O diretor da Unica disse que os números calculados para este ano ficam entre 540 milhões e 570 milhões de toneladas.

As usinas já reduziram o ritmo com a perspectiva de menor oferta e a seca, diz a Unica. Na segunda quinzena de julho, a produção de etanol na região centro-sul caiu 15,6% para 35,98 milhões de toneladas, a pior desde 2007-2008. (Folha de São Paulo 13/08/2014)

Produção de cana até 2050

A produção de cana de açúcar também deve ter grande evolução, passando dos atuais 737 milhões verificados em 2013 para 1,2 bilhão de toneladas em 2050.. (Brasil Econômico 13/08/2014)

 

Moagem de cana desacelera e queda no rendimento agrícola é intensificada em julho no CS

Retração se deve às chuvas que ocorreram em parte da região produtora de cana e à redução do ritmo de moagem diante da perspectiva de menor oferta de matéria-prima.

A moagem de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras da região Centro-Sul atingiu 35,98 milhões de toneladas na segunda quinzena de julho de 2014 - o menor valor já registrado desde a safra 2007/2008, quando 25,27 milhões de toneladas foram processadas na mesma quinzena. Com isso, a moagem no mês alcançou 77,39 milhões de toneladas, retração de 11,49% comparativamente a julho de 2013.

Segundo o diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, "esta retração se deve às chuvas que ocorreram em parte da região produtora de cana-de-açúcar e à redução do ritmo de moagem por várias usinas diante da perspectiva de menor oferta de matéria-prima para processamento nesta safra."

No acumulado desde o início da safra 2014/2015 até 1º de agosto, o volume processado somou 280,43 milhões de toneladas, contra 270,16 milhões de toneladas observadas em igual período do ano anterior.

A produtividade agrícola segue em queda. Informações preliminares levantadas pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) junto a 154 unidades produtoras, indicam que a redução no rendimento da área colhida em julho na região Centro-Sul deve ficar próxima de 10% e, no Estado de São Paulo, pode superar 13% no comparativo com o mesmo período de 2013. Com isso, a quebra agrícola acumulada desde o início da safra até 1º de agosto deve atingir cerca de 7% na região Centro-sul do país.

Qualidade da matéria-prima

Na segunda metade de julho, o teor de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) atingiu 141,20 kg por tonelada de cana-de-açúcar moída, alta de 6,07% quando comparado ao resultado verificado na mesma quinzena de 2013 (133,12 kg de ATR por tonelada).

No acumulado desde o início da safra até 1º de agosto, a concentração de ATR totalizou 128,79 kg, contra 125,76 kg registrados na mesma data de 2013.

Produção de açúcar e etanol

Do volume total de cana processada nos últimos 15 dias de julho, 46,18% destinou-se à produção de açúcar, leve queda em relação ao percentual observado na quinzena anterior (46,38%). No acumulado desde o início da atual safra até 1º de agosto, a proporção atingiu 43,97%.