Setor sucroenergético

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Crise do etanol bate até em George Soros

Nem George Soros, com seus mais de US$ 20 bilhões de patrimônio, resistiu à crise da indústria sucroalcooleira no Brasil.

Controlada pelo megainvestidor, a Adecoagro já teria contratado um banco de investimentos norte-americano para conduzir a venda de suas três usinas de álcool e açúcar no país. As unidades - duas no Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais - somam uma capacidade de moagem da ordem de sete milhões de toneladas de cana por safra.

A operação sucroalcooleira foi responsável por boa parte do prejuízo de R$ 60 milhões contabilizado pela Adecoagro em 2013.

Nos últimos tempos, assim como diversos outros grupos industriais, a companhia vem ganhando mais dinheiro com a venda de energia no mercado livre do que no seu próprio core business.

A produção do insumo cresceu mais de 600% desde 2012. Em março deste ano, a Adecoagro acionou sua mais recente unidade de cogeração, instalada na usina de cana de Angélica (MS).

Não obstante os prejuízos e a crise que afeta o setor, a Adecoagro tem feito sucessivos investimentos em suas usinas.

A decisão de venda, no entanto, lança dúvidas sobre a continuidade dos principais projetos, a começar pela duplicação da unidade de Ivinhema (MS), orçada em mais de R$ 500 milhões. (Jornal Relatório Reservado 18/08/2014)

 

MG estuda reduzir ICMS do etanol de 19% para 15%

Pressionados pelo setor sucroenergético, deputados estaduais de Minas Gerais se mobilizam na tentativa de reduzir o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que incide sobre o etanol de 19% para 15%. A proposta foi objeto de audiência pública na quinta-feira, em Campo Florido, no Triângulo Mineiro.

O Estado tem a segunda maior frota do País, mas, de acordo com a associação do setor, em Minas, para cada 100 litros de gasolina, são comercializados apenas 15 litros de etanol hidratado. A redução do imposto ajudaria a tornar o combustível mais competitivo, ampliando as vendas e sua participação no mercado.

A alíquota do etanol em MG era de 22% e foi reduzida para 19% há menos de três anos, sendo na época aumentada a alíquota do óleo diesel para suprir a redução. No País, o ICMS para o etanol combustível é menor em São Paulo, hoje fixado em 12% e com o setor reivindicando uma redução para 7%.

Em Minas, para discutir a proposta de reduzir a 15% estiveram reunidos representantes do setor sucroenergético, políticos e empresários. A audiência pública foi organizada pela Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e aconteceu durante uma feira da cadeia produtiva da cana-de-açúcar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Isto é Dinheiro 16/08/2014)

 

Mitsui cresce à imagem e semelhança da Petrobras

A Mitsui já se enxerga como a empresa-espelho da Petrobras no Sul do Brasil.

Está em curso uma negociação que poderá transformar o grupo japonês em sócio das três distribuidoras de gás da região, controlador de um dos maiores gasodutos do país e acionista de uma nova planta de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL).

Em todos os casos, quem olhar para a Mitsui verá refletida a imagem da estatal, e vice-versa.

O ponto de partida é o Rio Grande do Sul. A Mitsui articula a compra de parte das ações da Petrobras na Sulgás - a estatal é dona de 49% da companhia.

A operação envolve a transferência de até 20% da distribuidora gaúcha, controlada pelo governo do estado.

O negócio permitiria à Mitsui fincar bandeira nas três concessionárias de gás da Região Sul, uma condição que hoje pertence exclusivamente à Petrobras, sua sócia na paranaense Compagás e na catarinense SCGás.

A entrada da Mitsui no capital da Sulgás está vinculada a outras duas importantes negociações.

A Petrobras vislumbra no interesse dos japoneses a oportunidade de fisgar um sócio para dois projetos que há anos repousam sobre sua prancheta: a instalação de uma planta de regaseificação de GNL no Paraná e, sobretudo, a construção de um gasoduto para atender aos três estados da região.

Ao se associar também à Sulgás, a Mitsui passará a ser mais do que candidata natural ao negócio; sua participação nos dois empreendimentos se tornará quase que obrigatória.

A trading japonesa terá motivos de sobra para se unir à Petrobras com o intuito de equacionar os problemas que cercam o abastecimento de gás no Sul do país.

A capacidade de entrega do insumo por meio do gasoduto Bolívia-Brasil, principal fonte de suprimento na região, está no limite do limite.

A situação é ainda mais delicada no Rio Grande do Sul. O Gasbol só tem condições de entregar 2,8 milhões de metros cúbicos por dia, e este volume já está totalmente contratado pela Sulgás.

E, ainda assim, há uma demanda reprimida pelo insumo equivalente a 40% deste volume. Ou seja: na mais conservadora das hipóteses, considerando-se apenas o atual déficit no abastecimento, o Rio Grande do Sul precisa de praticamente de "meio Gasbol".

A construção do pipeline e a instalação de uma unidade de regaseificação em torno de quatro milhões de metros cúbicos dia dariam uma folga mais do que confortável para atender a todos os estados da região. Ou seja: ao que tudo indica, Mitsui e Petrobras têm um tríplice encontro marcado. (Jornal Relatório Reservado 18/08/2014)

 

Insegurança pressiona produtores a aplicar defensivos agrícolas com maior agilidade

Canal Rural Na Estrada exibe como os agricultores adaptam sua produção à alta criminalidade.

De acordo com entidades do Mato Grosso, o prejuízo causado por roubos de defensivos agrícolas no Estado nas duas últimas safras é de R$20 milhões. A polícia de Estado recomenda que os produtores não armazenem este tipo de produto nas propriedades. Além dos danos materiais aos proprietários, os roubos provocam danos ao meio ambiente, por tabela: os produtos mais visados são fungicidas e herbicidas, que têm alto valor agregado e são pensados para minimizar o impacto ambiental, de acordo com o operador logístico Roberto Marcolan:

– Os produtos novos são de baixa dosagem por hectare e foram criados numa concepção mais moderna: menos agressão ao meio ambiente e aos seres humanos. Aplicados em menor volume, o custo por quilo ou por litro é mais caro.

Na região de Guiratinga (MT), ocorreram quatro casos desde o início de 2014. Uma das ações criminosas atingiu a propriedade do prefeito da cidade, subtraindo o equivalente a R$600 mil em produtos. Em entrevista, a delegada  do município, Lígia da Silveira Avelar, explica o modo de ação comum dos ladrões:

– Chegam na fazenda cerca de dez homens fortemente armados, entram na propriedade pelo começo da noite e permanecem várias horas. Não é qualquer defensivo que eles costumam levar; muitas vezes querem uma marca determinada e têm conhecimento do que querem. Tem um comprador ali determinado.

Diante dessa situação, como o produtor rural pode seguir com seu trabalho? As novas dinâmicas exigem maior organização, com tempo de aplicação reduzida para evitar a estocagem dos produtos. Confira mais detalhes no Canal Rural Na Estrada desta semana, que faz um Raio-X da logística dos defensivos agrícolas. (Canal Rural 15/08/2014 às 14h: 28m)

 

Economia tem pior primeiro semestre do governo Dilma

IBC-Br subiu 0,13% no primeiro semestre, desempenho fraco se comparado aos seis primeiros meses dos demais anos do governo Dilma.

A economia brasileira teve o pior primeiro semestre do governo Dilma Rouseff, conforme o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na manhã de hoje pela instituição. Pela série observada, houveexpansão de 0,13% de janeiro a junho de 2014 na comparação com o mesmo período do ano passado.

Pelo mesmo critério, o aumento do ritmo da atividade foi de 3,41% na primeira metade de 2013 ante igual temporada de 2012. Já nos primeiros seis meses de 2012, o avanço da economia foi de 0,36%. No início do governo Dilma, o País registrou crescimento de 4,35% pelo IBC-Br sem ajuste sazonal.

O desempenho econômico doméstico nos primeiros seis meses de 2014 foi o mais baixo desde que o País sofreu os impactos da crise financeira internacional de 2008. Conforme a série histórica do IBC-Br, sem ajuste sazonal, a taxa de expansão no primeiro semestre foi a mais fraca para o período desde que foi registrada uma retração de 3,46% da economia na primeira metade de 2009.

Com a base de comparação fraca, a expansão da atividade de janeiro a junho de 2010 disparou 9,48%. Nos anos seguintes, o crescimento registrou altas de 4,35% (2011), 0,36% (2012) e 3,41% (2013). O IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses e o indicador é usado por analistas de mercado para ajudar a prever o resultado do Produto Interno Bruto (PIB).

O IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses e o indicador é usado por analistas de mercado para ajudar a prever o resultado do Produto Interno Bruto (PIB). No próximo dia 29, o IBGE divulgará o resultado das Contas Nacionais do segundo trimestre do ano. (Agência Estado 15/08/2014)

 

Mensuração das ineficiências logísticas do agronegócio paranaense

A logística paranaense custa 17% do preço da soja entregue no Porto de Paranaguá.

Para escoar a sua produção, o agronegócio brasileiro tem encontrado alguns entraves logísticos. Os custos com armazenagem, transporte e portuários, recaem sobre os embarcadores (produtores e traders, por exemplo), com impacto direto na sua receita. Mas quanto exatamente representa o custo de cada uma dessas etapas na receita final dos produtores do Paraná? Foi essa pergunta que uma pesquisa feita pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (ESALQ-LOG), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), em parceria com a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), buscou responder.

Para a realização da pesquisa, intitulada Projeto Benin, ao longo do ano de 2013 pesquisadores do ESALQ-LOG levantaram informações pertinentes aos principais elos da cadeia de exportação de soja paranaense – a armazenagem, o transporte e o Porto de Paranaguá. Durante a realização do estudo, foi realizada uma série de visitas ao Estado do Paraná, nas quais foram entrevistados diversos agentes do setor, direta e indiretamente ligados ao processo de exportação de soja.

Como resultados, foram elaborados três relatórios principais. O primeiro abordou especificamente a armazenagem, o segundo envolveu as questões do transporte rodoviário no Estado, e o terceiro tratou das questões pertinentes ao Porto de Paranaguá. Em cada um desses relatórios encontram-se as caracterizações de cada um dos setores, bem como o detalhamento dos custos pertinentes a cada um.

Finalmente, um quarto relatório quantificou numericamente as perdas logísticas existentes no processo de exportação paranaense. Essa mensuração se deu por meio da elaboração de um simulador onde é possível trabalhar com todas as variáveis intervenientes na receita líquida do produtor, com avaliações de cenários pertinentes para tomada de decisão do produtor.

Simulação

Tomando como exemplo a semana do dia 12 de setembro de 2013, os resultados mostraram que os produtores paranaenses, dependendo da região, perdem entre 14% e 17% de sua receita bruta em decorrência dos custos logísticos. O detalhamento maior mostra que os custos de transporte são os mais representativos, tendo um impacto médio de 8,76% no Estado, dependendo da distância entre a origem e o porto. Além deste, a armazenagem apresentou um custo médio de 6,38% da receita bruta, e os custos portuários 2,58%.

Além dos custos logísticos, é importante ressaltar que outras variáveis como o preço do produto no mercado internacional, a cotação do dólar e o prêmio do porto também tem grande influência na receita do produtor.

“O dinamismo do preço da soja no mercado internacional e da cotação do dólar, por exemplo, são algumas das variáveis que influenciam bastante na receita dos produtores, porém são dependentes da oferta e demanda do produto no mercado internacional e de políticas nacionais macroeconômicas, respectivamente. As variáveis logísticas por sua vez, tem sim um grande peso para redução da receita dos produtores, e cabe aos agentes do setor buscar cada vez mais a redução dos impactos delas, mesmo em épocas que o preço do produto e a cotação do dólar não estejam tão favoráveis aos exportadores brasileiros”, comenta Fernando Vinícius da Rocha, mestrando em Administração (FEA-USP) e pesquisador do ESALQ-LOG.

Gargalos

A pesquisa também evidenciou gargalos de cada um dos elos estudados. “O conhecimento dos principais gargalos ao longo da cadeia de exportação, bem como o quanto eles representam em termos monetários, é o primeiro passo para busca por melhores condições de infraestrutura logística”, complementa Rocha. A pesquisa orientou-se justamente nesse sentido, o de evidenciar os gargalos de toda a cadeia de exportação, visando a busca de melhores condições, de modo a diminuir o impacto da logística aos produtores do Paraná.

Armazenagem

Em síntese, no que diz respeito à armazenagem, um ponto de relevância apontado pelo estudo é a existência da comercialização via escambo – troca da prestação do serviço de armazenagem por uma porcentagem do produto. A cobrança do serviço pela forma não-monetária, mas sim pela retenção de parte do produto entregue no armazém em função da taxa de umidade do produto, dificulta a fiscalização e transparência da operação comercial. Além disso, a ampla variabilidade existente entre as tabelas de descontos dos armazéns contribui para o aumento da assimetria de informação e da incerteza entre os agentes do mercado. Nesse sentido, a elevação da transparência no momento de precificar a operação de armazenagem foi um termo chave ressaltado em grande parte das entrevistas, e uma das alternativas para melhoria desse cenário consiste na criação e divulgação de treinamentos e cursos para a propagação da informação e conhecimento pertinentes à armazenagem.

Transporte

No tocante ao transporte dos grãos até o Porto de Paranaguá, é fato consumado que a grande dependência brasileira pelo modal rodoviário onera os custos relativos ao processo de exportação. A pesquisa faz considerações sobre a precificação do transporte, o qual se dá por meio de fatores de mercado e custos de transporte. O primeiro destes é o responsável pela maior parte da variação do preço do frete observada ao longo do ano, e existem períodos em que o preço praticado no mercado é menor do que o custo do serviço, devido aos fatores microeconômicos de oferta e demanda, sendo que não necessariamente o frete é formado pelo custo de transporte.

A questão do pedágio também é abordada na pesquisa e, em termos médios, este representa em torno de 11% do valor do frete praticado no Paraná. Outra consideração relevante diz respeito à limitação da capacidade de recebimento de carga no Porto de Paranaguá que, segundo alguns embarcadores, acaba limitando as movimentações, principalmente nos períodos de safra.

Porto

Tratando exclusivamente do Porto de Paranaguá, o relatório 3 do projeto traz uma série de considerações. Uma delas diz respeito às perdas existentes entre a recepção da carga nos terminais e o carregamento da mesma no porão dos navios. Estimativas apontam que para cada navio de soja carregado, 150 toneladas (pouco mais de 4 caminhões) são perdidas nesse processo. Tais números ocorrem em função da ocorrência de perdas consideradas comuns, as quais estão dentro da quebra técnica de 0,25% do volume total movimentado no porto. O estudo também faz a análise completa do caminho que a soja faz desde a chegada no porto pelos caminhões, até o carregamento dos navios pelo shiploader (equipamento responsável por carregar o produto no porão do navio), mapeamento este que permitiu a elaboração de cenários da situação operacional do Porto e de impactos da realização de novos investimentos.

O relatório traz ainda considerações sobre o impacto da demurrage na receita dos exportadores e o impacto do óleo bunker (combustível do navio) na precificação do frete marítimo. O trabalho também mostra o impacto da chuva no carregamento dos navios graneleiros em Paranaguá, o qual é da ordem de 25% do tempo, e ressalta também algumas vantagens comparativas (nível tecnológico e organizacional, como o Sistema Carga OnLine, por exemplo) que o Porto de Paranaguá tem em comparação com alguns outros portos brasileiros, além de fazer algumas recomendações de investimentos para incremento da capacidade operacional do porto, e aumento da capacidade de expedição de carga.

Segundo Thiago Péra, coordenador do Grupo ESALQ-LOG, o estudo de diagnóstico integrado (transporte, armazenagem, porto e comercialização) realizado por quase dois anos, traz evidências de como o produtor rural deixa de gerar margem em função das ineficiências logísticas. “Esperamos que essa pesquisa possa facilitar discussões do tema e subsidiar tomadas de decisão que visem aumentar a competitividade do agronegócio paranaense”, diz Péra.

O Projeto Benin foi a continuidade da parceria entre o ESALQ-LOG e a FAEP que teve início em 2011 com o Projeto Jamaica, que tratou da competitividade dos fretes ferroviários e rodoviário no Estado do Paraná. Os relatórios do Projeto Benin estão disponibilizados no site da FAEP.

Além do pesquisador Fernando Vinícius da Rocha, o Projeto Benin contou com a participação dos professores José Vicente Caixeta Filho (diretor da ESALQ e coordenador geral do ESALQ-LOG) e Augusto Hauber Gameiro, docente da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia do campus da USP em Pirassununga, do Thiago Guilherme Péra (coordenador do ESALQ-LOG), além de outros 15 pesquisadores de graduação e pós graduação membros do Grupo (Brasil Agro 13/08/2014)

 

Agronegócio não teme Marina como temia ex-ministra, mas ainda há cautela

Para analistas, Marina defenderá as mesmas propostas do socialista, que considerava possível produzir alimentos de forma sustentável.

Sociedade Rural Brasileira (SRB), uma das mais tradicionais no Brasil e atualmente sob a direção de um jovem presidente, reduziu a resistência em relação à ex-senadora.

Aquela Marina Silva que deixou o Ministério do Meio Ambiente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contrariada pela expansão de grãos e da pecuária na Amazônia Legal já não preocupa tanto representantes do agronegócio, embora parte do setor ainda tenha algumas ressalvas.

A avaliação de duas importantes entidades representativas do setor é que, como herdeira da candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República, Marina estaria comprometida com as propostas do ex-governador de Pernambuco morto tragicamente em acidente aéreo em Santos nesta semana.

Na hipótese de Marina ser indicada como substituta de Campos na cabeça de chapa do PSB, avaliaram líderes de associações do agribusiness brasileiro, ela defenderá as mesmas propostas do socialista, que considerava possível produzir alimentos de forma sustentável, contando inclusive com mais apoio do governo.

"O que mais me agradou no discurso do Eduardo Campos era o discurso efetivo sobre a sustentabilidade do agronegócio, o quanto ele considerava, e o quanto precisava de política pública para o desenvolvimento dessa sustentabilidade", disse à Reuters o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho.

"Nisso, nós ficamos muito animados com o discurso (de Campos). Quando ele falava nisso (sobre sustentabilidade ambiental do agronegócio), entendíamos que ela (Marina) estava por trás apoiando o discurso dele", acrescentou Carvalho.

O dirigente da Abag acredita que o posicionamento de Campos foi construído juntamente com Marina. Por isso, avalia ser improvável que haja grandes guinadas, na hipótese de ela ser a candidata à presidência da República pelo PSB.

"Ela tinha esse compromisso com ele (Campos) e conosco... Ambos tinham objetivo claro de mudanças e construíram juntos um padrão de mudança no qual o agronegócio era uma plataforma fundamental de crescimento e desenvolvimento do país."

A Abag congrega desde as principais multinacionais do agronegócio, empresas agrícolas listadas na Bovespa e bancos até associações como a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). A posição de seu presidente, porém, contrasta com a de outros integrantes do setor, que ainda veem Marina com posições antagônicas ao agronegócio e até contra o plantio de transgênicos.

A ex-seringueira acriana deixou o governo Lula em maio de 2008, após ocupar o Ministério do Meio Ambiente desde o primeiro mandato do petista, em meio a conflitos relacionados à concessão de licenças ambientais para hidrelétricas, que geraram embates inclusive com a hoje presidente Dilma Rousseff, na época ministra da Casa Civil.

Também pesaram questões como a demarcação de áreas indígenas e a expansão das atividades agropecuárias em áreas na Amazônia Legal. Representantes do agronegócio não perderam a oportunidade de criticá-la quando deixou o governo.

O diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher, considera que seria uma "excelente ideia" Marina fazer uma Carta aos Brasileiros, no estilo daquela feita por Lula ao mercado financeiro antes da eleição de 2002. Agora, a carta seria especificamente endereçada ao agronegócio.

Isso talvez ajudaria a tranquilizar os mais cautelosos, já que, conforme observou a MCM Consultores Associados, as dúvidas do agronegócio permanecerão até uma eventual eleição de Marina.

Para a MCM, o "risco Marina" na infraestrutura e no agronegócio continua alto e "só cairá se ela, uma vez eleita, provar ao longo do tempo que sua agenda ambientalista não prejudicará de fato os negócios desses setores".

ABERTO AO DIÁLOGO

A Sociedade Rural Brasileira (SRB), uma das mais tradicionais no Brasil e atualmente sob a direção de um jovem presidente, reduziu a resistência em relação à ex-senadora.

"Ela (Marina) sempre colocou que é a favor de um desenvolvimento que olhe o lado da sustentabilidade como uma das premissas. Em nenhum momento ela colocou que a proteção unilateral do meio ambiente é conflituosa com o desenvolvimento", afirmou o presidente da SRB, Gustavo Junqueira, eleito para o cargo este ano aos 41 anos.

"É possível produzir e proteger os nossos ativos naturais. O conceito que eu vejo nas conversas com a Marina... é que ela também avalia que é possível fazer isso", comentou ele, destacando estar aberto a discussões. (Reuters 15/08/2014)

 

Nova lei obriga postos a indicarem diferença entre gasolina e etanol

Os postos de Santos terão de colocar placas indicando a diferença entre os preços da gasolina e do etanol, o que pode te ajudar na hora de escolher um dos dois combustíveis. A lei municipal que definiu a novidade está valendo desde o dia 4, quando o texto foi publicado no Diário Oficial.

De acordo com a legislação, no cartaz, terá de constar a seguinte frase: “Neste estabelecimento, o preço do etanol comum corresponde a x% da gasolina comum”. A placa deve ter, no mínimo, 40×50 centímetros.

O presidente do Sindicato dos Donos de Postos de Combustíveis (Resan), José Camargo Hernandes, falou sobre a obrigatoriedade dos postos da cidade em colocar placas indicando a diferença entre os preços da gasolina e do etanol. (CBN de Santos 18/08/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Mercado volátil: O mercado do café foi marcado mais uma vez pela forte volatilidade na sexta-feira diante da ação especulativa dos fundos, que levaram os preços do arábica na bolsa de Nova York para o lado positivo. Os lotes para dezembro fecharam com elevação de 470 pontos, a US$ 1,9315 a libra-peso. A ausência de notícias sobre a produção ou o consumo de café no mundo abriu espaço para a atuação dos fundos, que têm rolado posições entre os contratos de setembro para os de dezembro, que passaram a ser os mais negociados. Segundo Carlos Costa, da Pharos Risk Commodities Management, "os indicadores técnicos sinalizam que o mercado encontra-se em um patamar de neutralidade". No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 1,57%, para R$ 441,83 a saca.

Algodão: Pressão da oferta: As cotações do algodão recuaram na sexta-feira na bolsa de Nova York, na contramão das demais commodities agrícolas. Os contratos da pluma com vencimento em dezembro encerraram a sessão com queda de 32 pontos, a 64,35 centavos de dólar a libra-peso. Os investidores do mercado de algodão seguem reticentes entre a incerteza sobre a mudança da política de apoio ao setor na China e a perspectiva de aumento da oferta no mundo na safra 2014/15. Na semana encerrada no dia 7, os fundos reduziram sua posição comprada (aposta em alta dos preços) em 30%, para o menor nível desde novembro de 2012. Já no mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o algodão com pagamento em oito dias teve valorização de 0,56%, para R$ 1,6781 a libra-peso.

Soja: Mais chuvas: Os preços da soja esboçaram uma alta na bolsa de Chicago, mas voltaram para o campo negativo na sexta-feira. Os lotes da oleaginosa para entrega em novembro fecharam em baixa de 0,37%, ou 4 centavos, a US$ 10,52 o bushel. As previsões meteorológicas continuaram pesando sobre as negociações, já que indicam um cenário favorável para o desenvolvimento das lavouras nesta semana. A empresa de meteorologia DTN prevê fortes chuvas e tempestades no cinturão produtor do Meio-Oeste americano, com temperaturas variadas. As lavouras já receberam a umidade suficiente para que não haja nenhum estresse hídrico, e os produtores esperam colher produtividades recorde. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos em Paranaguá se manteve em R$ 67,13.

Trigo: Susto com a Ucrânia: O mercado do trigo não escapou da nova escalada de tensão entre Ucrânia e Rússia na sexta-feira e assistiu a uma alta dos contratos futuros nas bolsas americanas. Em Chicago, os papéis com vencimento em dezembro fecharam com valorização de 10,75 centavos, a US$ 5,635 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os lotes com igual prazo de entrega fecharam com alta de 11 centavos, a US$ 6,3425 o bushel. As produções de trigo da Rússia e da Ucrânia têm grande importância no abastecimento mundial, e eventuais problemas no escoamento a partir do Mar Negro - em consequência de uma escalada no conflito - preocupam os investidores. No mercado interno, o preço médio no Paraná apurado pelo Cepea/Esalq caiu 0,09%, para R$ 583,49 a tonelada. (Valor Econômico 18/08/2014)